Notas iniciais
Eu deveria ter postado o capítulo no final de semana, mas a anta aqui viajou e esqueceu notebook, pendrive e tudo mais em casa (tapa na testa). Bem, fiquei satisfeita com o capítulo, espero que vocês gostem

"Nobody said it was easy

It's such a shame for us to part

Nobody said it was easy

No one ever said it would be this hard

Oh take me back to the start"

Scientist — Codplay

Gajeel abriu a porta de seu apartamento, acendeu a luz e ficou olhando para aquele pequeno ambiente no subúrbio de Magnólia, não era o melhor lugar para se viver, mas era o que podia chamar de lar. Não estava reclamando, tudo aquilo tinha vindo com seus esforços de trabalho por anos, poderia ter escolhido um lugar melhor, mas aí ele teria aceitado uma ajuda maior e não gostava de ficar devendo favores a ninguém. Ali tinha tudo o que precisava, sempre limpo e organizado, mas o que lhe deixava triste era nunca ter ninguém para falar quando estava ali, os vizinhos simplesmente o ignoravam ou saiam correndo quando ele se aproximava, foi difícil até que eles entendessem que apenas a aparência dele parecia assustadora.

Colocou a mochila do colégio em cima da mesa na sala e seguiu para o banheiro, olhou seu rosto e viu que Laxus tinha realmente feito um estrago, seu olho estava roxo e inchado e um dos piercings do nariz tinha machucado bastante a carne, teria que tirá-lo e esperar cicatrizar.

_Oh droga! – Gemeu ao sentir o sangue escorrer por seu nariz novamente – Aquele imbecil estragou todo o trabalho que tive para deixar esses piercings por anos – Retirou todos os que tinha, seria melhor até que estivesse menos machucado – Vou correr o risco de eles se fecharem, mas não quere perder o nariz por uma infecção.

Retirou todos e achou estranho o vazio que sentiu, parecia outra pessoa na frente do espelho, ‘Alguém menos assustador’, Gajeel pensou, suspirou e foi em direção a cozinha procurar algo para comer, mas se deteve ao passar pelo pequeno cômodo escondido entre as paredes do quarto e da cozinha, o pequeno santuário com a foto de uma mulher com os mesmos olhos vermelhos e os mesmos cabelos escuros de Gajeel. Ele se aproximou e ajoelhou em frente fazendo uma reverência.

_Metalicana – começou – Faz muito tempo que não converso com você, mas eu diria que ficaria orgulhosa de mim, hoje eu consegui controlar minhas ações e não revidei, assim como você me ensinou, estou começando a me redimir – lágrimas já escorriam por sua face – Queria que estivesse aqui... Mãe...

Ficou em silêncio por alguns minutos esperando a onda de lágrimas passar, apesar de tudo Gajeel sofria, mas ninguém precisava saber disso, ninguém precisava saber que chorava sempre que lembrava da mãe.

_Então – ele disse enxugando as lágrimas de forma desajeitada – Lembra da garota de cabelos azuis que te falei? Hoje eu conversei com ela, aliás foi mais que uma conversa – Ele sorriu – Você com certeza me daria uma bronca pelo que fiz, mas eu a beijei. Ela não pareceu sentir medo nem nada disso, na verdade ela correspondeu e quando terminou não me empurrou ou me disse palavrões, apenas saiu correndo – Sorriu novamente ao lembrar da face corada de Levy e dos lábios vermelhos gaguejando – Bem, estou melhorando Metalicana, um dia você vai sentir muito orgulho de mim.

Com cuidado retirou as flores murchas que tinha em um vaso e as trocou por novas.

_Eu não posso voltar no passado e desfazer todos os erros que cometi, mas posso mudar minhas história daqui para frente não é mesmo? – Gajeel começou a relembrar do ocorrido a quase oito anos atrás – Se você estivesse aqui tudo seria diferente...

~~flashback~~

Ele ainda conseguia sentir as mãos que o agarravam e o puxavam para dentro do carro na porta de casa. Depois de tudo o que haviam falado ainda esperavam que Gajeel entrasse ali e deixassem levar para onde queriam?

_ Metalicana não está morta! – Ele gritava enquanto tentavam imobilizá-lo no chão de casa – Vocês estão mentindo!! Ela disse que voltaria e depois iriamos viajar pelo mundo juntos!

_Gajeel, acalme-se! – Uma voz desconhecida falava – Foi um acidente, Metalicana morreu e todos os que estavam com ela, agora você precisa se acalmar e vir conosco está bem?

_NÃO! Vou encontrar minha mãe! – Ele ainda não estava acreditando naquilo – Vou encontrar ela...

Metalicana trabalhava em uma empresa de construção civil, para ser mais exato ela era uma cientista, ao que parece havia encontrado um novo material similar ao metal, muito mais forte e extremamente leve, ela conseguiu uma forma de reproduzi-lo da mesma maneira, renderia uma quantia inimaginável de dinheiro. Pela primeira vez eles tinham um lugar fixo para morar, por conta do seu trabalho estavam sempre se mudando.

_C-como aconteceu – Agora mais calmo ele soluçava – Metalicana sofreu?

_Não sabemos ao certo Gajeel, ao que parece o navio em que eles estavam explodiu, todos os membros da equipe morreram. Não sobrou nada, lamento.

_Lamentam?! Minha mãe está morta e vocês lamentam?!

_Gajeel, nós sentimos... – um velhote entrou na sala – Metalicana era uma grande amiga. Como vocês não tem nenhuma outra pessoa por aqui você terá que ficar numa instituição até que tenha idade para receber o que pertencia a ela.

_Instituição? Mas... eu posso cuidar de mim! Por favor...

_Desculpe garoto – o velho continuou – Você terá que ser forte e obediente, infelizmente por enquanto não podemos fazer nada.

“Por quê mãe?! Você prometeu que dessa vez seríamos nós dois aqui e nada mais mudaria”, Gajeel deixava as lágrimas quentes escorrerem por sua face, por mais que tentasse o choro acumulava em sua garganta e simplesmente explodia em forma de lágrimas.

_Vamos Gajeel, um dia prometo que você irá entender tudo isso – o velhote sorriu para ele – um dia iremos nos encontrar novamente.

Gajeel obedeceu ainda tonto com todas as informações, deixou ser levado para uma instituição que cuidava de crianças órfãs, Metalicana tinha algumas posses, mas ao que parece não existia ninguém para tomar conta de tudo isso até ele ter idade para tomar suas próprias decisões, parecia tão injusto, mas uma criança não poderia simplesmente morar ou cuidar de si mesma.

O lugar em que ele havia ficado não era ruim, tinham apenas garotos lá, um grande salão para as refeições, atividade física e aulas de artes pela tarde, mas Gajeel nunca seria feliz, estava preso e um dragão precisava ser livre, quanto mais cresciam de mais espaço precisavam e principalmente mais agressivos ficavam.

Várias vezes ele fugia da instituição, procurava brigas com outras crianças, nunca havia roubado, isso definitivamente ele não faria, mas quando batia, espancava alguém que lhe irritava sentia-se melhor. Era errado, sabia que se a mãe estivesse viva resultaria em brigas constantes, mas extravasar suas energias dessa forma ajudava de alguma maneira a preencher o vazio que tinha em seu peito, quando voltava a noite estava tão exausto de brigar e andar pela cidade que não se importava de ficar trancado em um quarto sem o jantar, ele apenas deitava e sonhava com Metalicana, dessa maneira conseguia um pouco de paz.

Com dez anos ele fugiu mais uma vez da instituição, prometeu a si mesmo que não voltaria atrás, nada nem ninguém o impediria de seguir com a própria vida, se juntou com alguns garotos da rua, passava os dias tentando ganhar algo para comer, dormindo em lugares frios, apanhando de alguns mais velhos, para sobreviver teve que aprender a se defender sozinho. Todas as noites ele pensava na mãe, em como ela afagava seus cabelos antes de dormir, dela ensinando-o a lutar e seu peito doía por não a ter mais por perto.

Não demorou muito tempo e caiu nas mãos de alguns garotos mais velho que disputavam o lugar para dormir, Gajeel tentou proteger os que estavam sempre com ele, em sua maioria crianças menores e fracas, então acabou sendo espancado. Ainda se lembrava de quando acordou num beco vazio, sentia o gosto de sangue na boca e todo seu corpo dolorido, não teve forças para levantar do chão úmido, ao menos todos os outros tinham conseguido fugir, fechou os olhos e tudo que desejou foi que morresse.

“Levante-se Gajeel! Dragões não se curvam, eles não choram, eles não deixam que ninguém os pise. Dragões foram feitos para estarem sempre por cima e você é um dragão de aço Gajeel! Eu não te ensinei a ser fraco, te ensinei a proteger os mais fracos, te ensinei a ser forte e gentil ao mesmo tempo”, ouvia a voz de Metalicana falando. Ele tentava responder, tentava dizer a ela que não tinha mais forças, mas nada saia de sua garganta.

_Gajeel, levante-se! – Uma voz autoritária disse – Chega dessa vida patética, é hora de você ao menos honrar tudo que Metalicana te ensinou.

Gajeel levantou o rosto e avistou o velhote do outro dia, mas dessa vez ele tinha um semblante sério e preocupado como se algo estivesse muito errado

_N-não preciso da sua ajuda – cuspiu um pouco do sangue – Metalicana está morta e posso me cuidar sozinho.

_Estou vendo como pode – ele sorriu sendo irônico — escute garoto, vou te dar um lugar para ficar, colégio... lá você vai poder continuar sua vida até saber o que fazer com o que sua mãe deixou – o velho se aproximou e lhe estendeu a mão – Eu sei que sua mãe não te ensinou a ser fraco e principalmente que você ficasse aqui nesse beco imundo. Então levante-se agora Gajeel! Ou eu mesmo vou te chutar daqui até um lugar decente para você tomar um banho! Metalicana não queria isso para você, pense nela agora!

Gajeel ajoelhou no chão e segurou a mão estendida para ele, depois de tanto tempo alguém estava se preocupando com seu futuro, lembrou-se das mãos da mãe que gentilmente o seguravam e chorou.

~~flashback finish~~

_É mãe – Gajeel se levantou – Makarov me salvou naquele dia, está certo que depois daquilo ainda continue me metendo em algumas confusões, mas agora sou outro, finalmente sou quem você queria que eu fosse. Depois de todo sofrimento posso seguir realmente em frente sem olhar para o que passou, obrigada.

Apesar de toda a nostalgia que sentia, dessa vez seu peito estava leve e não havia preocupação com o que poderia acontecer no futuro, tudo o que vinha a sua mente era uma fada com lindos cabelos azuis.

***

~~Natsu~~

_Gildarts idiota! Quem ele pensa que é para me obrigar a algo?! – Eu jogava minhas roupas na mala de forma desajeitada – Ainda vou ter que suportar Cana todos os dias, se não bastasse todas as brigas que temos quando nos vemos por poucos minutos.

Quando Gildarts me avisou que teria que me mudar não imaginei que ele carregaria todas as minhas coisas antes de saber minha resposta, só minhas roupas e objetos de uso muito pessoal ainda continuavam na casa, segurei o porta retrato com a foto dos meus pais, uma das únicas que tinha, minha mãe morreu quando tinha três anos, não lembro de muita coisa, mas às vezes juro que ainda podia sentir o perfume dela.

Levei a mão até a foto do meu pai, Igneel era alto e ruivo, assim como Gildarts. Ainda lembro perfeitamente do timbre de sua voz, das brincadeiras nos jardins da casa e de quando íamos até a Irlanda juntos, de Igneel me segurando nos braços e jogando no ar e principalmente do quão quente eram seus abraços.

_Ah Pai – sentei na cama abraçado ao meu cachecol – Queria que estivesse aqui comigo de novo, daí não precisaria aturar o tio Gildarts na escola e ainda por cima em casa.

Senti algo peludo se esfregar nas minhas pernas, quando olhei vi Happy nos pés da cama me encarando, seu pelo era de um tom cinza bastante peculiar, às vezes eu tinha a impressão que estavam meio azulados, ou talvez eu estivesse ficando louco mesmo.

_Happy, aqui – bati na cama para que subisse e prontamente ele estava do meu lado – Gildarts ainda vai demorar para aparecer, vamos dormir um pouco, estou realmente cansado.

Fechei meus olhos, em poucos minutos adormeci e mais uma vez tive aquele sonho, Igneel estava comigo e me falava que eu devia continuar acreditando que coisas boas aconteceriam em breve, me mandava sempre continuar sorrindo.... Eu sempre ficava feliz quando tinha esse sonho, mas de repente voltei aquele trágico dia, o dia em que tiraram meu pai de mim.

Flashback

_IGNEEEELLL!!! – Eu gritava enquanto corria na direção do caixão escuro na porta de casa.

Gildarts tinha me contado o ocorrido no início da manhã. Igneel estava morto, um acidente, algo havia explodido, eu não conseguia entender muito bem tudo, as únicas palavras que ecoavam na minha mente eram: Igneel, meu pai, está morto.

_PAI! – Me lancei na escuridão do jardim da nossa casa – Ele não está morto!

Gildarts tentou me segurar, mas eu corria desesperado sem me importar com as pedras que machucavam meus pés, ou com as lágrimas que borravam minha visão, estava frio lá fora, tinha um carro parado e eles estavam tirando o caixão de dentro dele, eu sabia que estavam gritando para eu voltar, mas eu não os ouvia, a única coisa que conseguia ouvir eram as batidas aceleradas do meu coração e minha respiração pesada. Só conseguia pensar “Mentira! Mentira! Mentira!”.

Alcancei o caixão e consegui me desviar de mãos que tentavam de todas as maneiras me segurar, me aproximei e uni todas as minhas forças para abri-lo: estava vazio. Por alguns minutos eu tive esperanças de tudo aquilo ter sido mentira até que senti alguém me segurar no colo e me abraçar apertado.

_Natsu se calme, vai ficar tudo bem – Gildarts falava – Estou aqui com você.

_Está vazio... Igneel – meu corpo inteiro balançava com meus soluços.

_Não encontraram o corpo, só os destroços do navio.

_Então ele pode estar vivo? Vamos procura-lo tio Gildarts, meu pai deve estar sozinho e machucado em algum lugar, precisamos encontra-lo logo.

Na minha cabeça de criança se não tínhamos um corpo significava que ainda havia esperanças e por alguns segundos eu acreditei que todas a conversa que Gildats teve comigo durante aquela tarde não passou de um sonho ruim que eu tinha às vezes, de um pesadelo que estava me atormentando e que quando eu dormisse passaria, mas não passou.

Ainda me lembrava de Gildarts segurando minha mão enquanto andávamos em direção ao cemitério, todos os amigos de Igneel estavam lá, lembro-me de Mirajane e Elfman com seus pais, Gray me encarando, mas sem coragem para me abraçar, Levy também estava lá, naquela época nós já estudávamos juntos, depois daquilo nos aproximamos de vez, lembro também dos pais de Erza, mas ela não estava lá, eles estavam chorosos, lembrava-me de meses atrás terem tido uma conversa com seu pai sobre o sumiço da filha, foi horrível para todos nós, por incrível que pareça a mãe de Erza era irmã de meu pai, ou seja eu e a ruiva éramos primos, apesar da dor que estavam sentindo compareceram ao enterro de seu pai.

Ainda conseguia lembrar das mãos pequenas de Lisanna segurando as minhas e de como ela me encarava com aqueles olhos tão azuis que faziam de alguma maneira meu coração se aquecer, lembro que em nenhum momento ela soltou minha mão. Também me lembro do olhar de Cana, ela segurava a outra mão de Gildarts e de vez em quando sentia seus olhos em mim, ela sabia como eu estava me sentindo, aliás, ela mais que ninguém sabia como eu me sentia naquele exato momento.

Eu não me lembro de nada que falaram durante a cerimônia, lembro vagamente de algumas pessoas me abraçando e falando palavras de consolo, enquanto Gildarts fazia companhia às pessoas na sala eu subi até o quarto do meu pai, ainda tinha o cheiro dele, peguei o cachecol que ele sempre usava e coloquei em meu pescoço aspirando o cheiro que tinha ali e automaticamente comecei a chorar, ouvi batidas na porta do quarto e poucos segundos depois duas albinas entraram por ela.

_Natsu-kun – Lisanna segurava a mão de Mirajane – Ainda está chorando?

_Vão embora... só quero ficar aqui – balbuciei, não queria ser mal educado, mas o enorme buraco que tinha no meu peito não sararia tão cedo – Lisanna, vá...

_Não – Ela bateu o pé irritada e se aproximou de mim na cama – Não até você ficar bem – Segurou meu rosto com aquelas mãozinhas pálidas e quentes, apertou minhas bochechas — Vamos todos ficar aqui até que você melhore.

Ela então fez sinal e em poucos segundos Levy, Gray, Elfman e Cana entraram no quarto. Todos ficaram em silêncio, pareciam ter medo de falar qualquer coisa, foi então que Mirajane sorriu para mim.

_Se Erza estivesse aqui ela saberia como te animar – ela abaixou o olhar – Se você quiser algo pode pedir, nós vamos fazer para você.

Eu funguei e me sentei na cama olhando cada um deles, nada no momento me animaria, mas imaginei Erza com aqueles cabelos ruivos dela, mesmo sendo só uma criança ela sabia como ninguém convencer as pessoas com seus discursos.

_A-abraço... – eu sussurrei, mas pelas caras que fizeram não entenderam muito bem – Me abracem!

A primeira a se aproximar foi Lisanna, cuidadosa como sempre ela colocou os braços ao redor do meu pescoço e aproximou sua testa da minha.

_Vamos fazer uma promessa Natsu? Você sempre vai dar esse sorriso, mesmo se estiver triste, vai continuar sorrindo e em troca eu faço comidas deliciosas para você, que tal?

_Okay... – eu tentei sorri para ela – Cuide bem de mim.

Em seguida todos eles se aproximaram e me deram um grande abraço coletivo, no meio de tudo isso eu me agarrava ao cachecol de Igneel e chorava sem vergonha dos meus amigos estarem me vendo, era a única forma que encontrava de amenizar a dor que sentia, chorei... Chorei por tanto tempo que adormeci no colo de Lisanna sendo acalentado por aqueles que se tornaram minha família.

~~Flashback finish~~

Abri os olhos com um barulho me incomodando, o som do toque do meu celular, tentei alcançado e acabei derrubando umas de minhas malas de cima da cama no processo.

_A-alô – balbuciei ainda com a voz grogue – O que é?

_Sou eu idiota! – A voz feminina parecia impaciente – Gildarts mandou vir te buscar, desça logo, eu não tenho todo tempo do mundo.

_Ah, Cana, bem humorada como sempre – Eu disse em meio a um bocejo – Estou descendo...

_Certo, só não demore.

_Cana! – Eu gritei antes que ela desligasse – Bem-vinda de volta!

Ela gaguejou um ‘obrigada’ e um ‘tanto faz’ na mesma frase e em seguida desligou. Eu sabia do que tinha acontecido nos últimos meses, que ela passou na casa dos avós na Irlanda e de quão doloroso deve ter sido voltar a casa onde a maior tragédia de sua vida tinha acontecido. Apesar de nossas brigas, eu amava minha prima e tentava de todas as formas cuidar dela, sabia que no fundo ela me culpada por Gildarts passar tanto tempo comigo, de alguma maneira eu a ajudaria a superar todo aquele medo que existia dentro dela e que a impedia de conhecer de verdade seu pai.

Dei uma última olhada para o quarto de Igneel, que passei a dormir após sua morte, tranquei a porta e guardei a chave em um dos meus bolsos, à partir daquele momento prometi a mim mesmo que seguiria em frente sem jamais olhar para trás e assim como Gildarts havia me tido me esforçaria para ser o melhor para a empresa de meu pai, ele era dito como o Rei da área que trabalhada e já que tomaria seu lugar como Rei precisaria de uma princesa e já estava com várias planos para resgatar uma certa loirinha de um castelo muito bem vigiado. O Rei Dragão teria sua Princesa, um anjo loiro.

~~Natsu fisnish~~

***

~~Lucy~~

Sai do banheiro e logo fui me trocar, ainda conseguia lembrar da conversa que tive com Aquarius no colégio, ‘Loki virá jantar essa noite, então não vá para lugar nenhum após as aulas terminarem’. Ela poderia simplesmente ter me ligado, mas sabia que se fizesse isso eu encontraria uma maneira de escapar e simplesmente não voltar para casa. Ela também queria falar sobre a data de morte da minha mãe, 777.

_Ah mãe – me aproximei da imensa janela que dava para a varanda do meu quarto, dali eu conseguia avistar o túmulo – Se ao menos eu tivesse me despedido de você.

De última hora o pai a enviara para uma viagem à Londres, um lugar que Lucy sonhava sempre em ir, como a mãe não pôde Aquarius a acompanhou, ainda se lembrava de como Layla sorriu para ela ‘Vai ficar tudo bem minha pequena, assim que voltar iremos juntas para onde você quiser”. Na época Aquarius era uma das melhores amigas de minha mãe e após sua morte ela passou a tomar conta de mim, não era agradável o tempo inteiro, mas entre Aquarius e o meu pai eu com certeza preferia ela.

A viagem foi maravilhosa até o dia em que Aquarius me contou do ocorrido: Layla tinha morrido, ela não explicou direito e mesmo agora eu não queria mais me lembrar da história, já era dolorido não ter ao menos visto o corpo da minha mãe, ela foi enterrada antes que eu chegasse em casa, para mim a vida tinha acabado de perder o sentido naquele momento. Ainda conseguia me lembrar do frio que estava o túmulo e de como eu chorei abraçada a ele, meu pai nem ao menos esperou para que eu me despedisse e olhasse para ela uma vez mais.

~~flashback~~

_Mamãe – eu chorava na sala de casa, tinha acabado de chegar de viagem – Onde ela está?

_Lucy, não tem mais motivos para lágrimas, sua mãe já está enterrada. Aquarius me disse que você nem ao menos comeu nesses últimos dias, vá para o seu quarto agora, mais tarde verei como está.

_Mas... – Tudo que eu queria naquele momento era que meu pai me abraçasse e falasse que tudo ficaria bem, que afagasse meus cabelos ou que chorasse comigo – Pai...

_Chega Lucy! Layla está morta, agora saia da minha frente, estou muito ocupado no momento!

Me encolhi assustada, meu pai nunca foi amoroso comigo, nunca tinha muito tempo, mas gritar daquela maneira ele nunca tinha feito. Sai correndo da sala e fui em direção aos jardins do fundo onde minha mãe tinha sido enterrada, não me importei dos arranhões no meu corpo quando passei pelo roseiral que havia antes.

Só parei quando vi o túmulo na minha frente, um anjo enorme guardando a minha mãe, ‘Anjo’ era como ela me chamava sempre, me ajoelhei na terra ainda fresca, não tinham coberto com grama, estava molhada e fria, encostei minha testa na lápide e pude sentir o mármore frio contra minha face.

_Mamãe... – solucei, não existiam palavras naquele momento, o vazio que eu sentia era maior que tudo.

Não sei por quanto tempo fiquei naquele lugar, perdi totalmente a noção do tempo, a única coisa que me lembro foi de alguém me levantando gentilmente e me abraçando. Eu já estava gelada pelo frio e tremendo, a pessoa me apertou contra seu peito e afagou meus cabelos, quando olhei para cima vi Aquarius sorrindo para mim.

_Aquarius.

_Oi anjinho, vamos para casa está bem? Aqui fora faz muito frio e não queremos você doente.

_Mamãe foi embora?

_Sim Lucy, a Layla está no céu agora cuidando de você de lá, mas eu estou aqui, vou te ajudar até você ter idade para entender tudo que aconteceu. Posso cuidar de você? – Ela limpou as lágrimas que escorriam pelos meus olhos.

_Sim – Eu disse enquanto segurava mechas de seus cabelos e me aconchegava mais em seu colo caindo no sono – Sempre.

_Vou cuidar minha pequena, você vai me odiar às vezes, mas um dia vamos poder resolver tudo isso. Vai gritar comigo, vai sofrer, mas eu vou amar você e cuidarei assim como sua mãe faria. Você se parece tanto com sua mãe Lucy, se parece tanto com minha Layla...

~~FlashBack Finish~~

Já tinha acabado de me arrumar, não vesti nada extravagante, meu pai com certeza me chamaria a atenção após o jantar, mas a minha vontade de encontrar com ele, Loki e seu pai era menor que zero, mas necessário, não queria mais brigas em casa.

_Se ao menos eu pudesse sumir por alguns minutos! – Gritei e só depois percebi Aquarius parada como uma estátua no quarto – Custa bater na porta antes de entrar?

_Desculpe, mas Loki já está aqui e seu pai pediu para chamar você. Está pronta?

_Acho que sim – Disse displicente – Não que isso realmente importe.

_Olha esse cabelo Lucy, deixe eu arrumar ele. Garota idiota.

Aquarius me forçou a sentar na cadeira e em poucos minutos tinha ajeitado meu cabelo, eu me surpreendi ao olhar para o espelho e ver o quanto estava parecido com os da minha mãe.

_Você é idêntica a Layla, linda — Fiquei sem reação e pude jurar que vi os olhos dela marejar – Bem, vamos indo, não queremos deixar Loki esperando.

_Aquarius – Eu chamei, ela já estava saindo do quarto – Obrigada... por tudo.

Ela apenas assentiu e sorriu para mim, eu tinha muitas perguntas para fazer a Aquarius, algumas que começaram a se formar na minha cabeça algum tempo atrás, mas não era o momento ainda, primeiro eu teria que encontrar algumas provas que pudessem justificar todas essas dúvidas. Suspirei e deixei que todas as preocupações saíssem da minha cabeça, era o momento de entrar na peça que meu pai tinha preparado para mim, mas ao contrário do que ele imaginava o final seria escrito por mim e não por ele.

Notas finais
Nhaawwww Não me matem pelo capítulo sem 'grandes emoções', mas eu precisava dele para o decorrer da história, não me matem TuT Bem é isso, essa semana ainda posto o próximo que já estou escrevendo, deixem o comentário e favoritem