The Eyes That Attract Illusions...

2 Capítulo 2 – O livro Sobrenatural


Notas iniciais
Bom, escrevi este segundo capítulo e ainda preciso melhorar, mas espero que já dê um gostinho de curiosidade na boca de vocês!^^

Engraçado como as coisas acontecem. Justamente quando minhas esperanças estão no limite (não podendo dizer que elas foram resgatadas completamente, mas sim uma parte delas), aparece esse doutor. Katsu Mokiura. É bom que eu me lembre muito bem dele, e do endereço do consultório, porque em breve lhe farei uma visita.

O mais engraçado é que, ao contrário de todos os outros que me receitavam remédios (ou sequer faziam algo), ele me deu algo... Bem peculiar, por sinal. Um livro, não diretamente sobre espiritismo, até porque isso não tem nada a ver com espíritos, mas sobre sobrenatural. Infelizmente vou precisar conhecer do zero, do ponto de partida, afinal nunca tive sequer um instante contato com informações desse tipo, e, devo admitir, com certeza nunca demonstrei interesse por isso.

O segredo por trás das sete pontas”. Nome interessante, confesso. A capa é de couro vermelho mesclado de preto e há uma estrela de sete pontas ilustrando-a. “Quem é o autor?” Fiquei revirando o livro nas mãos dentro do trem, procurando pelo nome (ou qualquer vestígio) de quem escrevera tal obra. Nada, apenas percebi imediatamente que se tratava de um manuscrito, e nem tinha o nome da editora também. Deixei-a parado por um instante em meu colo e comecei a matutar. Espera! Sobrenatural? Eu vejo coisas sobrenaturais? Não, calma.Respirei fundo e tentei ordenar os pensamentos; eu devia estar eufórico por causa da esperança de descobrir Mokiura no meu caminho. Vamos repassar: ele primeiro ouve o que eu tenho a dizer, depois faz uma análise aberta a respeito da minha narrativa (falando exatamente o que eu estava sentindo) e, por fim, me dá (ou empresta) um livro que trata de sobrenatural, dizendo que ele compreendia minha situação e que eu devia ler o tal livro, tentando encontrar semelhanças entre minha vida e suas páginas. Ok, só essa era a parte mais estranha.

Peguei o manuscrito e comecei a folhá-lo. “Introdução”, óbvio! Todo livro tem. Bem desde que eu não tenha que escrever introduções e conclusões, escrevo qualquer coisa. Li a primeira linha e comecei a suar frio; o choque foi direto:

“Finalmente te encontrei, Jared! Estava esperando por você há 6170 longos dias...”

- 6170 dias? O que diabos é isso?

“Você cresceu rápido, mas esteve adormecido por tempo demais; está atrasado, meu caro. Está se sentindo atormentado, não é? Sente-se sozinho e não tem ideia do porquê de as pessoas não entenderem você. Você é especial, é por isso que não vê sua grande força interna...”

- Está bem. Isto está mais para um livro de auto-ajuda *desanimando* — mas isso não me responde os 6170 dias... Quanto tempo é isso? Se eu colocar isso em anos, deixe-me ver: 6170 dias... 365 por ano... hum... Dá 16 anos e... 11 meses? *Demorando para cair a ficha* — O quêêêêêêêê? – Ops! Extrapolei. Agora tem muita gente me olhando, que vergonha.

Fechei o livro e bisbilhotei a capa de novo. Nada. Mas como esse livro pode saber a minha idade?

Antes de pensar em suar frio mais uma vez, só pude pensar que era uma piadinha do doutor Katsu. Mas isso também não faria sentido, afinal foi a primeira vez que nos encontramos e, mesmo que ele tenha perguntado minha idade naquele momento, não havia como ele escrever essas coisas. Ainda mais sendo que eu estava presente no consultório o tempo todo.

Talvez a resposta para essa brincadeira sem graça (e completamente humilhante, se for considerar minha grande esperança de me “curar”) esteja no final desse texto. Abri o livro e continuei lendo.

“Não seja rude se não entender algo e me trate bem, afinal nunca ouviu a frase ‘os livros também tem sentimentos’? Meu propósito aqui é justamente ajudar-te a responder tuas perguntas, além de te guiar na próxima etapa da tua vida.”

- Próxima etapa? – Espera aí de novo! O livro tá falando diretamente comigo? Mas respondendo meus pensamentos? Acho que a essa altura, se ficar mais estranho, nem vou me surpreender.

“Sei que deve estar pensando a respeito do doutor Katsu Mokiura, sobre como ele estava portando algo como eu. A resposta é simples – vendo do meu ponto de vista: Ele era um fantoche. Ao mesmo tempo em que eu era seu titeriteiro (ou titereiro). Na realidade, Katsu Mokiura nunca existiu e o corpo que você viu durante toda consulta, era uma projeção também gerada por mim. Por mais que esteja assustado (considerando seu despertar tardio) ou pasmo, peço-lhe que confie em mim, meu jovem Mestre.”

Era tarde demais, eu literalmente estava apavorado.

- Doutor Mokiura... Fantoche... Nunca existiu... Fantasma... – Foi só o que consegui soluçar baixinho antes de ficar catatônico e cair do banco, dentro do trem.

- Garoto! – Ouvi uma mulher chamar assustada. – Meu rapaz, você está bem? Garoto!

- O que houve? – Agora era uma voz masculina.

- Ele caiu e agora está tendo um ataque.

Um ataque? Eu nem sentia meu corpo se mover.

- Céus! Se não o ajudarmos logo, ele pode sofrer uma séria lesão – passou um breve instante. – Não consigo pará-lo! Precisamos de ajuda profissional! Rápido!

- Alguém peça para o condutor parar. É urgente! O menino está tendo um ataque!

Todas aquelas vozes pareciam ter o mesmo tom. Eu nem diferenciava mais se era homem ou mulher. Era só o alvoroço, mas estava incrível e assustadoramente silencioso. Era como se eu fosse duas pessoas dentro do mesmo corpo. Uma ouvia os gritos abafados e a outra só ouvia um som leve e nenhuma voz, como se estivesse imersa em água.

Foi quando ouvi novamente, ou melhor, foi quando repentinamente a última frase que eu lera foi sussurrada claramente em meu ouvido.

- Por mais que esteja assustado ou pasmo, peço-lhe que confie em mim, meu jovem Mestre. — E assim ficou ecoando... Até eu só reconhecer o último trecho – Meu jovem mestre... meu jovem mestre... meu jovem mestre...

Notas finais
Pessoal, onegai! Não esqueçam dos reviews!