The Fallen Angel
1 One-Shot
Notas iniciais
Por alguma razão, de um dia para o outro, minha vida desmoronou. Em um dia eu era o guerreiro mais fiel de Deus. O anjo guardião. O protetor, considerado o mais forte. Agora estou sendo punido por algo que não fiz. De um dia para o outro, me tornei um anjo caído. Um ser desprezível, sendo considerado o pior dos lixos. Minhas asas antes consideradas as mais brancas e puras dos anjos, agora se tornou negra, representando uma treva inexistente em meu coração. Se tornou as mais corruptas asas que um anjo poderia ter. Ter uma asa negra, significa que se tornou um caído, que se tornou um infiel. Mas injustamente armaram para cima de mim. Sempre fui fiel e nunca desobedeci nenhuma ordem. Não compreendo como Deus deixou isso acontecer.
Fui jogado para o mundo dos humanos. O mundo mundano. Onde existem seres desprezíveis que matam por diversão e enganam sua própria espécie. Um mundo sem esperança que foi corrompido pelos seres que se consideram racionais. Prejudicam seu mundo e estão o matando. Não entendo por que fui jogado aqui. E agora meu dever é cuidar deles por toda a eternidade. O dever de um anjo caído é se redimir, cuidando desses seres desprezíveis. Sou invisível para os humanos, mas posso me tornar visível. O que exigiria muito de minha energia já enfraquecida. Já não posso mais voltar para meu lar. Fui condenado por toda a eternidade, vivenciar meu sofrimento. Mas cometeram um grave erro, acusaram seu guerreiro mais fiel e ainda vão se arrepender disso, quando a próxima guerra nos céus acontecer. Quando os demônios recuperarem suas forças, já não estarei lá lutando por eles, e nem por Deus.
500 anos depois...
Seres humanos são incríveis. Cada dia criam algo que prejudica o lar deles e se consideram os mais espertos. Como podem destruir seu lar assim tão simples e sem remorso? Já se passaram quinhentos anos e só há regressão. Quinhentos anos neste lugar que chamo de inferno.
Estou sentado no telhado de um prédio recém construído que tem uma vista linda, porém, não aproveitada. Observo os humanos passarem em suas rotinas e sempre se esquecendo de pôr em primeiro lugar, a felicidade. O dinheiro é algo que importa mais que tudo e é o motivo de muitos cometerem assassinatos. Eles possuem um sistema estranho de ordem. Se classificam pelo dinheiro que possuem, e os mais ricos são os mais privilegiados. Os pobres são esquecidos e massacrados pelas leis criadas. Há mais desordem do que ordem. Em quinhentos anos, ninguém nunca me viu e nunca mexi um músculo para ajudar alguém. Fico todo os dias sentado em algum lugar observando-os viverem suas vidas e morrerem por causas ridículas. São muitos fracos e não valem a pena serem salvos. Estou vivendo no tédio por centenas de anos. Observo as crianças inocentes brincarem, tão felizes, mas com um destino cruel para alguns. Um destino onde a inocência é tirada a força. Infelizmente muitos vão para o caminho mais indigno possível.
Estou sentado no parapeito de algum telhado, balançando minhas pernas no ar, entediado. Com um estrondo sinto uma mulher abrir a porta.
— Que droga – Grita a mulher, olhando em minha direção. Olhei confuso. Ela estava olhando justamente para mim. E vinha em minha direção. – Não aguento mais.
Me levanto conforme ela vem em minha direção. Isso estava muito estranho. Ela estava me vendo por acaso? Ela parecia olhar diretamente para mim. Reparei em seu rosto, e havia marcas vermelhas de choro em seus olhos. Seus cabelos morenos, dançando com vento, traziam um cheiro suave e relaxante. Seus olhos indicavam tristeza. A maçã de seu rosto estava avermelhada. Sua expressão era de uma pura dor e seus olhos mostravam isso nitidamente. Por um momento pensei que ela poderia me ver. Mas reparei que seus olhos não se fixavam em mim. Seus olhos estavam fixados na paisagem que ali se encontrava. Seu telefone toca e ela olha com desprezo para a tela. Como se fosse algo contaminado. Sem atender, ela se aproxima da borda e atira o celular para longe de si. Realmente uma mulher que me intrigou muito. Sua beleza era um tanto rustica e jovem. Aparentava ter no mínimo uns 25 anos. Senti uma súbita vontade de tocá-la. De apreciá-la. De tê-la. O sol batia em seu rosto, o iluminando. O que estava diante de mim, era a figura de uma bela mulher com a tristeza a consumindo. Ergui meu braço em sua direção, e afaguei seu rosto. A textura de sua pele é macia e perfeita. Como se cada detalhe fosse feito com perfeição. Ao sentir meu toque, a mulher ergueu o rosto uma vez que tinha o abaixado. Seu olhar ficou confuso, e sua testa estava franzida, tentando entender de onde vinha aquele toque. Por um momento senti sua tristeza ir embora. Mas logo ela se afastou, e novamente começou a chorar. Um aperto em meu coração surgiu. Não estava confortável vendo-a chorar. Seu rosto combinava com uma feição mais suave e alegre. Sua vida havia sido criada para que pudesse sorrir, e a tristeza estava escondendo sua alma pura. A mulher foi se afastando cada vez mais, até que saiu pela porta que entrou. Uma sensação estranha percorreu meu corpo. Nunca ninguém em quinhentos anos havia conseguido despertar meu interesse.
***
Depois de alguns dias do ocorrido com a mulher, resolvi sobrevoar a cidade a sua procura. Abri minhas asas vergonhosas e as movimentei criando grandes ondas de ventos. Não aguento esse peso que está me consumindo. Essa consciência me mandando ir procurá-la. Não a conheço e não faço ideia por onde começar, mas sinto que ainda vou achá-la... Afinal tenho todo o tempo do mundo à meu favor. Todos os dias vejo anjos caídos sobrevoando as ruas de New York. Todos eles tentando se redimir com Deus. Um ato ridículo, já que nunca mais voltarão para casa, mesmo com o perdão. Hoje o dia estava tenebroso, com nuvens negras carregadas de chuva. Logo uma tempestade estava para vir, e seria algo forte. Depois de horas procurando-a, decido apenas vagar pela cidade. Andar sem rumo, a procura de uma figura que está presa em minha mente. Logo percebo dois semblantes em uma rua quase deserta. Pareciam estar discutindo. Um homem e uma mulher. Humanos sempre arrumando brigas. Principalmente sobre raças, cores e sexo. Provavelmente essa confusão que está acontecendo, tem haver com um desses quesitos. Porém, uma força me força a ir lá. Algo em minha mente me diz para me aproximar. Então sem conseguir superar essa força, me aproximo e percebo ser a mulher que ronda minha cabeça. Ela estava novamente chorando, mas dessa vez com uma raiva eminente. Ela estava gritando para esse homem, que apesar de parecer calmo, emanava fúria e sua alma era sombria. Ela estava encrencada e corria perigo.
— Você não tinha o direito de fazer isso – Disse a mulher, com tristeza.
— Verônica, você precisa me escutar – Disse o homem se aproximando dela. Então esse era o nome dela. Na minha opinião combinava muito.
— Não – Gritou ela – Já escutei merda demais... aliás já vi merda demais – Ela desabou em mais lágrimas, escondendo seu rosto.
— Me escute – Disse o homem sombriamente e pegando violentamente em seu braço. Uma fúria subiu por mim, e antes que eu me desse conta já estava visível para eles, mas nenhum deles pareceu notar.
— Me solte – Gritou ela tentando se desvencilhar dele. O mesmo apertava ainda com mais força e parecia quer machucá-la de verdade. Logo estou indo em sua direção e pego em seu braço.
— A moça disse para soltá-la – Digo entre dentes, apertando seu braço forçando-o a soltá-la.
— Fique fora disso babaca – Disse o homem se soltando agressivamente de mim – O assunto é entre mim e minha namorada.
— Ex-namorada – Ela disse esfregando seu braço, onde ele havia apertado e deixado marcas.
— Você não sabe o que diz – Ele me empurra e se aproxima de Verônica com uma feição psicótica no rosto – Está enganada.
— Não, eu terminei assim que percebi o canalha que você é – Ela diz se afastando dele. Mas ele parece não se importar e ameaça a machucá-la. Antes que ele pudesse chegar até ela, consegui empurrá-lo e prendê-lo na parede. Com meu braço direito em sua garganta o sufocando levemente, mas o impedindo de fugir. Minha altura me favorecia, já que era maior que ele.
— Acho que já deu sua hora – Falo olhando diretamente em seus olhos, em sua alma. Percebo seu corpo estremecer e o mesmo me olhar assustado e um pouco relutante. Solto-o e seguro a gola de sua camisa – Vaza – Digo o soltando. Ele então cai no chão ao ser soltando e logo se arrasta saindo do local.
— Obrigada – Diz Verônica, vindo em minha direção – Não sei como te agradecer. – Presto atenção em sua voz pela primeira vez, e parecia melodia para meus ouvidos. Me encantei com sua voz reconfortante e suave.
— Não precisa. – Digo sorrindo para sua direção – Só tome mais cuidado.
— Pode deixar – Ela sorri pela primeira vez – Bom, já vou indo. – Ela diz se afastando aos poucos.
— Até uma próxima – Falei acenando. E assim que sua silhueta foi sumindo, trovões ecoaram no céu junto de uma intensa chuva. Permaneço na chuva gélida e a aprecio. Relâmpagos iluminavam o local, onde eu estava perdido em devaneios. Olhei para cima e fechei os olhos apreciando o toque de cada gota existente naquela terrível tempestade. Estava com minha energia esgotando a cada hora que eu passava naquela posição, me mantendo visível para os humanos. Alguns passavam e me encaravam assustados.
***
Passei as próximas semanas observando-a, e cuidando para que sua vida estivesse em segurança. Observei-a cada dia, admirando-a a cada movimento que dava. Não sei que sentimento estranho é esse que me percorre quando estou perto dela. Uma sensação boa me percorre e me sinto como se ali perto dela fosse meu lar. Como se ali, estivesse algo precioso para mim. Algo que faltava em mim todos esses anos. Como se minha vida fosse feita para aquele momento e mais especificamente para os momentos com ela. Eu apenas observava-a de longe, sem revelar minha presença. Mas é claro que ela só me veria se eu permitisse.
Descobri que ela é uma enfermeira no hospital local. Seu turno era confuso, sempre trabalhava quando a chamavam, e vivia cansada. Seu trabalho consistia em ajudar aos que necessitavam de ajuda, e dar suporte aos pacientes e as vezes auxiliar algum médico. Verônica parecia sempre ir trabalhar sem reclamar, qualquer que fosse o horário. As vezes passava dias sem dormir ou comer. Isso estava me preocupando. Por que ela pararia de comer e dormir apenas para ajudar outras pessoas? Pessoas que não fariam nada disso por ela. Pessoas que não agradeceriam pelos seus cuidados. Era realmente intrigante, saber que ela apena recebia uma quantia e dinheiro. Mesmo que em outro ramo, ela poderia ganhar muito mais. Ainda mais com suas habilidades que descobri umas noites atrás. Verônica desenhava muito bem, além de tocar perfeitamente violino.
Verônica neste momento está a caminho de seu trabalho, e realmente sinto algo estranho me percorrendo. Uma sensação ruim. Estou seguindo-a um pouco afastado. Sinto que meu dever é protege-la. Ela está conversando no telefone, com algum funcionário e parece eufórica. Verônica está andando apresada, desesperada conversando ao telefone. Parece que algum paciente está em estado grave, e não tem mais ninguém para atendê-lo. No momento em que Verônica atravessa a rua, vejo um carro vir em sua direção em alta velocidade. Corro em sua direção e milagrosamente consigo puxá-la segundo antes do carro atingi-la. Ela me olha confusa e amedrontada.
— Você de novo – Ela diz se recuperando do susto e suspirando de alívio – É meu anjo da guarda por acaso? – Ela pergunta rindo.
— Se você desejar – Digo me sentindo mais vivo em sua presença – Você parece estar precisando de um.
— Pareço? – Ela pergunta sorrindo – Então, vou providenciar um.
— Será algo necessário.
— Sou Verônica, prazer – Ela diz e me estende sua mão em cumprimento.
— Mikhael – Digo apertando sua mão. Observando seus olhos, verdes como esmeraldas.
— Quem é como o Senhor – Ela diz, com um olhar iluminado.
— Exatamente – Digo surpreso por ela saber o significado. – E o seu, aquela que traz a vitória.
— Gostei de ver – Ela diz, me olhando animada – Oh, meu Deus. Estou atrasada, preciso ir – Ela diz ao olhar o relógio – Sinto muito, até outro dia. – E dito isso, ela sai correndo em direção ao hospital. Seu cabelo esvoaçando com o vento, e seu perfume chegando até mim. Um cheiro natural e doce. Um aroma acolhedor.
Talvez meus dias aqui no mundo mundano não seja tão ruim assim. Talvez essa seja a chance que eu tenho de ser feliz, e estar em paz. Mas agora estou começando a esgotar minhas energias. Estou ficando muito tempo visível. Estou ficando vulnerável.
***
— Então você trabalha ajudando as pessoas? – Pergunto casualmente, ocultando o fato de já saber a resposta.
— Sim – Ela diz tomando um gole de seu café – Gosto de tomar conta dos outros. Ajudar o próximo. E você?
— Hum, não sou muito de ajudar o próximo – Digo.
— Não era a isso que estava me referindo, mas fico surpresa com sua resposta.
— E por que está surpresa? – Pergunto me inclinando sobre a mesa.
— Bom, por que aquele dia você me ajudou.
— Eu senti que precisava – Digo olhando em seus olhos – Como se isso fosse algo que não pudesse negar ajudar.
— Mas me diz, com o que você trabalha? – Ela me pergunta e fico preso em uma encurralada. Se eu dissesse que não trabalhava, ela poderia achar que sou um vagabundo.
— Você acredita em Deus? – Pergunto para ela, tentando de alguma forma dizer o que realmente sou, sem que me achasse louco.
— Prefiro pensar que existe a possibilidade – Ela diz se sentando mais ereta – Por que a pergunta?
— Bom, digamos que.... isso pode soar um pouco estranho – Digo e Verônica assente, tentando me fazer falar – Mas sou um anjo. – Digo calmamente – Ou era...
— Está bem – Verônica ri e fica sem saber o que falar – Está me zoando ou alguma coisa assim?
— Não precisa acreditar em mim se não quiser.
— Por algum motivo, acredito em você – Ela diz me analisando – Sinto que você não mentiria.
— Me sinto honrado com suas palavras – Seguro sua mão que está sobre a mesa – Mas não sou considerado bom.
— E por que não? – Ela pergunta – Os anjos não deveriam ser bons?
— É complicado – Suspiro soltando de sua mão.
— Não me importa o que pensam de você – Ela me lança um sorriso – Me sinto confortável com você e estou te devendo duas – Ela ri. Seu riso é algo impagável. Nem toneladas de ouro mundano poderiam comprá-lo. A cada dia que passava mais encantado eu ficava. Um efeito que só Verônica exerce sobre mim.
O celular de Verônica toca, e ela faz uma cara triste. Como se pela primeira vez não quisesse ir para o trabalho. Ela se levanta e se afasta atendendo o celular. Fico ponderando se ela sente o mesmo que eu. Essa tração que não me deixa me afastar dela. Essa sensação de conforto. Verônica depois de alguns minutos volta para mesa.
— Sinto muito, meu trabalho está me chamando – Ela diz pegando sua bolsa – Espero que nos vermos mais tarde – Ela diz me lançando um sorriso. E saindo em seguida.
Me sinto tão cansado. Minhas energias estão acabando e logo terei que me afastar para repô-las. Mas sinto que não preciso de energia se for para ficar perto de Verônica. Esses dias ando percebendo ando estranho com minhas assas. Elas parecem mais...leve? Não sei dizer o que está acontecendo.
Ao sair do café, percebo a presença de alguém me observando. Sua presença surtia um efeito sanguinário. Como se estivesse com muita raiva. Olho ao meu redor, e vejo o semblante daquele mesmo homem que estava importunando Verônica. Logo ele desapareceu de minha vista, junto com sua sede de sangue eminente para mim. Ele não parecia nada feliz, e seu olhar para mim era assustador. Era uma fúria intensa e perigosa. Mas nada pode me machucar, sou um caído, mas ainda tenho sangue de anjo. Nada consegue me ferir, se tentasse algo o ferido seria ele.
***
Logo no final do expediente de Verônica, eu já me encontrava na porta do hospital a esperando. Estou encostado em uma das paredes do prédio a esperando. Não sabia realmente se ela sairia esse horário, mas minhas dúvidas foram respondidas assim que a vi saindo pelo saguão. Seu olhar encontrou o meu e um sorriso foi nascendo em seu rosto.
— O que faz aqui? – Perguntou ela surpresa.
— Bom, eu não tinha seu número de telefone, então resolvi vir aqui. Foi muita sorte minha tê-la encontrado hoje de manhã, mas seria muito melhor se eu resolvesse de uma vez por todas esse problema de comunicação – Digo – Comprei um telefone apenas para isso – Mostro o celular e ela ri.
— Não precisa fazer – Ela diz tocando em meu braço – Mas fico feliz que se importe.
— Não é problema nenhum – Digo beijando sua mão em cumprimento – Tenho todo o tempo do mundo a meu favor, e dinheiro não é um problema para mim.
— Ok, senhor anjo – Ela diz brincando – O que quer fazer agora?
— Me diga você – Olho para ela com uma expressão que diria ser humana, uma expressão totalmente apaixonada – Onde você gostaria de ir?
— Que tal irmos para um lugar calmo? – Ela pergunta.
— Seu pedido é uma ordem – Digo lhe estendendo o braço e ela o aceita com um belo sorriso no rosto. Sua felicidade acalentava meu coração. Sua alma transmitia uma onda de calmaria e sinceridade.
Fomos andando até um parque mais isolado da cidade. Onde havia uma paisagem mágica e perfeita. Uma pequena brisa batia em nossos rostos. Observávamos o pôr-do-sol, e a cor alaranjado do céu iluminava o rosto de Verônica. Sua beleza era inimaginável e mesmo com o cansaço eminente em seu rosto, ainda parecia ser a mais bela de todas. Leves olheiras rodeavam seus olhos, mas isso apenas a tornava mais bela. Seus cílios compridos davam mais destaque aos seus olhos verdes. Sua feição calma e serena combinavam com a paisagem como se fosse uma pintura.
— Anjos não deveriam ser invisíveis? – Verônica me pergunta me tirando de meus devaneios.
— E são – Digo prestando atenção na paisagem.
— E como eu posso te ver? – Ela pergunta soltando um riso nasal.
— Podemos aparecer se quisermos. Mas passo a maior parte de meu tempo invisível – Digo olhando para ela – Como naquele dia no telhado.
— Como assim? – Ela parecia confusa agora.
— No telhado alguns dias atrás você não sentiu algo tocando seu rosto? – Digo imitando o meu toque. Verônica me olha surpresa e afaga minha mão em sua bochecha.
— Eu pensei que havia sido minha imaginação – Seus olhos demostravam perfeitamente uma confusão suavizada. – Você não sabe o quão reconfortante foi aquele toque – Ela disse fechando os olhos, apreciando o carinho que eu lhe fazia.
— Você não sabe o quão você me faz me sentir em paz – Digo colando nossas testas. O pôr-do-sol estava iluminando nossos rostos e trazendo seu calor até nós. Uma visão de filmes, se é que isso era possível.
Ficamos algum tempo nessa posição até que nos sentamos na grama úmida. Verônica estava em meu colo, e eu estava abraçando-a por traz, acariciando seus braços.
— É possível um anjo se apaixonar? – Pergunto retoricamente beijando o topo de sua cabeça – É a primeira vez que me sinto assim.
— Até agora eu sempre achei que sabia o que era amor – Disse Verônica se aconchegado em meu peito – Achava que sabia o que era amar, mas percebi que estava enganada. O que eu sinto por você... é a primeira vez que me sinto assim também. Sinto que se te perdesse agora, estaria perdendo uma parte de mim.
— Nunca em quinhentos anos, nenhum mundano atraia minha atenção e compaixão. – Digo encostando meu queixo em sua cabeça – Tudo que eu sentia era desprezo e desapontamento. Mas ai você veio, no telhado, em minha direção. Por um momento ponderei se você estivesse me vendo. Mas tudo o que seus olhos refletiam eram uma tamanha tristeza. Aquilo foi como se seus sentimentos estivessem sendo passados para mim. Me encantei de uma forma assustadoramente nova. E eu não entendia o que era isso, essa força que me empurrava para você.
— Meus pais costumavam dizer que aqueles destinados a ficarem juntos, sempre dariam um jeito de se encontrar. Sendo obra do destino ou não. – Disse Verônica – Sinto que você é aquele destinado para mim...
— Seus pais são inteligentes – Digo e Verônica se levanta com um olhar triste.
— Sim, eles eram muito sábios – Ela estende seu braço para mim e me levanto com sua ajuda – Me acompanha até em casa?
— Claro – Digo acariciando sua mão.
— Gostaria que eu ainda tivesse eles aqui comigo – Disse Verônica me puxando pelas ruas até sua casa – Com certeza amariam conhecer você. Adorariam saber que existe um anjo tão gentil.
— No final, todos se reencontram novamente – Digo lhe puxando para mais perto de mim. Fomos até sua casa lentamente até que chegamos ao seu prédio. Verônica abre sua porta e me puxa para dentro.
— Anjos comem algo? – Pergunta ela me oferecendo alguma bolacha – Sinto muito, só tenho bolachas no memento.
— Não se preocupe, anjos não necessitam de comida – Digo lhe lançando um sorriso agradecido pela gentileza. Verônica se aproxima de mim e logo estamos sentados no sofá. Conversamos por algumas horas sobre pequenas coisas e interesses. Já tarde da noite, me levanto para ir embora e Verônica agarra meu braço. Me impedindo de ir. Ela se inclina até meu rosto, com uma clara intensão do que queria. Seguro seus ombros a impedindo.
— Tem certeza de que quer isso? – Pergunto olhando em seus olhos – Um beijo significa o encontro de duas almas. Para um anjo seria uma ligação divina.
— Não me importo – Ela diz e se aproxima mais e encosta levemente seus lábios nos meus. Com uma forte vontade em empurrando cada vez mais, intensifico o beijo. Como se fosse uma luta por minha vida. Aquele beijo acendia um grande calor em meu peito. Um grande choque percorreu meu corpo, e senti uma súbita vontade te tê-la para mim. Seus braços se enrolaram em meu pescoço, conforme minhas mãos desciam até sua cintura. Meu corpo desejava mais, queria muito mais. Mas a falta de ar se fez presente, e nos afastamos recuperando o fôlego. Os olhos de Verônica percorrem meu corpo, e avista minhas asas até então ocultadas. A ligação de almas permitiu que minha asas se tornasse visível apenas para Verônica.
— São lindas – Disse Verônica tocando-as – Mas, sempre pensei que seriam brancas.
— Elas eram – Verônica tirou seus olhos de minhas assas a passou a fitar-me, confusa – Sou um caído.
— Oh – Ela diz e seus olhos compreendem meu sofrimento – Sinto muito.
— Não precisa sentir – Digo abaixando meus olhos.
— Mas não faz diferença para mim – Ela diz afagando meu rosto – Você é perfeito para mim de qualquer jeito. Não me importo com a cor de suas asas.
Aquilo me surpreendeu, esperava uma reação de desapontamento, mas Verônica apenas continuou a me tocar e demostrar seu amor. Beijei-a carinhosamente cada vez mais intensificando o beijo. Coloquei-a em meu colo e a prensei na parede. Estava desesperado pelos seus toques. Algo dentro de mim estava agindo como um animal selvagem, implorado por toques e caricias. Não consegui me conter e logo estávamos no quarto. Como dizem os humanos... fazendo amor.
***
Incrível como essas sensações preenchem meu interior. Como se um vazio em meu peito tivesse sido preenchido por algo que me faltou a vida toda. Observei Verônica dormir suavemente. Seu corpo coberto pela metade pelas cobertas. Sua pele macia e delicada. Observei cada traço de seu rosto. Cada linha desenhada perfeitamente. Pequenas sardas cobrindo seu rosto. Era a mais pura alma já existente. Depois de horas observando-a, Verônica acorda, com um sorriso no rosto.
— Bom dia, minha pequena – Digo beijando seu rosto.
— Mikhael – Ela diz colocando sua mão em meu rosto. – Eu te amo.
— Também te amo – Digo fechando os olhos e apreciando o carinho – Nunca amei tanto alguém na vida.
— Como em tão pouco tempo, passei a amá-lo, Mickael? – Pergunta Verônica beijando a ponta de meu nariz. Retribuo o seu gesto, e começo um singelo beijo. Aproveitando cada momento. Apreciando seu gosto doce. Seu aroma acolhedor, e sua voz melódica.
Depois de algum tempo, Verônica se levanta, pronta para se arrumar e ir trabalhar. Infelizmente o trabalho novamente a chamava. Me levantei momentos depois de me assustei com o que vi. Na cama onde eu estava deitado, havia algumas de minhas penas. Penas que nunca caem de minhas assas. Havia várias delas. Como se estivessem desaparecendo. Estava mais vulnerável que nunca.
***
Alguns dias se passaram e em todos eles, eu ia passar a noite na casa de Verônica. A quantidade de penas que estavam caindo estavam aumentando, mas não me importei. Deixei esse fato passar em branco. Todos os dias, eu aproveitava cada momento. Cada preciosos segundo com Verônica. Eu estava cada vez mais fraco. Minhas energias já estavam quase esgotadas. Busquei Verônica no trabalho, e fomos andando juntos para casa. Como sempre, pegamos o mesmo caminho. Meu braço estava em volta de seus ombros, e eu sentia algo de errado. Algo ruim prestes a acontecer. Já quase chegando no apartamento quando aquele homem novamente aparece.
— Verônica, meu amor – Disse ele – Por que está com esse imundo?
— Jack, deixe-nos em paz – Disse Verônica se encolhendo em meus braços.
— Mas meu amor, éramos tão felizes juntos – Disse ele com um sorriso maníaco em seu rosto – Ele está apenas te enganando. Sou o único capaz de te fazer feliz.
—Vá embora – Suplicou Verônica. Mas Jack não pareceu se importar e me olhou furiosamente. Antes que eu percebesse uma dor atravessou meu peito. Uma dor agonizante. Perdi o controle de meu corpo e cai no chão, de joelhos.
— MIKHAEL – Gritou Verônica me segurando desesperada.
— Se eu não a terei, ninguém mais terá – Disse Jack antes de se afastar e fugir.
Me dei conta do que aconteceu quando minha consciência estava indo embora. Impossível. Um tiro não teria como me deixar assim. Eu sou um anjo... nada me machuca. Mas essa dor terrível indica que estou mortal. Indefeso como um humano.
— Mikhael, não me deixe – Implorou Verônica, lágrimas preenchiam seus olhos e caiam em meu rosto. No momento de sua primeira lágrima percebi. Percebi o que eu estava ignorando. Todas aquelas penas, caindo de minhas assas. Estavam indicando que eu estava me tornando mortal. Estava me tornando um humano. Um humano com sentimentos que um anjo nunca sentiria. Verônica estava desesperada chamando uma ambulância e a última coisa que vi, foi seus lábios nos meus me implorando para ficar.
***
Abri meus olhos e me deparei com uma sala em branco. Uma máquina apitando e mostrando meus batimentos cardíacos. Tentei me sentar, mas uma dor enorme me atingiu me impedindo. A porta se abriu logo em seguida. Uma médica entrou no quarto com uma prancheta e Verônica entrou logo atrás com seu uniforme.
— Mikhael – Exclamou ela vindo em minha direção.
— Verônica – Digo com a voz rouca. E sinto ela me abraçar, e lágrimas cair de seus olhos.
— Pensei que te perderia – Ela disse entre lágrimas e me soltou. – Me assustou tanto.
— Me desculpe – Digo e sinto Verônica afagar meu rosto – Mas ainda estou aqui – Digo sorrindo em sua direção.
— Não pense que se livrará tão fácil assim de mim.
— Olá, Mikhael – Disse a Médica – Bom, o que eu posso dizer? Isso foi um milagre. Uma pessoa normal já teria morrido. Você é muito sortudo por estar vivo. Talvez Deus realmente precise de você aqui.
Foi ai que eu percebi o porquê de ser mandado para cá. Eu estava destinado a vir para cá. Estive desde o começo esperando encontrar Verônica. Vir para a Terra não foi um castigo, e sim um presente de Deus recompensando meus esforços. Só que para isso, teria que me tornar um caído.
— Verônica, a partir de hoje, nunca mais sairei de seu lado. Prometo te amar para todo o sempre até o resto de nossas vidas.
— Cobrarei essa promessa. – Disse ela. Me inclinei para ela e a beijei como se fosse o último dia de minha vida. Mas muito pelo o contrário. Esse é apenas o começo de uma nova vida. Uma vida humana. E aproveitarei cada parte dela, com Verônica. Para todo o sempre.
—---EXTRA----
— Amor, você irá se atrasar – Disse Verônica ao me apressar para tomar café da manhã.
— Tenho alguns minutos ainda – Digo comendo rapidamente uma torrada. Desde que me tornei humano, sinto muita fome. Meu estômago ronca a cada 6 horas. No começo achei muito estranho, mas depois de 5 anos eu me acostumei.
5 anos atrás, quando me tornei humano, presenciei uma série de sentimentos que nunca havia provado. Senti o amor verdadeiro, tristeza, felicidade até mesmo uma raiva constante. Quando anjo esses sentimentos ainda eram pequenos por conta de estar me tornando humano, porém, isso mudou. Eu estava enganado sobre o mundo humano. Sempre o chamei de desprezível e imundo. Mas descobri um mundo onde de outra perspectiva, é muito boa. Fiz novos amigos, consegui um trabalho, me casei com Verônica, e estamos com uma vida equilibrada. Já faz 3 anos que casamos e nunca me senti tão feliz em minha vida. O bastardo de seu ex finalmente foi preso e agora está atrás das jaulas. E ficará por lá por alguns bons anos.
— Vamos, amor – Verônica me apresava – Precisa se apresar, ou pegará trânsito.
— To indo, to indo – Digo apresado, terminando de me arrumar – Não posso me esquecer de me despedir de meus dois amores – Digo dando um beijo em Verônica e indo em direção à sua barriga. Uma menininha estava prestes a nascer. Talvez em algumas semanas eu iria conhecer minha mais recente criação. Como todo o meu amor afago sua barriga e lhe deixo um beijo. – Até, querida.
— Bom serviço, meu bem – Ela diz me entregando minha maleta.
Saio em direção ao meu trabalho, que consegui recentemente. Depois de algum esforço para passar em uma faculdade, consegui o emprego com o qual almejava. Foi realmente muito difícil no começo, me habituar à uma rotina mundana foi muito cansativo. Não entendia o porquê de ter que estudar coisas de anos atrás. Mas eu tinha uma vantagem, afinal tenho praticamente 500 anos mundanos. Presenciei algumas guerras de perto e com uma visão privilegiada. Consegui marcar vários pontos em fatos históricos. Tive que me esforçar nas outras áreas como Matemática. Números e mais números. Confunde a cabeça e me estresso facilmente. Nada que algum tempo de prática não me ajudasse. Descobri ser muito bom em decorar as coisas. Enfim descobri o que eu realmente quis ser. Escolhi o ramo da psicologia. Afinal acabei me interessando pelo pensamento humano, e como eles se comportavam. Me fascinei por tentar entendê-los, que li vários livros e devo admitir que até que não são tão estúpidos assim. Muitos são caridosos e se importam muito com o próximo. Talvez quando anjo, eu só estivesse um pouco ressentido com Deus, que não me preocupei em entender os humanos e me fechei para isso. Mas agora estou indo para o meu escritório que consegui, e logo serei chamado de Dr. Moore. Ao me casar com Verônica adquiri seu sobrenome. Confesso que foi um pouco complicado explicar como que do nada eu apareci sem nenhum documento.
— Ei, Mikhael – Chamou meu colega de trabalho ao me ver – Ei, cara como que você ta?
— Eai, Chris – Digo, dando um tapinha em suas costas. – Eu vou bem, sabe como é, só preocupado com Verônica.
— To ligado – Ele diz entrando comigo no elevador – Logo você vai ser pai, cara, que maneiro.
— Pra falar a verdade, estou aterrorizado – Digo fazendo uma careta – Não sei como cuidar de uma criança.
— Relaxa, cara. Ninguém nasce sabendo – Ele diz colocando a mão em meu ombro e logo apertando o botão do quinto andar. – Sabe, quando Ashley ficou grávida, pensei em fugir.
— Ahn... – Fico sem saber o que falar.
— Obviamente ficou só em pensamento mesmo. Mas pensei que seria a maior dor de cabeça. – Ele diz rindo – Acabou que eu não consigo me separar de minha princesinha.
— Espero não fazer nenhuma burrada.
— Sua esposa estará lá para ajudá-lo – Ele diz, e assim que a porta abre, saímos por ela. Paro em frente à minha porta e espero Chris terminar de falar – Você vai se sair bem.
— Valeu – Digo lhe sorrindo agradecido. Entro em minha sala e a aprecio. Finalmente eu conseguiria ter um bom emprego e dar tudo que Verônica deseja. Ela me suportou nos piores momentos quando não soube o que fazer. Quando não sabia como agir como uma pessoa. Quando me transbordei de sentimentos e não conseguia os controlar. Ela me ajudou e me apoiou. Foi tudo o que eu realmente precisava. Passei o dia todo no escritório e assim que deu o horário, fui em direção à nossa casa. Depois que nos casamos, os avós de Verônica nos deram uma casa de presente. Uma casa linda e simples. Confortável, mas não exagerada. Um bom lar.
Assim que cheguei em casa, notei que estava silenciosa. Até demais, fiquei preocupado. Geralmente Verônica estaria resolvendo algum problema do hospital pelo celular, já que estava com licença. Vou para o quarto e me deparo com uma cena um tanto fofa. Verônica estava dormindo, mas seus braços estavam em volta de sua barriga, como se estivesse fazendo carinho antes de adormecer. Pude perceber pequenos movimentos em sua barriga. Com certeza essa menininha iria ser arteira. Do jeito que se mexia, parecia inquieta. Me aproximei de Verônica, e observei-a. Mesmo estando 5 anos mais velha, já com seus 30 anos, com uma aparência um pouco mais cansada e fraca por estar grávida, Verônica continuava jovem e bela. Nunca pude expressar esse carinho que tenho por ela. Esse amor que sinto toda vez que a vejo. Meu coração parece um adolescente com seu primeiro amor, sinto-o agitar-se sempre que converso com ela. Sua beleza parece única para mim, como se ninguém mais importasse. Me abaixei, e fiquei perto de sua barriga, admirando-a. Toquei a parte onde minha filha estava chutando e acariciei. Ela pareceu se aquietar um pouco, mas logo pude senti-la novamente. Estava ficando emocionado, estava amando alguém que nunca havia visto. Verônica me percebe ali, e abre os olhos com seu sorriso perfeito. A melhor coisa, é sempre acordar com a visão de seu sorriso. Já não sei mais o que faria se Verônica não estivesse comigo. Acho que continuaria a ser um caído entediado e sem sentimentos.
— Ela é uma garotinha bem sapeca – Digo acariciando sua barriga – Quando nascer, vai sair correndo por ai.
— Espero que ela seja como você – Riu Verônica – Você não sabe o quão belo é.
— Pois eu desejo que ela tenha sua beleza. – Digo lhe afagando o rosto – Acho você perfeita e nada melhor do que ter uma mini Verônica.
— Bobo – Verônica diz se virando para mim – Amor... – Verônica para por alguns instantes e arregala os olhos.
— O que foi, querida? – Me desespero. Verônica continuava em silêncio e isso estava me deixando louco.
— Acho... que a bolsa estourou – Diz ela rapidamente, fazendo uma careta de dor.
— Oh, meu deus – Digo desesperado – O que eu faço? As chaves, onde estão as chaves? – Não sabia o que fazer, e estava apavorado. – Verônica, meu bem, vamos rápido – Ajudo-a a levantar e pego as chaves do carro assim que as encontro. Levo-a para o carro e rapidamente estou em direção ao hospital. Verônica é atendida imediatamente assim que chega. Estou tão desesperado que meu coração parece quase saltar para fora de meu corpo. As enfermeiras vieram ao meu encontro, me conduzindo para uma sala. Me arrumei e logo já estava pronto para ir ver minha filha nascer. Assim que chego, vejo Verônica se contorcendo de dor e inspirando e expirando freneticamente. Estava quase desmaiando de ansiedade e ao ver Verônica assim, estava me apavorando ainda mais. Logo vieram os médicos, e estavam mandando Verônica fazer força. Devo admitir que fiquei muito emocionado. Nunca havia presenciado de perto um nascimento. O nascimento de minha filha. Ao ouvir o choro de minha filha lágrimas brotaram em meus olhos e logo eu já estava chorando de felicidade. Olhei para Verônica e ela me lançava seu melhor sorriso e o mais alegre. Me aproximo e admiro nossa filha em seus braços. A pequena chorava incansavelmente e ali eu soube que minha vida estava completa. Foi nesse mundo, que eu costumava chamar de desprezível, que achei a felicidade. Foi nesse mundo que minha vida se tornou completa. Foi ali que eu achei o que sempre me faltou. Minha filha e esposa, os maiores amores de minha vida, estavam ali comigo. Estavam alegrando meus dias e me fazendo amar ter me tornado um caído.
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