The Eyes That Attract Illusions...
3 Capítulo 3 - Eu sou um Unmei no Hoshi?
Notas iniciais
Espero que gostem.
Que cheiro forte é esse? E não é agora que comecei a senti-lo.
- Como está o estado dele, doutor?
Essa voz... Eu a conheço.
- Agora está estabilizado. No momento ele está apenas dormindo. Não há mais riscos de entrar em coma.
Esta é nova. Nunca a ouvi antes. Espera um minuto! Doutor, estabilizado, coma? O que está acontecendo? Onde eu estou?
Dizem que quando nossos sonhos estão próximos de acabar, começamos a perceber sons e fatores externos ao nosso sono. Começamos a perceber que a noite acabou e um novo dia está começando. Pelo visto eu devia estar saindo de algum sonho e estava ouvindo essas vozes de fora, sendo que uma eu reconhecia.
- Fico aliviada. Ele ainda nem acordou, sequer uma vez, desde que veio para cá.
- E, para ser sincero, se tivessem trazido-o um pouco depois, poderia ter sido tarde demais. Agora só o que podemos fazer é mantê-lo no soro por mais um breve tempo e esperá-lo acordar.
- Graças a Deus, está tudo bem. Não quero pensar que algo pior poderia ter acontecido.
Está bem. Se eu realmente estou acordando, essa realidade está assustadora. Não, deve ser um sonho, senão eu estaria num... Hospital?
- Bom, vou me retirar agora, senhora Okuushira. Tenho outro paciente me esperando.
- Obrigada, doutor.
Não consegui acordar imediatamente, mas minha mente estava alerta. Mas o que estava acontecendo afinal? Eu não faço ideia do que houve para eu estar aqui. Qual será a última coisa que eu me lembro de ter feito?
Comecei a pensar. A consulta com o doutor Katsu... O metro... E... O LIVRO!!!!
Aquilo pareceu ser meu despertador, pois em poucos instantes, meu corpo quase se alavancou com velocidade máxima para frente.
- Jared! – Ouvi minha mãe assustar-se, e com razão.
Eu estava ofegando e minha visão ficou completamente ofuscada pela claridade do quarto. Eu não consegui distinguir nada nos primeiros dois minutos.
- Jared! Filho, você está bem? – Em sua voz percebi alívio misturado com susto.
Esfreguei meus olhos.
- Mãe, o que aconteceu? – Que pergunta óbvia. – Por que eu estou aqui?
- Fique calmo, filho. Eu vou te explicar tudo.
Eu estava interessado em uma coisa realmente: o livro, onde estaria O segredo por trás das sete pontas, mas ouviria tudo o que ela tinha a dizer, afinal eu definitivamente não estava ciente de nada além do fato de estar no hospital.
- Querido – mamãe colocou sua mão em minha testa como se eu fosse uma criança de 10 ou 12 anos.
- Mãe, por favor, diga tudo resumidamente.
- Tudo bem. De acordo com a descrição de muitas pessoas no metrô, você começou a ter um colapso e se debateu muito. Acabou batendo a cabeça e, quando isso aconteceu, você desmaiou e ninguém conseguiu te acordar. Todos entraram em pânico e um paramédico que estava em outro vagão te trouxe para cá. Graças a Deus você estava com seus documentos na carteira e puderam te internar; depois me ligaram.
- Por quanto estive dormindo? – Depois que perguntei já pude perceber que estava conectado a vários aparelhos, que mediam meus batimentos, minha pressão, até minha respiração... Ao lado do soro havia uma pequena bolsa de sangue pendurada, mas já estava praticamente vazia.
Minha mãe percebeu meu olhar e já complementou sua resposta.
- Amanhã completaria uma semana. Disseram que você só parou de se debater quando bateu a cabeça com mais força no chão, mas então o paramédico disse que você começou a sangrar. Quase foi um traumatismo craniano. Por isso, logo que foi trazido para cá, precisou de doação de sangue.
- Ah, entendo – no entanto, ela ainda não havia dito nada sobre o que eu realmente queria saber. Eu quase tive um traumatismo craniano e o que mais me preocupava era onde estava o raio do livro. Irritava-me o fato de me preocupar tanto com ele.
- Mãe, onde colocaram minhas coisas?
- Estão no armário no canto do quarto. Acabei não as levando para casa porque ainda não tive a oportunidade.
- Tudo bem... – Melhor assim.
Mais tarde, depois de muito trabalho tentando convencê-la de que não teria outro ataque agora que estava acordado e que também não iria desmaiar, pedi que me alcançassem minhas coisas e peguei entre elas o livro de capa mesclada. Suspirei de alívio ao vê-lo ali, bem acomodado no meio de todo o resto das minhas coisas. Percebi então que ainda deveria estar irritado com aquele maldito livro anormal, mas não me importei com algo assim. Afinal, se havia uma coisa que eu fazia de forma exemplar era tratar excepcionalmente bem qualquer livro aos meus cuidados.
Para você ter uma leve noção do meu “tratamento especial para livros”, tente imaginar uma pessoa que, quando pára de ler um livro em certo momento do dia, fecha-o e embrulha-o cuidadosamente em uma grande toalha de rosto várias vezes para finalmente guardá-lo na mochila antes de começar a aula ou qualquer outro compromisso... Consegue imaginar algo assim? Agora, sente o drama do cara que faz isso sempre, seja no metro, no ônibus, no carro, na praça, em um passeio com a classe ou até mesmo em casa... Bem isso é só um toque.
Em resumo: sou o tipo de cara que trata melhor os livros do que as pessoas (e olha que já jogaram isso na minha cara).
O.k. Chega de papo furado. Enfim, joguei a mochila na poltrona e abri o livro em minhas mãos, temeroso por alguns instantes, confesso.
É isso, pensei, agora está na hora de eu me impor a ele e bater de frente; quero respostas!
Certo, pirei de vez: impor-me a um livro? Bater de frente? Realmente devo ter batido a cabeça com mais força do que imagino.
Como estava sozinho no quarto, quis tentar uma coisa. E comecei:
- Ei! Você está aí? – Perguntei e a escrita começou a aparecer no livro.
“Eu sempre estou aqui, meu jovem.”
Engoli em seco. Certo, já era um começo. A conversa ia fluir facilmente, pelo visto.
“E, antes de qualquer coisa, perdoe-me por aquele dia.”
Tentei compreender o que ele disse. Pensei um pouco e depois lembrei. O incidente no trem.
- N-não se preocupe com aquilo. Está tudo bem. Eu estou bem.
“Não. Eu realmente sinto muito. E você ainda está enfermo.”
- Sério – (eu estava tentando convencer um livro a não sentir culpa?) – Eu estou bem. Na verdade eu nem...
“Não sentiu nada de dor?”
- É-é. Como você sabe?
“Isso é o mais perigoso de tudo, não sentir. Pode agravar sérios problemas e você acaba não ficando ciente da gravidade.”
Eu compreendi agora o que ele quis dizer, mas não era por aí que eu queria levar a conversa.
- Sem querer ser rude, mas não quero levar o assunto para esse lado. Já disse que está tudo bem e ponto final.
“Como quiser, meu senhor.”
- A-há! Esse é o ponto! – Aquilo saiu com ares de Bingo! Acertei na loteria! – Quero dizer... Que história é essa de “meu senhor, meu jovem mestre”? Quem é você? Como me conhece?
“Acalme-se, por favor. Uma questão de cada vez. Tudo será respondido em seu tempo.”
É verdade, eu estava atropelando até meus pensamentos, quem dera as respostas do livro.
- Então vamos começar por quem é você? Ou melhor, o quê você realmente é? – O básico.
“Bem, prefiro que me trates como alguém e não como algo, apesar de parecer mais conveniente ou óbvio.”
- Desculpe.
“Não se preocupe. Não tem o porquê de se desculpar. Eu deveria ter apresentado-me mais cedo, ao menos antes de sair assustando-te daquela maneira. Enfim, eu me chamo Siberian Blake e devo dizer que é um grande prazer conhecer-te, jovem mestre. Estou às suas ordens.”
- Muito prazer, Siberian. Mas o que eu quero saber de mais imediato é o motivo de você me tratar dessa forma. Quero dizer, jovem mestre? Às suas ordens? Por que me chama assim? Por que me coloca numa posição que não existe? Sou só um garoto colegial e nada mais.
“É aí que se engana, meu rapaz. Você não é um mero humano, alguém prestes a completar mais um ano de vida e estudar em uma escola como todos os outros adolescentes. Não, você tem um dom especial, um dom que pertence a poucos.”
- Um dom?! De que tipo de dom está falando exatamente? Por favor, seja direto. Eu estou bem confuso e embaraçado desde que te conheci.
“Pois bem. Revelo e declaro agora oficialmente que você, Jared Okuushira, é um Unmei no Hoshi. Sendo assim, sucessivamente e não menos previsível, aqui estou para servi-lo no que lhe bem conferir vossa vontade e lhe orientar como tutor para esta nova fase que se seguirá em tua vida.”
Pronto! Começou a quebração de louça. Pois vejamos bem: ou eu fiquei definitivamente louco ou aquele livro, Siberian Blake, estava me contando algo que – acredito eu – mudaria minha vida completamente.
Notas finais
Por favor, deixe um review. Eles sempre são importantes para mim.
Abraços
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