The Fall of The Hero.

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
AVISO: Esta história aborda temas relacionados a pensamentos suicidas. Se você não se sentir confortável com isso, por favor, não leia.

...

Por que está tão... escuro?

O

o

°

.


[...]

Com muito esforço, ele abriu os olhos.

E então viu: um campo florido, coberto por alecrim dourado.

Um lugar silencioso, solitário, que estranhamente lhe causava uma sensação de paz. Foi a primeira vez, desde a guerra, que se sentia em casa, mas em uma casa em que nunca esteve... Uma casa perfeita em um lugar perfeito.

É incrível como uma simples mudança de ambiente poderia, então, trazer um bem-estar inimaginável para alguém como ele. Ele se sentia tão bem..., mas tão bem...

... que chegava a dar ódio.

"Ódio de quê?", ele se perguntava.

Ódio porque isso não condizia com a sua realidade. Como um lugar tão perfeito poderia recebê-lo? Ele não sentia que merecia isso. Era como se o lugar, que antes lhe causava uma falsa sensação de aconchego, agora parecesse um lembrete constante de que ele era um fardo. Por quê? Por que a cabeça dele o fazia pensar assim? Talvez porque fosse verdade.

Ninguém era capaz de entendê-lo, como pensava, como se sentia, qual era a sua motivação. A verdade era que não havia respostas. Ele apenas se obrigava a fazer o que era "certo". Como um herói... ou pelo menos fingia ser.

"Mas se isso te machucasse?"

"Não tem problema."

"Mesmo se fosse alguém importante para você?"

"Mesmo se fosse aquela pessoa que eu prometi proteger de joelhos no chão e cabeça baixa."

"Por quê?"

"Porque era o certo."








"Eu sempre quis ser um herói..."










Que banal.




Como um cara como ele poderia ser um herói?

[...]

Aí que está. Ele não podia. Era mais propício a ser vilão do que herói. Herói é só uma palavra bonita para romantizar o que era certo para outros, mesmo que não fosse para ele. Mas a que preço?

Quando criança, ninguém estendeu a mão para ajudá-lo a sair daquele campo de batalha; ̶n̶a̶ ̶v̶e̶r̶d̶a̶d̶e̶,̶ ̶t̶e̶n̶t̶a̶v̶a̶m̶ ̶m̶a̶t̶á̶-̶l̶o̶ ̶p̶o̶r̶q̶u̶e̶ ̶o̶ ̶c̶o̶n̶s̶i̶d̶e̶r̶a̶v̶a̶m̶ ̶p̶i̶o̶r̶ ̶q̶u̶e̶ ̶p̶r̶a̶g̶a̶.. Desde cedo desenvolveu o seu próprio Bushido ̶e̶g̶o̶í̶s̶t̶a̶, que o guiava entre campos de batalha para sobreviver com o mínimo, ou até menos que isso.

Em algum momento, seu olhar perdido no horizonte do campo de alecrim escureceu-se. Mas não era porque os olhos se fecharam. Uma mão pousou sobre seus cabelos desgrenhados, fazendo-o, involuntariamente, erguer o olhar em direção ao sol tampado por uma figura sorridente.

Aquela cena era familiar.

Aquele sorriso era familiar.

Shouyou...

... ou era Utsuro?

O olhar era leve como aquele dia. O sorriso era o mesmo. Ah, que péssima sensação de nostalgia. Ele queria perguntar, mas as palavras não saíam. A sensação era igual a se esquecer de como falar.

Ele então o tocou.

Era real.


"O que foi?" A figura então perguntou.

Ele não se conteve e o abraçou.

"Você quer vir comigo?"

"Ir? Ir para onde? Esse campo pode me levar para algum lugar?"- ele pensou.

"Para algum lugar."

"Ele ouviu...? Como? Ele pode ouvir meus pensamentos?"

A figura não responde, apenas sorriu novamente, estendendo a mão para ele.

Por que Shouyou estaria aqui? Ele está morto. Por que tudo aqui é perfeito? Que sensação estranha é essa? Por que eu sou assim... tão... desconfiado?




É porque nada faz sentido.






"Não irei."

Assim que respondeu, a figura sumiu como poeira. O rosto parecia triste quando ele o fitou pela última vez. Um barulho, um baque de um metal, estranhamente ecoou sobre o solo do campo florido. Isso o fez mover os olhos para o chão, fitando uma adaga de prata.

...Por que isso fez barulho?




Uma adaga...

... no meio do nada.

O que está acontecendo?




[...]


Eu morri?

Não. Não ainda.




Um lugar perfeito, para um cara imperfeito.

Um herói mal proclamado com uma história ruim.

... e uma adaga.


Era um jogo de tudo ou nada.

A escolha entre viver ou morrer.

Caramba.

Ele finalmente segurou a adaga, mas algo diferente aconteceu. O céu ficou nublado e uma ventania forte batia em seu rosto, fazendo as pétalas voarem atravessando o seu corpo, trazendo consigo memórias ruins... lembretes do seu fracasso diário.

...

Merda.


...

Silêncio.

O vento parou.

Então ele viu rostos. Ah, quantos rostos familiares. Pessoas que ele matou. Pessoas que ele não matou. Pessoas que morreram pela sua incapacidade de proteger. Todos esses ele reconhecia. E nunca parou para perceber o tanto... Caramba.




... Então ele ouviu uma voz.

Mais uma voz familiar.

Takasugi.

E o que saiu de sua boca?

"Fracassado."

E sumiu.


Ele piscou e percebeu. Não havia mais ninguém.

Agora era ele, uma adaga e...

Tap...

­ Tap...

Tap...

... uma chuva?

Ah, como ele adorava chuvas. Porque com elas ele podia chorar sem que ninguém percebesse. Se sentia um pouco aliviado conforme as gotas escorriam, mas... Por que o peito doía tanto? Por que se sentia sufocado?


... Esse lugar não é perfeito? Por que ... então?

"Por que tão de repente...

... eu me sinto tão mal?"




















É tudo ou nada.

...

Uma adaga e ele.

...

Uma simples escolha e tudo irá mudar.

O

o

°

.


... uma escolha.













Ele segurou a adaga em direção ao seu estômago. Um movimento rápido e limpo e tudo isso iria embora. Um filme de seu fracasso passava na sua mente em loop: começava com bons momentos e, logo em seguida, maus momentos. As lágrimas escorriam pela sua pele esbranquiçada. As mãos, trêmulas, não possuíam forças para realizar tal ato; a única coisa que conseguiu fazer foi gritar. Gritar do fundo do peito, com uma força inacreditável.

E, pela primeira vez, a voz saiu...

... assim como o corte em sua barriga.


















Finalmente estava livre. E a tempestade havia dispersado.

As plantas agora estavam vermelhas. Mas não tinha problema, as lágrimas iriam limpar. O sol parecia mais radiante que antes quando ele se deitou de barriga para cima, observando o céu azul. Uma brisa quente bateu em seu rosto, trazendo um sorriso involuntário, acompanhado apenas pelo som da sua respiração irregular.

... "então essa é a sensação de paz?"










































... realmente valeu a pena?












"Eu queria apenas voltar e dizer a eles: 'Obrigado por tudo.'"










Por que antes disso eles não vieram à memória?

...

Por que ele não queria perdê-los.

Mentira.

Ele não queria vê-los sofrer.

Na verdade, ele não queria saber que eles sofreriam com a sua morte.

O

o

°

.







...

"Eu não quero isso.

Eu não quero morrer.

A morte é...

... assustadora."

...

O

o

°

.

















... por que eu não morri ainda?

Ele se levantou. Ainda sangrava bastante, mas não o suficiente para morrer. As mãos fraquejaram na hora de atravessar a adaga, e por isso ele não estava morto. Poderia chamar isso de segunda chance? Riu ao se questionar. Era tão fracassado que não conseguiu gastar nem a primeira chance direito.

Que patético.

Mas ele estava feliz. E só isso bastava.

Agora se perguntava: como voltar para casa? Em que direção correr? Tanto faz. Ergueu-se rapidamente e correu na direção em que o sol se punha, em direção ao horizonte.

O sol parecia brilhar mais...

e mais...

e mais....
































Vozes.

Muitas delas.

"Por que está escuro de novo?"
































Ele abriu os olhos lentamente, mas viu uma luz forte em seu rosto, fazendo-o fechá-los rapidamente. Essa luz tinha um brilho diferente... falso demais. Uma luz artificial.

Com o rosto levemente inclinado, abriu-os de novo. Dessa vez, sua visão turva demorou a se estabilizar minimamente, permitindo que compreendesse melhor onde estava. Então, fitou uma haste metálica com um frasco transparente e um líquido pingando lentamente em um tubo, que conduzia até a sua pele.

Virou o rosto novamente para frente e viu um teto amadeirado, enquanto pequenos bipes soavam ao seu lado. Assim que sua mente processou todas as informações coletadas, foi como um raio caindo sobre seu corpo, fazendo-o despertar rapidamente e se levantar assustado.

"MAS- O QUE..."

Então sentiu uma pontada forte. Muito forte. Como se seu corpo fosse partir ao meio. Os fios pareciam puxá-lo para trás, e os bipes ficaram agudos e desregulados, acelerando. Um resmungo alto escapou de sua boca, fazendo-o ranger os dentes, revelando a dor intensa que sentia. Com brutalidade, arrancou a máscara de oxigênio, como se estivesse em uma luta interna contra os fios dos aparelhos.

Até que ouviu uma voz:

"Ah... Shinpachi, não quero ir embora agora..."

Ele congelou. Ao olhar para a beira da cama, viu-a. A voz fazia sentido; um tom infantil, sonolento, com aquele sotaque horrível e forçado de chinesa... Kagura. Ela estava dormindo na pior posição possível, com a cadeira afastada e as costas curvadas para frente. Seu cabelo estava completamente bagunçado e os olhos, com olheiras; provavelmente não tinha dormido direito desde a noite passada...

...Ou retrasada.



Quantos dias haviam se passado?






Quando ela terminou de coçar os olhos e bocejar de maneira preguiçosa, se espreguiçou e olhou automaticamente em sua direção. Então o viu. Piscou duas vezes, e ele piscou de volta. Ela soltou um "hã?" meio confusa, e ele então perguntou:

"O que foi?"

...

Só isso já bastava.


Os olhos azuis começaram a brilhar mais que o normal e a ficar úmidos. Ela mordeu o beiço, e uma lágrima escorreu do seu olho.

E outra...

E depois outra...

...

Foi então que ela finalmente desabou em lágrimas, abraçando o homem com força brutal, esquecendo o quão forte era e até mesmo que ele estava ferido.

"EI, ISSO MACHUCA!"

Ela berrava tão alto que fez o hospital inteiro parar para observá-los. De início, ele ficou envergonhado com todos os olhares voltados para eles, mas, conforme a fitava, sabia que aquilo era apenas preocupação.

"GIN-CHAN! EU ACHEI QUE VOCÊ IA MORRER!"

Ele deixou escapar um sorriso enquanto acariciava a cabeça da pequena criança até acalmá-la. Ela não conseguia parar de soluçar por um momento enquanto olhava para o seu rosto. Foi um pouco demorado, mas ela finalmente o soltou.

Ele apenas riu da situação e limpou as lágrimas presas no canto dos olhos.

Até que, por um rápido momento, ouviu passos acelerados no corredor vindo em sua direção. O corpo quase passou direto pelo batente, quando ele se segurou na parede e virou-se para a sala.

"O que aconteceu, Kagura-chan?!"

Shinpachi.

Ele estava ofegante. Provavelmente veio ao ouvir os berros de Kagura. Sua expressão séria mudou gradualmente ao fitar o rosto do albino acordado, deixando escapar a felicidade de vê-lo bem... ou quase bem. Mas não ficou estampada por muito tempo; logo se fechou, ficando sério novamente.

"Idiota, na próxima não assuste a gente assim!"

Ele olhou confuso para as crianças. Não conseguia se lembrar do que fez, ou melhor, do que causou para acabar no hospital naquele estado. Era como se sua mente não quisesse cooperar diante da situação atual. Um calafrio percorreu sua espinha, um pensamento rápido surgiu: algo ruim aconteceu para Kagura chorar daquele jeito e Shinpachi dar sermão. Mas a pergunta que não queria calar era...

...Foi ele que causou isso?










E se...

... aquele lugar...


















Não.

Ele não tentaria fazer isso, não é? Ele prometeu a si mesmo que não faria isso.


















A mente não seria capaz de traí-lo assim. Não é? Será que ele se descuidou por um momento e deixou seus pensamentos controlá-lo e fazer exatamente o mesmo corte que fizera no sonho?

O que aconteceu...

... para ele parar no hospital?














Ele soltou um longo suspiro até olhar para as duas crianças. Será que era tão ruim assim perguntar o que aconteceu? Tá, tá. Não custava tentar. Quando abriu a boca e puxou o ar para falar, algo o interrompeu.

"Sakata-san?"

"Hum?"

Essa voz era desconhecida, mas foi o suficiente para trazê-lo de volta à realidade. Seus olhos desviaram-se para a figura de jaleco. Era o médico do hospital Oedo, com uma prancheta em mãos.

"Como se sente?"

"Bem."

..Bem? Que resposta vaga. Nem ele sabia exatamente o que sentia. Jogou o corpo para trás, em uma tentativa falha de relaxar na dura cama do hospital. Ao sentir o baque das costas contra o travesseiro, a dor atravessou novamente seu corpo de ponta a ponta, fazendo-o ranger os dentes.

"Fico surpreso que você tenha sobrevivido. São poucos que aguentariam ter uma lâmina atravessando o estômago."

Uma lâmina atravessando o estômago...

... isso me soa familiar.






Merda.






"Você pode me contar o que aconteceu?"

"Eu não me lembro, doutor."

"Leve o tempo que precisar."

Ele se reclinou para o teto amadeirado por um momento, trazendo a falsa sensação de estar tentando... recordar? Como se lembraria de algo que não fazia a mínima ideia? Pelo menos falasse uma palavra-chave ou qualquer coisa para começar. Estava tão confuso, tentando criar um ponto de partida, que acabou falhando ao tentar se lembrar do que comera no café da manhã.

Por que era tão difícil?

...


"Eu não consigo... me recordar."

Abaixou a cabeça e olhou de soslaio para as crianças. Elas pareciam tão... tristes.

Mas é claro que estariam tristes, seu idiota. Se você realmente fez o que está pensando e elas tivessem descoberto, acha que elas fariam o quê? Pulariam de alegria?!

...

Ele continuou de cabeça baixa por um longo tempo, como um filho que espera o sermão de uma mãe. Ele merecia isso, não é?


Mas ninguém disse nada.

Nenhuma única bronca.

Só um silêncio constrangedor.




"Você toma algum antidepressivo?"

"Hã? Não."


Ah, merda.

Agora ele tinha certeza.

Iriam mandá-lo para terapia e ele teria que desabafar com pessoas desconhecidas. Mas é claro que ele nunca falaria o que sentia.

Em sua mente, já começava a pensar no que dizer ao terapeuta. Que história ruim contaria? Precisava de uma história inventada, tão ruim e artificial que parecesse verdade.

...Bom, podia contar alguma história de si mesmo em uma perspectiva heroica, não é?

[...]


O doutor nada disse. Fez algumas anotações aqui e ali na sua prancheta, trazendo um silêncio constrangedor para aquele espaço. E caramba... o quarto do hospital sempre fora sufocante assim? Ele começou a se sentir sufocado pelo próprio silêncio, como se o ar estivesse acabando só para ele. Firmou a mão sobre o cobertor discretamente, depositando certa força para disfarçar a agonia que sentia.

...Mas o bipe, aquele maldito bipe, o entregou.

"Seus batimentos estão muito acelerados. Tem algo lhe incomodando?"

"Nada."

Ele apenas ergueu uma sobrancelha enquanto encarava o albino. Claro que havia algo o deixando incomodado. Todo mundo percebeu. O médico apenas soltou um longo suspiro e o olhou com um semblante tão sério ̶q̶u̶e̶ ̶p̶a̶r̶e̶c̶i̶a̶ ̶s̶e̶ ̶p̶r̶e̶p̶a̶r̶a̶r̶ ̶p̶a̶r̶a̶ ̶d̶a̶r̶ ̶u̶m̶a̶ ̶b̶r̶o̶n̶c̶a̶ ̶e̶m̶ ̶u̶m̶a̶ ̶c̶r̶i̶a̶n̶ç̶a̶ ̶t̶e̶i̶m̶o̶s̶a̶ ̶d̶e̶ ̶2̶9̶ ̶a̶n̶o̶s̶.̶

"Sakata-san, vamos ser francos aqui. Quando o trouxeram na emergência, seu corpo estava completamente instável. Você foi levado para a cirurgia às pressas e adivinha...?"

Ele se aproximou do albino, ficando cara-a-cara.

"...tivemos que reanimá-lo duas vezes."

Agora, talvez o desespero de Kagura começasse a fazer sentido. Mas era assustador pensar que ele estivera diante da morte e nem sequer conseguia se recordar do que aconteceu.

Será que o sonho nunca fora real? Talvez houvesse essa possibilidade. Talvez ele nunca tivesse feito aquilo. Mas por que, então, o médico perguntaria sobre antidepressivos? Será que seu estado mental estava tão fodido que qualquer pessoa de fora perceberia?

"Então mentir aqui não irá agregar em nada. Eu sugiro que coopere; é o melhor para você."

Tsc. Como tudo isso é um saco.

O albino ergueu o olhar. O que poderia dizer? O que estava sentindo? Nem ele sabia. Dar respostas curtas, agora, estava fora de questão.




Então pense...

... pense mais um pouco.

... pense em qualquer coisa.

...




"Eu estava apenas tentando me recordar, doutor."

Que resposta horrível. Tenebrosa. É claro que ninguém ali acreditaria. Mas, de fato, ele não estava mentindo. Estava realmente tenso por não se lembrar do que havia feito. Então era uma resposta válida, não é?

"Certo. Por hora, tente descansar. Qualquer coisa, podem me chamar."

̶.̶.̶.̶ ̶i̶s̶s̶o̶ ̶f̶o̶i̶ ̶e̶s̶t̶r̶a̶n̶h̶a̶m̶e̶n̶t̶e̶ ̶f̶á̶c̶i̶l̶.̶

"Obrigado doutor." — Shinpachi respondeu.

O médico então os deixou. Seus olhos o acompanharam até a saída. Agora, sozinhos de novo. Que constrangedor. Os olhos voltaram para o albino, deixando-o desconfortável. A pior parte vinha agora: ele precisava dizer algo e se preparar mentalmente para ouvir.

"... Me desculpem se eu..."

Engoliu seco.

"... Fiz algo estupido. Eu realmente não me lembro."

"Você não fez nada de errado, Gin-san." — O jovem moreno respondeu.

"Não?"

"Definitivamente não-aru." — a garota chinesa respondeu com um leve sorriso.


Na verdade, ele foi estupido.

Egoísta.

Qualquer coisa desse tipo.

E ele sabia.



... Ele sabia que suas ações, ultimamente, foram egoístas. Não queria se tornar um exemplo de decepção para as crianças...

M̶a̶s̶ ̶e̶l̶e̶ ̶j̶á̶ ̶e̶r̶a̶ ̶u̶m̶a̶ ̶d̶e̶c̶e̶p̶ç̶ã̶o̶ ̶a̶n̶t̶e̶s̶ ̶m̶e̶s̶m̶o̶ ̶d̶e̶ ̶e̶l̶a̶s̶ ̶o̶ ̶c̶o̶n̶h̶e̶c̶e̶r̶e̶m̶.̶


E essa ternura só piorava as coisas.

Ele queria vomitar.

Sentia nojo de si mesmo.

Caramba, como ele podia fazer isso com elas?

Por que, em sua memória, elas não vieram?




Espera.

Por que ele tem certeza de que tentou cometer suicídio? Ele nem sabe o que aconteceu, então por que está afirmando isso? Por que ainda não tentou começar do zero? Talvez compreender tudo desde o início ficasse mais fácil para entender os próprios pensamentos.

É só uma única pergunta e pronto. Nada mais. Nada menos.






[...]

Certo...

... certo.

Vamos começar novamente.


"... Afinal, o que aconteceu?"

Bom, a pior parte já foi. As crianças trocaram olhares rápidos e voltaram os olhos em sua direção. Shinpachi se apoiou na grade de proteção da maca, mas quem respondeu foi Kagura, de uma maneira estranhamente leve, mas que deixava o ar pesado.

"Você tentou bancar o herói... seu idiota."

"Como assim?"

"..."

A pequena jovem desviou o olhar e mordeu os lábios. Que suspense horrível.

"A... Culpa... foi minha Gin-chan. Você só me protegeu."

"Nós estávamos atrás do samurai que assassinava mulheres. Quando ele viu a Kagura, ele tentou atacá-la e... você entrou na frente." - Shinpachi completou.

"Me desculpa, Gin-chan. Eu deveria ter te escutado e ficado em casa."

Ah, então era isso...

Que alivio.


Parecia que o ar, até então, havia ficado mais leve, como se agora pudesse respirar. Até os bipes ficaram mais calmos e suaves, e sua ansiedade havia se dispersado.

"... Eu não imaginei que você ia ficar tão mal, Gin-chan. Me desculpa!"

Novamente, lágrimas.

Ela não conseguia falar direito. Todas as palavras saíam distorcidas com seu choro. Então, o abraçou novamente. E ali ele podia sentir o valor que a sua vida tinha.

Naquele sonho, era o reflexo entre a vida ou a morte. Ele tinha total liberdade de fazer o que quisesse, mas não imaginava que o peso das suas escolhas era real, que iria refletir no futuro.












... E ele quase jogou tudo no lixo, como um nada.














"Está tudo bem, Kagura. Agora pare de chorar, antes que seu nariz comece a escorrer."












...,Mas no fim estava tudo bem mesmo, não é? Talvez isso servisse de reflexão para um banho de madrugada. Também como aprendizado para o futuro, onde nunca se deve confiar em um campo de alecrim dourado.




















"E Gin-chan..."

"Hum?"

"Na próxima vez, não banque o herói para ninguém. Seria uma péssima ideia você ser reconhecido e ver sua imagem na TV todo dia de manhã."

"É mesmo? Pois bem, adoraria ver uma estátua com meu nome no centro da praça."


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!