The End Of The Summer
16 The Freak and The Best Friend.
Notas iniciais
Os dias após a coroação de Eddard Stark foram borrões de tão agitados. Jon todos os dias ia e vinha atrás do pai, o ajudando com a futura viagem que faria para a Muralha. Ele o ajudava porque tinha esperanças que o pai o levasse junto, não queria ficar em Winterfell com Catelyn apenas. Antes da viagem, Ned receberia em Winterfell Tyrion Lannister e Petyr Baelish. Jon ouviu falar que Tyrion era a aberraçãozinha da família Lannister, e Petyr era melhor amigo da Senhora Catelyn.
Na ausência do pai, quem seria Senhor em Winterfell era Robb, esse era um dos motivos pelo qual Jon não queria ficar em Winterfell, não era porque ele sentia inveja, mas porque Robb era um filho legítimo e a Senhora Catelyn faria tudo o que desejasse. O senhor seu pai porém estava hesitante em levá-lo consigo para um lugar onde o frio varria todo o calor do coração de um homem, não queria que Jon visse os selvagens, e sentia medo do que poderia acontecer.
Jon todos os dias pedia ao pai e ao tio Ben para que eles o levassem, as vezes sentia que estava quase conseguindo convencê-los, mas então o tio lembrava Mance Rayder e Styr e o pai desistia. Certo dia na sala do pai, Jon contou ao pai porque não queria ficar em Winterfell em sua ausência, mas o pai o prometeu que nada o aconteceria, então Jon disse que Winterfell não era seu lugar, e gostaria de pertencer a uma família, aquilo magoo o pai profundamente, porque desde quando Jon chegou, ele tentava fazer com que ele fosse aceito.
Dias se passaram e o pai não chamava mais Jon para ajudá-lo com seus assuntos, então todas as manhãs Jon treinava no pátio com espadas e flechas, e pela tarde lia na biblioteca. Um certo dia, estava na sala de meistre Luwin e um corvo alvo chegou com um bilhete pequeno, meistre Luwin anunciou então que Petyr Baelish e Tyrion Lannister estavam muito próximos de Winterfell. Jon levou a mensagem ao pai. Depois de dois dias uma comitiva pequena de quarenta homens chegaram aos portões, todos estavam ali para receberem o irmão da Rainha e o Mestre da Moeda do rei.
Petyr Baelish era um homem mediano com cabelos curtos e castanhos avermelhados, vestia-se como um verdadeiro Lorde, com sedas e veludo. Mas Tyrion Lannister era muito diferente do que Jon pensava, era anão sim, mas suas pernas eram atrofiadas e seu rosto animalesco, seus olhos tinham cores dispares, um verde profundo e o outro preto diabólico. Ele andava cambaleante, mas se vestia de uma forma elegante. Quando passava todos os olhares o acompanhava.
— Sejam bem-vindos. — Disse Ned. — Imagino que estão cansados da longa viagem.
— Claro que sim. — O Duende respondeu. — Mas antes de descansar, adoraria tomar um vinho quente, o Norte não foi feito para os sulistas não é?
— Sim. — Ned respondeu secamente. Jon percebeu que o pai não tinha afeição por nenhum Lannister, mas aquele homenzinho parecia diferente dos gêmeos, não tinha uma feição desdenhosa, e parecia se divertir. — Petyr. — Ned se dirigiu ao Mestre da Moeda. — Se incomoda se conversarmos agora? — Perguntou hesitante.
— Sim, antes preciso ver Cat, faz muitos anos. — Sorriu cordialmente. Ned anuiu com a cabeça e pediu para que levassem a comitiva para dentro e os alimentassem.
O castelo estava cheio de pessoas, a comitiva do rei, e agora a que viera junto com os dois novos visitantes. Depois de tomar o vinho quente Tyrion foi levado para ver os irmãos, mas ficou tão pouco tempo no quarto da torre, que Jon achava que nem tinha entrado. A situação da rainha e de seu gêmeo vinha piorando, ela não aceitava Ned como rei, muito menos Jaime, que achava uma afronta com a Casa Lannister.
Naquela noite o festim aconteceu pela chegada do melhor amigo de Catelyn, todos os filhos legítimos estavam sentados no estrado elevado. Cat ria e conversava com Petyr como Jon nunca havia visto, Ned estava um tanto desconfortável e deslocado, ali não havia assunto para ele. Jon percebeu que o pai estava um tanto pensativo, e viu que Petyr olhava furtivamente para Sansa que era uma cópia um tanto perfeita de sua mãe, se não fosse os cabelos acaju e o formato da boca, Sansa seria a Senhora Catelyn mais nova. Observando bem, Sansa tinha cabelos da mesma cor do cabelo de Petyr, o formato do rosto também parecia bastante com o dele. Mas o que deixava Jon mais inquieto não eram suas semelhanças, era a forma que Petyr olhava para Catelyn e Sansa, ele tinha amor nos olhos. Seu pai também parecia notar isso, pois todos os momentos olhava de Sansa para Petyr, e tinha uma ruga na testa que fincou ali e não saia.
— Posso me sentar? — Uma voz forte soou perto de Jon, quando olhou para o lado, um par de olhos desiguais o olhava. Ele afastou para que o Duende sentasse entre ele e um guarda que contava uma história obscena. — Você é Jon Snow? O bastardo do honroso Eddard Stark? — Perguntou pegando uma taça e enchendo-a de vinho com especiarias.
— Sim. — Jon disse e baixou os olhos.
— Sabe Jon, eu me assemelho muito a você. — Disse dando uma golada no vinho. — Meus irmãos são perfeitos, bonitos, grandes, tudo que meu pai quis, e eu sou assim, a aberração dos Lannister. Todo anão é como um bastardo para o pai, e eu mais ainda, eu matei minha mãe para passar essas pernas tortas. — Jon olhou para o pequeno homem, e sentiu-se apiedado por ele. Ele não era um bastardo de Lannister, mas era uma aberração dos deuses.
— Pelo menos você se senta no lugar de honra da sua Casa, você tem um sobrenome de Lorde. — Jon disse com magoa na voz. Nunca havia reclamado de ser bastardo, mas sentia-se mal por estar em uma família em que nem podia usar o sobrenome.
— As vezes é melhor não ser reconhecido pela própria família, do que ser chamado de “Aberração Lannister. — Dizendo isso piscou um olho. Jon gostou do homem, era humilde e tinha um jeito de falar que inspirava diversão.
Jon olhou então para o estrado principal quando seu pai se levantou e se retirou, alguma coisa havia acontecido, a Senhora Catelyn olhava para ele se afastando, e Petyr tentava tomar sua atenção. Sansa olhava do pai para a mãe. Catelyn se levantou e foi atrás do marido, mas ele não a esperou quando ela chamou seu nome, apenas continuou andando. Jon sabia para onde o pai ia.
— Me dê licença senhor. — Disse para Tyrion que acenou com a cabeça. Se levantou e se esgueirou para fora do salão silencioso, precisava saber o que acontecia.
Fale com o autor