The End of All Things

1 Everything has chaged


Notas iniciais
O início de uma robul em três partes ♥
Eu escrevi essa fic faz um tempinho e fiquei com preguiça de corrigir, mas aqui está ela, finalmente.
Vladimir e Aleksander provavelmente vão estar meio (muito) OCs, infelizmente. Não conheço direito os dois, apesar de ter lido sobre eles antes de escrever isso, e acho que o universo alternativo não me favoreceu muito também, mas enfim, são somente desculpas.
Espero que apesar de tudo, vocês gostem da minha humilde robul, boa leitura~

Vladimir P.O.V

O mundo acabou. O mundo acabou há muito tempo. Mas o que é o fim do mundo? É quando a terra deixar de existir? É quando morremos? O meu fim do mundo foi há 11 anos.

A lua brilhava sobre mim enquanto me perdia em meio às estrelas e lembranças no ponto mais alto de minha prisão.

"- Vlad, Vlad, veja só o que eu consegui! — Aleksander veio gritando até mim com uma pequena pedra colorida em mãos.

Sorri para ele. Aleksander era a melhor criança do mundo, ou talvez eu achasse isso por considerá-lo meu irmão mais novo. Cada vez que aquele menino com cabelos negros e olhos castanhos sorria, era como se a porta do paraíso fosse aberta, eu daria minha vida por ele.

— Era isso que você estava procurando, não é Vlad? — Ele me entregou a pedra de forma quase saltitante.

Eu estava em plenos dezesseis anos, uma idade complicada para os rapazes de nossa época. Não queria arranjar um emprego, nem me juntar ao exército do rei. Seria feliz só podendo acompanhar o crescimento daquele garoto que me olhava fascinado. Aos cinco anos Aleks — como eu adorava chama-lo — não tinha a menor ideia das cosias que aconteciam, do perigo pelo qual todos nós estávamos constantemente passando.

- É ela mesma — examinei a pedra. — Obrigado, Aleks.

O sorriso dele se alargou de tal forma que achei que meu coração iria pular para fora do meu peito. Acariciei seus cabelos, sentindo os macios fios enrolando-se em meus dedos.

Virei-me para a mesa onde haviam vários objetos, livros e utensílios. Depositei a pedra sobre uma tábua de madeira com cuidado, pegando um vidro que continha pernas de rã.

Na época, meu hobby era magia negra. Eu era fascinado pelas artes das trevas e cosias do gênero, porém, nunca quis fazer mal a ninguém. Era um passatempo divertido, me reunia com mais dois amigos — Arthur e Lukas — para tentarmos criar novos encantamentos, feitiços, poções. Aleksander, por sua vez, era nosso melhor ajudante.

- Vlad, Vlad, eu posso te ajudar? — Ele se pendurou na mesa, erguendo seu corpo a uma altura que somente seus olhos ficassem visíveis.

Ri ao vê-lo daquele jeito. Aleksander era um menino baixo para sua idade, mas sempre falava que quando crescesse ficaria mais alto que todos. Com cuidado posicionei-me atrás dele, apoiei minhas mãos em sua cintura e posicionei-o em meus braços, erguendo o corpo novamente.

- Claro que pode, o que quer fazer?

Antes que ele pudesse responder, ouvi um barulho. Tinha sentidos aguçados, poucas cosias escapavam de mim. Senti um cheiro estranho no ar, um cheiro que conhecia muito bem.

Saí correndo da sala, assustando Aleks, que agarrou-se em mim.

- Vlad, o que está acontecendo? — Seus olhos sempre vivos mostravam um medo enorme, isso fez meus instintos protetores dispararem.

Assim que passamos por uma saliência na parede, eu parei. Não era grande o suficiente para nós dois, então, rapidamente, o desci. Foi um pouco complicado faze-lo entrar. Assim que se acomodou — abraçando os joelhos, sua face apresentava puro terror.

- Fique aqui Aleks, não saia, não importa o que aconteça. E feche seus olhos, certo?

- Mas-

- Shhh — coloquei meu indicador em seus lábios -, vai ficar tudo bem, entendeu? Assim que tudo isso acabar, eu prometo que vou te contar mais histórias sobre minha casa, ok? — Tentei sorrir o mais firme que pude.

Ele acenou com a cabeça. Dei um beijo em sua testa e me virei. Se olhasse mais uma vez para aqueles olhos, não seria capaz de fazer aquilo.

Foi muito rápido. Peguei uma pá que estava próxima. O monstro entrou, seus olhos vermelhos estavam sedentos e de suas presas pingava sangue. Era muito raro se ver um vampiro à luz do dia, mas não impossível.

Investi contra ele, tentando não pensar em Aleks, que estava há poucos metros atrás, provavelmente escondendo o rosto em seus joelhos, com medo do que ouvia. Depois da minha terceira tentativa de acerta-lo, ele pegou a pá e com grande facilidade, arrancou-a de minhas mãos.

Não consegui acompanhar seus movimentos. Senti suas mãos em meus ombros e seus dentes entrando em meu pescoço. Não soltei um único ruído, não podia assustar Aleks. Senti minha vida se esvaindo, mal aguentava meus olhos abertos quando a dor parou. Meu corpo desabou. Vi figuras em cima de mim, elas conversavam, porém eu não conseguia entender.

- Aleks — foi a última coisa que consegui pronunciar antes de me entregar a inconsciência."

Senti a brisa da noite tocando meu rosto. Não é como se sentisse frio, ou calor. Para um vampiro as sensações são limitadas, e eu não sou exceção. Algumas das poucas sensações que temos são a fome, a dor e o prazer.

Naquele dia, onze anos atrás, no meu fim do mundo, alguém me salvou, provavelmente outro vampiro. Acordei nesse lugar, um enorme labirinto, do qual a única coisa que sei é que não posso deixar ninguém sair. E até hoje, ninguém nunca passou por mim.

Um som longínquo chamou minha atenção. Uma das melhores coisas que adquiri ao me tornar um vampiro foi minha audição, que já era boa, tornar-se ainda melhor. Mas ainda acho que não vale o preço, perdi muitas coisas nesses onze anos.

Desci do muro olhando uma última vez para a lua. Não é comum ouvir qualquer ruído nesse lugar. Não existem criaturas vivas aqui, só ouço algo quando algum humano chega, mas há algum tempo, coisas estranhas vêm acontecendo. Espero que não seja nenhum mal presságio.

Aleksanser P.O.V

Olhei para o enorme muro que barrava meu caminho. Na última cidade pela qual passei consegui a informação de que perto dali existia um lugar misterioso, do qual aqueles que entravam nunca mais saiam. Não pude evitar encara-lo, poderia ser que chegasse até meu objetivo.

"Milhões de maneiras de entrar. Nenhuma de sair"

Segui a parede até encontrar uma entrada. Cheguei em uma enorme saliência, dando de cara com um breu total. Como não haviam maneiras de sair? Era só dar meia volta. Passei pelo grande portal, levando um susto. Onde antes havia uma passagem de saída, agora havia um muro, exatamente como os outros.

- Mas o que diabos é isso? — Perguntei-me.

Sem ver uma maneira de voltar, segui em frente. Não conseguia enxergar nada à frente, minha única companhia era a luz da lua. Até meus cinco anos de idade, nunca tive medo da noite, porém a vida me ensinou a temer as coisas que nela se escondem.

Depois do que me pareceu uma eternidade de caminhada, cheguei a um espaço mais amplo. As paredes pareciam mais baixas, porém nenhuma delas dava para fora.

Enquanto observava o lugar, senti uma mão em minha cintura e outra agarrando meu braço. Optei por retirar uma das adagas que guardava no meu cinto. Com um giro rápido, segurei a mão que estava em minha cintura e virei-me para meu agressor. Ele pegou minha mão e deu uma joelhada em meu estômago, sua outra mão ainda segurando meu braço. Usei toda a força que tinha para dar-lhe uma cabeçada, o que o fez soltar minha mão com a adaga. Tratei de posicionar-me para acertar um ponto vital, porém antes que pudesse realizar o ataque, ele pegou minha arma pela lâmina e arrancou-a da minha mão. Senti meu corpo ser girado, e meu braço preso em minhas costas. Nós dois caímos no chão, eu estava completamente imobilizado.

Ele distribuiu seu peso sobre as minhas costas, podia sentir seu rosto próximo ao meu ouvido.

- Vai ter que se esforçar mais do que isso se quiser ganhar de mim, criança — ele sussurrou ao meu ouvido.

Senti seu hálito em meu pescoço. Em seguida os lábios. Um arrepio percorreu meu corpo Não havia dúvidas de que havia sido pego por um vampiro. O medo começou a crescer em meu peito, não podia morrer. Seus dentes contornaram minha clavícula, parando em minha jugular.

- Muito mais — falou.

Virei o rosto para o lado, queria ver meus últimos momentos. Mantive meus olhos abertos, fitando-o. As sombras proporcionadas pelo muro escondiam seu rosto.

Milhões de coisas passaram pela minha cabeça, tudo que fiz, tudo que queria fazer. E por fim, aquele que queria reencontrar. Senti uma lágrima correr pela minha bochecha, eu não podia morrer sem vê-lo de novo.

Preparei-me para a dor da mordida, porém não houve nada. Tentei virar meu rosto para cima para encara-lo. A lua clareou minha visão. E meu coração parou.

- Aleks — ele sussurrou.

Eu estava petrificado. Ele aproximou seu rosto do meu, o que só serviu para que eu tivesse mais certeza.

- Vladimir — foi a única coisa que consegui pronunciar.

Ele saiu de cima de mim. Senti quando ergueu meu corpo, mas estava estático demais para reagir.

- Faz onze anos — Ele falou olhando pra mim.

Recuperei minha capacidade de respirar. Olhei-o no fundo de seus olhos e sem conseguir me conter, o agarrei em um forte abraço. Ele me retribuiu ainda mais fortemente.

- Como você cresceu, Aleks.

Ele se afastou acariciando meus cabelos. Nos levantamos sem tirar os olhos um do outro. Eu nunca poderia esperar vê-lo novamente.

- E você não mudou nada – tentei soar o mais feliz possível.

Seu sorriso fraquejou um pouco. Aquilo também era difícil para mim, enquanto cresci, fiquei mais velho, ele se manteve exatamente o mesmo por onze anos. Vampiros não envelhecem.

- É — ele riu. — E nunca vou mudar.

Vê-lo dar de ombros me magoou um pouco, mas não havia nada que pudesse fazer.

- Mas afinal, — continuou — o que meu fiel ajudante está fazendo aqui?

Como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele me agarrou pelo pescoço e me deu um cascudo. Não pude deixar de rir e corar um pouco, ele realmente não havia mudado nada.

- Acabei ficando entediado em casa — respondi.

Ele sorriu e me surpreendi ao ver seus dentes de forma normal, desde que me imaginei de frente para um Vladimir vampiro, minha mente criou a imagem de dois caninos salientes no lugar dos normais. Me perdi em minha mente, sendo acordado somente quando senti sua mão em meu ombro.

- Aleks? — Me chamou.

Ao perceber para onde eu olhava, ele desviou o rosto. Vampiros não podiam corar, mas eu tinha certeza de que se pudessem, ele estaria corado naquele momento. Seu rosto mostrava uma expressão incomodada.

- Vamos? — Seu sorriso costumeiro voltou. — Eu tenho um abrigo aqui perto, e você deve estar cansado depois de uma noite de caminhada.

Assenti retribuindo o sorriso. Nenhum de nós falou sobre "esclarecer os fatos", mas nós dois sabíamos que quando chegasse o momento teríamos que contar para o outro o que esteve acontecendo.

Ele me guiou habilmente por todo aquele lugar. Chegamos a um beco sem saída, onde ele — quase me matando do coração — atravessou a parede. Tive que segui-lo, por mais assustador e estranho que aquilo fosse. Para minha surpresa, a passagem deu para outra clareira, como aquela em que estávamos antes, porém, está tinha marcas claras de uma fogueira e alguns livros pelos cantos, assim como algumas coisas estranhas.

- Sério isso? — Perguntei.

- O que? — Ele me olhou parecendo perdido.

Ri de sua postura. Me aproximei de um livro e o peguei.

- Então você continua praticando magia negra?

Ele se sentou, observando meus movimentos com seus olhos vermelhos penetrantes. Algo que percebi quando o vi, foi que seus olhos, que já eram vermelhos por nascença, ficaram com um tom ainda mais forte. Pareciam preenchidos sangue.

- Claro, porque largaria meu hobby preferido?

Sua postura estava relaxada, porém, percebi que ele estava atento a tudo que eu fazia. Larguei o livro em cima de uma pilha e sentei-me a sua frente, do outro lado da fogueira apagada. Como resposta para sua pergunta, acenei com a cabeça.

- Você só mudou por fora, não, Aleks? Não adiantou nada sua mãe te falar para perder essa mania? — Riu exageradamente.

Meu rosto voltou a se colorir de vermelho. Quando eu era pequeno, tinha a mania de acenar positivamente e negativamente em vez de responder adequadamente às perguntas que me eram dirigidas, minha mãe nunca aprovou isso, portanto as repreensões eram muitas.

- Não tem nada demais nisso! E eu não sou mais uma criança!

Devo ter feito uma feição infantil no momento, pois Vladimir começou a rir como se o mundo fosse acabar.

Meu coração se aqueceu ao ouvi-lo rir. Senti falta daquilo, achei que nunca mais o veria de novo e se o visse, não achei que estaria tão... humano. Eu era uma criança quando ele foi levado, entretanto minha memória daquele dia era clara como cristal. Seu corpo caindo no chão, o sangue se esparramando pelo piso. E agora, ele parecia vivo. Seu sorriso era ainda mais bonito do que me recordava e vê-lo daquele jeito — feliz, com um ar quase terno — fez meus sentimentos tolos e infantis voltarem à tona. Desde aquela época e agora mais do que nunca eu quero ficar ao lado dele. E dessa vez, eu quero ficar para sempre.

- Aleks? Aleksander?

Minha mente voltou para a realidade. Ele estava perto, muito perto. Um sorriso ainda adornava seus lábios, mas agora parecia mais brando.

- Você ainda é o mesmo desligado. Vamos descansar por agora, você está precisando.

Ele se sentou ao meu lado. Virei meu rosto para ele, captando maiores detalhes de sua face. Não havia marcas do tempo, sinais de cansaço, ou qualquer imperfeição. Ele havia congelado no tempo.

- Mas você não precisa dormir — comecei.

- Exatamente, mas você precisa — ele aproximou seu rosto ainda mais do meu.

Pude sentir seu hálito quente sobre meus lábios, o que me fez corar. Encolhi o corpo para trás, fazendo-o rir. Meu coração bateu a mil por hora.

- Boa noite, Aleks — ele se encostou em uma parede e me puxou, fazendo minha cabeça cair sobre sua coxa.

Me senti nervoso com aquele gesto, mas assim que senti suas mãos acariciando meus cabelos, meu corpo relaxou automaticamente. As noites que perdi de sono durante aqueles dias começaram cair sobre meus ombros, fazendo com que me sentisse subitamente cansado.

- Boa noite, Vlad.

Resolvi me render ao conforto que sentia naquele lugar. Senti que algo crescia em meu peito, a previsão que Lukas fez para mim há muito tempo poderia estar certa e eu não me arrependeria se ela realmente estivesse. Adormeci com o rosto de Vladimir em minha mente, os olhos vermelhos mais sedentos do que nunca.

Notas finais
Como foi? Espero que não esteja tão ruim quanto eu imagino (Infelizmente não consegui melhorar mais do que isso).
Tive que marcar o ponto de vista dos personagens, se não, acho que ficaria um pouco confuso, não? Não sei se isso é apropriado para um fic, espero que não seja tão errado.
Se tiver algo muito errado, por favor, me avisem, eu realmente gosto de críticas, sendo elas negativas ou positivas.