Notas iniciais
Sansa Stark/Snow, capítulo vigésimo.

Lá estava uma comitiva de cerca de setenta homens que viajariam até a Muralha. Lorde Stark, Jon e mais alguns fidalgos do rei. Alguns se despediam de suas famílias, e Lorde Stark se reuniu com seus filhos, os legítimos e Sansa. Jon estava parado ao lado de Sansa com o braço passado por cima de seus ombros. Ele nem havia ido e Sansa já sentia falta dele, os dois haviam se tornado tão amigos quanto o rei Robert era de Lorde Stark.

— Espero que volte em uma quinzena. — Lorde Stark declarou. Olhava ternamente para Catelyn. — Mandei um corvo até Meereen, Daenerys Targaryen reviveu dragões, se proclama rainha, estamos encurralados, duas guerras... — Balançou a cabeça e olhou para Robb, quem o substituiria enquanto estivesse na Muralha. — Se chegar respostas, me mande um corvo imediatamente. — Robb anuiu com a cabeça, e então começaram as despedidas dos Stark. Lorde Stark deu um beijo em cada um de seus filhos e em Sansa, disse que amava cada um deles, e se despediu carinhosamente de Catelyn, Jon seguiu seu pai, e se despediu de seus irmãos, de Sansa e da senhora Catelyn, esta depositou um beijo em seus cabelos cacheados e lhe desejou boa sorte.

— Não queria que você fosse. — Sansa foi até Jon, que estava selando seu cavalo. — Você sabe o que está acontecendo para lá da Muralha?

— Sim. — Jon respondeu seco. — Mas não se preocupe, não ficarei, voltarei a Winterfell, meu lugar é ao lado do meu pai. — Ele disse e olhou para Sansa, beijou sua testa e subiu em seu garanhão. — Te contarei como são os selvagens. — Dizendo isso, Jon cavalgou até acompanhar o resto da coluna.

O resto do dia se passou calmo. E uma semana se passou mais rápido do que Sansa podia imaginar. Robb corria para lá e para cá com problemas do povo do Norte. Homens de toda parte chegavam com selvagens que haviam ultrapassado a Muralha e estavam tentando chegar ao Sul. Robb estava tão cansado daquilo que parecia ter envelhecido trinta anos. Catelyn também ajudava muito, estava sempre a disposição para escutar as queixas, e resolvia o problema da fome e algumas pessoas pediam proteção no castelo.

Robb acabou apreendendo mais um grupo de quinze selvagens que tentavam saquear uma casinha na Vila de Inverno, eles foram presos em celas escuras por baixo de Winterfell, mas Varamyr disse que estavam apavorados, e provavelmente só queriam seguir para o sul em paz. Raramente Robb não estava com Varamyr, eles conversavam a todos os momentos, Varamyr tinha virado uma espécie de conselheiro para Robb. Mas Sansa não gostava dele, na verdade tinha medo quando ele entrava na pele de sua águia, ele revirava os olhos e sua visão ficava nublada.

Um dia quando Sansa estava no Bosque Sagrado, Varamyr se sentou ao seu lado, ela se afastou do selvagem, e ele apenas sorriu, sábio, e disse a ela que o mal estava vindo, mas que Lorde Stark era o inverno em forma de homem, e que não admitiria que ninguém do reino fosse ferido. Sansa achou que o homem tinha razão e acenou com a cabeça enquanto se retirava do Bosque. Por mais que ele não demonstrasse perigo, ela tinha um certo receio, ninguém podia ser capaz de se tornar outra coisa.

Muitos dias se passaram, muito mais que uma quinzena. Sansa sentava-se todos os dias em sua janela e olhava para os portões de Winterfell, esperando que a comitiva voltasse. Mas aquilo nunca acontecia. Sansa sentia que alguma coisa muito ruim estava acontecendo, mas não queria se preocupar antes da hora.

Certa manhã quando estava sentada em sua janela viu dois corvos chegando a janela da sala de meistre Luwin, ficou curiosa para saber se eram cartas de Jon ou de seu pai, ou até mesmo da Rainha Daenerys. Sansa tinha fantasiava sempre com a rainha, nunca havia visto um Targaryen, e nunca havia visto um dragão. Querendo descobrir de quem eram as cartas, Sansa se levantou e foi correndo para a sala de meistre Luwin. Quando chegou bateu a porta e escutou um breve “Entre”, ela viu meistre Luwin abrindo uma carta, ele olhou para cima e sorriu para Sansa, apontou para a cadeira a sua frente. Sansa se endireitou e se sentou, agora que estava ali se sentia envergonhada com sua curiosidade.

— O que deseja filha? — Meistre Luwin disse sem tirar os olhos da carta, mas com muito doçura.

— Vi quando os corvos chegaram, estou esperando cartas de Jon. — Sansa disse rápido, atropelando as palavras.

— Então está com sorte. — Ele disse sorrindo e entregou a Sansa um pequeno pedaço de papel. Sansa abriu um sorriso grande.

Na carta estava escrito que tudo estava bem na Muralha, e que logo eles voltariam com boas notícias. Sansa olhou para meistre Luwin com um sorriso gigante, logo estariam de volta. Mas seu sorriso morreu logo ao ver a expressão do meistre, havia um vinco profundo do meio de suas sobrancelhas que não deixavam dúvida de que o conteúdo da outra carta não o agradava tanto. Sansa se moveu até as costas do meistre e leu o conteúdo da carta. Teve que se segurar para não cair, não acreditava no que lia, mas ali estava.

Quando todos estavam reunidos no grande salão, Robb entrou com passos pesados, seus ombros se curvavam para frente, parecia que carregava o mundo ali. Se dirigiu até o estrado principal. No grande salão se encontravam todos, a rainha Cersei, seu irmão Jaime, alguns lordes vassalos da casa Stark, todos da Vila de Inverno, Varamyr e seus companheiros selvagens. Sansa temia a reação das pessoas, sabia que o conteúdo da carta seria anunciada por Robb, e que talvez não agradasse metade daquela gente.

Robb impôs sua voz, e o burburinho de conversas cessou.

— Recebi uma carta essa manhã, enviada do outro lado do Mar Estreito, não tenho estômago para enrolações, Daenerys Targaryen está retornando a Westeros, com três dragões, e um exército de quarenta mil homens.

O silêncio se tornou gritaria em menos de meio segundo, a rainha Cersei ficou atônita, abriu e fechou a boca por vários minutos, seu irmão Jaime se levantou e protestou. Robb mandou que os dois fossem levados de volta a seus aposentos. Westeros agora tinha quatro reis declarados, e duas guerras a caminho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.