Hora do almoço

Dul sentou-se ao lado da Mai. Mai sentou-se ao lado do Poncho. Poncho sentou-se ao lado de Chris. Chris sentou-se ao lado de Any. Any sentou-se ao lado de Ucker e Ucker sentou-se ao lado de Dul. A mesa era redonda, e eles gostavam dela assim.

Dul provou a lasanha e exclamou:

- Parabéns Chris, a lasanha está uma delícia.

- Aham. Está muito gostosa mesmo! – completou Poncho.

- Ah, obrigado, obrigado. O que é que eu faço que não fica uma delícia?

- Convencido... – Mai ri.

- Ucker, não fica assim. A tarde a gente pode ir ao shopping de novo, só pra comprar umas cuecas pra você, já que as suas estão muito usadas! – Dul não agüenta e ri, irônica.

Ucker faz uma cara de pouco caso e Any faz cara de nojo, dizendo:

- AAH, mas esse papo de cuecas de novo? Não vão parar com isso nunca?

- Vamos deixar as cuecas do Ucker pra depois, — Chris rindo – porque senão ninguém mais vai conseguir comer!

Todos riram menos Ucker.

Any e Poncho trocaram alguns olhares durante o almoço, carinhosos. Parecia que finalmente as coisas entre eles estavam melhorando.

Any, Dul e Mai dormiam em um quarto e Chris, Poncho e Ucker dormiam em outro. Um quarto ficava de frente pro outro. Eram amplos e muito bem decorados.

O quarto das meninas tinha uma mistura de flores, natureza, de coisas abstratas, cores escandalosas e de estrelas, coisas relacionadas ao universo. A parede de Dul era como um mosaico cheio de figuras enigmáticas e de cores muito vivas. Ela também havia pintado na parede símbolos da paz. A parede de Mai era como uma janela aberta para a natureza. Ela havia pintado cachoeiras, pássaros, coisas espirituais, árvores, um sol e nuvens. A parede de Any tinha um fundo preto, com enormes estrelas em amarelo, e nesse fundo preto havia também um universo pintado. Ao redor desse universo, junto com as estrelas, havia um coração bem vermelho. Mai fazia do quarto um templo de meditação, sempre acendendo incensos com fragrâncias de entupir as narinas. No começo, Any e Dul reclamavam do cheiro forte, mas agora já estavam acostumadas. Mai dizia que era pra afastar maus espíritos do lar. Dul também ouviu reclamações das amigas porque ligava o som no último volume, o que atrapalhava a concentração de Mai em seus “rituais” e o sono sagrado de Any. O bom é que o guarda-roupa delas é bem grande, e quando Dul queria escutar funk alto, Any pegava seu travesseiro e corria pra dentro do guarda-roupa. Não é uma atitude muito comum, mas para Any se livrar da música alta e poder dormir, dava certo. A única coisa que Any fazia que irritasse as amigas era seu banho demorado. Ficava horas e horas debaixo do chuveiro, cantando bem alto. Enquanto que do lado de fora tinha uma fila de gente esperando.

- Si tú piensas que te voy a perseguir, ni los sueñes, no soy así...

Mai gritava:

- AANY, QUER SAIR DAÍ LOGO? ESTOU A MEIA HORA AQUI ESPERANDO!

Dul gritava:

- PRECISO TOMAR BANHO!

Chris gritava:

- PRECISO FAZER XIXI URGENTE!

Dul fez uma careta de desaprovação para Chris.

- Chris, esse aqui nem é o seu banheiro.

- Eu só estava tentando ajudar você e a Mai, ué!