Notas iniciais
Oi, pessoas ^^
Como estão?
Dedicamos esse capítulo à Fani Carolin, que fez uma linda recomendação de TFOL. Amamos, muito obrigada pelo carinho ♥
Sem mais delongas, enjoy (:

Quem conseguiria se manter firme quando todos os caminhos te guiassem a um destino inevitavelmente doloroso?

Quando sua única certeza é a queda, não há razões para se continuar lutando. E L, apesar de todos os seus esforços – em vida ou além dela – sempre terminaria da mesma maneira: Vencido pela morte. Do mesmo jeito que o vi desfalecer em meus braços, veria sua alma se desfragmentar, o que finalmente abriria as portas para meu Novo Mundo.

As correntes que o destino nos impôs finalmente seriam partidas.

“Você nunca deveria ter retornado à Terra, Ryuuzaki. E esse erro lhe custará a existência.”

(...)

O tédio de L se desfez. Sentia que ele desconfiava de mim. Mas era claro, ele desconfiou desde a primeira vez que me viu.

- Nós morremos e ganhamos a eternidade. – eu disse. – O que me faz pensar que essa nossa batalha poderá durar para sempre. Os séculos passarão e, mesmo assim, continuaremos aqui... Sem ao menos ter ideia de quando será o fim.

- Isso soa tão... dramático. – O detetive respondeu, com um leve sorriso nos lábios. – Mas irreal, porque tudo tem um fim.

Tudo tinha um fim, menos eu. Light Yagami duraria para sempre, enquanto Ryuuzaki seria apenas uma memória antiga.

- Talvez você devesse parar de enrolação e dizer logo o que quer de mim, Light.

“Quero te levar ao Mundo Shinigami e te ver desaparecer”.

- No seu lugar, qualquer outra pessoa teria desistido – comentei.

- Digamos apenas que eu não sou qualquer pessoa. – L debochou, infantilmente. Ele se dirigiu à sacada e olhou para baixo.

Queria saber o que Ryuuzaki estava pensando. Ah, como queria...

- Você não quer um mundo perfeito, Kira. – o detetive disse, colocando fim às minhas indagações internas. – Você quer um mundo subjugado às suas vontades.

Sua voz era monótona, como se estivesse comentando uma partida de xadrez. O que me irritou profundamente.

- Já disse isso antes, detetive. Me tornar um deus é apenas uma favorável consequência. Estou trazendo de volta a Justiça que há muito tempo não prevalece na Terra. Aprenda, Ryuuzaki: Não existem pessoas boas ou más, existem apenas aquelas que oscilam entre esses dois extremos.

- Então não oscile tanto nas trevas, Light. Não estou dizendo que estou certo. Só quero dizer que depois de tudo, você não passa de um assassino frio e calculista. A única diferença entre o Raito de ontem e o de hoje é a transformação em deus da morte.

Eu tinha a justiça na forma de um caderno preto e claros objetivos de reformar um mundo doentio. Nunca ninguém havia estado tão próximo à luz.

- Eu sou a Justiça – limitei-me a dizer.

L tombou a cabeça para o lado.

- E eu odeio açúcar.

Se ele tivesse desfeito as asas, eu o teria derrubado do prédio. Ryuuzaki pôs as mãos na sacada de cimento e fitou o céu.

- Está perdendo seu tempo, Yagami. Nunca vou concordar com você.

Caminhei lentamente e parei ao seu lado.

- Todos os Anjos são teimosos como você, detetive?

Sua cabeça devia estar envolta em vários questionamentos. Quase podia enxergar as interrogações em suas íris negras. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, resolvi deixar claro que tinha o controle da situação.

- Estou anos-luz à sua frente, L. – dei-lhe um sorriso sádico – Consegui informações muito valiosas a seu respeito, que podem acabar com essa sua “invencibilidade” num passe de mágica.

- Você não sabe absolutamente nada sobre mim. – em partes, eu tinha que concordar com ele. Ryuuzaki seria sempre minha incógnita pessoal.

- Talvez eu não saiba mesmo. Mas pode ter certeza, o pouco que sei te fará cair.

Não consegui ver nenhum indício de preocupação nele. Muito pelo contrário: Quase podia jurar que, em seu íntimo, ele se divertia.

- Diz isso com tanta certeza que quase posso acreditar. – L disse, pensativamente, mas depois deu de ombros. – Bem, na verdade, acho isso meio impossível, Light. Espero que não se importe.

- Ah, meu caro L... Eu já sei de tudo. Você tem um Death Note. Foi assim que conseguiu parar as mortes: anulando-as. — tratei de ser objetivo.

No fundo, eu estava radiante com o fato de estar a frente de L e o mesmo saber disso. Eu queria poder guardar a sensação em algum lugar só para ter o gosto de sentí-la denovo. Era infantil, mas eu não me importava. Queria apenas desfrutar o início de minha inevitável ascensão.

- Você foi ao Mundo Shinigami e colheu essa informação, estou certo? – concluiu.

Como ele sabia?

- Agora que estou me concentrando – disse, para calar suas deduções odiáveis -, percebo que sua energia está um pouco maior do que antes. Isso só aconteceria se você tivesse ido ao seu Paraíso...

- Eu já havia concluído que seu amigo shinigami te daria essa informação.

- Ele não é meu amigo! – deixei claro, furioso.

Apesar de Ryuuku ter me dado a dica em questão e ter me ajudado algumas vezes antes, não mudaria o fato dele ter escrito meu nome. Sabia que eu morreria de qualquer forma, devido aos ferimentos, mas mesmo assim.

- Já percebeu, Raito – L disse, se voltando para mim -, que eu fui a única coisa próxima a um amigo que você teve?

Ao absorver sua pergunta, tive vontade de rir.

- Você é engraçado, Ryuuzaki. Falando assim, nem parece que você me perseguiu, louco pra me jogar na cadeira, ou quem sabe até pra uma execução.

- Se o Death Note não existisse, nós seríamos amigos.

- Mas ele existe e é essa a questão – falei, tentando sair do clima melancólico que seus olhos escuros queriam compartilhar. – Aliás, no mundo humano, existem dois.

“E esse segundo me causa muito interesse...”

- Não haja como se eu fosse entregá-lo a você, Light. – L estava ouvindo meus pensamentos? – Eu jamais faria isso, não importa o que aconteça.

Impassivo, o detetive se sentou na sacada – ao seu modo, o que nunca conseguiria entender – Sabia que ele não me entregaria o caderno. Precisava resolver isso...

Lembrei-me das crianças gênias e deliberei se seria sábio voltá-las ao jogo. À primeira vista, parecia um plano promissor, mas logo vi o quanto era fraco. Não queria parecer desesperado, afinal, eu não era um assassino. Da última vez que ameacei L, ele roubou minha humana. E isso continuava me incomodando...

Ele nunca desistiria. Assim como eu. Éramos muito parecidos, isso eu tinha que admitir.

Uma eterna batalha. A menos que um de nós fosse eliminado permanentemente.

Sem Ryuuzaki, N estaria à deriva. Seria muito mais fácil arrancar o Death Note dele.

- Você foi o melhor detetive do mundo, mas isso é passado. Ninguém no mundo humano lembra de você. A população começou a desconfiar de sua competência, visto que N não é tão bom quanto parece. Ninguém mais confia em seus julgamentos – sorri -, ou melhor, nos de Near.

- O que é engraçado é que, mesmo N não sendo tão bom, ao seu ponto de vista, ainda tentou matá-lo – ele me desafiou.

- Você vai morrer – cerrei os dentes, completamente nervoso.

- Anjos não podem mor...

- Tem certeza disso?

Antes que ele pudesse contra-argumentar, me impulsionei para frente e me choquei contra ele, fazendo com que despencássemos do altíssimo prédio em que estávamos. Nossa queda tornou a brisa ainda mais gelada, e ela cortava minha pele. Segurei L com força, impedindo uma possível fuga.

Abri minhas asas negras e mentalizei aquele mundo fúnebre.

Mergulhamos numa espessa névoa.

(...)

Anjos só podem dar azar.

Da última vez que fui ao M.S. tudo correu bem, me sentia mais forte. Mas obviamente, L tinha que fazer daquela uma viagem turbulenta.

Num segundo, nos chocamos violentamente com as pedras e as atravessamos – não como fantasmas atravessam paredes, mas como dois caras bem sólidos atravessam coisas igualmente sólidas. Ouvi estalos e coisas se quebrando.

Pelo menos, Ryuuzaki amorteceu o impacto.

Rolei para o lado e me levantei, notando que estávamos, não sabia como, na sala do trono de Ozaru.

- Light, Light... Quando for trazer visitas, avise com antecedência – o shinigami disse, sorrindo.

Dei alguns passos em sua direção.

- Era um tanto óbvio que o traria aqui, não é?

- Você foi rápido. Meus parabéns.

- Tive que ser – dei de ombros.

Ouvi algo atrás de mim. Ao me virar, observei L se esforçando para se colocar de pé, com a respiração pesada e desigual. Seus olhos estavam inflamados.

O rei shinigami desceu de seu lugar e caminhou até o detetive.

- Essa é sua terceira vinda à esse mundo e ainda está vivo? – Ozaru se surpreendeu. – Você é forte, Lawliet. Devo admitir.

“Então era esse seu nome. Lawliet”.

- Então você é o dono de Light, estou correto? – ele respondeu, com a voz pastosa.

Instantaneamente, quis protestar.

- Ele não é meu dono.

- Ele te dá ordens e você as obedece como um cachorrinho. Existe algum termo melhor? Estou aberto a sugestões.

Cerrei os dentes. L ia pagar por aquilo.

- Você não está em condições de fazer piadas, Lawliet – fiz questão de usar seu verdadeiro nome, e foi a vez dele de se irritar.

- Não era uma piada. – ele disse, e então voltou sua atenção para Ozaru. – Shinigamis existem com o intuito de fazer com que os humanos não ultrapassem seu tempo de vida. Com os milênios, vocês começaram a matar aleatoriamente, aumentando o próprio tempo de vida. Sabemos tudo sobre vocês em meu mundo.

Ozaru deu um sorriso retorcido.

- Bem... até um deus da morte quer viver pela eternidade. O mundo humano precisa da morte. Só fazemos as coisas se tornarem mais divertidas.

- Não sei o que está fazendo, Ozaru, mas está transferindo as almas para cá. Você vai pagar por isso, Lumiére ficará sabendo.

O shinigami colocou uma garra no peito de L.

- Um anjo tão esperto... Você não vai voltar, detetive. Já estou sentindo você desaparecer. 15 minutos e não existirá mais.

Olhei fixamente para meu pior inimigo. Sentia que tudo estava acabando. Via isso pela translucidez de L, que se apoiava em uma das paredes. Me aproximei dele e coloquei os braços em seus ombros, como se fôssemos velhos amigos.

- Ainda quer me salvar, Ryuuzaki? – não resisti à provocação.

Minha frase teve o efeito que eu esperava. Seus olhos se estreitaram. O negro intenso de suas íris se assemelhavam ao mar daquele mundo: Uma tempestuosa escuridão.

Até fantasmas possuiriam mais solidez que L naquele momento. Tinha certeza que Ryuuzaki só se mantinha firme por minha causa; se estivesse sozinho, muito provavelmente ele se limitaria a ficar deitado, esperando uma resposta que nunca viria.

- Você irá cair, Kira. – ele sussurrou, e foi muito difícil ouvir. – Cedo ou tarde.

- Devo ver isso como uma ameaça? – sorri.

- Não. Considere como um rascunho irredutível de seu futuro.

Ver L agindo como se tivesse uma carta na manga em seu leito de morte começou a me causar pena. Olhei para Ozaru, que havia voltado ao seu trono e nos observava em silenciosa curiosidade, e lhe lancei uma expressão que queria dizer: “Impeça que ele dê uma de herói. Certifique-se de sua morte.”

Olhei para L, que estava aos meus pés, onde era seu lugar.

- Admito que você seria um bom aliado. Sua escolha te levou a esse fim.

Sabia que ele queria dizer algo, mas simplesmente não conseguia.

Desviei os olhos e preparei minhas asas.

- Adeus, Ryuuzaki. Espero nunca mais te ver. – e me lancei pelos ares.

“Acabou”, foi meu único pensamento.

Notas finais
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