Notas iniciais
Yo, Death Writers! Antes que escrevam nossos nomes, queremos pedir desculpas pela demora. Nós duas duas estávamos ocupadas e como se não bastasse,estava complicado escrever com o enredo que havíamos imaginado.Bem, prometo pelo Estinge que o próximo não terá uma espera tão longa. Enfim, espero que gostem ^^
#Queremos agradecer ao nosso amigo Matsuy,ele não traz café, mas tem muita imaginação!# Valeu ^^

(Lawliet)

Lapsos do Trono de Ozaru foram encobridos pela escuridão. O som leve de asas batendo foi sutilmente se distanciando, levando-me á um silêncio insano. Depois, o negror foi substituído por uma imensidão alva.

Minha mente ficou distante, inerte... As memórias se enfraqueceram e era como se não existisse mais eu... Nada mais que um rascunho, páginas fragmentadas de um legado que se desintegrara. Tudo parecia se resumir ao Nada.

Branco e eterno Nada...

E então, uma mínima parte de mim que ainda era capaz de perceber as coisas, conseguiu distinguir contornos. A brancura ofuscante desmanchou-se em outras cores e elas logo se assentaram, entrelaçando-se umas com as outras e formando um lugar, cuja familiaridade apesar de pequena, existia.

Era um jardim ladeado por pinheiros e pingado ás vezes por redondos arbustos vermelhos. E havia muitas flores coloridas espalhadas pela grama úmida, como se o jardim sempre recebesse chuvas primaveris. O silêncio era cortado ora pelo canto dos pássaros ora por trovões distantes. O vento uivante soprava o gramado e as folhas das arvores. Algumas das pétalas multicoloridas dançavam pelo ar.

Eu estava sentado em meio á rosas brancas, o que contrastava com o jardim entorpecido por cores vivas. Observei ao meu redor todos os detalhes que resgatassem as respostas esquecidas. Num flash cortante, imagens vieram rápidas e confusas. Coloquei uma mão na lateral da cabeça, ignorando o fato de eu já poder me sentir “fisicamente”.

Mortes.

Sangue.

Solidão.

Uma máquina de desvendar crimes insolúveis. O maior dos detetives, mas o mais solitário também. E havia Kira e suas prodigiosas mentiras.

Caderno.

Correntes.

Sinos.

Subitamente, olhei minhas mãos e forcei as lembranças. Quieto, mas com uma mente barulhenta olhei para trás. Há poucos centímetros, havia uma rocha perfeitamente polida.

Com mais atenção notei que não se tratava de uma rocha comum. Era uma lápide.

“Minha lápide...”

(...)

Em um transe, ergui minha mão para tocar a pedra. Junto com todas as memórias, veio também àquela sensação de que havia alguém por perto.

— Lumiére.

Com roupas claro acinzentadas e jeito estranhamente cauteloso, ele me observava como se eu fosse algum experimento á prova de testes.

— Você sempre me surpreendeu, mas isso superou todas as suas outras atitudes. – falou enquanto o sol se escondia atrás das enegrecidas nuvens inglesas.

Olhei ao longe, fitando as flores multicoloridas e me perguntando por que havia surgido no Jardim da Wammy’s House. Lugar onde eles decidiram me enterrar dois anos após minha morte e aonde eu raramente ia.

— É por isso que espíritos não costumam visitar os próprios túmulos – ouvi-o comentar – eles se sentem nostálgicos demais.

Empurrei qualquer pensamento inútil sobre espíritos e sepulturas e falei a primeira coisa que veio à minha ainda recente consciência:

— Porque a dispersão não funcionou comigo? – encarei-o – E porque não me contou que eu poderia sobreviver á ela!? Teria sido um ótimo lembrete!

Apesar do meu humor negativo ele permaneceu calmo. Parecia querer que eu desabafasse.

— Kira me deixou morrendo no mundo shinigami e agora deve estar bem próximo de adquirir um segundo caderno! Realmente não foi uma boa hora pra eu ter desaparecido e... Aparecido aqui! Não consigo entender!

— Mas a dispersão funcionou em você. – o Arcanjo disse.

— Estranho jeito de funcionar...

Olhou-me com pena.

— Sua energia angelical foi destruída como era para ser, mas havia algo em você que permaneceu intacta, algo que nenhum outro Anjo possui – ele se sentou á minha frente – Sua essência humana. Como é impossível que ela seja afetada, foi convertida num corpo astral e veio parar ao lugar onde era ligada fisicamente: sua sepultura.

Depois de alguns segundos silêncios, resolvi ver as coisas de maneira prática:

— Está me dizendo que eu sou um fantasma agora? – a decepção foi notável em minha voz.

Se já era complicado “duelar” com Kira antes, que chances eu tinha sendo somente um projeto de gasparzinho?

— Você deveria agradecer por ainda estar aqui.

Aqui. Um mundo onde Kira teria pleno controle e as chances de eu fazer algo á respeito eram tão mínimas que resolvi não colocá-las numa porcentagem. Olhei para Lumiére e odiei o fato dele agir como se tudo estivesse absolutamente bem e de repente, me vi perguntando do porque eu fora o único que se deu ao trabalho da Pará-lo.

— Anjos deveriam manter o Equilíbrio entre a Luz e as Trevas. E deixar um shinigami sádico vagando pela Terra, matando milhares e desejando subir á divindade, não é exatamente um meio de manter essa ordem. – minhas palavras eram intercaladas pela mais pura monotonia, então tratei de colocar o tom acusatório em meus olhos cor de noite. Porém, infelizmente, o ser inabalável á minha frente não demonstrou nenhuma reação.

— Light Yagami realmente fez coisas terríveis, mas isso não anula o livre-arbítrio dele. Humanos vivos ou não, possuem escolhas, você teve quando decidiu fazer justiça com as próprias mãos.

— É, eu tive. – respondi – Mas ainda acho que algumas pessoas não merecem ter o direito de escolha.

— Mas todos tem esse direito, mesmo alguns fazendo mal uso dele.

Balancei a cabeça sentindo-me perdido. Uma leve brisa soprou.

— Eu devia destruí-lo... – olhei sombriamente meus dedos atravessando as pétalas – Ele tem o Rei Shinigami ao seu lado e em breve terá dois humanos também. E eu... Estou sozinho contra tudo isso- minha voz não passava de um murmúrio- Há Nate, mas... Há grandes chances de ele estar morto, ou pelo menos quase. E eu sei que é minha culpa.

Levantei-me. Revivi tudo o que passei ao sair do Mundo dos Arcanjos em busca de Kira. Dei-me conta de que nunca havia optado por literalmente destruí-lo. Por que essa opção simplesmente não existia. Havia até mesmo dado chances á ele. Mas á claro que sua recusa fora inevitável.

O Light sem memória e amigo do passado havia morrido ao primeiro toque do caderno. Ele não passava de um shinigami que se me visse oferecendo-lhe a mão, me puxaria abismo abaixo. Se ele não queria minha ajuda para sair das Trevas, então que ele se destruísse nelas.

Sentimentos são corrosivos, mas naquele momento eu só queria que Light experimentasse o mais massivo sofrimento, que o fizesse se curvar com lágrimas caindo de seus olhos de fogo.

Ódio. Eu o odiava finalmente?

Virei e olhei minha lápide com as rosas brancas forrando a grama bem cuidada em volta dela.

“Leve sua salvação para o Inferno, L. Lugar que você deveria estar agora.”

Sem perceber, apertei os punhos.

“Monstros não precisam de piedade.”

— É melhor voltarmos ao Paraíso, você ficou um bom tempo fora. – ficou de pé e ignorou meu olhar obscuro– lembre-se sua energia angelical se destruiu junto com o fato de você ser um Portador, sua passagem voltou á ser livre. – completou simplesmente.

(...)

O Paraíso estava como sempre fora. Mas eu não. Em frente ao grande Palácio, minha expressão era sombria. Lumiére deu-me um aceno para segui-lo pelas enormes portas. Durante alguns minutos andamos por muitos corredores até chegarmos num comprido salão. A altíssima cúpula de vitrais se perdia nas intensas luzes que mais pareciam auroras boreais. Na parede esquerda, dezenas de janelas pendiam do chão ao teto. Através delas, eu via o jardim do castelo repleto com suas arvores de prata. A parede oposta mais parecia um museu. Era cheio de armas, pinturas de guerra, escudos, adagas, espadas, lanças... Perguntei-me do porque dele me querer fazendo um tour num palácio que aparentemente era restrito.

Estaquei.

— Muitas guerras aconteceram no Paraíso, o que causou a aniquilação de milhares de Anjos. O que contradiz a teoria de que eles só podem morrer pela dispersão. – Lumiére virou-se me fitando com seus olhos dourados. – aumentar a vida humana ou ficar preso aqui, não pode ser os únicos meios de se matar um deus da morte.

— Matá-lo é um caminho sem volta. Você pode conviver com o arrependimento para sempre. – testou-me.

— Ele não merece meu arrependimento. E mesmo com a mínima chance de eu me arrepender, eu não me importo! Posso conviver muito bem com a culpa, isso se ela existir.

Segundos se passaram enquanto ele me analisava em silencio.

— Lawliet, realmente está disposto á fazer isso? – perguntou cautelosamente.

— Ás vezes, Anjos precisam descer á Terra não com uma benção, mas com uma maldição.

— E com qual deles você desceu ao Mundo Humano para parar Kira?

Sem saber o que responder, nutri a quietude junto com minha confortável inexpressão.

— O passado não importa – acabei por dizer – o que importa é que agora vou matá-lo e sei que qualquer uma dessas armas divinas pode fazer o serviço.

— Elas foram forjadas unicamente para exterminar Anjos. Mas há uma em especial que pode matar qualquer um que esteje no Plano Astral.

Olhei para a comprida parede de guerra.

— Já ouviu falar na Espada de Miguel?

É claro que eu já ouvira falar, seja em lendas sussurradas para mim quando vivo ou comentários fragmentados pelo Paraíso.

— Ela intimida Demônios, já que eles sentem a dor física quando o aço passa através deles.

— Shinigamis também. – completou.

Ergui raivosos olhos para ele.

— Porque não me disse isso antes!?

— Porque você é muito impulsivo. A única coisa que uma arma angelical faria era te destruir.

— E depois de tudo, você acha que só agora essa informação seria útil!?

— Você tinha plena consciência que mante-lo aqui o dispersaria facilmente, mas por alguma razão isso nunca lhe passou pela cabeça.

Eu o encarei pego de surpresa.

— De qualquer forma isso não resolveria, já que ele também tem uma essência humana que sobreviveria.

— Você não sabia disso na época.

Dei um alto suspiro.

— Será que você pode só me dizer qual delas é a Espada? – perguntei um pouco mal-humorado.
Segui seu olhar e vi uma espada prateada de aparência antiga. Uma fina névoa azul nascia do cabo enegrecido e serpenteava ao se redor como serpentes.

Passei por Lumiére e toquei na gelada lâmina com a ponta dos dedos. Senti uma terrível queimação na palma da mão. Nela, um círculo preenchido com uma estrela de cinco pontas estava cravado em minha pálida palma sem linhas. A Espada havia sumido.

— O que...

— Ela se fundiu com seu espírito.

— Eu não tenho um espírito, eu sou um espírito. – corrigi e me lembrei de uma coisa importante. – Você acabou de dizer que ela me destruiria, mas não parece se importar que eu á pegue.

— Você mesmo nunca se importou, L. Faria qualquer coisa para parar Kira mesmo que tal ato significasse seu fim. Em toda sua vida, você abdicou tudo em nome da justiça e por causa disso acabou morrendo. E agora é um Anjo que evoluiu de um simples espírito e está prestes á fazer tudo de novo...

Balancei a cabeça em negativa.

— Não, agora eu sou só um fantas...

— Não com essa enorme energia divina dentro de você. Ela é poderosa e restauradora até certo ponto, porém perigosa. Mas tenho confiança que você fará a coisa certa.

Mas qual seria essa coisa certa? Eu não conseguia ver nenhuma outra solução além de simplesmente matá-lo. Ou talvez, eu não queria outra solução. Se a Espada me destruísse ou não, não importava. Eu queria apenas que Kira caísse e se isso culminasse em minha igual queda, então ao menos teria valido á pena.

Não era vingança, era justiça. Ou pelo menos, me obriguei á acreditar nisso.

(...)

Kira obrigaria Nate a entregar o segundo caderno. Eu tinha confiança de que o garoto não permitiria que nosso Death Note parasse nas mãos dele, mas infelizmente isso seria o sinônimo de sua morte. E se Kira realmente conseguisse o caderno e tivesse dois Portadores, tudo recomeçaria novamente. Mas quando cheguei ao QG, Nate havia sumido.

O caderno ainda estava lá e não havia nenhum sinal do shinigami. Encarei a janela do quarto branco aberta e pensei se fora por ela que ele fugira com o garoto.

Ter a localização do segundo caderno e ainda tirar a vida de Nate convergiam num ponto favorável á meu oponente e que estava explicitamente escrito nas regras que já havia decorado. Se a morte de Near fosse controlada, ele seria coagido a falar sobre o paradeiro do caderno contra sua vontade.

Sem mim e Nate, e com o dobro de mortes, o domínio global que ele tanto almejava viria rápido. Seria uma pena se alguém alterasse esse futuro certo...

(...)

Uma das portas de vidro estava fechada. E ocultado pela cortina de dentro, permaneci escutando qualquer indicio que me revelasse o atual cenário que Kira se encontrava.

O cheiro de sangue me invadiu e todos os meus instintos me apontavam para um único fato concreto: Havia um corpo lá dentro. A fina linha entre a Vida e a Morte havia sido atravessada e eu podia facilmente sentir isso.

— Você nunca irá nem mesmo tocar no segundo caderno.

O nervosismo disfarçado de Nate mostrou-me o quanto ele estava á deriva. Sozinho com um assassino e um corpo ensanguentado que só poderia pertencer á...

— Near...Lawliet partiu e você era a única esperança dele. Mas mesmo assim você falhou. É tão parecido com ele nesse aspecto, assim como em tantos outros. – ouvi sua palpitação acelerar ainda mais.

Concentrei-me.

Pegar o Death Note, manter meu sucessor vivo e finalmente destruir Kira. Três ações aparentemente simples, mas cheias de variáveis complexas. Olhei o pentagrama e me perguntei se a tal Espada tinha um manual de instruções assim como o Death Note.

— Não se preocupe, criança. – a voz paternal e serena de Kira tornou-o escandalosamente perigoso. – Todos iram encontrar a morte um dia e você não foge à regra.

Dei um passo para dentro do quarto iluminado. O cheiro de sangue se intensificou, a estrela de ônix ardeu e os olhos incendiários de Light que subitamente ficaram contra os meus, me reviveram o quanto eu desejava sua lástima.

— Light-kun- o som ecoou pelo recinto com tanta frieza que qualquer um que me visse, diria que o grande assassino era eu e não ele. – Nunca comemore uma vitória antes de ter a certeza de que todos os seus inimigos estejam mortos.

Notas finais
Tomara que não tenha ficado confuso XD
#Reviews??