Notas iniciais
Todos do club acompanhavam uma garota falando em um vídeo que Peter colocou.

Talvez
Carolina do Norte, 19 de Outubro de 2003
Clube dos Falls

Dizem por aí que se você atirar uma pedra em um alvo talvez você acerte, talvez você erre. Talvez.
Se a vida começou com um ''sim'', -uma mulher disse sim para outro homem e então transaram e geraram uma vida- porque há tantos ''talvez e talvez'' na vida? Nada começou com um talvez, foi com um sim, e então, logo, acredito que o sim, deveria ser uma linguagem universal para tudo.
E então apareceu também o ''não'', uma mulher disse não para um homem e eles não tiveram filho. Mas antes de dizer não, ela teve que ter certeza de que o não era algo certo, e então veio o sim antes do ''não'', para ela ter certeza de que ela não iria falar um ''não'' que viera a se arrepender um dia, ''sim, vou falar não, e esse é o certo''.
Talvez os acontecimentos da última semana tenha passado dos limites. Uma vingaça, uma pedra e um talvez levaram eu a gravar isso.
E talvez aqui nesse vídeo fique a história verdadeira que deu origem à tudo que aconteceu nas últimas semanas no Colégio Falls, primeiro dia: 22 de Maio.

- Parou! Parou! — Charles parando na frente da televisão — É sério isso? Tipo, vamos mesmo ter que ver essa história? Todos nós sabemos o que aconteceu.
Charles era um garoto do time de basquete da escola, ganhou bolsa no colégio Falls por ter boas notas nas aulas de Educação Fisíca e em troca de uma mensalidade gratuita no colégio Falls ele jogaria pelo time do colégio.
- Mas é óbvio que sim, não entrei na casa dos Falls atoa, né? — Disse Sophia
Sophia era uma garota baixa, negra e com dreds no cabelo, magra e quase sempre estava com shorts curto e com botinha.
- E detalhe: No quarto da Annie, não se esqueça — Completou Yulle
Yulle estava com óculos sempre, alguns diziam que o motivo era que ela tinha perdido a visão de um olho e tentava esconder seu olho branco. Apesar de tudo era ruiva, branca e sempre estava com o mesmo tênis: sujo, porém, agradável a ponto de se parecer com um legítimo all star.
- Sério pessoal! Essa história já deu! — Charles
- Você tem que entender que esse dvd é de exclusividade nossa, do clube dos Falls, e que as garotas se arriscaram para conseguir ele. — Peter
Peter era o presidente do grêmio estudantil, gay -até demais- tinha algumas tatuagens nas costas que somente três pessoas já viram, sendo duas seus pais e a outra da Yulle, que também não contava muito.
O fato é: a tal tatuagem era um mistério e alguns rumores do colégio, diziam que a tatuagem era um desenho de um diabo e por sua família ser religiosa ele não mostrava à ninguém. Alguns dizem que a tal tatuagem foi feita em um momento de surto psicotico de Peter e por afrontamente à seus pais, ele fez essa tatuagem.
- O Clube dos Falls não foi fundado para isso — Charles — Não com esse fundamento! — Charles encarando Peter
- Então, com qual fundamento foi fundado? Descobrir sobre por exemplo quem roubou o caderno do Sr. Rubens? — Peter cruzando as pernas.
O Clube dos Falls ficava em um prédio abandonado da cidade, todas as sextas-feiras eles se reuniam e tentavam desvendar algum episódio que já aconteceu na escola. Desde brigas na sala de aula até discussões entre professores. Queriam saber como aconteceu e o motivo.
Poderia parecer algo meio inútil, mas eles se divertiam fazendo isso. Era uma roda da fofoca só que com uma ideologia: falar da vida alheia, investigar os passos da pessoa e depois postar tudo na internet, anonimamente.
O Clube era algo totalmente secreto e os membros recrutados tinham que jurar que não contaria à ninguém sobre a existência dos Falls, depois disso tinham que tirar fotos um tanto quanto constrangedoras, como garantia. E se contassem sobre o clube, as fotos eram divulgadas e a pessoa passava-se por louca.
- Eu quero dizer que a Annie... — Nesse momento Charles aponta para um quadro na parede que estava a foto de todos os estudantes de 2003 do colégio — Ela deveria ser esquecida! Todos os anos falamos sobre o episodio V, e nunca chegamos à uma conclusão final. — Completou Charles
- Mas dessa vez temos um vídeo que ela fala sobre a semana V! — Yulle ajeitando seus óculos.
- Ela está certa Charles! Quem acha que devemos continuar que levante a mão — Peter levantando a mão.
O Clube tinha 7 membros e cada um tinha sua função no clube, alguns tinha a missão de invadir o sistema de segurança da escolas e roubar imagens, já outros tinham apenas que investigar.
- Isso é inútil — Charles sentando-se — Eu só achei que era perca de tempo e deveríamos investigar outra coisa, não somos investigadores de alunos desaparecidos.
- Xiuu! — Rose olhando para Charles
Rose era a mais velha do grupo, tinha 19 anos e já havia repetido 2 vezes o primeiro ano. E quando alguém perguntava se ela não se sentia mal, ela dizia que ela conseguira aprender ainda mais e que estava sempre há um passo a frente de todos.
E então o vídeo de Annie Falls começou a rolar.
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Tudo começou com a aceitação. Era difícil para mim, eu tentava, sim, eu tentava e não conseguia. Eu era sempre a mimada e fresca do colégio, que por ser filha do dono me sentia exclusiva.
Eu estava tentando me aproximar cada vez mais. O baile estava chegando e eu não queria ficar sozinha e então tomei a iniciativa de convidar o Tyson, e ao invés dele dizer um simples ''não'', contou à todos do colégio que eu havia o chamado para o baile. E tudo estava tornando-se exaustivo e eu achava que já estava na hora de dar um basta nisso.
E é assim que eu começo a história: Sim, eu darei um basta nisso! E não: Talvez eu darei um basta nisso.
Eu quero deixar claro uma coisa: Eu estava sozinha na história e as pessoas que morreram foram assassinadas por mim, sem dó e nem piedade. Digo isso com todas as palavras, e de boca cheia. Sei que no final de tudo nem estarei mais aqui.
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- Beleza, essa é a primeira parte da fita cassete — Disse Peter levantando-se — E o que já sabemos?
- Nada — Charles
Nesse momento Peter flertou com Charles por alguns instantes.
- Sabemos o que sempre soubemos: Que Annie Falls é a assassina — Yulle.
- Continuaremos a assistir então — Peter colocando outra fita
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Meu pai conhecia um cara chamado Rex, ele tinha emprestado algumas armas no passado para ele, e eu fui atrás desse Rex, foi tão fácil quanto oferecer dinheiro para uma prostituta em troca de sexo.
No dia em que eu completara 16 anos, eu já tinha uma arma. Decidi enconde-la no sotão, já que ninguém iria lá há séculos.
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- Ok, pessoal, então — Peter — Sabemos que um tal Rex que deu a arma para ela. — Peter
- E que a polícia pensava que a arma era do pai dela e que era uma arma ilegal, já que ela não teria contatos com pessoas que forneciam armas — Rose anotando em seu caderno
- Quero que alguém consiga o contato desse Rex, para que possamos conversar com ele. — Peter apontando para Max
Max era o ''hacker'' do grupo, ele sempre conseguia o que queria. Desde invadir redes sociais à invadir a vigilância da escola. Usava óculos redondo com um grau e sempre estava com o uniforme da escola, branco e cabelo repartido.
Peter então continuou com o vídeo.
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Eu comecei então a perseguir o Tyson.
Sabia que ás 15h30 ele chegava em casa, pois, ele saia da escola ás 13h00 e passava sempre no vestiário do time ás 13h15, tomava banho lá mesmo, e então ás 13h30 saia, e ás 14h00 estava no bar bebendo, ficava lá até as 15h00 e ás 15h30 já estava em casa.
O difícil foi descobrir a agenda da Meghan.
Comecei a anotar tudo nesse caderno... Hum vamos ver...
Tyson, aqui está!
Rotina, vícios — bebidas -... Achei!
Como podem ver: Nunca desconfiaram de mim, pois, é claro, ele era um viciado em bebidas e drogas... O que é bem chato para quem é atleta... Mas se ele aparecer morto pode ter sido algum traficante, não acham?
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O cenário do vídeo era o quarto de Annie. Aparecia uma cama, uma porta ao fundo, uma mesinha com um computador, e as paredes brancas.
Annie havia sido dada como desaparecida há 10 anos, depois de ter sido culpada de ter matado três jovens: Tyson, Meghan e Filipe. Todos por motivos desconhecidos, até então.
Segundo a polícia, a jovem após saber que seria presa, desapareceu e foi dada como morta dias após, depois que alguns agricultores disseram ter encontrado um corpo sendo devorado por corvos na beira da estrada, e segundo as informações dos agricultores, era Annie, depois de terem visto uma foto que ela estava com uma roupa igual ao corpo encontrado, as tais roupas nunca foram encontradas, levantando ainda mais a suspeita de apenas desaparecimento.
Apesar de tudo, para os pais de Annie, ela está desaparecida e para alguns, ela vive como outra pessoa em algum lugar dos Estados Unidos.
O mais estranho de tudo é que antes de desaparecer, ela gravou tudo em vídeo, contando como planejou e como matou.
Durante três meses, só se falava isso nos telejornais do país, e até mesmo Frank, seu melhor amigo, mudou-se de estado após o acontecimento, sendo inclusive acusado como cúmplice, porém, como não haviam provas ele decidiu sair da cidade e nunca mais soube-se dele.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.