The Evil Within
9 O Choro da Alegria

Jungkook segurava Jimin em seus braços, como se quisesse protegê-lo do mundo. Seus olhos se encheram de lágrimas ao imaginar o que ele havia passado. Desejava tê-lo encontrado antes.
Os paramédicos pediram para examinar Jimin, e Jungkook o colocou gentilmente na cama, notando os hematomas em seus braços. Seu coração se partiu ao imaginar que alguém pudesse ferir uma pessoa tão indefesa. Quando viu a coleira no pescoço de Jimin, ficou horrorizado. Com cuidado, retirou aquela coisa pavorosa, sentindo uma profunda tristeza ao fazê-lo.
— Cuidem dele, por favor — Pediu Jungkook para os paramédicos.
...
Jimin abriu os olhos lentamente, percebendo que estava em um quarto de hospital. O ambiente diferente o deixou agitado e com medo. Olhou ao redor e, ao ver que estava sozinho, entrou em pânico ao notar o acesso intravenoso preso à sua pele. Instintivamente, o arrancou, fazendo escorrer uma pequena fileira de sangue em seu braço.
Levantou-se com dificuldade, ainda fraco. Procurou desesperadamente pelo Senhor Coelho e entrou em pânico ao não encontrá-lo. Sentiu uma vontade imensa de chorar, sentindo-se sozinho e desprotegido sem seu único amigo. Olhou para o pequeno guarda-roupa à frente de sua cama e se escondeu dentro dele. Ali, naquele espaço pequeno e escuro, encontrou um pouco de segurança e conforto.
As enfermeiras entraram no quarto, tagarelando sobre a novela das oito, e se assustaram ao ver que Jimin não estava na cama.
— Meu Deus! Pra onde ele foi? — A enfermeira colocou a mão na cabeça.
— Será que ele está no banheiro? — A outra foi conferir — Aqui também ele não está.
— Aonde esse rapazinho se meteu?
Jimin sem querer deixou escapar uma risadinha, achava divertido as mulheres estarem o procurando.
— Acho que já sei onde ele está — Ela apontou para o guarda roupa e bateu levemente na porta — Olá rapazinho? Posso abrir a porta?
Jimin ficou quieto, sem fazer barulho, não querendo sair dali. Sem obter uma resposta, a enfermeira abriu a porta do guarda-roupa. Jimin se encolheu com medo, abraçando as próprias pernas.
— Venha, rapazinho, precisamos dar o seu remédio.
Mesmo tentando parecer gentil, para Jimin a enfermeira era muito assustadora. Por mais que ela o chamasse, Jimin continuava em seu cantinho, recusando-se a sair.
— Temos que chamar o responsável por ele — Disse a outra enfermeira ao ver a relutância de Jimin em sair do guarda roupa.
— Sim, vou ligar para ele.
...
Jungkook chegou ao hospital o mais rápido que pôde, vindo diretamente da delegacia. Ele queria muito estar presente quando Jimin acordasse, imaginando o quão assustado ele poderia estar em um lugar com pessoas desconhecidas.
A enfermeira explicou a situação, e Jungkook se aproximou do guarda-roupa, mas não abriu as portas. Ele queria respeitar o espaço de Jimin.
— Olá? — Jimin não respondeu.
— Posso conversar com você um pouquinho? — Jungkook procurou falar baixo e com suavidade, para não assustá-lo ainda mais.
Jimin continuou em silêncio.
— Posso abrir a porta, só um pouquinho? Dê dois toques na porta se você está de acordo.
Depois de alguns segundos, Jimin bateu duas vezes na porta do guarda-roupa. Jungkook abriu a porta lentamente, deixando apenas uma fresta. Jimin o olhou curioso e se lembrou que era o rapaz que o havia salvado.
— Te achei! — Jungkook sorriu e Jimin sorriu também — Eu sou o Jungkook, prazer conhecê-lo, como é seu nome?
Jimin olhou para Jungkook, mas não respondeu.
— Acho que ele é mudo — Informou a enfermeira.
Jungkook olhou para ela.
— Obrigado por cuidar dele, mas você já pode ir atender outros pacientes. Eu fico com ele. A hora que ele estiver pronto, eu te chamo para dar o remédio. Obrigado.
A enfermeira saiu e Jungkook voltou sua atenção para Jimin, que o olhava fixamente.
— Pronto, a moça assustadora já foi embora. Agora você quer sair?
Jimin balançou a cabeça negativamente. Não queria sair dali.
— Está com medo de sair daí? — Perguntou Jungkook.
Jimin assentiu.
— Eu também estou com medo de ficar aqui sozinho. Posso ficar aí com você?
Jimin estranhou o pedido, mas deu espaço para Jungkook entrar. Jungkook se ajeitou ao seu lado, enquanto Jimin o encarava curioso.
— Uau! Aqui dentro é muito legal mesmo, por isso você não quer sair, não é?
Jimin afirmou balançando a cabeça rapidamente.
— E você não vai me dizer o seu nome?
Jimin balançou a cabeça negativamente.
— Então eu vou te chamar de... Anjinho! Pode ser?
Jimin assentiu.
— Vou me apresentar novamente... Meu nome é Jungkook, sou o policial que ajudou a te salvar e agora vou te proteger. Não vou deixar que ninguém te machuque, está bem?
Jimin sorriu e afirmou com a cabeça.
— Agora somos amigos?
Jimin o olhou, confuso. Ele não sabia ao certo o que significava a palavra "amigo". Jungkook entendeu que talvez Jimin não compreendesse completamente o conceito, então tentou explicar.
— Hum... amigos são aquelas pessoas que estão sempre juntas, que não nos abandonam, mesmo com nossos defeitos. Os amigos estão sempre ao seu lado... e eu quero ser seu amigo. Posso?
Jimin lembrou do Senhor Coelho, seu único amigo até então. Ele queria fazer amizade com aquele rapaz também, que de certa forma lembrava o Senhor Coelho, talvez pelos dentes da frente avantajados. Jimin balançou a cabeça, afirmando que sim, que queria ser amigo de Jungkook.
— Então a partir de hoje, nós somos amigos
Jungkook estendeu a mão para cumprimentar Jimin. Mas ele o olhou sem entender.
— Pode pegar na minha mão, assim seremos amigos de verdade.
Para surpresa de Jungkook, Jimin pegou sua mão com as duas mãos. Ao sentir a maciez das mãos de Jungkook, Jimin as colocou em seu rosto, roçando-as nas bochechas como se estivesse recebendo um carinho. Jungkook sorriu ao ver aquele gesto; era um sinal de que Jimin estava começando a confiar nele.
— Gosta de carinho? — perguntou Jungkook.
Jimin assentiu.
— Posso fazer carinho nos seus cabelos?
Jimin assentiu novamente.
— Então deite a cabeça em meu colo.
Jimin deitou a cabeça no colo de Jungkook, que começou a acariciar seus cabelos. Jimin nunca havia experimentado algo tão reconfortante e, em meio ao carinho, acabou adormecendo.
...
Jimin acordou novamente, ainda no quarto do hospital. Ele se levantou assustado, pronto para remover os acessos novamente, mas Jungkook estava ao seu lado e segurou sua mão gentilmente.
— Oi anjinho, está tudo bem, você está seguro. Estou aqui com você — Jungkook sorriu e Jimin se acalmou — Te coloquei na cama porque era mais confortável. Tenho uma boa notícia... Você vai receber alta! Isso não é legal?
Jimin o olhou sem entender.
— Hum... Você vai poder ir pra casa. Como ainda não arrumamos um lugar pra você ficar, quer morar comigo?
Jimin balançou a cabeça animadamente em afirmação.
— Acho que você vai gostar da sua nova casa. Tenho outra boa notícia, alguém veio te visitar... — Jungkook disse suavemente.
Jimin olhou curioso, pois não tinha amigos que o amavam para visitá-lo. Jungkook então pegou o Senhor Coelho e o entregou a ele. Os olhos de Jimin brilharam, e ele agarrou o velho coelho de pelúcia, chorando baixinho de alegria.
— Agora você tem dois amigos — Disse Jungkook com um sorriso.
Jimin sorriu e abriu os braços para abraçar seus dois amigos. Jungkook o envolveu em um abraço apertado, não conseguindo evitar que as lágrimas caíssem.
— Eu vou cuidar de você — Prometeu Jungkook, emocionado e com a voz embargada. — Não vai mais sofrer. Eu prometo que te mostrarei o lado bom do mundo e que existem pessoas boas. Vai ficar tudo bem, você será feliz.
Jungkook sorriu em meio às lágrimas. Jimin tocou o rosto de Jungkook, umedecendo o dedo em uma de suas lágrimas, e mostrou para ele, como se perguntasse se estava tudo bem e por que ele estava chorando.
— Não se preocupe, são lágrimas de alegria — Disse Jungkook, envolvendo Jimin em um abraço reconfortante.
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