The Fallen Of Light
16 DISPUTA
Notas iniciais
Mais um pouquinho de batalha psicológica, AUSHAUSHUAHSUAHS
Esperamos que gostem.
(:
– Não. Toque. No. Orfanato –ele guinchou, mas pude ouvir o desespero em sua voz.
“Bingo.”
(...)
Não havia nada melhor do que presenciar a queda de um inimigo, principalmente quando o maior prazer deste é te desafiar. Os olhos do detetive ainda me fitavam exasperados, como que procurando um modo de encontrar nos meus algo que pudesse me colocar contra a parede.
- Não se preocupe com isso, detetive. – respondi à ele, depois de vários minutos. – Não vou tocar nas suas crianças, o fogoacidentalfará isso por mim.
Seus dentes se cerraram. Inclinei-me ainda mais.
- Imagine, L, somente imagine... Aquelas crianças te admiram, certo? Depois de sua morte, creio que isso se tornou idolatria. Seria horrivelmente traumatizante se eles morressem e seus fantasmas carbonizados descobrissem que o causador de tudo... foi você.
Ele virou o rosto, desviando o olhar, e sua respiração era pesada. No perfil de seu pálido rosto, podia ver a angústia escondida em suas frias feições. A habilidade de mascarar emoções de L fora tremendamente abalada por minha ameaça.
- Eu nunca deixarei isso acontecer. – era só um murmúrio, mas eu pude ouvir. De repente, ele voltou a me encarar – Nunca.
– Isso depende de você. Os pirralhos permanecerão a salvo. O que vai fazer, ó poderoso detetive?
Depositando uma grande quantidade de força, rapidamente L dobrou as pernas por debaixo de mim e me chutou na barriga, lançando-me para cima. Minhas costas bateram no teto num estrondo agonizante e, ao me ver cair, ele rolou para o lado, evitando ser atingido.
Levante-me. Era como se ele tivesse se evaporado do cômodo.
Uma fuga? Ele havia percebido que estava encurralado e decidiu fugir? Aquilo não fazia seu perfil.
Senti um braço em volta do pescoço, depositando um poderoso golpe de gravata. É claro que eu sabia quem era.
– L! – grunhi. Eu não precisava respirar, mas mesmo assim era extremamente atordoante.
Tentei afrouxar o aperto, mas ele estava determinado a não me soltar.
– Eu achei que o famosoKirasó matava criminosos e pessoas que tentavam impedi-lo de tal ato. Mas as crianças não fazem parte de nada disso!
Cravei minhas garras em seu braço. Ou pelo menos, tentei. Foi fácil atravessar a manga branca, mas a pele parecia ser de titânio. Com dificuldade, me impulsionei para trás, prensando L na parede que, com o impacto, ameaçou ceder. E num mísero segundo, quando o golpe se afrouxou, agarrei-o e o joguei por cima da cabeça, levando- o ao chão bem na minha frente.
Rapidamente, coloquei meu pé direito em seu tórax, obrigando-o a permanecer deitado.
– A raiva te faz vulnerável, detetive – zombei, tal como ele havia feito.
Tentou sair, mas forcei ainda mais. Se estivesse vivo, a caixa torácica teria sido esmagada. Mas é claro que o Anjinho continuou intacto, o que me dava nos nervos.
– Você não me respondeu. Repito: O que vai fazer, L?
Mesmo assim, ele não me respondeu. Argh! Comecei a ficar impaciente.
– Ande logo com isso, responda!
Segundos de quietude se passaram, até que ele resolveu abrir a boca.
– É irônico você se intitular como Salvador e ao mesmo tempo querer sacrificar dezenas de crianças só para continuar suas matanças. Nunca vi tamanho paradoxo. – disse entre dentes.
– Ryuuzaki, você não percebeu? – perguntei retoricamente – A mais ínfima relação que elas têm com você já as torna condenadas. Você sempre disse que era aJustiça,mas sacrificou muitos dos que estavam a sua volta, mesmo que indiretamente.
– Pare de ser hipócrita, Kira!
Agora eu estava sendo hipócrita?
– Você sabe que éverdade. Muitos agentes morreram por sua causa, Ryuuzaki. Nem Watari escapou.
– TODOS ELES MORRERAM POR SUA CULPA – ele berrou, e vi que estava tomando a direção certa.
– Verdade. – fingi pensar no assunto –Eles morreram por minha culpa... Mas o motivo foi você. Todos eles trabalhavam para o lendário L, se propondo a correr riscos. E olhe pra você agora, tem a vida das crianças do orfanato em suas mãos, mas se recusa a decidir entre a vida delas e me deter. – fiz uma cara decepcionada – Seu orgulho é grande o bastante para deixá-las morrer?
Ele perdeu o fôlego. Seus olhos ardiam de raiva. A única coisa que eu desejava naquele instante era que L admitisse logo a derrota. Era simples, mas para alguém comoele,parecia algo impensável.
– Gostou tanto do fim de Mello em meio às chamas que quer os outros possíveis sucessores terminem da mesma maneira? – provoquei-o ainda mais.
– CALE JÁ ESSA MALDITA BOCA!
Mesmo com meu pé ainda o prendendo, ele se ergueu, fazendo-me quase tropeçar para trás. Realmente, estava bem enfurecido. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, o puxei pela gola, sacudindo-o.
– PORQUE NÃO ADMITE LOGO QUE PERDEU? APENAS DIGA E EU NÃO FAREI NADA AO ORFANATO!
Parei de sacudí-lo, já cansado de esperar por sua rendição, mas recebi apenas outra pergunta.
– Como posso admitir que perdi se estou vencendo?
Um sorriso desafiante estampou-lhe o rosto.
Ele não podia estar vencendo, era impossível. L havia caído em minha armadilha emocional, sabendo que eu não voltaria atrás com minha ameaça. Se seu orgulho fosse um pouco menor... Mas não.
O detetive jamais admitiria sua falha. O larguei, dei alguns passos para trás, cruzando os braços. Ele era o mesmo que sempre fora: orgulhoso e infantil.Colocou as mãos nos bolsos.
– Sabe, Kira, nossos destinos pós-morte não foram tão diferentes assim. Nós nos tornamos meros fantasmas, não mais que sopros de consciência espiritual, e depois evoluímos, não é?
Eu não estava entendendo onde ele queria chegar com toda essa ladainha. Ele notou, e acabou continuando:
– Você se tornou um Shinigami e eu um Anjo. Teoricamente, nossas forças são iguais, mas eu tive muito mais tempo para me acostumar à minha nova natureza astral do que você.
Mesmo já tendo ideia do teor de sua afirmação, perguntei:
– O que quer dizer?
– Me arrisco a presumir que se tratando de uma disputa de forças, você perderá. Resumindo, você é só umnovatoque acha que vai dominar o Mundo só porque tem um caderno e uma ameaça dirigida á mim. Chega a soar ridículo. – terminou num tom de reprovação.
Meus olhos se estreitaram. Então ele achava que eu era mais fraco do que ele? Que meus planos eram ridículos? Que minha ameaça era sem fundamento? Tudo bem. Se L não cooperasse, eu mataria seus pirralhos e depois, encontraria algum jeito de me livrar dele. Só precisava descobrir como. Se Shinigamis morriam, Anjos também deveriam ter algum tipo de fim. Quando o descobrisse, ele estaria completamente ferrado.
– Muito bem, Ryuuzaki. Se quer apostar suas cartas nisso, fique à vontade. Mas eu não retiro uma palavra do que disse antes. Se amanhã eu perceber que ninguém morreu, diga adeus aos seus bebês. – subi em cima da cama, dirigindo-me à janela acima dela. – ou no seu caso, diga olá mesmo. Tome a decisão errada, e eles pagarão.
Sentei no batente da janela. L aproximou-se. Fiquei um pouco surpreso com a tristeza contida em seu olhar escuro. Fitou o lençol alvo da cama de forma distante.
– Só de pensar que cogitei salvá-lo... – o murmúrio morreu em meio ao silêncio que se estendeu.
Se fosse um plano para me pegar desprevenido e sem reação, ele havia conseguido.
– Você pensou em... me salvar? – a frase pareceu mais confusa do que eu gostaria.
O detetive se virou de costas pra mim.
– Sim, mas só por um pequeno instante. Eu ainda não possuía provas concretas de que você realmente havia retornado com seus ideais de Kira. – se pausou, respirou fundo e continuou – mas eu posso tentar ajudar você, se quiser. Sua Alma pode não estar totalmente condenada ainda.
Minha Alma pode não estar totalmente condenada ainda? Que tipo desalvaçãoera aquela?
Eu tinha certeza de que L estava se fazendo de bondoso, porque se eu concordasse com sua ajuda angelical e eu fosse ao Céu, Paraíso, ou seja lá de onde ele tinha vindo; o orfanato estaria á salvo. Era só um jogo.
– Leve sua salvação para o Inferno, L. Lugar que você deveria estar agora. – cuspi.
Virou-se. A tristeza dera lugar á sua eterna monotonia facial.
– Eles não me aceitariam lá. Por algum motivo, os Demônios me acham irritante. – pareceu pensativo.
– Por que será? – ironizei.
Ele ficou calado. Eu não queria ficar perdendo tempo com ele. Já havia conseguido o controle da situação. E apesar de não ter tido uma resposta clara, eu sabia que L faria de tudo para salvar a Wammy’s House. Aquilo eracerto.
– Bem... acho que vou indo. É melhor para você prestar mais atenção no que fará em seguida. Há muitas vidas em jogo.
Me despenquei da janela e parti, deixando para trás um angustiado detetive.
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