Notas iniciais
E ai galera:

Trazendo agora o primeiro capítulo dessa eletrizante temporada. Espero do fundo do coração que vocês gostem.

CIDADE DE PIQUET. 17HRS03MIM

Nunca se tinha visto a cidade tão quieta ou silenciosa desde que fora criada. Antes, a paisagem era preenchida por terras recheadas de animais, árvores e plantas. agora, o que se via era grandes prédios, carros e... Deveria ter pessoas, mas não tinha. A cidade estava morta, sem movimento. Os veículos que andavam nos asfaltos e ocasionavam acidentes agora se encontravam parados em ruas e estacionamentos, acumulando poeira a medida que o tempo passava. Os prédios, antes cheios de pessoas trabalhando e se estressando, agora ficavam vazios, maltratados com o tempo. Mas quando se diz 'vazio', se refere a pessoas vivas, e não aos mortos que andavam de um lado a outro, seus corpos em decomposição exalando um terrível cheiro de carne podre. Os gemidos era a única música que existia — se é que isso pode se chamar de música — enquanto procuravam por um único objetivo: carne, carne humana fresca.

Os jornais voavam ao céu, de vez em quando pousando no chão, onde um artigo datado a duas semanas atrás dizia: Agora os números dos assassinatos do presidentes das Industrias Marck no Brasil sobem para quatro. Ainda não se sabe o porquê das mortes. Especula-se... O resto do artigo estava rasgado. Outros jornais ainda estavam em seus mostruários, perdendo a cor por causa do sol, enquanto seu artigo de capa datado a uma semana atrás dizia: Não se sabe ao certo que tipo de doença o país está sendo atingido. Informações dizem que a doença está se espalhando rapidamente pelo país, causando milhões de morte. O Brasil está em quarentena, sem qualquer contato com outros países, incluindo viagens de avião e navio. Qualquer pessoa que tentar sair do país será morto ao ser descoberto. Isso está assustando a todos os brasileiros, revoltas e protestos violentos acontecem todos os dias... O resto do artigo estava dobrado. Se ainda tinha alguém vivo na cidade, não se arriscaria a sair andando por ela. Não era só em Piquet, Mas todo o país estava morto.

O barulho do motor forçando as engrenagens a funcionar era a única coisa que quebrava o silêncio da cidade. O sol já estava se escondendo no horizonte, seus raios amarelos pintando o céu como se fosse uma obra de arte, os primeiros ventos frios da noite o obrigando a fechar a janela do carro. O bairro ao qual passeava estava livre de zumbis, o que era algo agradável. Pelo menos ele poderia procurar uma casa mais tranquilo, sem que um desses anormais tentasse morder sua bunda. A casa ao qual ele agora para em frente parecia ser de uma família mediana, com flores mortas no jardim, folhas secas das árvores voando em frente a porta, e cerca de madeira ainda em pé. Alan Estaciona o carro, sempre facilitando a saída caso acontecesse algum imprevisto. A mochila no banco do passageiro se move quando ele a puxa pela alça, e ao sair do carro, ele sente o peso da bolsa.

Tirando a pistola PT 917, Alan a aponta para a porta á sua frente, o cano de 103 mm ameaçando a peça de madeira, a medida que ele passa pela cerca e sobe nos três degraus. O tapete verde com a frase "bem-vindo" fica embaixo de seus pés, que levanta poeira quando ele pisa, a porta rangendo por falta de óleo nas dobradiças quando a empurra, e logo ele se encontra dentro da casa. A sala continuava organizada, o sofá de frente para a TV CCE de 42p, vasos bem trabalhados em cima dos móveis que decoravam a casa, a cozinha com o balcão americano dividindo o complexo e melhorando o ambiente. A única diferença era a poeira, que fazia uma camada grossa sobre as coisas, matando as cores vivas e substituindo-as por cores mortas. Alan continua com a PT 907 erguida, ele não queria ser surpreendido por um zumbi, o que acontecia com certa frequência. Depois de vasculhar a sala e a cozinha, ele sobe as escadas e logo encontra um quarto, com uma cama de casal no meio, escrivaninha com um abajur ao lado, livros de assuntos que definitivamente não o interessava jogados na parte de baixo, um banheiro ao lado direito e um grande guarda roupa com peças limpas. Os outros quartos eram dos filhos, a julgar pelos brinquedos jogados e espalhados pelo chão, nada de importante. A casa estava limpa, sem zumbis, e era naquela residência que ele iria passar a noite.

Alan volta a cozinha, sua arma agora abaixada, mas ainda em mãos, e abre a geladeira, que continha uma caixa de leite aberta, algumas maçãs entrando em putrefação, água e três latas de cervejas. Pelo menos tinha cerveja. Ele recolhe as bebidas e vai ao armário. Duas latas de feijão, três de feijoada, arroz, macarrão e mais coisas inúteis para ele.

Alan recolhe as latas, deixando duas de feijoada em cima do balcão, pega uma pequena panela ao qual molha rapidamente para tirar a poeira, liga o fogão e esquenta a comida. Depois, pega uma colher, leva a mesa, senta na cadeira e leva primeira colherada á boca, acompanhada de um gole de cerveja. Desde que aquilo começou, ele ficara sozinho, afinal, estava sendo pago para isso, e a missão ao qual tinha em mãos era, poderia se dizer, a mais importante de sua vida. Após o termino de sua janta, ele deixa a panela em cima da mesa — ninguém o iria obrigar a lavá-la mesmo — e sobe as escadas. Entrando no quarto, ele gira as chaves, a peça trancando, se dirige a cama, tira suas botas e as meias. Seus pés estavam doloridos, o obrigando a massageá-los, e logo após, ele tira a sua camisa, seu coldre e vai ao banheiro.

A água fria na pele o fazia se sentir melhor, lavando-o de qualquer sujeira existente, o cheiro do sabonete relaxando seus músculos. Após o banho, Alan vai ao roupeiro e procura alguma roupa do seu tamanho, que por sorte encontra, e volta para cama. Ao abrir a mochila, ele tira um porta-retratos, olha a foto por alguns momentos e a coloca na pequena cômoda ao lado. A mulher na foto ao seu lado tinha uma bela aparência, os cabelos castanhos que se enrolavam nas pontas cobrindo seus ombros, o sorriso dos dois indicando que eram felizes. Logo embaixo, uma mensagem colorida dizia: Com amor, Tifany. As lembranças de sua briga com a amada o perturbava cada vez que ele olhava aquela foto, mas era a única coisa que restava dela. A causa da discursão era que ele não a dava atenção, ficava viajando demais por causa do trabalho — ao qual ela nunca descobriu o que ele realmente fazia — e blá, blá, blá. Um dia depois ele fora chamado novamente pelo seu chefe, dizendo que tinha uma missão importante, e assim ele saiu as pressas de Dep Iraplan. Três dias depois ele soube que a cidade tinha sido destruída, e com certeza Tifany não tinha sobrevivido. O real motivo para ele ser chamado era realmente esse, sair da cidade antes que fosse tarde demais. Seu chefe sabia o que aconteceria a Dep, e não poderia perdê-lo tão facilmente. Agora estavam juntos, trabalhando em algo maior: Derrubar as Industrias Marck, a responsável por liberar a bactéria Kansus, o que dizimou o Brasil. Alan jurou destruir as Industrias Marck, acabá-la por completo. E cada dia esse desejo estava próximo de se realizar.

Pegando um transmissor estranho, ele aperta um botão, o holograma de um homem aparecendo.

Vejo que está bem. — Fala o homem.

— Sim, Dr. Hoje tive a sorte de encontrar uma casa adequada. Não vou precisar dormir no carro. — Responde Alan.

Que bom. Ainda está com a encomenda?

— Estou, seguro como sempre.

Ótimo, mais alguns dias e poderemos nos ver. Aguardarei sua chamada amanhã.

Certo.

O holograma desaparece, deixando Alan novamente a só. Mais alguns dias, e tudo aquilo iria acabar. Deitando na cama, Alan adormece com a única coisa que o conforta: As lembranças com Tifany Watson.

[...]

Alan acorda com um pulo da cama, já erguendo a sua pistola, antes debaixo do travesseiro. Alguma coisa estava dentro da casa, fazendo barulho nas panelas e percorrendo o corredor. A residência estava escura, as nuvens pesadas derramava uma chuva grossa, acompanhada por relâmpagos e trovões a medida que o frio penetrava seus ossos. Ele rapidamente se veste, pega sua mochila, guardando o retrato de Tifany, e se dirige a porta, abrindo-a vagarosamente. Uma rápida olhada e ele avista um ZM — abreviação de zumbi mutante. — Aquele nome era idiota, mas ele não tinha muita criatividade e ninguém estava lá para rir dele, então que se dane, pensava ele. O nome agora não importava, o mais importante agora era sair daquele quarto o quanto antes, e foi isso que o fez se mover rapidamente, passando pela porta. O ZM olha ferozmente para Alan, soltando um grito assustador, mas antes de se mover, sua cabeça explode com a bala que entra em seu crânio, seu corpo pendendo para trás.

Descendo rapidamente pela escada, ele penteia a sala com a arma, até encontrar com o olhar de outro ZM, um pouco a frente do balcão da cozinha. Alan pressiona o gatilho duas vezes, as balas voando em direção do anormal, que desvia como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

— Merda, é um dos evoluídos!

Pressionando o gatilho mais uma vez, a PT 907 cospe o projétil, mas o anormal pula em um salto incrível.

Pousando bem em sua frente.

Alan arregala os olhos e mira na cabeça do ZM, mas o tal é mais rápido e se abaixa, a bala passando entre seus fios de cabelo, pegando Alan pela camisa. Girando seu corpo, o anormal lança Alan contra a porta, que se arranca com a pancada, pousando em cima de um zumbi, o humano girando na lama gelada. Alan tenta normalizar sua visão, no momento em que um zumbi chega perto de si, ele mal mirando e acertando a cabeça do anormal, explodindo em um show de massa cefálica podre.

Ele rapidamente se ergue, suas roupas molhando com a chuva, riscos de água formando em seu rosto, a medida que começa a correr para o carro, o uivo do ZM logo atrás de si. Dando uma rápida olhada ao seu redor, ele percebe que a situação não estava nada bem. Ele estava no meio de uma horda de zumbis, que brotavam de todos os lados, seus gemidos o fazendo correr o máximo que pode. Ao chegar no veículo, Alan abre a porta, explode a cabeça de um zumbi próximo, joga a mochila no banco do passageiro e entra, fechando o carro.

Ele gira a chave, o carro roncando, no momento que a janela do passageiro explode, a mão do ZM junto com a metade da cabeça forçando o resto do vidro. Alan engata a ré, os pneus cantando no asfalto, a medida que o veículo ganha velocidade. O anormal grita, sua baba cor sangue saindo de sua boca, até seu corpo do lado de fora se encontrar com um carro parado na rua. A pancada é forte, o anormal se quebrando e desistindo do carro, seu braço se arrancando e caindo em cima da mochila. Os corpos dos zumbis batem bruscamente no carro, sangue se misturando com a água da chuva . Alan só acelera, seu corpo em adrenalina, não levando em conta que até agora ele dirigia em ré sem conseguir ver nada.

Até seu carro bater violentamente em outro.

A traseira sobe ao céu, em uma altura considerável, pedaços do veículo voando enquanto o mesmo cai de lateral. O carro gira, uma, duas vezes, e finalmente para, ficando novamente em pé.

Mas em meio a horda de zumbis.

Alan estava zonzo. Muito zonzo. Ele não sabia onde estava, ou o que tinha acontecido. Ele só via vultos de mãos sem carne e gemidos o tentando agarrar, sangue escorrendo de sua testa. Sua arma estava... sabe-se lá onde estava, e a única coisa ao qual tinha como defesa era... nada. Tinha chegado o fim dele? E a promessa de acabar com as Industrias Marck? Ele não poderia morrer. Não ali.

— Quem estiver no carro, se abaixa!

Por deus, os zumbis agora falam? Sem pensar direito, ele abaixa. O resto dos vidros do carro explodem, projéteis passando pelo alto de sua cabeça, o ensurdecedor som atingindo seus tímpanos, os zumbis caindo e deixando o carro mais livre. passando-se segundos, a porta do veículo abre e um braço repentinamente puxa Alan. Ele estica o braço para pegar a mochila, não a alcançando, falando só "minha mochila, preciso dela", mas sem resultados.

— Ele está bem! Vamos levá-lo!

De quem era essa voz? sua visão ainda estava turva, ele só conseguiu distinguir que era um homem, não, três, contando com os dois que não paravam de atirar. O homem que o pegou o arrasta até um veículo, repetindo a frase "você vai ficar bem", enquanto o coloca no banco de trás do carro, ele apagando em seguida, com um só pensamento: não está nada bem, não enquanto eu não estiver com a mochila.

Notas finais
Esse foi o capitulo. Gostaram? Não? Precisa de algo? Por favor, comentem, suas opiniões serão importantes.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.