The Exchange - Brittana
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Santana’s POV
Meus olhos custaram a abrir de manhã. Eu me sentia extremamente pesada e minha cabeça doía pra caramba. Não é como se eu já não estivesse acostumada com essa sensação, mas puta que pariu que dor de cabeça! Ressaca é uma merda...
Levantei da cama sem pressa alguma. Fui até o banheiro e resolvi tomar banho antes de fazer qualquer outra coisa. A água escorria por minha pela enquanto tentava lembrar do que havia feito na noite passada.
Nada. Absolutamente nada vinha em minha memória. Normal...
Desliguei o chuveiro e depois de já estar arrumada, desci as escadas do apartamento, não encontrando ninguém no andar de baixo. Procurei, em vão, por algum remédio que pudesse amenizar minha dor de cabeça.
Ouvi os barulhos vindos do apartamento de Rachel e já sabia onde Quinn estava.
Revirei os olhos e saí de casa, entrando no apartamento da frente sem ao menos ser convidada.
- Campainha existe por uma razão sabia? – Quinn falou da cozinha.
Vish... Pelo humor dela, imagino que nós duas tenhamos discutido ontem.
Rolei os olhos novamente e me joguei no sofá.
- Berry, eu preciso de algum remédio pra dor de cabeça. Tem? — Perguntei.
Ouvi Quinn resmungar alguma coisa e logo depois Rachel me trouxe um copo com água e um pequeno comprimido no mesmo momento em que uma garota loira, que eu desconhecia descia as escadas.
Brittany’s POV
Rachel e Quinn me arrastaram da cama hoje cedo dizendo que iriamos no parque.
Fui tomar banho enquanto elas faziam o café e assim que terminei desci as escadas para encontrar com ela.
Fui surpreendida por uma mulher sentada no sofá. Seus olhos estavam fundos e possuíam olheiras, mas ela era muito bonita, os cabelos estavam presos em um coque bagunçado e ela me olhava de um jeito estranho.
Dei um pequeno sorriso em sua direção que não foi retribuído.
- Será que você pode fingir ter um pouco de educação? Santana essa é Brittany. – Quinn disse vindo para o meu lado.
Ah, então aquela era Santana? Definitivamente, ela não era como eu imaginava.
Santana bebericou um pouco da água em seu copo e o entregou de volta à Rachel que estava parada atrás do sofá.
- Ah sim, a britânica né? Oi... – Ela disse com um sorriso extremamente egocêntrico no rosto. – Vou sair. – Ela falou já levantando do sofá.
- Vai aonde? – Quinn perguntou.
- Na igreja Quinn, vou ver a missa. – Disse irônica antes de sair.
Quinn respirou fundo e rolou os olhos.
- Desculpa por ela. Apenas ignore. – A loira me disse. Assenti. – Vamos?
Ela pegou na minha mão e depois na de Rachel e nos puxou para fora do apartamento.
Novamente, Santana ficou em meus pensamentos. Como alguém tão linda e que parece ter uma vida tão boa pode ser tão egocêntrica daquele jeito?
Fomos até um parque que ficava a poucas quadras do apartamento. Quase morri andando até lá. Não que eu fosse sedentária ou coisa assim, mas o calor em Miami é mil vezes pior do que em Londres.
Rachel pareceu notar meu cansaço e sorriu em minha direção.
- O que você acha de sentar enquanto eu e Quinn vamos comprar sorvete mais ali na frente? – Ela me perguntou apontando um banco um pouco mais a frente.
Sorri e assenti. Me sentei no banco enquanto olhava as duas desaparecerem de mãos dadas no parque.
Estava distraída com a paisagem que nem vi quando alguém sentou ao meu lado.
- Eu não sei o que a Quinn ou a Rachel falaram de mim, mas não é verdade. – Me virei no banco para encarar Santana. Ela tinha um pequeno saquinho em suas mãos que continha um pó branco dentro.
Aquilo meio que a entregava. Rachel havia sim falado a verdade sobre as drogas.
Ela pareceu seguir meu olhar e me ofereceu o pequeno saco.
- Quer? – Ela me perguntou. Sério que ela me perguntou isso?
- Isso mata sabia? – Falei ignorando a pergunta dela.
Ela revirou os olhos.
- Mata nada. Deixa bem mais relaxada. É bom... – Santana falou. – Vou indo. Tchau britânica.
A observei por mais alguns segundos antes de desviar o olhar. Ela era tão linda, pra quê estragar a vida com aquilo?
Apenas parei de pensar em Santana quando vi que Quinn e Rachel voltavam correndo em minha direção.
- Eu não lembrava da sorveteria ser tão longe daqui. Pega aí Britt, antes que derreta tudo na minha mão. – Rachel me deu o sorvete sorrindo.
Nós ficamos um bom tempo no parque. Era tão bom ficar na companhia daquelas duas. Voltamos para casa mais no final da tarde. Os pais de Rachel ainda não haviam voltado do trabalho. Quinn foi para o seu apartamento dizendo que depois de tomar banho ela volta para cá e Rachel resolveu fazer o mesmo.
Fiquei assistindo TV por um tempo mas resolvi que agora seria uma boa hora de ligar para os meus pais. Liguei para eles e minha mãe chorava do outro lado da linha. Tive que falar rápido, por uma ligação pra outro país custava caro pra caramba.
Desliguei o telefone no mesmo instante em que Quinn abriu a porta da frente. Lhe mandei um sorriso e ela correspondeu.
- Cadê a Rach?
- Tomando banho também... – Respondi enquanto voltava a guardar meu celular no bolso.
- Umm, ok. Você sabe cozinhar Britt? – Ela me perguntou indo até a cozinha.
- Sei... – Respondi confusa.
- Me ajuda a fazer o jantar então? – Ela perguntou.
Apenas assenti e a segui até a cozinha.
Enquanto eu a ajudava a cortar os legumes, ela me dizia que Rachel era vegetariana e de como os pais dela gostavam da comida. Era bonitinho ver como ela se importava com a família de Rach.
- Quanto tempo faz que você e ela namoram? – Perguntei depois de um tempo.
Quinn parou para pensar por um tempo e abriu um sorriso.
- Eu tinha doze anos quando eu vim morar aqui nesse prédio. Eu e Rachel já éramos próximas, quando eu fiz quatorze, eu meio que já sabia que a amava... Mas era assustador sabe? Ela tinha treze e nós éramos meio que crianças ainda, mesmo assim eu sabia que a amava. Eu acho que nós começamos o namoro quando eu tinha quinze...
- Como foi contar pra família e essas coisas? – Eu era uma boba por histórias de amor.
- A Santana já sabia... Eu sempre corria pra ela quando eu tinha algum problema e dessa vez não foi diferente. – Ela me mandou um sorriso triste. – Ela estava lá quando eu contei pra minha mãe e quando eu e a Rachel contamos pros pais dela.
- O que você e a Santana são? – Perguntei, porque eu ainda não tinha entendido.
- Eu conheço ela desde sempre... Ela é meio que a irmã mais velha que eu nunca tive. A mãe dela morreu alguns anos atrás e o pai sumiu. Nossas famílias eram bem amigas e ela acabou vindo ficar comigo...
Assenti e nós voltamos a ficar em silêncio até Rachel aparecer.
Depois do jantar, Rachel e Quinn subiram e eu fiquei um pouco na sala conversando com os pais da baixinha.
Fui para o quarto perto das onze da noite, deitei e deixei que meus pensamentos vagassem sem rumo. Eles insistiram em ir até o par de íris escuras que eu conheci hoje à tarde.
Mas que droga! Eu não consigo tirar ela da minha cabeça!
* * *
Acordei de madrugada com a garganta seca. Levantei da cama e abri a porta de meu quarto com cuidado. Passei pelo quarto de Rachel e sorri. A pequena dormia abraçada a Quinn.
Desci as escadas em silêncio e quando estava entrando na cozinha, um barulho na porta da frente me chamou a atenção. Parei e fiquei encarando a porta. Mais um pequeno barulho e um resmungo vindo do lado de fora. Fui até lá e tentei escutar quem estava do outro lado. Depois de alguns segundos com o ouvido grudado na porta, consegui distinguir a voz. Santana. Abri a porta e ela literalmente caiu em cima de mim.
- Ah meu Deus. – Disse ainda com o peso dela sobre o meu.
- Eu acho que esse não é o meu apartamento... Ah, por isso a chave não entrava! – Ela falou com a voz extremamente embolada.
- Fala baixo! Tá todo mundo dormindo! – Falei e nada dela sair de cima de mim. – É... Santana será que dá pra me soltar?
Ela saiu rapidamente, mas eu tive que segurá-la de novo ou ela caía no chão.
- Como você sabe meu nome? Você é vidente? – Santana perguntou e ela parecia mesmo acreditar no que falava.
- Não. Eu te conheço. – Expliquei paciente enquanto a levava até o sofá.
- Conhece? Eu não conheço você por acaso você está me perseguindo? Ou eu já te levei pra cama?
Rolei os olhos. Com toda certeza ela havia usado algum tipo de droga.
- Santana, o que você usou?
- Umm... – Ela forçou os olhos por um momento. – Sei lá... – Deu de ombros.
Pensei por um momento em chamar Quinn para leva-la para o apartamento da frente, mas eu sabia que a loira não gostaria nada de ver Santana no estado em que ela se encontrava. Não iria ter nenhum problema ela dormir no sofá né?
- Ok, tira essa jaqueta. – Falei apontando para a pesada jaqueta de couro que ela usava.
Ela se abraçou à peça de roupa e me olhou com os olhos arregalados.
- Você quer me roubar?
- Eu não quero roubar bosta nenhuma, só tira essa droga logo e me dá! – Falei um pouco irritada.
- Tá bom nervosinha. Já vai, calma! – Santana me entregou a jaqueta preta.
- Obrigada, agora eu quero que você fique quietinha aqui enquanto eu pego um cobertor ok? – Perguntei.
- O que eu ganho se eu ficar quieta? – Ela me perguntou sorrindo. Dos únicos sorrisos que eu vi nela hoje, esse era o mais sincero e ela estava drogada.
- O que você quiser, só cala a boca um pouco.
Dei as costas e subi as escadas, entrei em meu quarto e peguei o cobertor extra que Rachel havia deixado em minha cama. Suspirei antes de voltar. Se não fosse tão trágico ela estar daquele jeito por ter usado algum tipo de droga, seria cômico.
Desci as escadas de novo e encontrei a morena apagada no sofá. Me aproximei silenciosamente a deitei no móvel, ela resmungou alguma coisa, mas continuou dormindo. Tirei suas botas e estendi o cobertor sobre seu corpo.
Voltei para o meu quarto algum tempo depois.
Segundo dia de intercâmbio e eu já cuidei da minha vizinha drogada. Talvez morar na frente da casa de Santana fosse interessante.
Notas finais
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