The Eyes That Attract Illusions...

5 Capítulo 5 - Revelando a verdadeira face


Notas iniciais
Hiii minna!
Este capítulo eu consegui postar mais rápido.
Eu mesma estava ansiosa para escrever logo este.
Talvez não esteja muito bom, mas gostei de escrvê-lo.

E os truques começam...!

Siberian sabia de muitas coisas. Muitas das quais deixava claro que não teria previsão para me explicar. Saí do hospital no dia seguinte, o que pareceu ser muito rápido, pois eu perdia completamente a noção do tempo quando conversava com meu “tutor”, por assim dizer.

Mas eu ainda não fazia ideia do que estava preste a descobrir. Siberian disse que eu teria mais uma surpresa quando retornasse à minha casa. Achei que não iria me surpreender com muito mais vindo dele; e este foi meu engano. Acreditava que, depois de todos aqueles anos lendo tantas histórias, vendo tantas novas ideias, já teria me acostumado com certos assuntos.

Finalmente. Meu quarto. Joguei-me na cama em um salto saído da porta até o outro lado do quarto, tentando imaginar o que Siberian diria se tivesse visto aquilo se estivesse fora de minha mochila: “meu jovem mestre, você não deverias fazer isto, teu corpo ainda está limitado depois de tudo o que aconteceu” ou “para um Unmei no Hoshi isto não é uma conduta adequada”, e por aí ia. Diverti-me um pouco com as possibilidades e permaneci deitado. Olhava para o teto do quarto, do qual pendiam alguns móbiles dos mais estranhos que se poderia haver no quarto de um adolescente: uma pirâmide sustentando alguns hieróglifos em fios que desciam por sua base, uma espiral dentada que sustentava notas e mais notas musicais (logo ao lado de um parecido, só que com instrumentos eruditos), um templo japonês de cujo centro da base descia uma sakura e das pontas desciam pequenas katanas, e outros do gênero.

Conversar com Siberian a respeito dos meus antigos contos no hospital deixou-me pensativo. Comecei a lembrar das minhas criações. Uma em especial chamara a atenção de Siberian: “Os filhos do vento”, onde, em um cenário quase cósmico, seres nascidos da união do ar com a escuridão manipulavam estrelas e vidas, vidas que não eram humanas. Eu passara um tempo explicando-lhe aquilo, o que foi um tanto fácil, afinal lembrava do enredo.

Nem percebi que em quanto pensava no passado comecei a ficar sonolento. Talvez fosse pelo fato de eu ter dormido muito mal na cama do hospital. Mas isso não durou muito porque enquanto meus olhos estavam pesando, comecei a ouvir um ruído baixo. Imaginei que fosse na rua, mas o som foi se transformando e se tornou um tilintar, como se alguém estivesse agitando um punhado de guizos no meu quarto. Quando abri os olhos e sentei na cama, notei que do zíper de minha mochila saíam pequenas fagulhas; elas não tinham um tom dourado, mas sim um brilho negro espectral, um tom roxo bruxuleante.

Eu não sabia o que estava acontecendo, mas queria descobrir. Esfreguei os olhos para enxergar melhor e caminhei em direção à mochila, que deixara em frente ao guarda-roupa. Não estava com medo, mas muito curioso. Abri o zíper, o rosto mais afastado para não deixar as fagulhas chegarem aos olhos, pois elas subiam em pequenas colunas de luz. Inevitavelmente acabei sendo tocado na mão por algumas delas e a sensação era diferente de tudo que eu já sentira: eram quentes, mas de forma agradável e não queimavam, como deveriam fazer se seguissem a ordem natural das coisas. “Siberian”, pensei. O que raios estava acontecendo ali dentro?

Abri o fecho mais rapidamente e olhei dentro. O livro que eu envolvera em um tecido para proteger dos outros materiais agora estava completamente desenvolto e brilhava com o mesmo tom das fagulhas, só que, em pequenos intervalos, seu brilho pulsava mais e se tornava mais azulado (com um tom quase néon).

- Siberian? – Chamei, como que esperando alguma resposta. E, de alguma forma, a obtive.

O livro saiu da mochila e ficou pairando um pouco abaixo dos móbiles. Flutuou um pouco para longe da mochila e fixou-se ao nível dos meus olhos.

Abriu sua capa e, onde outrora estava a folha de rosto, agora havia escrito algo que eu jamais vira, mas que reconheci como latim. Aproximei-me um pouco e tentei ler o que estava escrito. Em segundos, sem perceber, estava narrando em voz alta aquelas palavras. Não sabia o que significavam, afinal latim é uma língua morta, o que eu não concordo. Sempre quisera ter aulas de latim e agora as mesmas teriam vindo a calhar.

Um segundo depois da minha breve narrativa, as palavras brilharam e em seguida todo o livro reluziu com forte intensidade. Precisei fechar os olhos por causa do clarão e recuei, quase tropeçando em meus próprios pés. Senti um frio no peito e imaginei que fosse medo misto com aquela minha tradicional, e às vezes maldita, curiosidade. Por fim, acabei recuando mais um passo e realmente tropecei, mas foi no pé da cama. Caí sentado e, quando esfreguei os olhos e tornei a reabri-los, o livro simplesmente desaparecera. No seu lugar havia uma pessoa.

Ergui os olhos e o analisei. Era um homem alto, de mais ou menos um metro e oitenta e cinco de altura. Tinha cabelos azuis, compridos e lustrosos, amarrados em um rabo de cavalo e sua franja era comprida e armada, perfeitamente dividida ao meio. Sua pele era muito clara, o que fazia contraste com o cabelo. Suas roupas eram as mais legais que eu já vira: vestia um casaco preto justo sobre uma camisa branca, cujas pontas apareciam sutil e elegantemente para fora do casaco; a calça era uma social preta e seus sapatos pretos de ponta fina, também sociais, eram brilhantes de tão bem encerados (imaginei ter visto algumas escamas estampadas no sapato, como se este fosse feito da pele de algum réptil, como jacaré); e por fim, sobre toda aquele visual, uma capa ainda mais negra que o resto cobria seus ombros e costas. Era cheia de tiras e fivelas (estas eram de modelo antigo e tinham muitos desenhos cravados por toda sua superfície); as tiras mais longas pendiam junto ao corpo. Para finalizar, em seu pescoço havia um grande crucifixo completamente estilizado; parecia de prata e, julgando seu belíssimo trabalhado, eu diria que seria impossível achar qualquer coisa semelhante àquela buscando-se em lojas comuns.

Mas justo o aspecto de sua aparência que eu não havia reparado direito foi exatamente o que me surpreendeu, quando ele disse:

- Olá, Mestre Jared. É uma honra conhecê-lo pessoal e fisicamente. – Enquanto pronunciava aquelas palavras, seus olhos oscilavam entre um amarelo dourado e um cinza prateado. Eram olhos perigosos e, ao mesmo tempo, hipnóticos.

Quando me dei conta da minha expressão, percebi que estava boquiaberto, sentindo-me um idiota.

- Siberian! – Não sei dizer se aquilo saiu como um susto, um questionamento ou admiração.

Ele se limitou a sorrir e fechar os olhos, as sobrancelhas harmoniosamente alinhadas e expressando gentileza. Em seguida estendeu a mão para mim e ajudou-me a levantar. Eu não tinha dúvidas de que aquele era Siberian Blake, o livro que eu conhecera alguns dias atrás.

Sentei-me na cama, cruzei as mãos – apoiando os cotovelos sobre os joelhos — e curvei o corpo para frente, tentando pensar. Eu não conseguia dizer absolutamente nada.

Então algo me veio à mente:

- O que foi que eu falei em latim? – Perguntei-lhe sem mudar de posição. Estava um pouco incomodado com aquilo e minha cabeça começava a zunir.

- Disseste: “Revela-me a tua verdadeira face, leal Spectrum”.

- Imaginei que tivesse dito algo parecido com “espectro”. Afinal, esta é sua tradução original do latim, bem como sua tradução do inglês.

- Perfeitamente – ele disse apenas.

Ergui um pouco minha cabeça e olhei para seu rosto. Nossos olhos se encontraram em um choque e senti um fortíssimo arrepio na espinha, uma onda de frio percorreu todo meu corpo.

- Ah! – Exclamei devido ao choque. Saiu como um breve grito abafado. Recuei meu corpo adentrando mais a área a cama e escorrei seu peso em um dos braços, enquanto usava o outro erguido como se quisesse proteger o rosto.

- Senhor... – A forma humana de Siberian avançou um passo para mim, a mão estendida solidariamente, o rosto mostrando-se preocupado.

Eu nem tivera tempo de me recuperar da sensação do choque quando, de repente, ouvi uma batida na porta do quarto. Em seguida a silhueta de minha mãe entrou ali, olhando-me preocupada.

- Jared? Está tudo bem? Pensei ter ouvido você gritar – ela veio diretamente para mim, passando por Siberian como se ele nem estivesse ali. Quando percebeu minha posição na cama, ajoelhou-se na minha frente e segurou a mão que eu mantinha na altura dos olhos. – Filho, o que houve? Você está pálido! O que aconteceu?

Olhei para ela. Agora estava confuso: ela não vira um homem estranho parado bem no meio do meu quarto? Passei os olhos dela para Siberian, que sorriu.

- Mãe, eu... Você não viu nada? – Segurei o tom da voz para não acabar gaguejando.

- Ver o quê, filho? – Ela esquadrinhou o quarto com os olhos e em nenhum momento eles se detiveram em Siberian. – Você viu alguma coisa? Onde? Foi na rua? – Ela andou até a janela do quarto e olhou o movimento lá fora.

Atônito, fiquei encarando a alta figura logo à minha frente. Percebi que só eu o podia ver. Minha mente ficou em branco. Eu não compreendi mais nada.

Notas finais
Logo estarei postando o próximo capítulo (eu acho)! XD
Bem, espero que tenha gostado!
Não esqueça do review, ONEGAI!!!
Kisu, Vampi-chan