Notas iniciais
Eddard Stark, capítulo oitavo.

A comitiva do Rei estava a caminho e Eddard Stark se sentia cada dia mais ansioso para rever seu grande amigo Robert, mesmo que sua Rainha fosse a mulher mais intragável que ele havia conhecido em sua estada em Porto Real a alguns anos atrás. Cersei Lannister mantinha sempre uma expressão de desdém no rosto, nunca se sentava com o Rei, e Eddard sabia que ela só havia se casado com Robert por interesses de sua família.

Pela manhã Eddard estava pensando em como reconciliar-se com Catelyn para que ela pudesse ajudar nos banquetes e nas organizações dos quartos, ele queria que tudo estivesse perfeito para quando o Rei chegasse. Foi até a cama onde Catelyn dormia nua, e tocou seus cabelos, deitou ao seu lado e ficou ali a observando até ela despertar.

- Bom dia querida. — Ned era um homem duro e frio, mas se tratando de Cat ele não hesitava em ser carinhoso, sempre que tinha chance fazia alguma coisa especial para sua amada. Em uma manhã ele acordou cedo, antes mesmo do Sol, e foi até as cozinhas pegar o desjejum da esposa. Sempre que tinha a chance levava flores até ela, ou a presenteava com joias trazidas do outro lado do mar.

- Ned. — Catelyn se espreguiçou e o beijou nos lábios. — Acordou tão cedo.

- Estou preocupado com os preparativos para o Rei, quero que as coisas sejam boas. — Ele observou a expressão no rosto de Catelyn, queria que ela se animasse e o ajudasse.

- Ned você sabe que não estou bem para preparar nada...

- Cat, por favor, eu estou te implorando, não me culpe pelo Jon ele não tem pra onde ir, ele é meu filho, não te peço que você aceite-o como filho, porém preciso de sua ajuda com a visita do Rei. — Cat havia levantado, vestido um casaco de peles, e firva o céu lá fora pela janela.

- Ned, você entende o porque da minha chatiação, Jon não é meu filho, mas mesmo assim ele anda, come, e dorme junto com as minhas crianças. Ele se parece muito com você, e me dói mais ainda saber disso, saber que ele realmente é sua sêmente. — Ned se dirigiu até Catelyn, se ajoelhou e e pegou sua mão, ela o olhou e Ned pôde ver que a mulher estava triste e magoada.

- Meu amor, Jon não ficará aqui por muito tempo, e agora eu preciso de você. — Ned beijou a mão de sua mulher, e ela se inclinou para encostar seus lábios na testa dele. Alguém bateu a porta, e Catelyn levantou o olhar para a porta.

- Entre. — A porta se abriu e Ned viu Meistre Luwin a porta, com uma carta na mão.

- Lorde Stark, uma carta da Muralha. — Disse abrindo-a. — Diz que um desertor foi pego, o homem foi mandado para-lá-da-Muralha com alguns patrulheiros, e voltou correndo, atravessou a Muralha, e correu para o Sul, patrulheiros em cima da Muralha o viram, e mandaram que ele fosse preso, estão trazendo ele à Winterfell para que o Senhor do Norte o sentencie.

- A que horas está prevista a chegada dos homens? — Ned perguntou a Meistre, que leu no papel.

- Talves uma hora ou duas antes do anoitecer.

- Na carta diz se Benjen vem com eles? — Ned perguntou.

- Não diz nada sobre seu irmão Senhor.

- Obrigado Meistre. — Dizendo isso, o Meistre entendeu que Ned gostaria de ficar a sós com sua esposa, se inclinou numa reverência e fechou a porta.

- Viu? Preciso mais ainda de sua ajuda agora. — Disse Ned sorrindo para Cat, tentado persuadi-la a ajuda-lo com a festa da chegada do Rei.

- Não há nada que eu não faça por você. — Catelyn se levantou, foi até seu marido e lhe deu um beijo, começou a se vestir para sair do quarto.

Mais tarde naquele dia, os homens da patrulha chegaram com o desertor. Primeiro Ned ofereceu comida e vinho aos irmãos negros, a viagem era longa da Muralha até Winterfell. Mesmo assim Ned ainda não entendia o porque de trazerem o desertor até ele, sempre que algum homem da patrulha rompia seus votos, os próprios homens da patrulha eram quem cuidavam do julgamento e da sentença.

Os homens da patrulha se banquetearam no refeitório, e depois que a comida havia acabado todos se dirigiram até o pátio, onde o desertor estava encapuzado e preso numa pilastra.

- Tirem o capuz. — Ned pediu aos homens da patrulha. Um alto e atarracado foi até o homem e retirou o capuz. Ned não acreditou no que viu, deu dois passos pra trás, e ficou paralisado. O homem desertor era Benjen Stark, seus olhos estavam vermelhos e inchados, como se tivesse levado murros e já estava melhorando, por todo seu rosto haviam machucados, e suas roupas estavam rasgadas. — Esse... é...

- Ned eu juro, não sou um desertor, eu viria até aqui te contar o que vi para-lá-da-Muralha, mas esses idiotas me pegaram e não me reconheceram por conta dos machucados. Ned, vocês precisam deixar Winterfell, o mais rápido possível.

- Soltem meu irmão. — Ned ordenou aos homens da patrulha, eles logo trataram de se desculparem. Levaram Benjen direto para a sala de Meistre Luwin, onde seus machucados foram tratados, depois Benjen foi levado até a sala de banhos. Quando já havia se limpado e vestido, Ned pediu para que ele fosse levado até sua sala de reuniões.

Benjen entrou, e Ned o saudou e pediu que se sentasse na cadeira que estava a sua frente.

- O que você quis dizer com sair de Winterfell? — Aquilo estava afligindo Ned.

- Caminhantes Brancos, eles existem e eu lutei com um, tive sorte de ter encontrado obsidiana, mas Dick Imberbe não teve tanta sorte assim. — Aquilo fez Ned ficar mais inquieto ainda. Seu irmão não mentiria sobre algo tão sério, mas era impossível Caminhantes Brancos ainda existirem.

- Você tem certeza Benjen? — Ned não queria acreditar naquilo.

- Sim... — E começou a revirar nos grandes casacos de pele, quando achou aquilo que procurava, levantou e foi até o outro lado da mesa, colocou um pedaço de obsidiana na frente de Ned, para que ele visse.

- O que faremos? — Ned perguntou ao irmão.

- A Muralha talvez não resista, por isso digo que vá para longe do Norte. — Ned sabia que o irmão queria seu bem, mas deixar o Norte estava fora de cogitação.

- Não sairei de Winterfell, lutaremos irmão.

Notas finais
Estarei escrevendo outra fic, com personagens originais!