Notas iniciais
Amores, quero lhes pedir um milhão de desculpas pela minha demora, eu estava sem tempo, com muitas provas e o pior de tudo eu abria o word e não tinha nada de inspiração entrei em desespero, mais aqui está o capítulo caprichado.
Espero que gostem.
OBS: QUERO DEDICAR ESSE CAPITULO Á JENNIFER.

" A face de um velho amigo é como um raio de sol por entre escuras e sombrias nuvens. "

Ela nunca pensara que viveria do jeito em que vive hoje. Helena, quando mais nova, sempre foi educada a ser sempre uma pessoa simples e humilde, até porque, seus pais nunca foram ricos.
Aos 10 anos, o sonho dela era andar de avião, pois sempre gostou muito do céu. Nunca achou que “voar” viraria um acesso tão fácil como hoje. Quando ela perdeu os pais, repetia consigo mesma que nunca iria ter filhos, e agora ela está grávida. Ela também disse que nunca iria abandonar o Rio, por causa das lembranças maravilhosas que as prendiam lá. É isso que ela pensara durante o embarque para voo de volta a Paris, sobre o passado e como a vida apresenta mudanças radicais de baixo de nossos narizes e como uma pessoa é capaz de mudar totalmente as nossas perspectivas. Ela olhou para Henrique e disse:

–Obrigada
–De nada – retribuiu o sorriso, mesmo sem entender direito o motivo do agradecimento. – Então, ansiosa?
– Bom, digamos que eu nunca imaginei que estaria vivendo desse jeito hoje. Se estou ansiosa? Acho que sim.
– E isso é bom né? – Ele parecia meio duvidoso em relação a expressão facial e o tom de voz que Helena demonstrou.
– Claro que é bom tolinho. –puxou a espiração e continuou – Fazia tempo que eu me sentia tão viva, ou útil para seguir em frente. Se a terapia me ajudou muito em relação a minha família e a perda de meu melhor amigo – Ela engasga um pouco ao dizer isso – O fato de estar aqui foi a cura. – Deu uma leve risada, o fitou e finalizou – Essa viagem vai ser perfeita, a menos que aconteça um desastre ou algo do tipo.

– Acho melhor você ficar quieta heim? Depois você quebra seu braço pela quarta vez e não sabe porque! – Henrique entendera o que ela queria dizer. Quando eles eram menores, ela amava assistir documentários sobre desastres. E além do mais, Helena possuía fama de azarada, tudo o que ela dizia acontecia ao contrário e tudo o que falava de ruim realmente acontecia.
O avião era muito confortável, é claro que eles estavam viajando de primeira classe. Já era noite quando o avião zarpou. Helena não conseguia dormir e passava a maior parte do tempo olhando as pessoas dormindo e mexendo no seu cabelo. Mas, parecia que o tempo estava demorando a passar, aliás, é exatamente essa a sensação que é provocada em uma pessoa que sente tédio. E, em meio de seus pensamentos viajantes, ela parou para pensar o que sua mãe acharia de sua vida agora. Toda vez que ela pensava na mãe, a mente dela obrigava a ela mudar a direção. As duas eram muito ligadas e a dor foi quase que insuportável. Muitos pesadelos, trocas de psicólogo, medicamentos, dores agonizantes, e isso sem contar os 10kg que perdera em tão pouco tempo. Helena nunca sentira tanto ódio de uma palavra na vida quanto a palavra “saudades”. Aliás, essa foi a última palavra que a mãe lhe dissera.

Afundando nesses pensamentos, Helena adormecera. Começou a sonhar que estava em um bosque, com vegetação densa e clima úmido. Estava vestida com uma camisa azul bem larga e uma calça jeans e tênis. Seu cabelo longo e castanho estava preso em um rabo de cavalo. Ela estaca suja de terra e com o rosto bem oleoso . Suas unhas que estavam sempre grandes e arrumadas na verdade estavam sujas e quebradas. Começou a andar pela floresta muito atenta por causa dos animais que poderiam ter lá. Mas aí, Helena ouviu um grito muito estridente “Socorroooooooooooo, Socorroooooooooooo, Socorroooooooooooo” . Na terceira vez reconheceu sua voz, era sua mãe. Saiu correndo sem se importar com as possíveis cobras ou abelhas que estavam a espreita, e mesmo quando foi picada por um marimbondo ( ela tem extrema alergia) , continuou a correr e correr. Entre os espaçamentos das árvores, ela ouviu o grunhido de novo. Cada vez que ela ia se aproximando da luz, mais a dor dos arranhões de alguns arbustos esquisitos se intensificava. Mas isso não importava. Tudo que ela pensava era na mãe dela e isso dava mais gás ainda para ela correr. Então, quando ela se aproximou, viu que se tratava de uma estrada. Olhou sua mãe caída e um homem saindo de carro em uma velocidade alarmante, mas tão alarmante que a 10 metros do carro de sua mãe o carro nem percebera e bateu em um caminhão com muita força. Os vidros da parte da frente do carro se quebraram. O caminhoneiro logo saiu para ver o que houve e também reparou no acidente de trás. Helena saiu correndo para ver o rosto do motorista atingido. Ela queria ver o homem que matou sua mãe. Estava tão decidida quanto a isso, que ela nem ligara para a poça de sangue formada no meio da estrada, chegou perto. O homem obviamente estava morto, imóvel, porém deitado com a cabeça para baixo, e, quando ela foi virar a cabeça para vê-lo...

Ela acordou. “Droga, de novo não!”. Não era a primeira vez que ela tinha esse sonho, mas era a primeira vez que ela chegara tão perto de ver o rosto do sujeito. De repente, ela ouviu gritos. Finalmente, ela tomou coragem de abrir os olhos, percebeu que o avião estava com turbulência.
– Henrique, acorda. Estamos passando por uma chuva de raios , olha só – Disse, sacudindo ele. Ambos realmente gostavam desses tipos de coisas, ao contrário dos outros passageiros a bordo com eles.
– Oi? – Disse Henrique com voz de sono.
– Olha aqui pela janela. Deus até pena de te acordar, desculpa ta? – Ela apontara para ele, que logo alargou os olhos de alegria.
– Nossa, eu já viajei muitas vezes de avião, mas isso nunca aconteceu comigo, não acredito nisso!

Cinco minutos depois essa emoção se passara então eles resolveram voltar a dormir.


Assim que chegaram em casa, Helena foi descansar, estava um pouco enjoada.
– Nem acredito que vou ter que cozinhar ainda. Só o cheiro já vai me enjoar .
– Mas é claro que não. Amanhã mesmo eu vou providenciar um mordomo. Eu tinha um antes , ele trabalhou durante 3 anos aqui . Mas aí descobri que ele dava comida como carne e chocolate para o cachorro escondido. Não deu outra, o probrezinho morreu, nunca perdoei ele e o demiti na hora. Hoje em dia é difícil achar um mordo descente. Mas não se preocupa, hoje eu vou na cozinha.
– E você cozinha bem?
– Sei fazer ovo
Helena deu uma risada discreta, mas logo percebeu que ele estava falando sério. – Bom, me traz biscoito mesmo pode ser? Hoje eu não quero fritura.
Após o lanche eles adormeceram devido a longa viagem cansativa.

NO DIA SEGUINTE
Helena estava acordada. Porém não estava nem um pouco animada para levantar-se. Apalpou o outro lado da cama. Estava vazio. Isso significava que já se passava das sete horas. Ouviu uma batida na porta.” Deve ser Henrique que esqueceu alguma coisa para o trabalho ou sei lá” pensou Helena. Mas ninguém entrou. Outra batida na porta. Ela cochichou entre, mas aparentemente a pessoa não ouviu pois pela terceira vez, bateu na porta. Helena não sentia o menor medo, pois sabia que o sistema de segurança de onde ela estava era muito qualificado. Resolveu então enfiar a cara no travesseiro para voltar a dormir.
A porta se abre, e alguém lentamente vai entrando , parecia estar tomando muito cuidado onde pisava, como um gato silencioso. Helena, feito uma criança, se cobriu todinha e fingiu que nada estava acontecendo.

– Bom dia senhorita Helena – Helena se espreguiçou e abriu os olhos. Para sua surpresa quem a chamou não foi Henrique, mas sim um homem todo elegante de postura ereta segurando um lanche.
Helena de primeira se lembrou — Então... você deve ser o mordomo não é mesmo? Prazer em te conhecer.
– Sim, sou eu mesmo. O prazer é todo meu. Me chamo Afonso. Desculpe-me incomodá-la, mas o seu marido pediu para não deixar você passar das 11:30 e deixou bem claro para verificar se a senhorita estava melhor.

Ele parecia um robô falando. Helena pensara como gente “rica” ou fingindo de rica é engraçado. – Sim, estou, graças a Deus.
– Me da licença por um minutinho por favor . – Ele a encarou e seus olhos ficaram vermelhos. Helena balançara a cabeça e quando seus olhos se abriram o mordomo estava “normal” de novo. “Deve ter sido uma ilusão ou coisa assim. Acontece” — pensou
Ele desceu e enquanto isso Helena estava saboreando seu lanche, admirando as “melhores panquecas da vida dela” e já sentindo falta do Henrique, que estava trabalhando.
Um grito surgiu do andar de baixo. Um grito feminino, só podia ser de uma das empregadas. Rapidamente Helena corre para ver o que é, desce as escadas e começa a procurar. Logo percebeu que o som veio da cozinha e disparou para lá. Um prato quebrado. Uma mulher paralisada em frente a porta da cozinha.

– Não minha senhora, não entre, por favor! – Exclamou a sua empregada favorita, a gorducha simpática era o apelido dado por Helena em sua mente. Mas o rosto sorridente estava paralisado e logo , seu corpo tremendo e a pele amorenada ficou totalmente pálida.
Logicamente, violando ao aviso dado ela entrou, viu sangue, muito sangue. E o mordomo, ele estava morto. Uma faca atravessada em seu peito. E em cima da bancada havia um guardanapo que dizia: “vocês são os próximos”. Helena desmaiou.
Quando ela acordou, ela estava na cama , com gelo na nuca e ao seu lado o seu marido.
– Como e porque? – Helena nem sabia por onde começar e muito menos por onde terminar.
– Bom, vou explicar a história para você. Eu estava trabalhando quando sobe da notícia. Voltei correndo para a casa enquanto a polícia estava aqui. Foi suicídio, Helena. Afonso tinha uma vida frustrante, uma família conturbada, pais que nem ligavam para ele e viviam bêbados. A mãe morreu em briga de bar e o pai foi assassinado. Ele só tinha o irmão dele, e falaram que ele nunca mais foi o mesmo depois que seu irmão se matou ano passado, pois sofria depressão . A Amélia viu a cena toda, sabe a empregada que você gosta? Pois é, esse é o nome dela. Os dois estavam na cozinha. Mas na hora que você chegou ela estava muito traumatizada para falar. Foi algo repentino, ele simplesmente pegou a faca e ... você já sabe o resto. Ela me contou que você desceu, e ela queria te avisar, mas estava em estado de choque, a única coisa que ela conseguiu pronunciar foi algo pedindo para você não entrar. Quando você entrou e viu aquilo tudo, desmaiou e assim bateu a cabeça, mas não é nada de mais não. Você já está melhor. Helena, eu sinto muito mesmo, esse mordomo era reconhecido internacionalmente e estava aqui no hotel e eu consegui contrata-lo. Ele parecia bem, eu juro. Te levamos ao hospital. O médico estava com medo de alguma coisa ter acontecido com o bebê. Graças a Deus ele está super saudável. Nossa como sou burro. Podia ter perdido você e nosso filho ou filha hoje, logo as duas coisas que eu mais amo no mundo. – Henrique e Helena ficaram uns cinco minutos abraçados.

– Mas, e o bilhete? – Helena reparou que ele nem mencionou no bilhete que ela virá quatro segundos antes de desmaiar.
– Que bilhete querida? – Ele parecia ingênuo quanto a isso;
– O bilhete que estava na bancada, lógico. O que dizia “Vocês são os próximos”.
– Não tinha nem um bilhete lá não. Deve ter sido a pancada amor. – E quando ele foi beija-la, ela virou a cara.
– Ah, eu sei o que você quer fazer. Eles acharam o maldito bilhete e é alguma espécie de ameaça entre empresas ou algo assim, e você, querendo me “proteger” fingiu que não tinha nenhum bilhete para mim. Pois é, mas tem uma falha no seu plano, eu li o bilhete droga! Não sabia que você esconderia isso de mim — e começou a chorar desesperadamente.
– Não amor, eu prometo que não tinha bilhete algum e em nenhum lugar, a polícia investigou tudo.
– Ah, então foi a Amélia, foi ela que escondeu o bilhete!

– Amor, relaxa, quando a polícia chegou e ela ainda estava imóvel. Verificaram na câmera de segurança do corredor o momento dela entrando na cozinha e depois o prato caindo e 30 segundos depois você entrando na cozinha.
– Me desculpa, desculpa mesmo!
E então os dois foram dormir, abraçados e sem dizer mais nenhuma palavra. De um lado, Helena voltando a ter seus pesadelos, e do outro, Henrique se sentindo muito culpado pela tragédia acontecida.

" Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda. "

Notas finais
Espero realmente que tenham gostado, isso significa muito para mim.
Beijinhos