The Evil Within

25 O Amor em Dose Dupla



Yoongi estava sentado na sala de espera da clínica, as pernas inquietas e os dedos entrelaçados em um aperto nervoso. Já havia preenchido toda a papelada, mas o peso da decisão ainda pairava sobre seus ombros. Seu coração batia rápido, quase como se tentasse escapar de seu peito, e as mãos úmidas de suor entregavam sua ansiedade.

Seus olhos vagaram pelo ambiente, observando as outras pessoas que aguardavam em silêncio. Todos pareciam carregar algo pesado, uma mistura de tristeza e incerteza que Yoongi reconhecia tão bem.

Em um canto, uma mulher chorava baixinho, acariciando suavemente sua barriga — um gesto de amor e angústia. Um pouco mais à frente, um jovem conversava em voz baixa com sua barriga já levemente saliente, como se tentasse convencer a si mesmo. No entanto, após um longo suspiro, ele se levantou abruptamente, abandonando sua ficha e saindo pela porta.

Yoongi sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Logo seria sua vez. Sua mão, trêmula, deslizou instintivamente até sua própria barriga. Seus dedos pousaram ali, hesitantes, como se esperassem sentir uma resposta para a pergunta que ecoava em sua mente:

"Será que essa é a escolha certa?"

Então, sem perceber, seus pensamentos o levaram a uma imagem inesperada: Victor sorrindo enquanto brincava com um bebê.

A cena era tão vívida, tão real em sua mente, que um sorriso involuntário escapou de seus lábios.

Por um breve momento, o caos de seu coração se silenciou.

“Como o Tae reagiria se soubesse?” — Pensou.

“O que você está pensando, Yoongi? Você já tomou sua decisão. Não importa o que ele acharia, ele não é nada seu. Não temos nada. Talvez, possivelmente, um filho”

Yoongi sentiu um aperto no peito, uma vontade súbita de chorar. Tudo o que ele mais desejava naquele momento era que Victor estivesse ali, ao seu lado. Queria sentir o calor de seu abraço apertado, daquele que sempre lhe trazia segurança. Victor tinha esse poder. Com um único abraço, dissipava seus medos, acalmava suas tempestades. E, agora, mais do que nunca, ele ansiava por essa proteção, por aquele toque que dizia, sem precisar de palavras, que tudo ficaria bem.

Seus devaneios foram abruptamente interrompidos pelo som de seu nome sendo chamado.

— Min Yoongi? — anunciou a recepcionista.

O som, embora esperado, fez seu coração disparar. Ele se sobressaltou, como se a simples convocação o puxasse para uma realidade da qual queria fugir.

Com passos vacilantes, seguiu a recepcionista pelo corredor. Era como se seus pés pesassem toneladas, arrastando-se contra a vontade de seu próprio corpo. A cada passo, seu coração martelava no peito, tão forte que parecia ecoar em seus ouvidos. Suas pernas tremiam, como se algo dentro dele estivesse tentando impedi-lo de prosseguir, como se sua alma estivesse em conflito com a decisão que o trouxera até ali.

Ao entrar na sala, foi recebido por um sorriso suave e carinhoso.

— Olá, Yoongi. Pode ficar à vontade. — disse a médica, com um olhar acolhedor, que transmitia mais do que profissionalismo, transmitia compreensão.

Seu tom era gentil, quase como um lembrete silencioso de que ele não estava sozinho em sua aflição. Ela entendia, melhor do que ninguém, o turbilhão de sentimentos que ele carregava.

Yoongi sentiu seu peito afrouxar por um instante, como se aquele sorriso fosse um porto seguro em meio à tempestade. Mas, ainda assim, o peso da decisão continuava ali, pressionando cada batida de seu coração.

— Prazer, sou a Dra. Park Min Young — Ela estendeu a mão para cumprimentá-lo — Vou cuidar de você, não se preocupe, vai dar tudo certo. Isso será rápido e indolor.

Yoongi sentiu um frio na barriga.

— Obrigado. Prazer em conhecê-la.

— Primeiramente, vamos fazer alguns exames, quero ver como está sua saúde. Se está tudo ok com você. Você tem se queixado de algo?

— Estou bem. Não estou sentindo nada demais. Apenas alguns enjoos pela manhã mas nada muito insuportável.

A doutora fez algumas anotações com calma e, em seguida, acompanhou Yoongi para uma bateria de exames. Durante todo o processo, manteve-se ao seu lado, segurando sua mão com firmeza e oferecendo um sorriso caloroso sempre que seus olhos vacilavam de nervosismo.

Yoongi, que havia sido tomado pela tensão, sentiu seus ombros relaxarem aos poucos. A presença gentil da médica e seu cuidado sincero trouxeram um conforto inesperado, como se, pelo menos ali, ele pudesse respirar com mais leveza.

Concluídos os exames, ela o conduziu até uma sala tranquila, pedindo que aguardasse enquanto analisava os resultados. O tempo passou mais devagar do que ele gostaria, mas, surpreendentemente, não levou mais que uma hora até que a porta se abrisse novamente.

A doutora entrou com um envelope em mãos, seu olhar suave, mas atento. Sem pressa, ela se sentou ao lado dele, diminuindo a distância, como quem entendia o peso daquele momento.

Então, com um gesto terno, colocou sua mão sobre a de Yoongi, transmitindo apoio antes mesmo de dizer qualquer palavra. Sua voz veio calma, mas carregada de compreensão:

— Yoongi… vamos conversar. Estou aqui com você. Seus resultados saíram e você está perfeitamente saudável. Saiba que todo procedimento será seguro. Esse lugar é seguro e dentro da lei. Então, não se preocupe. Vai dar tudo certo. Mas preciso saber se você está realmente convicto da sua decisão.

— Não sei… eu sou uma pessoa horrível?

— Claro que não! E aliás, não estamos aqui para julgá-lo. Estamos aqui para colocar sua saúde em primeiro lugar. A decisão é sua. O corpo é seu. O que decidir estaremos do seu lado e vamos cuidar bem de você.

Yoongi suspirou. Sentia como se seu corpo flutuasse, como se estivesse fora da realidade. Em outro mundo.

— Precisa de mais tempo para pensar? — A médica o olhou com seriedade.

— Por favor… — A voz de Yoongi saiu baixa.

A médica entregou a Yoongi uma xícara de chocolate quente, o aroma doce preenchendo o ambiente com uma leve sensação de conforto. Em seguida, retirou-se com uma prancheta cheia de papéis, deixando-o sozinho com seus pensamentos.

Yoongi envolveu a xícara com as mãos, sentindo o calor agradável aquecer seus dedos gelados. Ao levar a bebida aos lábios, o sabor doce e reconfortante acariciou sua língua, trazendo um breve alívio ao turbilhão de sentimentos que pesava em seu peito.

Seu olhar vagou até a janela. A paisagem lá fora parecia serena, como se o mundo estivesse em perfeita harmonia, alheio à tempestade que acontecia dentro dele. O dia estava claro, com um sol tímido que se escondia entre as nuvens, e o friozinho suave no ar trazia um frescor revitalizante.

Enquanto observava, seus pensamentos o puxaram para dentro de si. Ele tentou ponderar a realidade que o aguardava. Como seria criar um filho sozinho? Como equilibraria trabalho e maternidade? Como cuidaria de uma criança, se sequer sabia por onde começar? O futuro parecia nebuloso e assustador.

Mas, então, um pensamento trouxe uma pequena faísca de conforto: Jungkook. Seu amigo fiel, que esteve ao seu lado em cada momento difícil, que nunca o abandonou. Yoongi sabia, com toda a certeza, que poderia contar com ele para qualquer coisa.

Ainda assim, outro nome ecoou em sua mente. Victor.

Involuntariamente, permitiu-se imaginar. Uma vida perfeita ao lado dele, casados, criando juntos seu filhinho e até um cachorrinho correndo pelo quintal. Imaginou um domingo ensolarado, um passeio em família cheio de risos, amor e carinho. Era doce… tão doce quanto o chocolate quente em suas mãos.

Mas a fantasia durou pouco. O realismo cortante logo o dissipou.

— Não posso ser ingênuo. — murmurou para si mesmo, quase como uma sentença.

Não tomaria uma decisão com base em uma história que só existia em sua cabeça. Não se permitiria ser guiado por ilusões, por um sonho que, talvez, nunca se concretizasse.

Sua escolha precisaria ser clara, firme. Racional. Como sempre havia feito em sua vida.

Perdido em seus pensamentos, Yoongi nem percebeu o tempo passar. Foi só ao ouvir três leves batidas na porta que voltou à realidade.

Ele ergueu os olhos e viu a médica parada ali, com a prancheta em mãos e um olhar compreensivo no rosto.

— Yoongi… podemos conversar? — disse ela com suavidade, como quem sabe que as próximas palavras poderiam mudar tudo — Já decidiu o que fazer?

— Estou com medo.

— Sentir medo é normal. Quer me contar sobre isso?

— Tenho medo de ser um pai ruim. E se eu falhar?

A médica sorriu e tocou sua mão.

— Dê uma chance a si mesmo.

— Mas... eu estou sozinho.

— Como assim sozinho? E essa pessoinha aí dentro de você?

Yoongi não aguentou mais e chorou, colocou a mão no rosto e chorou.

— Não vou mais fazer isso! — Disse com convicção — Vou ter esse bebê e criar ele sozinho, sou capaz disso. Mas graças a Deus tenho bons amigos que vão me ajudar.

— Certo — Ela sorriu para ele — então vamos fazer outro procedimento.

— Outro?

— Sim. Como você decidiu ter o bebê, vamos ver como ele está.

Yoongi sorriu, acostumando-se com a ideia de ser pai.

Mais de uma hora depois, a doutora entrou novamente na sala. Dessa vez com um sorriso diferente no rosto.

— Tenho duas boas notícias.

— Duas?

— Sim. Os bebês estão bem.

— Espera… — Yoongi arregalou os olhos — Bebês? No plural? Dois bebês? DOIS?

— Sim. Parabéns. Você será pai de gêmeos.

...

Após deixar a clínica, Yoongi seguiu direto para o terminal, o coração batendo em um misto de ansiedade e expectativa. Era ali que havia combinado de se encontrar com Victor, e ele mal podia esperar para compartilhar a notícia que transformaria suas vidas: eles teriam bebês.

Seu peito estava cheio de emoções conflitantes — nervosismo, alegria, e um toque inevitável de medo. Mas, acima de tudo, ele queria ver a reação de Victor. Queria capturar aquele momento, aquele primeiro olhar ao ouvir a notícia que mudaria tudo.

Chegou mais cedo do que o combinado, ainda faltava quase uma hora para o encontro. O terminal estava movimentado, com pessoas indo e vindo, imersas em suas rotinas, mas para Yoongi o mundo parecia girar em outro ritmo.

Encontrou um banco livre e se sentou, cruzando as mãos no colo, que ainda guardavam o calor do chocolate quente da clínica. Seus olhos, inquietos, percorriam o ambiente, mas sua mente estava longe, perdida em pensamentos sobre o futuro.

Ele imaginava como seria contar a notícia, como Victor reagiria, com surpresa? Alegria? Medo?

Seu pé batia nervosamente no chão, um hábito involuntário diante da ansiedade crescente. O tempo parecia arrastar-se, cada minuto mais longo que o anterior. Ainda assim, em seu peito, o desejo mais sincero brilhava:

Que Victor estivesse ao seu lado e que, juntos, pudessem construir aquela nova vida.

Seu telefone tocou, era um número desconhecido.

— Alô? — Perguntou, curioso.

— Oi, Yoon...

— TAE! — Yoongi logo reconheceu a doce voz de Victor. Sua alegria transbordou ao ouvi-la.

— Quanta felicidade em ouvir minha voz — Taehyung sorriu.

— Sim, eu estava com muita saudades. Quero te ver logo.

— Precisei resolver alguns assuntos na delegacia.

— Na delegacia?

— Calma, está tudo bem, nada grave. Só alguns assuntos da empresa. Já terminei as coisas por aqui, posso te pegar agora?

— Claro, quero te ver logo.

— Calma, meu amor. Eu tô chegando.

— Vou ficar aqui te esperando. Tae, porque o número desconhecido?

— Houve um pequeno acidente com meu celular, precisei pegar esse emprestado de uma pessoa aqui só pra te ligar porque estava com saudades.

— Eu também estava. Vou ficar te esperando, tenho algo pra te contar.

...

Yoongi baixou o olhar para sua barriga, ainda tão pequena, quase imperceptível. Não havia sinais visíveis daquela nova vida — ou melhor, duas vidas — crescendo dentro dele. Seu corpo, pequeno e magro como sempre, ainda não revelava ao mundo o segredo precioso que carregava.

E, mesmo assim, ele sentia.

Havia algo de surreal naquela ideia: dois corações minúsculos, batendo dentro de si. Dois seres que, mesmo tão frágeis, já mudavam tudo ao seu redor.

Sem perceber, seus dedos deslizaram suavemente até repousarem sobre a barriga, em um gesto quase instintivo. O calor de sua própria mão sobre sua barriga fez seu peito se encher de uma emoção que ele mal podia descrever.

Então, um sorriso brotou em seus lábios. Um sorriso simples, genuíno, carregado de ternura.

Era real. E, pela primeira vez, ele sentiu que tudo ficaria bem.

— Será que vão ser dois meninos? Ou será duas meninas? Ou será um casal? Confesso que estou curioso — Yoongi sorriu.

Vislumbres de um futuro que ele ainda não conhecia passaram pela mente de Yoongi como um filme doce, uma comédia romântica de sessão da tarde. Ele se imaginou ao lado de Victor, vivendo sob o mesmo teto, compartilhando risos, rotinas e o caos encantador que viria com dois pequenos preenchendo suas vidas.

Visualizou momentos simples e preciosos: noites embalando os bebês juntos, manhãs preguiçosas com cheiro de café e risadas suaves, primeiros passos, primeiras palavras, e o calor inigualável de uma família construída com amor.

Mas, então, como uma sombra que surge ao entardecer, o medo se infiltrou em seu peito.

E se Victor… não quisesse essa vida?

Yoongi sentiu o coração apertar. Ele sabia que Victor era um homem de negócios, sempre envolto em reuniões, voos, prazos e negociações. Sua vida era corrida, cronometrada, meticulosamente planejada. Onde, em meio a essa agenda lotada, caberiam ele e duas crianças?

Um suspiro pesado escapou de seus lábios, carregado de incerteza. O doce filme que passava em sua mente ficou nublado. O medo da rejeição sussurrava em seus ouvidos:

"E se ele disser que não pode? Que não quer? Que não há espaço para nós?"

Yoongi fechou os olhos por um momento, sentindo o frio da dúvida envolvê-lo.

Mas então, com esforço, afastou aqueles pensamentos.

— Não... — murmurou para si mesmo. — Eu não posso sofrer por algo que nem aconteceu.

Victor ainda não sabia, não tinha escolhido, e Yoongi não podia criar um final sem ter ouvido sua resposta.

— Preciso afastar esses pensamentos — Disse baixinho para si mesmo — Bom, como ainda não escolhemos um nome, vou chamá-los de Sementinha e Feijãozinho.

Obviamente a barriga de Yoongi ainda não aparecia, por isso as pessoas achavam estranho o rapaz falando sozinho com sua barriga.

...

Dez minutos depois, Taehyung surgiu diante de Yoongi, e, como sempre, estava deslumbrante. Seu sorriso radiante parecia iluminar o ambiente ao redor, e seus olhos, vivos e cheios de calor, encontraram os de Yoongi com uma ternura difícil de descrever.

Sem hesitar, ele estendeu a mão, Yoongi, sentindo o calor familiar daquela presença, segurou sua mão firmemente, como se naquele toque encontrasse segurança e conforto.

Caminharam juntos até o estacionamento, as mãos entrelaçadas, e a cada passo, Taehyung o olhava de soslaio, o sorriso nunca deixando seus lábios. Havia algo nos olhos dele, um brilho sincero, quase encantado, como se olhar para Yoongi fosse suficiente para iluminar seu mundo.

Ao chegarem no carro, Yoongi parou, e com delicadeza segurou o braço de Taehyung, fazendo-o virar em sua direção. O momento parecia suspenso no ar, cheio de expectativa e emoção.

— Tae...

Taehyung o olhou, curioso.

— Sim, meu amor.

— Você é muito especial pra mim. Penso em você o tempo todo, eu não consigo mais reprimir meus sentimentos por você. Eu só quero você. Só quero ficar com você. Eu realmente te amo… muito.

Taehyung se aproximou lentamente, as mãos quentes e suaves subindo até acariciarem as bochechas de Yoongi. Seu toque era terno, quase reverente, como se ele estivesse segurando algo precioso demais para ser quebrado. E então, em seu olhar, havia tudo — um amor tão profundo, tão sincero, que Yoongi quase pôde sentir o calor daquele sentimento atravessar sua pele e alcançar seu coração.

— Eu também te amo, Yoongi. — A voz de Taehyung saiu baixa, mas carregada de certeza.

Yoongi sentiu o coração pulsar forte, tomado pela emoção. Sem pensar, ergueu-se na ponta dos pés e selou os lábios aos dele em um beijo doce, suave, quase tímido, mas repleto de sentimentos.

Porém, como se algo dentro de Taehyung se rompesse — uma represa cheia de emoções guardadas — ele o agarrou, trazendo-o contra si em um abraço apertado, como se não quisesse jamais soltá-lo.

Então, sem hesitar, o beijou.

Não foi um beijo calmo. Foi urgente, carregado de emoção, de desejo e de tudo o que ele sentia. Um beijo quase desesperado, como se tentasse derramar em cada toque tudo o que palavras não poderiam expressar.

Yoongi, entregue ao calor daquele momento, apenas se deixou levar. Seus olhos se fecharam, e ele sentiu o mundo ao redor desaparecer. Não havia mais dúvidas, não havia medo. Só eles dois, naquele instante infinito.

Pararam apenas quando o fôlego lhes faltou, as testas coladas, as respirações entrecortadas misturando-se no espaço ínfimo entre seus rostos.

— Eita — Yoongi sorriu, não havia lugar no mundo onde ele preferisse estar — Você estava mesmo sentindo a minha falta.

— Sim, eu estava, você não imagina o quanto eu ansiava por esse beijo — Taehyung lhe roubou mais alguns selinhos — Quero te levar em um lugar especial.

— Vou com você onde você quiser — Yoongi o beijou novamente.

Durante o caminho, Yoongi olhava para Taehyung o tempo todo, admirando sua beleza. Se perguntava se os bebês iriam nascer com aquela aparência privilegiada.

— Tae... preciso te contar uma coisa.

— Diga, meu amor — Taehyung dirigia, olhando atentamente para o caminho.

— É algo que vai mudar nossas vidas... pra melhor. Assim espero.

— Hum? Agora estou curioso. Me conte — Taehyung olhou brevemente para ele e sorriu.

— Bom… é… — Yoongi tentou se preparar mentalmente para contar aquilo, mas não sabia ao certo como dar aquela notícia, então achou melhor ser direto — você vai ser pai, estou grávido.

— Como é? — Taehyung freiou o carro e o olhou com os olhos arregalados.

— Você vai ser pai — Yoongi apertou o tecido da própria blusa, sentia-se tenso — Teremos gêmeos. Estou com quatro semanas de gestação.

Conhecendo Victor tão bem quanto conhecia, Yoongi imaginava exatamente como ele reagiria: provavelmente começaria a chorar, tomado pela emoção, com lágrimas escorrendo enquanto tentava balbuciar algo entre soluços. Seria tão a cara dele, sempre tão emotivo, sempre sentindo tudo com o coração escancarado.

Mas, para sua completa surpresa, Taehyung riu.

E não foi uma risadinha leve ou nervosa. Ele começou a rir descontroladamente, a ponto de sua gargalhada ecoar pelo ambiente. Era uma risada solta, quase desajeitada… e, para Yoongi, havia algo estranho nela, um toque de deboche, algo que não combinava com o momento.

Yoongi ficou paralisado, confuso, as sobrancelhas se juntando em uma expressão de puro espanto.

— Tae...? — murmurou, a incerteza pesando em sua voz.

— Ai ai ... — Taehyung colocou a mão na barriga de tanto rir, tentando recuperar o fôlego — Parece que eu vou ser titio, meu irmãozinho não perde tempo.

Notas finais
Pra quem tava com saudades do V... Olha ele aí ó 😒