The Fall of Dead Minds
10 Capítulo IX
Notas iniciais
Após uma vida inteira batalhando entre os mundos, Thor tinha diversos problemas e muitas coisas para se pensar. Jane, Asgard, a Terra, como estava Jane, alguém querendo destruir algum planeta sem nenhum motivo aparente e os beijos de Jane. E com isso, passava mais tempo com dor de cabeça do que deveria por causa de seus problemas. Quase podia classifica-los, entre os motivos e o tipo de dor. Quando a Terra e Asgard estavam com problemas, doía toda a parte frontal de seu crânio. Quando pensava em Jane, eram sua cabeça e coração que doíam de saudade.
Mas tinha uma em específico, que fazia toda a sua cabeça parecer pronta para explodir. Era a dor que sentia toda vez que tinha problemas imensos e descomunais para resolver e muitas vidas para salvar. E depois de vários e longos momentos de reflexão profunda, cogitou rebatizá-la de Loki, o que realmente, na maioria das vezes, fazia muito mais sentido.
Thor tinha que admitir: Loki era um aproveitador e um maníaco. Seu irmão adotivo merecia outra surra do Hulk.
Porém, apesar das adversidades e todos os pesares que passaram juntos, e por mais insanamente perigoso que fosse Loki, Thor ainda meio que o considerava seu irmão e ainda o amava da mesma forma fraternal que sempre o amou. E às vezes o respeitava também, mas isso só acontecia quando o outro estava de bom humor.
— Uma palavra, 12 letras, a dica é “alguém difícil de aguentar” — Loki anunciou, mordendo a tampa da caneta. — Hmm, essa é fácil. Mas “Thor” não cabe aqui...
E naquele momento, Thor só queria dar uns bons socos no irmão.
Thor deitou no sofá, inconformado e cansado de ver o moreno fazer palavras cruzadas midgardianas. Loki tinha as pernas cruzadas no sofá branco a sua frente, os cabelos presos num rabo de cavalo finalizam seu rosto concentrado. O ferimento na cabeça já curado devido ao medicamento Extremis melhorado por Bruce. Ambos usando roupas normais, apesar do descontentamento de Loki em vesti-las ser claro.
— Tente “Loki” com oito “os” — resmungou Thor, apertando uma almofada contra o rosto. Ainda tinha a cara marcada pela barra de ferro.
— Você e Stark compartilham do mesmo tipo de humor que me dá asco — ele rabiscou alguma coisa no jornal.
— Você é insuportável — disse contra o tecido da almofada.
Thor não viu, mas Loki desviou o olhar das palavras cruzadas para ele. Escreveu letra por letra e seguiu para os próximos quadradinhos. Às vezes, o Thor era mais inteligente do que ele mesmo sabia.
Thor estava com o ego ferido. Havia sido uma luta ridícula e ele apanhou como um podre coitado. E isso era uma coisa que ele não era. Como tinha se permitido abaixar a guarda daquela maneira?
E por mais indignado que estivesse com a maneira como apanhou, era Jane não saia de sua cabeça de forma nenhuma. Podia até admitir até que sentia falta de todos: Darcy, o estagiário e Erik (menos de sua nudez).
Naquele momento, o que mais queria era um beijo de sua pequena. Um abraço, um toque. Faria tanto por só um pouquinho do carinho dela. E um tanto mais pela comida midgardiana que ela fazia.
Queria Jane em seus braços, mas fazia algum tempo que não a via. Tinha medo de algo ter mudado. Tinha receio de tudo que ela podia ter passado sem ele ao seu lado. Como ela havia passado a noite, se tinha fome, se sentia tanta falta dele como ele sentia dela...
Ela bem podia ter encontrado outro, mais presente e disponível, e isso doía fundo no peito de Thor. Ele nunca a culparia por isso, sabia que era egoísmo prendê-la em algo sem futuro certo. Mas ele nunca a obrigará a nada. Ambos estavam cientes de todas as dificuldades que teriam pelo caminho. Manter um relacionamento à distância era difícil, mas manter um relacionamento com mundos de distância era relativamente mais complicado. Era angustiante ficar sem sua pequena Jane e a falta que sentia dela era mais dolorosa que a pior das dores.
Mas ele a amava tanto...
E foi pensando em Jane que sonhou com ela.
Acordou desorientado. Não sabia se tinha dormindo dez minutos ou dez horas. Ainda havia luz natural, mas o cômodo estava tão vazio quanto seu estômago.
Esfregou os olhos e sentou, colocando as pernas para fora do sofá. Procurou pelos chinelos e seguiu para a cozinha. Tinha fome e saudade dos banquetes de Asgard. Era de algo daquele nível que necessitava para saciar sua fome.
Porém, ali não havia nada parecido com a fartura de casa e Thor se viu obrigado a se contentar com um sanduíche natural triplo com muita mostarda. Ele adorava aquela iguaria amarela e de gosto peculiar. Era tão diferente de tudo que já tinha experimentado, não tinha nada parecido em lugar algum.
Comia feliz. Entre uma mastigada e outra, encarou o sofá a sala à frente.
Mas a única coisa que ainda permanecia ali era o jornal.
— Merda — resmungou. “Onde está aquele bastardo?”
Largou o sanduíche no prato mesmo que ainda tivesse fome e pegou o martelo, que não combinava muito com os chinelos que usava, mas ele não se importou.
Entrou no elevador e estancou com a mão esticada para apertar um dos botões. Não fazia ideia de onde ir.
Eram muitos andares e até lá, Loki podia ter destruído alguma coisa de Stark — ou o próprio Stark. Ou a si mesmo.
E então, lembrou-se de algo.
— J.A.R.V.I.S?
— Sim, Sr. Odinson? — respondeu imediatamente.
— Onde está Loki?
— Fui orientado a não revelar esta informação...
— J.A.R.V.I.S... — Thor enunciou ameaçadoramente, como se pudesse ferir o sistema fisicamente.
— ... Mas com o histórico do Sr. Laufeyson, creio que talvez seja melhor não levar em conta essa instrução. Ele está no terraço, Sr. Odinson.
Thor apertou o último botão no mesmo segundo.
— Ele está sozinho?
— Está acompanhado de Nick Fury — aquilo encheu a cabeça de Thor de dúvidas. Não fazia sentido algum.
— O que diabos Fury quer com meu irmão?
— Não sei, senhor, mas o mesmo que pediu para não anunciar sua vinda.
O elevador parou no último andar. Thor apertou firme o cabo do martelo e agradeceu rapidamente a J.A.R.V.I.S, pois tinha outros problemas a resolver.
Era um lugar muito bonito. Tinha uma vista maravilhosa e o anoitecer estava próximo, deveria ser um ótimo lugar para levar Jane.
A maior parte do terraço era descoberta, para pouso de helicópteros e um helicóptero preto estava desligado ali, com um piloto pronto para decolar. Um terço daquele lugar, onde eram os elevadores, era cobertura baixa de vidro e tinha o chão de mármore preto. Nunca tinha chegado até ali.
Saiu do elevador e realmente os dois estavam ali. Avistou-os ao longe em uma conversa bastante intensa, mas não o viram. Nick tinha os olhos cheios de ira, parecia querer destruir o rosto de Loki com um soco, enquanto o outro se mantinha com a mesma expressão frívola e sacana de sempre. Ouvia o que o negro dizia, mas aparentava o descaso costumeiro.
Aproximou-se sorrateiramente, saindo pela porta de vidro, e pode ouvir parte da conversa:
—... Eu só quero lembrá-lo que temos um acordo, Loki.
O moreno inclinou um pouco a cabeça, como se disponibilizasse seus ouvidos para ouvir o que Nick dizia.
— Eu estou ciente disso, mas se não percebeu, estou preso a um bando de mentecaptos. Não sei exatamente o que posso fazer sem meu cajado, sabe... — Loki disse com desdém.
Aquilo enfureceu Nick. Ele agarrou a gola da camiseta preta do outro e aproximou seus rostos com violência. A expressão de escárnio do deus da trapaça se desmanchou com o puxão.
— Não brinque comigo, Loki. — rosnava, irado.
— E eu teria essa audácia? Só quero o que me foi prometido.
Nick cuspiu as palavras:
— Cumpra com sua parte do combinado e talvez eu cogite a possibilidade de não mandá-lo para o inferno.
E sem que Thor tivesse se movido, o negro olhou diretamente para ele. Largou seu irmão de imediato, arrumando o casaco que vestia, como se nada estivesse acontecendo, mas o olhava irritado.
O loiro andou até eles, sem se envergonhar de ter sido descoberto espiando a conversa dos outros.
— O que está aconteceu, Fury? — questionou rudemente.
— Não é da sua conta, asgardiano — Nick respondeu sem se importar com o tom de Thor.
— É claro que é da minha conta; se envolve a Terra e Loki ao mesmo tempo, é óbvio que envolve a mim também.
Fury o encarou friamente.
— Não dessa vez.
Thor se adiantou e com o antebraço na clavícula do negro, o parou, agarrando o tecido do ombro do casaco.
— O que está acontecendo de verdade? Você não me pediria para trazer alguém que quase destruiu a Terra para apenas combater “zumbis”.
O negro apenas o olhou com raiva.
— Você sabe, não é? Você sabe o que está acontecendo de verdade, não sabe?!
Nick desviou os olhos de Thor, quase culpado.
— Diga-me! — ele gritou, irado.
Fury praticamente arrancou a mão do deus do seu ombro.
— Não há nada a ser dito — mas em seus olhos, havia toda uma dor e preocupação que Thor não pode decifrar.
O negro seguiu caminho até o helicóptero, sem ligar para as outras possíveis perguntas que o outro teria.
A aeronave decolou e sumiu na direção do pôr do sol.
Thor estava com raiva. Muita raiva. Não estava gostando daquilo.
Virou-se para Loki e ele o olhava com humor.
— Que maldito acordo é esse? — percorreu o caminho até o irmão com rapidez.
— Você está delirando, irmão.
O loiro inspirou e expirou com força, com as narinas infladas, mas nada disse.
— Tem um pouco de mostarda aqui — Loki apontou para o próprio queixo.
E antes que Thor pudesse investir contra o irmão, o jantar foi anunciado.
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