Aquele era mais um dos dias em que Any e Poncho estavam brigados. Depois de mais uma cena de ciúmes que ambos faziam, Poncho olhou fundo nos olhos dela e disse:

- E se eu for embora pra sempre?

Any não achou que aquela frase tivesse um sentido verdadeiro, ainda mais levando em conta que Poncho sempre foi de fazer brincadeiras. Achou que aquilo era uma brincadeira sem graça e respondeu, com um sorriso no canto da boca:

- Aí você não sobreviveria sem mim! – e riu.

Poncho continuou sério.

- E você não ligaria se eu fosse?

- Não, não ligaria – Any ainda sorria.

- Então, — ele se virou e mostrou a ela uma mala – eu vou embora.

Naquele momento, Any sentiu que não era uma brincadeira.

- Poncho, o que é isso?

Ele falou num tom de ironia:

- Uma mala, como vê.

- Eu sei que é uma mala bobão, mas por que...?

- Você acabou de dizer que não ligaria.

Poncho deu as costas à Any e pegou a mala. Ela já podia sentir seu coração apertar.

- Poncho...

Ele continuava de costas pra ela.

- Fala.

Any mordia os lábios, com vontade de chorar.

- Você não pode ir!

Ele se virou para ela.

- Por que não?

Ela não respondeu. Sua expressão era triste. Ele completou:

- Não posso ir porque você vai sentir falta das panquecas que eu faço? Não seja por isso, o Chris sabe fazer também.

Any pareceu se irritar.

- Não, não é por causa disso. Será que você não entende?

- O que é que eu deveria entender?

- Que se você fosse, eu morreria.

Poncho a olhava sério, mas sorria por dentro. Ficou quieto por alguns instantes, como se esperasse que ela falasse algo mais. E acertou. Com lágrimas nos olhos, Any disse, quase gritando:

- Que eu te amo, caramba!