The Fall Of the Moon

2 De volta ao velho lar


Após um tour pela fortaleza, descobri algumas coisas. Meu nome era Ty Lee; tinha 15 anos; Casey era minha irmã adotiva. Ela me contou que fugimos juntas do orfanato em que estávamos e encontramos as Seguidoras de Órion. Lutamos contra umas tais Caçadoras... era de quem? Não me lembro. Elas são nossas arquiinimigas, ou algo parecido. Casey disse que elas mataram a sua irmã biológica e que eram extremamente agressivas. Deu até um medo, mas no fundo senti que era um tipo de exagero da parte de Casey, ninguém poderia ser tão ruim assim. Preferia não comentar nada, e nem ficar muito perto destas tais caçadoras. Era melhor prevenir do que remediar.

Paramos em um corredor e Casey disse:

–Essa porta a esquerda era o seu quarto, mas quando foi embora levou tudo. Deixamos tudo limpo para quando voltasse. – disse Casey triste.

–Por que eu partir? – perguntei.

–Nós sempre discutimos. Numa noite, após sofrermos um ataque das caçadoras, elas machucaram muito você e eu estava louca por vingança...- começou ela.

–Eu não deixei você ir, não é?- perguntei novamente.

–Disse que era suicídio eu ir sozinha e que fosse atacá-las, você iria embora, pois não queria mais ver pessoas feridas.- comentou Casey.

–Mas você foi. – confirmei.

–Você também. – confessou ela. – Naquela noite, me arrependi amargamente de ter ido. Você sumiu. Não deixou rastros nem aviso para onde ia, como se não quisesse ser encontrada.

–Talvez eu não quisesse mesmo. –comentei, tentando encaixar tudo no meu cérebro.

–Se eu não tivesse ido, você não teria partido e não estaria assim agora. – confirmou ela.

Coloquei a mão em seu braço e disse.

–Eu estou aqui agora e não vou a lugar nenhum. – mesmo se quisesse, acrescentei mentalmente.

– Eu não sei. É horrível ver que está assim por minha causa. –disse ela, ainda mais triste.

– Eu vou ficar bem. Logo estarei a mesma que era antes. – falei sorrindo. Mas como será que eu era antes?

– Eu espero que sim. – disse ela tentando sorrir comigo.

–Acho melhor entrar e trocar essa roupa úmida. – afirmei, desgrudando a blusa da barriga.

–Sim. Vou pedir para Sofia lhe trazer roupas secas e assim que eu terminar a reunião com as Seguidoras, venho lhe buscar para podermos fazer um lanche juntas. – afirmou ela.

Concordei com a cabeça e entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim. Ele era azul escuro, me lembrando da noite. Havia uma cama no meio, um guarda roupa a minha esquerda e uma porta a direita. Tinha também algumas prateleiras vazias assim como a mesa ao lado da cama. Também tinha uma janela e um sofá debaixo dela. Eu vi o sol, alto e quente no céu. Olhei atrás da janela e vi que dava uma vista da floresta. Assustei-me ao ver que conseguia ver os animais na mata.

Acho que nenhuma pessoa normal pode fazer isso. Caramba, eu tenho poderes. Uma super-visão e uma ótima audição, afirmei em pensamentos a mim.

Bem no momento que eu ia ver se tinha uma super-força também, uma batida me despertou do transe. Caminhei até a porta e a abri. Era Sofia, nas mãos trazia umas peças de roupa.

–Espero que sirva. – disse ela, dando as peças a mim.

–Não tem problema se ficarem um pouco grande. Fica mais confortável. – afirmei.

– Verdade. Eu adoro quando uma pensa fica mais folgada. – comentou ela, sorrindo.

–Acho que eu também. — concordei.

–E me desculpe. Faz pouco tempo que entrei para as Seguidoras, foi depois que partiu. Então a reconheci. – exclamou ela com a cabeça baixa.

–Sem problemas. Agora já nos conhecemos. Tudo resolvido. – argumentei.

–Certo. Eu preciso ir. Casey solicitou uma reunião imediatamente e ela odeia quando chegamos atrasadas. – disse ela, fazendo uma careta.

– Ok. Será que é para mim ir também? – perguntei curiosa.

– Não... quer dizer, acho que não. É melhor tomar um banho e descansar um pouco. – falou ela.

–Tudo bem. Obrigada. – agradeci.

–De nada. Até logo. – e se virou saindo.

–Tchau. – e fechei a porta.

Decidi ver a porta a minha direita e me deparei com um banheiro. Depois de um banho quente bem demorado, fui ver as roupas que haviam me trazido. Tinha uma calça jeans preta e uma regata branca. Também havia um cinto cinza com suporte para algumas coisas que supus serem para armas. Vesti-me e deitei na cama.

–Caramba! Que dia estranho. –sussurrei.

Pelo menos, eu tinha um nome e uma história. Não era uma das mais felizes, nem emocionantes, mas para mim estava bom. Tudo que iam me contando, eu ia arquivando no meu cérebro como pastas e um computador. Tinha as seguintes pastas: Minha história- coisas do meu passado que eram marcantes; família – nomes das seguidoras e rostos para ligá-los; mapa- tentei guardar os caminhos que segui com Casey no tour; e por fim a pasta de Gostos/manias: era algumas coisas que eu achava que gostava, minha personalidade e certas manias que ao longo do dia percebi que tinha como: eu gostava de fazer várias piadas em momentos tensos, não gostava de ser mandada e era bem cabeça-dura.

Fui até a janela e observei a floresta. Parecia algo que eu fazia muito, pois senti algo familiar nela. No meio da vegetação, vi um lobo branco. Eu continuei encarando-o e percebi que o animal fazia o mesmo ao meu respeito. Tive vontade de me aproximar dele, mas o medo me tomou. E se ele me atacasse quando estivesse perto e eu virasse o almoço do dia? É, eu não queria aquilo. Decidi continuar ali, o observando. Outro lobo apareceu e o trombou no lobo que me olhava, uivou e saiu correndo. Com um último olhar, o lobo se virou e foi embora.

Depois de algumas horas, Casey bateu na minha porta para irmos comer. Passamos bom tempo conversando. Ela me explicou como tudo acontecia ali no quartel. Ela disse que no começo eu estaria livre de alguns treinos, para que eu pudesse me adaptar a minha antiga. Eu concordei, agradecida. Ficamos no refeitório por horas, até que percebemos que já era a hora do jantar e decidimos ficar ali mesmo. Algumas seguidoras se aproximaram da mesa e comeram com a gente, assim como Sofia. Decidi que depois de jantar, precisava de uma boa noite de sono e Casey concordou.

Estava no caminho para o meu quarto quando uma voz me surpreendeu no corredor:

–Ty Lee?- perguntou um garoto. Ele era branco com cabelos pretos e meio baixinho, tinha rosto levemente oval, com olhos verdes escuros. Pareceu-me familiar.

–Me conheci? – perguntei.

–Claro que sim. O que está fazendo aqui? – questionei ele.

–Vou dormir. – afirmei.

–Não. Eu quero dizer... — de repente uma garota apareceu e lhe cobriu sua boca. Ela sussurrou algo em seu ouvido e seus olhos se arregalaram.

Continuei observando, sem entender. A garota saiu discretamente e o garoto continuou ali parado.

–O que ia dizer? – perguntei.

–Nada. Talvez devesse ir dormir. – disse ele, em transe e saiu.

Dei os ombros e voltei para o meu quarto. Ao desabar na cama, percebi o quanto estava cansada e dormi pesadamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.