The Fairy and The Dragon

19 O quebra cabeça


Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo :3

"I know I don't know you

But I want you so bad

Everyone has a secret

Oh can they keep it?

Oh No they can't"

Secret — Maroom 5

~~Mira~~

Eu estava sentada na sala da casa de Erza esperando ela voltar do hospital, tínhamos combinado de ir juntas até a doceira.

—Mira? – A voz da mãe de Erza me despertou – Por que não me chamou? Está aqui faz tempo?

—Não, acabei de chegar – Sorri para ela – Erza vai demorar?

—Não muito, ela vai esperar o pai trazê-la – Ela se aproximou do sofá em que eu estava e me encarou sorrindo – Tem algo te angustiando? Você parece meio preocupada.

—N-não é nada – Como ela tinha percebido – Só estou cansada de toda essa agitação no final de semana.

—Erza amou essa viagem sabia? Faz tempo que não a vejo chegar tão animada de algum lugar – Eileen me olhou e tinha uma coisa estranha no seu olhar – De cada história que ela contava repetia seu nome centenas de vezes – Sorriu – Obrigada por fazê-la sentir bem Mirajane, muito obrigada.

—Eu que tenho que agradecer, ela me salvou diversas vezes – Olhei para baixo, estava criando coragem para falar – Tia Eileen...

Eu hesitei, onde eu estava com a cabeça? Falar justo com a mãe de Erza sobre aquilo?! Mas ela me conhecia desde criança, até hoje ainda era minha médica e sempre que eu não me sentia confortável para falar com minha mãe era a ela que eu recorria, depois do acidente com Lisanna me abria mais com ela do que com a minha psicóloga.

—Sim, quer conversar? – Ela relaxou o corpo – Você sabe que pode conversar comigo sempre que precisar.

—E-eu não sei como falar isso – Busquei forças dentro de mim – Eu estou gostando de uma pessoa...

—Certo, isso é perfeitamente normal. Você é uma adolescente saldável e seus hormônios estão explodindo aí dentro – Ela levantou e sentou ao meu lado – Tem algo em especial que quer saber? Ou que tenha dúvidas?

—Não é isso – Corei – É que tenho dito algumas variações nesse... nesse gostar!

—Hum, variações?

—Eu percebi que eu... hum, como vou falar isso... – Naquele momento tudo que eu queria era sumir dali – E-eu acho que me sinto atraída por garotas – Falei num sussurro e olhei para baixo – Não sei o que está acontecendo, eu já sai com garotos, mas meu corpo e meus pensamentos reagem de uma forma diferente quando o assunto em questão são garotas.

—Então você está me falando que sente atração por garotos e garotas?

—Hum, agora eu tenho quase certeza que só gosto de garotas – Eu a encarei rapidamente, mas não consegui manter meus olhos nela – Isso é errado? Estranho?

—Não, como disse: você é uma adolescente saudável ne tem todo direito de se apaixonar por quem quiser, não existe certo ou errado no amor. Mas você me disse que gostava de uma pessoa, é um garoto ou garota em questão?

—Uma garota... – Eu senti todo meu rosto arder – Eu amo ela, desde sempre... Não sei o que fazer, mas toda vez que olho para ela é como se tudo ao meu redor não estivesse mais ali e eu fico sem ação nenhuma e confusa, estou tão cansada de guardar isso dentro de mim.

—Essa garota – Tia Eileen fez com que eu a olhasse – É a Erza?

Eu podia sentir meu rosto pegando fogo. Como ela descobriu? Era assim tão evidente?! Ela iria me pedir para ficar longe da sua filha?! Minha cabeça parecia que iria explodir com todas essas questões me torturando!

—Mira?

—Como sabe? – Eu segurava a barra do meu vestido com força entre as mãos – Me desculpe.

—Mirajane – Ela afagou meus cabelos – Eu já tinha suspeitas disso, não fique assim.

—Vai me pedir para ficar longe dela? – Eu estava começando a sentir meus olhos arderem – Acha que isso é errado e devo me afastar?

—Não – Ela me abraçou – O jeito que você olha para minha filha, eu só vejo amor e quero isso para ela, que no futuro alguém a ame tanto quanto eu a amo, entendeu?

—Eu não sei o que fazer... Me desculpa por sentir isso por ela, eu não queria.

—Você não precisa se desculpar, Erza te ama, mas não sei se da mesma forma que você. Até agora ela só me falou sobre esse Jellal – Ela viu que eu me entristeci um pouco – Mas lembre-se, minha filha é uma tonta para essas coisas.

—Muito tonta – Eu funguei enxugando o restante das lágrimas – Mas eu não vou contar nada para ela.

—E vai ficar assim sofrendo? Você não sabe qual a resposta dela.

—Eu acho que sei: Jellal – Eu fiz uma careta – Eu já me conformei com toda essa história, não posso força-la a nada.

—Olha, eu vou confessar que não sou muito fã desse Jellal, ele sumiu e apareceu a pouco tempo... Não sei nada sobre ele e definitivamente não gosto da ideia dele com minha filha, sinto que nada de bom pode vir de uma relação entre os dois – Ela tinha um ar misterioso no olhar – Sentido de mãe, nunca falha.

—Eu não devia ter conversado com a senhora sobre isso – Eu me levantei – Vou esperar Erza lá fora.

—Mira – Tia Eileen segurou minhas mãos – Não precisa ter vergonha e por favor – Ela fechou os olhos enquanto suspirava – Nunca desista da Erza, se esse amor que ela sente por você for o mesmo que você sente por ela, não desista! Você é um dos pilares que sustenta minha filha, não precisa se preocupar, não vou contar nada, ok? Se tiver mais alguma coisa te preocupando pode me perguntar.

—Minha mãe quer que eu continue a tomar meus remédios, mas eu sinto que não preciso deles – Eu já não podia mais jogar os comprimidos fora – Eu sei que estou bem, que posso voltar a fazer tudo que fazia antes, me sinto presa – Suspirei – Esse final de semana com minhas amigas foi um dos melhores desde que minha irmã morreu.

—Quer que converse com sua mãe sobre isso?

—Ela saberia que eu pedi e isso só pioraria tudo.

—Então vou conversar com seu médico e pedir que retire a medicação, está bem? – Ela piscou o olho – Isso fica só entre nós.

Eu a abracei agradecendo, queria que minha mãe fosse compreensiva assim, Erza tinha sorte. Se contasse para minha mãe que gostava de garotas ela surtaria! Mas a peso que tirei das costas de contar aquilo a alguém me fazia feliz, se um dia por um milagre Erza também gostasse de mim dessa forma teríamos o apoio de alguém.

—Estou em casa – Ouvi a voz de Erza falando – Mãe, Mirajane já está aqui?

Então a ruiva mais linda apareceu na sala e eu sorri para ela, um sorriso que ela retribuiu de forma radiante.

—Desculpa a demora, meu pai se atrasou um pouco – Ela me abraçou – Vamos – Parou por alguns segundos me encarando – Você estava chorando? Aconteceu alguma coisa?

—Não, acho que estou com um pouco de alergia...

—Mirajane – Ela disse enquanto estreitava os olhos – Não minta para mim!

—Mira está bem, deve ser só alguma alergia leve – Tia Eileen piscou o olho para mim – Vão logo, já estão atrasadas, quando estiverem prontas para voltar me liguem, parece que vai chover e não quero ninguém pegando um resfriado.

—Certo, vamos Mira – Erza caminhava na minha frente e eu observava o movimento dos seus cabelos longos.

—Erza – Sua mãe chamou fazendo com que a filha se virasse.

—Hum, esqueci algo?

—Ajude Mirajane, segure a mão dela – Ela sorriu divertidamente – Essa alergia, sabe como é – Piscou o olho para mim e eu sabia que estava com as bochechas vermelhas.

—Ah, claro – Erza segurou minha mão – Vamos rápido ou então as meninas nos matam e eu quero meu bolo de morango.

Eu assenti deixando que ela segurasse minha mão e me guiasse, meu coração palpitava tão forte e sentia a mão de Erza na minha, tão quente e macia, queria saber como seria ser tocada por aquelas mãos em outras partes do meu corpo. “Quê?! Afaste esses pensamentos da sua cabeça Mirajane”. Me repreendi mentalmente, mas uma coisa eu tinha certeza após aquela conversa com a mãe de Erza, contaria como estava me sentindo e esperaria a resposta dela, se não fosse positiva ao menos eu não passaria o resto da minha vida me remoendo por não ter tentado, só precisava esperar a ocasião certa para isso.

~~Mira Finish~~

A única coisa que Levy estava preocupada no momento era a sincronia perfeita que sua boca tinha com a de Gajeel, e de como sua pele arrepiava cada vez que as mãos dele tocavam em sua nuca, a sensação era maravilhosa e ela tentava ao máximo se controlar para que nenhum som estranho saísse de sua boca.

—Vou ... me atrasar – Levy disse quando pararam por alguns segundos para recuperar o fôlego – Gajeel!

—Só mais um pouco – Ele a segurou pela cintura – Você já está atrasada mesmo...

Levy tentava resistir, mas simplesmente não conseguia controlar a vontade insana do seu corpo. Com um gesto brusco empurrou o moreno tentando afastá-lo, mas não teve muito sucesso.

—Gajeeell!!! Prometo que nos vemos amanhã novamente, está bem? – A azulada tentou fazer uma cara de brava, mas não teve muito sucesso – Comporte-se até lá.

—Gehehe! Você é ainda mais fofa quando tenta ser durona – Se inclinou e beijou a ponta do nariz de Levy – Está bem, então amanhã nos vemos.

Antes que pudessem se despedir sentiram as primeiras gotas de chuva caindo, Levy olhou para o céu e viu a enorme nuvem negra que agora cobria o colégio, quando se deu conta Gajeel já segurava sua mão e corria em direção à uma parte coberta, colocou-a junto ao seu corpo enquanto com a jaqueta que usava cobria sua cabeça para que não se molhasse.

—Wow – Ele arfou quanto finalmente estavam em um lugar que a chuva não chegava – Começou a chover de repente não foi? Quer que eu te leve até o lugar que vai encontrar com as garotas? Podemos pegar um taxi ou algo assim.

—N-não, é aqui do lada do colégio e eu trouxe um guarda-chuva, deveríamos ir agora, as aulas da tarde já estão acabando...

—Levy? – Gajeel afastou os cabelos azulados do seu rosto – Você não quer que suas amigas saibam que estamos namorando?

—Não – Ela levantou o rosto para encará-lo, mas desviou logo em seguida – Não é isso! Eu preciso falar com calma com elas antes, está bem? Por favor, não fique chateado.

—A última coisa que eu faria seria ficar chateado com você, eu vou esperar até que você esteja pronta para contar e – Deu um beijo estalado na testa de Levy – Prometo me comportar.

—Certo, agora tenho que ir, estou realmente atrasada! – Deu um beijo apressado na bochecha do moreno – Tenha cuidado ao voltar para casa!

Gajeel observou enquanto a pequena silhueta sumia ao longe e só então começou a caminhar em direção à saída, , a chuva já começava a dar sinais que cairia pesada, então começou a andar a passos largos pelas ruas já ensopadas, não demorou muito começou a sentir os grossos pingos de batendo com força em sua jaqueta, correu pela rua deserta até encontrar uma cobertura que pudesse não se molhar tanto.

—Merda! – Resmungou tirando os cabelos escuros que estavam grudados em seu rosto – Estou completamente molhado. Espero que Levy esteja bem – Sorriu sem perceber – Aquela fadinha.

Então começou a ouvir algo como um murmúrio baixinho, alguma coisa estava tremendo ali por perto. Olhou para todos os lados procurando de onde aquele som vinha, até que avistou uma caixa já completamente molhada na cobertura, quanto mais se aproximava o barulho aumentava, até que conseguiu distingui-los, miados! Lentamente se abaixou e abriu a caixa que praticamente se desmanchou quando o fez.

—Hey! – Arregalou os olhos quando viu o ponto preto no fundo molhado – Quem foi o idiota que fez isso com você?!

Gajeel tocou o pequeno gato com as pontas dos dedos, estava gelado e fraco, não devia ter mais do que três meses e parecia faminto. Pegou o pequeno com cuidado e o aproximou do seu peito, o gatinho já não tinha forças nem para miar.

—Não permitem animais onde eu moro — Suspirou enquanto encarava aqueles olhos tão sofridos – Mas eu não sou um exemplo de pessoa que respeita regras e você vai comigo para casa, Phanterlily – Sorriu – Você tem que ficar quieto até que estejamos dentro do meu quarto okay?

Com cuidado abriu a jaqueta e ajeitou o pequeno gatinho de pelagem negra ali dentro, de maneira que não fosse visto, o bichano se ajeitou confortavelmente no peito de Gajeel e fechou os olhos.

—Muito bem, bom garoto – Disse enquanto o acariciava – Agora vamos para casa.

~~

—Desculpem a demora! – Levy disse enquanto caia pesadamente em uma das cadeiras da cafeteria – Demorei mais que o esperado para chegar e com essa chuva...

—Você estava com Gajeel, nós sabemos – Cana disse enquanto tomava um pouco do chá gelado a sua frente, antes que a azulada conseguisse falar algo ela completou – Nós sabemos e não tem motivos para mentir.

—Vocês... como? – Ela parecia atônita – Eu ia contar em breve!

—Acho que vocês são péssimos em esconder as coisas, agora sua maior preocupação tem que ser: se sua mãe descobrir – Cana continuava falando – Não vai ser nada legal e pelo que ouvi das meninas, ela não gosta nenhum pouco do Gajeel e com toda razão do mundo não é mesmo?!

—Foi um acidente! – Levy disse exaltada – Olha, não quero falar sobre isso agora, onde estão as outras?

—Lucy não vem, ela e Aquarius estão tendo uma conversa séria. Mira e Erza estão no banheiro, acabaram se molhando um pouco com a chuva, mas já devem estar voltando. Hey, azulzinha – Cana fez um gesta para alguém que acabava de se aproximar – Sente-se aqui do meu lado.

—N-não vou atrapalhar? – Juvia disse enquanto desviava o olhar nervosamente – Só queria sair um pouco hoje, então pensei em conhecer os lugares próximos ao colégio.

—Não vai atrapalhar Juvia-chan – Levy sorriu – É bom para que você nos conheça logo, assim vai se acostumar mais fácil com a escola, então, gostou da viagem?

—Juvia gostou muito!

—Você fala na terceira pessoa, isso soa tão estranho – A morena arqueou uma sobrancelha – Tem algum motivo para isso?

—Juvia não sabe, ela sempre falou assim... – Abaixou a cabeça tristemente – Juvia sempre foi caçoada nos lugares em que estudou por conta do jeito que fala, é assim tão estranho?

—Não Juvia, é só que não estamos acostumadas – Levy segurou nas mãos frias da garota e esboçou um sorriso acolhedor – Não ligue para o que Cana fala, ela é um pouco estranha também e veja só, é nossa amiga.

—Hey! Não sou estranha coisa nenhuma – A morena protestou enquanto batia na mesa – Acho que devemos pedir logo, quando Mira e Erza voltarem já teremos tudo aqui.

Erza e Mirajene tentavam fazer milagre com as toalhas de papel e o secador de mãos do banheiro e definitivamente não estava sendo fácil. A chuva pegou as duas pouco antes de chegarem a doceira e Erza agradeceu por naquele dia ter colocado sua jaqueta de couro, a roupa não estava tão molhada, mas o cabelo ruivo estava pesado dos grosso pingos de chuva que caíram ali, discretamente olhou para o lado e viu a albina passando as tolhas de papel pelo colo tentando secá-lo. Mira ao contrário estava usando um vestido branco que com os pingos de chuva ficou transparente, deixando ver o sutiã de um rosa suave por baixo.

—Erza? Está conseguindo se secar?

—H-hum, sim, estou – Erza desviou o olhar pigarreando – Quer ajuda? Acho que fiz o máximo que pude aqui.

—Me ajude a tentar secar meu vestido – Estendeu uma das toalhas a Erza – Aposto que as meninas estão preocupadas com nossa demora.

Erza pegou mais um punhado das toalhas de papel e respirou fundo antes de começar o trabalho de secar o vestido da albina, cada vez que sentia o volume dos seios em suas mãos um arrepio percorria sua espinha, aquilo já estava dando nos nervos ‘Mas que raios está acontecendo?!’.

—Está tudo bem? Você está vermelha – Mira arqueou uma sobrancelha – Está com febre?

—Não, estou bem, é só que aqui está um pouco quente, não acha?

—Hum, não – Mira sorriu – Bem, não tem jeito, o vestido ficou transparente e não sei mais o que fazer, ou voltar para casa nesse estado ou simplesmente não ligar e continuar aqui assim.

—Aqui – Erza tirou a jaqueta e entregou a amiga – Vista isso, vai cobrir a parte transparente.

—Obrigada, mas você não vai sentir frio ou algo assim?

—Não, vou ficar bem – A ruiva sorriu enquanto estendia a mão – Agora podemos ir.

Erza teria oferecido a jaqueta em qualquer ocasião, afinal ela e Mira eram melhores amigas, mas o que ela não queria admitir naquele momento era o real motivo daquela ajuda, não queria que ninguém ficasse olhando para o vestido transparente e visse o sutiã da albina, aqueles sentimentos confusos só tomavam mais e mais conta da sua cabeça.

—Finalmente voltaram, já estávamos indo atrás de vocês. Aconteceu algo interessante no banheiro? – Cana deu um sorriso pervertido.

—Você é tão idiota – Erza olhou torto para a prima – Não é fácil se secar usando toalhas de papel e o secador de mãos de um banheiro. Então, sobre o que vocês estavam falando?

—Juvia estava nos contado como veio estudar na Fairy Tail, ela praticamente já morou em todos os continentes! – Os olhos de Levy brilhavam – Ela está morando aqui com os pais, mas disse que passa a maior parte do tempo sozinha.

—Nossa, quando estiver sozinha pode ir nos visitar Juvia-chan, podemos te ajudar com as tarefas da escola também – Mira segurou as mãos frias de Juvia – E podemos te mostrar a cidade também!

—O-obrigada, Juvia está muito feliz. Nunca tinham recebido ela tão bem assim.

Um olhar de cumplicidade foi trocado entre todas, em momentos como esse elas sabiam que palavras não eram necessárias. O momento foi interrompido pela garçonete que chegava com os pedidos.

—Oh céus, eu estava sonhando com esse bolo de morango – Erza deu a primeira garfada e fechou os olhos aproveitando o sabor – Se tiver algo melhor que isso eu ainda não provei!

—Oh, com certeza não provou – Cana riu.

—Cana deveria ficar calada por pelo menos cinco minutos. Seu bolo é do que Mira?

—Morango com chocolate, quer um pouco?

—Sim, sim! Ah – Erza disse e em seguida abriu a boca esperando.

Mira tirou um pedaço do bolo com o garfo e o levou até a boca de Erza observando enquanto ela fechava os olhos e saboreava, logo abrindo um sorriso de satisfação.

—Delicioso – A ruiva disse ainda sentindo o gosto do chocolate na boca – Obrigada.

—Olha, que lindo vocês duas – Cana não conseguia conter a risada – Desculpem, prometo me controlar, prometo – levantou as mãos pedindo desculpa – Certo, agora vamos falar sobre o namoradinho da Levy.

Sem esperar por aquilo Levy cuspiu a bebida que estava tomando, tentando falar e respirar ao mesmo tempo.

—Ca... Cana... – Recomeçou a tossir – Que diabos!

—Levy, todas nós já sabíamos – Erza deu mais uma garfada – Não se preocupe, depois que eu vi o que ele fez e descobri toda a história por trás da briga no primeiro dia de aula, bem, Gajeel não é uma má pessoa.

—Eu preciso disfarçar melhor, sou péssima em tudo isso – Levy suspirou – Se minha mãe descobre eu estou ferrada! Ela sabe o que aconteceu naquele dia, mas não sei se realmente perdoou Gajeel pelo acontecido.

—Vocês só precisam ser mais cuidadosos, ao menos por enquanto. Na hora certa você conta a sua mãe – Cana bagunçou os cabelos da amiga – Ninguém deve ser impedido de amar, não é mesmo?

—Cana tem razão, se você gosta de alguém de verdade, tem que lutar por essa pessoa – Juvia corou – É o que Juvia pensa.

—Obrigada meninas, mas antes que eu esqueça, tenho que contar uma coisa. Acho que a mãe de Gajeel também pode ter ligação com esse Zeref.

—Mais essa, nós não tínhamos combinado de deixar essa história quieta! Mas que raios que vocês gostam de fuçar coisas que não nos dizem respeito?! – Erza sentia suas mãos tremendo enquanto falava – Vamos terminar de comer, conversar sobre coisas que garotas da nossa idade falam e então vamos para casa, estamos entendidas? – Como ninguém falou nada ela completou – Ótimo.

—Mirajane! – Uma voz macia soou ao longe – É mesmo você?

Mira virou a tempo de ver uma outra albina se aproximando da mesa. Os cabelos prateados curtos e olhos castanhos a encaravam, então abriu um enorme sorriso enquanto a abraçada.

—É você! – Ela beijou Mira no rosto – Se soubesse que estaria aqui chegaria mais cedo, poderíamos conversar!

—Yuki – Mira retribuiu o abraço – Quanto tempo! Como está?

—Muito bem e você parece ótima! Ah, minha escola vai competir com a sua nos jogos escolares mês que vem, você vai participar não vai?

—Acho que não, minha mãe ainda em receio de me deixar participar – Mira suspirou – Mas vou tentar mais uma vez, você está com alguém?

—Não, vim sozinha dessa vez.

—Então fique aqui conosco! – Mirajane virou para as amigas – Pessoal, essa é a Yukino, ela estuda na Sabertooth, nos conhecemos ano passado quando fui até lá fazer um trabalho.

—Bem vinda – Erza disse secamente enquanto dava mais uma garfada e seu bolo.

—Erza... – Mira notou o tom indiferente da ruiva – Sente-se Yuki, daqui a pouco todo mundo vai acabar se conhecendo não é mesmo?

E naquele momento Erza teve a certeza do que atormentava sua mente, estava sentindo ciúmes de sua amiga, mas não era um tipo normal de ciúmes, era algo diferente de tudo o que ela já havia sentido na vida. Levy continuava calada e sua mente trabalhava rápido tentando a todo custo juntar as peças que ligassem Zeref com a vida do seu pai e da mãe de Gajeel.

Cana também ficara calada, toda aquela conversa que escutou do pai com Makarov a fez lembrar do dia em que chegou em casa na Irlanda e ao contrário dos outros dias a porta estava aberta, achou estranho, mas achou que a mãe tinha esquecido de trancar, até que chegou na sala de estar para descobrir o quanto estava errada, ela não lembra muito daquele dia, mas os flahs começavam a aparecer em sua mente ultimamente. A única cena que ficou bem gravada em sua mente foi a poça de sangue no chão e sua mãe bem no meio dela.

***

Levy suspirou ao entrar em casa, sua cabeça doía de tanto pensar, mas nada parecia faze sentido. Jogou a bolsa de qualquer jeito na mesa e foi em direção á cozinha.

—Mãe? Cheguei.

—Levy Isabelle Hughes McGarden! – A voz da mãe soou irritada.

—O-o quê? – Levy se encolheu, ‘Droga, ela descobriu!’ – Aconteceu algo?

—Acho que você pegou uma coisa que não deveria e eu quero que você me devolva – Cruzou os braços – Agora!

—É só um diário – Levy pegou na bolsa e o entregou – Não sei o motivo de tudo isso, eu só achei ele por acaso e tinham algumas anotações de programação que achei interessante, só isso.

—Foi aqui que encontrou o nome que estava me perguntando, não foi?! – Ela fez com que a filha a encarasse – Você mentiu para mim Levy!

—E-eu não sabia que era importante, me desculpa.

—Vá para o seu quarto, agora. Quando terminar o jantar eu chamo e vou repetir mais uma vez, fique longe desse assunto, ouviu bem?

—Sim mãe – Levy disse cabisbaixa enquanto subia as escadas.

Só quando não ouviu mais os passos de Levy, Amelie pegou o celular no bolso e discou alguns números, aflita para que a pessoa do outro lado da linha atendesse. Quando ouviu o bip do outro lado começou a falar.

—Levy encontrou a droga do seu diário e já estava me fazendo perguntas! – Ela parecia furiosa, mas tentava manter o tom de voz baixo – Você sabe que ele voltou não sabe?

—Eu sei Amelie, eu peço desculpas por ter esquecido o diário em casa – Suspirou – Tentei trazer tudo para a Inglaterra.

—Queria que estivesse aqui Takeo – Ela soluçou – Odeio ter que mentir desse jeito para nossa filha, tantos anos já passaram, o que mais ele quer destruir? Você devia jogar toda essa pesquisa fora e pronto!

—Seria o mesmo que acabar com o legado de Metalicana e todos os outros, prometo que vou terminar o mais rápido possível, mas você sabe que sem a polícia no caso... É tudo muito difícil.

—Então deixa eu ajudar você!

—Não! – Ele gritou – Me desculpe... Não... Eu... Eu não vou suportar que algo aconteça com você e Levy, você não estava envolvida diretamente no projeto então não tem ideia do quanto você sabe. Eu não suportaria que acontecesse o mesmo que aconteceu com Cornellia – Ele parou alguns segundos – Não sou forte como Gildarts.

—Não vai acontecer nada, em breve tudo vai acabar e aí você vai poder voltar para casa, aguente firme.

—Estou tentando Amelie, mas não consigo dormir sabendo que Zeref está em Magnólia, perto de vocês... Agora tenho que desligar, mesmo desse celular não podemos arriscar, ele está trabalhando com todas as armas para pegar o material que tenho... Cerca de dez pessoas já morreram e quinze desapareceram nos últimos dias, todas da mesma forma que anos atrás. Ouvi relatos que ele voltou para a maldita ilha.

—Certo, mais tarde irei a reunião com Makarov e os outros, temos que pôr um fim nisso – Amelie parou alguns segundos ouvindo a respiração do marido do outro lado da linha – Nunca esqueça, eu te amo Takeo.

—Também te amo Amelie, cuide da Levy e fiquem bem.

Mesmo após alguns segundos que Takeo havia desligado, Amelie continuava encarando o aparelho celular em suas mãos, seu coração estava apertado e então o nó formado em sua garganta transbordou em lágrimas. O que ele nunca saberia era que Levy havia escutado parte da conversa e estava no topo da escada tentando entender o que tudo aquilo significava, então correu para seu quarto, abriu a gaveta da mesa do computador e retirou de lá um maço de folhas.

—Se tudo que está acontecendo é culpa de Zeref, eu vou descobrir – Suspirou – Vou conseguir ajuda e vou descobrir o que tanto escondem de mim.

~~

Na mansão de Lucy, Zeref apreciava a vista de Magnólia da varanda do quarto em que estava. Balançou a taça de vinho em sua mão e em seguida sentiu o aroma doce que ele emanava antes de finalmente levar até os lábios e beber um pequeno gole.

—Então, encontrou Takeo? – Ele disse sorrindo – Preciso disso, ou a pesquisa não vai andar.

—Não, não encontramos senhor – Uma voz disse do outro lado do ponto eletrônico que ele carregava no ouvido – Cada vez que encontramos pistas, chegamos tarde demais.

—Então se apressem – Tomou mais um gole – Não tenho todo tempo do mundo como vocês pensam ou eu mesmo terei que colocar minhas mãos nisso? A destruição sempre é maior.

—Não senhor, em breve traremos respostas.

—Ótimo – Ouviu um bip e o som do outro lado foi cortado – Espero mesmo que me tragam novidades, estou cansado de ficar nesse lugar.

Terminou o restante do vinho em mais alguns goles e em seguida levantou admirando as luzes da cidade ao longe, fossem outros tempos talvez ele sentisse alguma emoção, mas o Zeref de anos atrás não existia mais, ele tinha se transformado em outra pessoa. Fechou os olhos enquanto aspirava o ar frio da noite e deixou um nome escapar de seus lábios

—Mavis...

Notas finais
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