The Exchange - Brittana
19 Capítulo 19
Notas iniciais
*NOTAS FINAIS*
Boa leitura.
Sentei em uma das cadeiras da cozinha e Judy se sentou ao meu lado. Fiquei encarando-a até que ela começasse a falar.
- Depois que a Maribel morreu, a Santana ficou com o pai por um tempo antes de vir pra cá... Ele não parava em casa nunca, Ruan se afundou no trabalho depois da morte da esposa... A Santana ficava sozinha em casa o dia todo, ela teve que enfrentar a morte da mãe sozinha... Eles ficaram um ano mais ou menos nessa situação, aí um dia ele viajou pra Itália à negócios e não voltou. Agora ele quer voltar a falar com ela e a Santana não quer... Eu acho que a situação de perder a mãe e o pai a deixar logo depois faz com que ela começasse a procurar as drogas e agora a Santana meio que culpa o pai por isso... E eu não acho que ela esteja errada, porque Ruan tem uma grande parcela de culpa.
Escutei tudo o que Judy falou atentamente. Então era isso que havia acontecido com o pai de Santana... Eu não entendia como alguém poderia ao menos pensar em deixar aquela latina pra trás. Era impossível vê-la triste e não querer ampará-la. E era eu quem pensava isso, alguém que a conheceu há menos de quatro meses, seu pai deveria protegê-la e não a deixar quando as coisas ficassem difíceis.
Balancei a cabeça tentando tirar isso de meus pensamentos.
Aproveitei que somente Judy estava ali e que parecia saber de tudo sobre Santana e fiz a pergunta que eu tinha em minha cabeça há um bom tempo.
- Eu ouvi a Quinn dizendo uma vez, que fazia uns quatro anos que a Santana usava... Como é que ela compra as drogas?
- Ah sim, os pais da Santana tinham dinheiro, e quando eu digo isso, eu quero dizer muito dinheiro mesmo... Minha afilhada tem uma poupança no nome dela desde que nasceu. Eu conhecia Maribel desde sempre e ela confiava em mim mais do que em qualquer outro e só eu e ela podíamos tirar da poupança da Santana até que ela fizesse dezesseis anos... Quando ela morreu e a Santana começou com as drogas, eu tirei uma boa parte do dinheiro e o resto ficou com ela... É com esse dinheiro que ela compra as drogas...
- E a metade que ficou com você?
- Está guardada e só vai voltar pra ela quando Santana parar com essas coisas... – Falou firme. – Eu não vou deixar que ela gaste tudo com drogas. – Ela pausou por um momento, mas logo voltou a falar. – Até há algum tempo, eu achei que nunca poderia devolver o dinheiro dela. Mas depois que você chegou, ela mudou tanto e eu voltei a ter esperança que ela pare com as drogas... Você foi um anjo Brittany. – Abaixei a cabeça envergonhada, mas com um pequeno sorriso no rosto. – Eu não sei o que vocês duas são ou o que você está fazendo, mas continue.
Abri um sorriso envergonhado.
- Eu vou continuar. – Disse firme apesar da vergonha. Ela sorriu pra mim e assentiu. – É eu... Eu vou lá com ela ta? – Disse já saindo da mesa.
Subi as escadas rapidamente e abri a porta do quarto de San com cuidado e me deparei com uma cena que eu não achei que veria. Ela tinha o violão sobre as pernas mas não tocava nada, apenas o encarava, ela parecia ter certo receio de colocar a mão nas cordas.
Abri um pequeno sorriso e entrei de fininho, abraçando-a por trás, fazendo com que tomasse um susto, mas logo que percebeu quem era, seu corpo relaxou e Santana abriu um sorriso.
- Tá esperando o violão começar a tocar magicamente? – Perguntei próxima à seu ouvido, sentindo ela se arrepiar.
Ela soltou um leve riso e negou com a cabeça.
- Não sei mais se eu lembro como tocar... – Falou.
Me sentei na cabeceira da cama e a encarei.
- Vai tocar pra mim um dia? – Perguntei.
Santana soltou o instrumento ao lado da cama e deu de ombros.
- Talvez eu toque... – Disse antes de se sentar entre minhas pernas.
Sua cabeça descansava em meu peito e nossas mãos estavam entrelaçadas sobre seu colo. Eu não sabia explicar, mas a sensação de tê-la perto assim de mim era a melhor do mundo.
Nós ficamos em silêncio por vários minutos, apenas abraçadas e eu realmente não me importaria se tivesse que ficar pra sempre naquela posição. Era extremamente confortável tê-la em meus braços.
Por mais incrível que parecesse, aquele bolo de sentimentos que estava dentro de mim não me assustava, eu aceitava o fato de estar completamente apaixonada por ela, na verdade, a sensação era até boa. A minha única preocupação era saber se ela se sentia da mesma forma.
- San? – Perguntei após alguns bons minutos em silêncio. Ela fez um barulho nasal e entendi isso como se fosse para eu continuar. – O que nós duas somos? – Perguntei baixinho.
Santana se virou e me encarou por vários segundos.
- Eu não sei Britt... Eu gosto muito de você, mesmo. E eu não me importaria de te pedir pra namorar comigo agora. – Não pude evitar o sorriso que se formou em meu rosto. – Mas eu não acho que você mereça alguém com tanto problema. – Abaixei os olhos, mas Santana levantou meu queixo fazendo-me olhá-la nos olhos. – Só que eu também acho que você é a única que pode me tirar dos problemas. – Falou com um sorriso doce nos lábios. – Nós não precisamos definir o que nós temos Britt... Não ainda.
Abri um pequeno sorriso.
Por mais que eu quisesse tê-la como minha namorada, não tinha como não amar o jeito como ela não queria me colocar no meio de seus problemas. Como se eu já não estivesse envolvida.
Selei seus lábios por alguns segundos antes de ajeitá-la em meus braços novamente. San voltou a entrelaçar nossas mãos e agora brincava com meus dedos.
- Você já pensou em clínica? – Perguntei um pouco baixo.
- Algumas vezes. – Ela respondeu calma, ainda mexendo em meus dedos. – Mas eu nunca tive força de vontade o suficiente pra ir... Até agora. – Santana se encostou mais contra meu corpo e fechou os olhos.
Abri um sorriso e beijei sua cabeça.
Novamente, voltamos a ficar em silêncio até San falar de novo.
- O que você acha de nós duas irmos jantar fora hoje? – Perguntou.
A olhei surpresa.
- Sério? – Perguntei sorrindo.
Ela abriu os olhos e me encarou.
- Só se você quiser... E a gente pode chamar a Quinn e a Rachel...
- Não, não. Sem Quinn e Rachel. Eu iria amar jantar só com você.
San abriu um sorriso lindo e me beijou carinhosamente, acariciando minha bochecha enquanto nossas línguas dançavam em uma sincronia perfeita.
Meu estômago havia sido invadido por milhares de borboletas. Eu tinha quase certeza de que aquele jantar podia ser classificado como primeiro encontro. E ter meu primeiro encontro com Santana Lopez era maravilhoso.
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