The Evil Within
12 O Som do Amor

Yoongi estava em seu quarto, lendo um livro qualquer. Já era noite, e ele imaginou que "Victor" provavelmente já estivesse dormindo. A tentação de ir conversar com ele era grande, mas Yoongi sabia que precisava se controlar; estava se envolvendo demais. Seus pensamentos foram interrompidos quando, para sua surpresa, Taehyung bateu na porta. Um sorriso escapou de seus lábios ao ouvir a voz dele. Yoongi pediu que ele entrasse, e Taehyung abriu a porta lentamente, com uma hesitação que revelava sua própria incerteza.
— Estou te incomodando?
— Não, nem um pouco. O Senhor precisa de algo?
Yoongi estava deitado de bruços na cama, apoiado nos cotovelos enquanto lia seu livro. Ao entrar no quarto, Taehyung não pôde deixar de sorrir, achando aquela cena a coisa mais fofa do mundo.
— Então, eu queria te mostrar algo...
Yoongi se levantou, animado e curioso.
— Me mostrar algo? O que?
— Venha ver...
Yoongi saltou da cama e seguiu Taehyung até a sala, onde se deparou com uma surpresa inesperada: dois violões cuidadosamente apoiados no sofá. Seus olhos se arregalaram de espanto; ele jamais imaginaria que o temido e imponente CEO Kim Victor tivesse violões em sua casa.
— Violões? — Yoongi pegou um violão — Nossa, estava sentindo falta de tocar violão.
— Você gostou?
— Sim, eu amei!
— Podemos tocar juntos... Se você quiser, é claro.
— Claro que eu quero! Podemos fazer um dueto. Mas primeiro, e mais importante de tudo, temos que escolher um nome pra nossa dupla — Yoongi estava claramente empolgado, nem se lembrava que estava ali em uma missão.
— Pode ser TaeGi — Sugeriu Taehyung sem pensar muito.
— TaeGi? Mas isso não combina. O ideal é juntar nossos nomes. De onde o Senhor tirou esse Tae?
Taehyung limpou a garganta ao perceber que falou o que não deveria.
— É um apelido de infância — Deu uma risadinha sem graça.
— Um apelido de infância? — Yoongi o olhou um pouco surpreso — Tae?
— Sim, Tae.
— Por algum motivo acho que você tem mais cara de Tae, posso te chamar assim?
Os olhos de Taehyung brilharam.
— Eu ia gostar muito.
— Então tá bom, Tae. O nome da nossa dupla será TaeGi.
— Fala de novo?
— O nome da nossa dupla?
— Não, do que você me chamou.
— De Tae?
— Sim
— Está bem — Yoongi não estava entendendo muito bem aquele apego todo de Victor com um simples apelido, mas gostava de vê-lo sorrir — Tae! T-A-E Taaaaeeeee, Tae... Tae Tae — Yoongi não conseguia parar de rir, repetindo várias vezes aquele apelido. Taehyung, por sua vez, queria muito abraçar seu pequeno assistente, mas se esforçava para se conter, lutando contra o impulso de puxá-lo para perto — Então Tae, podemos começar o show?
— Sim sim, vamos começar o show dos TaeGi — Taehyung se sentou ao seu lado e pegou o outro violão.
— O que você sabe tocar? — Perguntou Yoongi.
— Sei tocar um clássico muito conceituado na área da música. Veja e se apaixone pelas minhas habilidades musicais — Taehyung começou a tocar o tema da Pantera cor-de-rosa.
Yoongi deu risada e balançou a cabeça negativamente, não sabia que Victor tinha senso de humor.
— Isso não, Tae — Toda vez que Yoongi pronunciava o apelido, soava incrivelmente adorável. Taehyung não conseguia evitar, adorava ouvir aquilo, como se cada vez que o apelido escapava dos lábios de Yoongi, o deixasse ainda mais encantado — Vamos cantar algo mais... adulto.
— Ok, não deu certo com minha Pantera cor-de-rosa… então vamos outra. Sei uma boa — Taehyung começou a tocar Save Me dos Hanson.
Taehyung tocava com uma maestria impressionante, cada nota era executada com precisão, e Yoongi ficou encantado com sua habilidade. Mas foi quando Taehyung começou a cantar, sua voz grave e aveludada enchendo a sala, que Yoongi se pegou ainda mais admirado. A combinação perfeita entre a melodia e a voz de Taehyung parecia hipnotizá-lo.
— Estou amando você — Taehyung começou a cantar — Como nunca amei ninguém antes. Eu preciso que você abra essa porta. Estou implorando que você mude essa maré, e me peça pra tirar as dúvidas de minha cabeça. Nunca pensei que falaria essas coisas. Nunca pensei que precisaria dizer, que não consigo suportar mais um dia sem você. Você não vai me salvar? Preciso da sua salvação. Eu só quero estar ao seu lado...
O coração de Yoongi disparou, cada batida ecoando como se as palavras de Taehyung fossem destinadas a ele. Embora tentasse racionalizar, dizendo a si mesmo que Taehyung estava apenas cantando uma música romântica, não conseguia evitar a sensação de que era uma serenata feita especialmente para ele. A fixidez com que Taehyung o encarava enquanto cantava só reforçava essa ilusão.
Por sua parte, Taehyung desejava que seus sentimentos pudessem alcançar Yoongi, ao menos através da música. Quando a última nota se dissipou no ar, ambos lutaram contra a vontade de se aproximarem e se abraçarem. Um clima romântico tomou conta da sala, e os dois se olharam com sorrisos tímidos, como se estivessem cientes do que não precisavam dizer em palavras.
— Agora uma juntos? — Sugeriu Yoongi.
— Sim — Taehyung respondeu com um sorriso — Será um prazer.
...
O fim da tarde estava quente, mas uma brisa suave que entrava pela janela tornava o ambiente mais agradável. Yoongi decidiu que um suco de laranja seria perfeito para refrescar, então foi até a cozinha, seu sorriso irradiava mais do que os raios alaranjados do sol que inundavam a casa.
Na sala, Taehyung tocava algumas notas no violão, tentando criar uma nova melodia que pudesse impressionar Yoongi. De repente, um grunhido de dor ecoou pela casa, vindo da cozinha. Alarmado, Taehyung largou o violão e correu para ver o que tinha acontecido. Ao chegar, encontrou Yoongi se contorcendo de dor, segurando a mão com força.
— Yoon! Meu Deus! Você se cortou? Vem cá, senta aqui. Deixa eu ver isso.
Taehyung rapidamente o guiou até o sofá, ajudando-o a se sentar com cuidado. Sem perder tempo, correu até o banheiro para pegar uma toalha e o kit de primeiros socorros. Quando voltou, pegou a mão de Yoongi com a maior delicadeza, examinando atentamente o pequeno corte.
— Não foi tão profundo. Vou deixar limpo e levá-lo ao hospital para dar alguns pontos. Eu sei que está doendo, mas logo passa, Yoon — Taehyung sorriu para ele, para tranquilizá-lo — Sabe, não é querendo me gabar não, mas eu faria os pontos perfeitos.
— Você sabe dar pontos? — Yoongi arqueou as sobrancelhas.
— Eu quis dizer se eu fosse médico, meus pontos seriam perfeitos — Taehyung sorriu sem graça — Eu levo jeito com agulhas.
— Hum, entendi — Yoongi tentou entender como um CEO levaria jeito com agulhas. A não ser que Namjoon estivesse certo sobre suas suspeitas e Victor levasse jeito com agulhas mas para fazer algum tipo de tortura.
Taehyung limpou o corte com precisão e cuidado, suas mãos movendo-se com a familiaridade de quem já lidou com situações assim muitas vezes. Yoongi observava, impressionado, quase poderia acreditar que Taehyung era um médico de verdade.
Apesar de a dor ser mínima, Yoongi espremeu os lábios, decidindo fazer um pouco de manha. Quando Taehyung olhou para ele, encontrou os olhos de Yoongi brilhando, como se ele estivesse prestes a chorar.
— Não se preocupe, vou cuidar de você, e não precisa ficar com medo, vou com você ao hospital.
— Eu não tô com medo — A voz de Yoongi saiu chorosa, algo incomum para ele.
— E esses olhinhos cheios de lágrimas?
— Meu querido, eu já levei um tiro, esse cortezinho não é nada.
— Você levou um tiro?
— Sim, faz um tempo já — Yoongi sentia-se à vontade demais conversando com Taehyung, nem se dava conta do que falava.
— E por que você levou um tiro?
— Estava perseguindo um ladrão…
— Você? Perseguindo um ladrão?
Yoongi percebeu tarde demais que tinha falado o que não deveria.
— Eu disse “perseguindo um ladrão”? — Yoongi forçou uma risada — Até parece, olha bem pra mim, não machucaria nem uma borboleta. Na verdade, foi um assalto. Eu fiquei paralisado de medo e o ladrão se estressou e me deu um tiro, mas não pegou nenhum órgão vital.
Taehyung suspirou. Imaginar Yoongi passando por tal situação o fez sentir raiva.
— Quem iria atirar em alguém tão fofo como você? Que mundo cruel.
— Pois é, me pergunto isso todos os dias.
A verdade era que o ladrão atirou no desespero, pois estava com medo de Yoongi.
Foram para o hospital, onde Yoongi recebeu três pontos e um curativo na mão. Taehyung, tentando não se intrometer no trabalho da enfermeira, observava tudo de perto, demonstrando uma preocupação visível. Ele se mantinha próximo, oferecendo apoio silencioso enquanto Yoongi era atendido.
— De agora em diante não irá mais mexer com facas — Disse Taehyung, com os braços cruzados, o olhando sério.
— Eu sou bom com facas, isso foi só um acidente.
— To vendo o quanto você é bom.
...
Yoongi estava se preparando para dormir quando, ao se aproximar da cama, ouviu Taehyung chamá-lo. Ele correu para o quarto de Taehyung e, ao perceber o vapor saindo por baixo da porta, concluiu que Taehyung estava no banho. Yoongi bateu na porta duas vezes, esperando uma resposta.
— Tae, está tudo bem? Você me chamou?
— Sim Yoon, faz um favor pra mim? Esqueci a toalha na lavanderia, pode pegar?
— Claro, só um minutinho.
Yoongi desceu correndo e pegou a toalha. Ao voltar para o quarto, bateu na porta novamente.
— Pode entrar, Yoon.
— Pelo amor de Deus, Tae. Você nem tá de roupa.
— É só esticar o braço e me dar a toalha.
Yoongi esticou o braço pela fresta da porta, oferecendo a toalha para Taehyung, claramente interessado em dar uma espiadinha. Quando Taehyung estendeu a mão para pegar a toalha, acabou deixando-a cair, criando uma situação um tanto quanto constrangedora.
Sem pensar duas vezes, Yoongi se agachou para pegar a toalha. Com os olhos fixos no chão, ele se viu diante dos pés de Taehyung e, apesar de sua "timidez", não conseguiu evitar a curiosidade. Ergueu a cabeça para ter uma visão melhor, e o susto foi imediato. A visão o impressionou de maneira curiosa, fazendo-o cair para trás. Levantando-se apressadamente, ele saiu do banheiro com rapidez, tentando recompor-se da surpresa.
Mesmo constrangido e um pouco tímido, Taehyung não conseguiu conter o riso ao ver como Yoongi ficou com o rosto completamente corado.
Yoongi, com a face ainda vermelha, correu para o seu quarto e trancou a porta atrás de si. Jogou-se na cama e cobriu a cabeça com as mãos, tentando esconder o rosto e se recuperar da vergonha.
— Meu Deus! Que visão foi aquela? Não consigo parar de imaginar coisas… o que eu tô pensando? Preciso focar na missão e parar de ser safado.
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