The End
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
O clima na casa estava o mais pesado possível. Tio Jasper era o que mais sofria porque não só sentia a própria dor mas a dor de todos ao redor.
O mundo dos Cullens tinha virado de ponta cabeça nos últimos meses, Alice não conseguia previr seu futuro logo não tinha como eles saberem que isso ia ocorrer. E mesmo assim, se soubessem só ia adiantar o sofrimento, não é como se tivesse alguma solução ou remédio milagroso. Nessie tinha aceitado sua morte, estava até em paz com isso mas o resto da família não.
Desde a vinda do meio vampiro brasileiro como prova para os Volturis, os Cullens estavam despreocupados em relação a Nessie, todo mundo achava que ela ia alcançar seus vinte anos, parar de envelhecer e virar imortal, mas não foi isso que aconteceu.
Ser meio vampiro meio humano teve uma consequência que eles não estavam contando, Carliste tinha contado que era como se suas células estivessem brigando entre si, uma querendo assumir a outra parte. No caso do brasileiro Nahuel as células vampiras ganharam e ele virou imortal, já no seu caso foi as humanas e isso teve um custo. Ela agora tinha uma espécie de câncer, basicamente era seu último pedaço vampiro tentando sobreviver e destruindo tudo ao redor. Um câncer tão específico que nenhum tratamento deu resultado, e agora seu corpo começava a definhar.
Sua mãe parecia morrer junto a cada dia e seu pai sofria por ver a família sendo destruída pouco a pouco. Jake... ela não queria nem pensar em Jake, ele praticamente não saia do seu lado da cama e ela tinha que lembrá-lo constantemente que ele precisava comer, que precisava estar vivo. Jake tinha desistido da vida, e ela sabia que quando se fosse ele acharia uma forma de ir junto.
Isso que era o pior, ela estava bem em morrer mas não queria que outros morressem junto. Jake se mataria, sua mãe também, por consequência seu pai e depois cada um dos Cullens. Não, esse não deveria ser o final da sua família. Depois de tantos obstáculos não era assim que a família Cullen tinha que acabar.
Mas no final, tudo tem um fim correto? Tudo nasce, cresce e morre, então em algum momento até mesmo vampiros teriam que chegar ao fim. É um fato, mas não por isso deixa de ser menos depressivo.
Ela nunca estava só no seu quarto que agora tinha sido transformado em uma espécie de enfermaria, sempre alguém da família estava lá a acompanhando. Nessie sentia as forças se esvaindo, uma questão de tempo. Sim, só uma questão de tempo.
Não era essa a última memória que ela queria ter, onde cada Cullen estava imerso na própria dor. Não, ela queria ver todos felizes, todos sorrindo e o amor emanando. Engoliu seco e com a voz arrastada pronunciou:
— Mãe...?
Foi tão baixo que um humano não teria ouvido, mas em uma casa de vampiros rapidamente os olhos se viraram para ela.
— Oi meu amor, como você está? – sua mãe perguntou com os olhos doces
Seu pai dizia que a mãe antes da transformação tinha a cor dos olhos exatamente como ela, chocolate derretido. Mas Nessie não conseguia imaginar isso, para ela sua mãe simplesmente combinava com olhos dourados.
— Mãe, podemos ir pra praia? – ela se esforçou mas por fim conseguiu sussurrar as palavras que precisava.
— Agora minha querida? Não é melhor quando você estiver melhor?
Nessie olhou para ela com os olhos suplicantes, não queria continuar nesse quarto, presa a uma cama.
— Por favor....
Sua mãe só pode assentir, em velocidade os Cullens se arrumaram, seu pai a segurou no colo com a maior gentileza que ele podia
— Tudo bem, pequena?
— Sim – murmurou
Podia ter crescido, mas ainda gostava dos carinhos dos pais.
Os Cullens tinham conseguido uma liberação de La Push, graças a Jacob, e eles puderam leva-la até lá e se sentaram em uma parte deserta da praia.
— E agora? – tio Emmett perguntou – o que quer fazer?
— Agora? Agora quero só ver o mar
Nessie não conseguia mais ficar em pé então só restava olhar o mar. Ela gostava do som das ondas batendo na areia. Era assim que ela queria terminar o dia, só olhando o mar e sentindo a família ao redor.
Fechou os olhos e respirou o mais fundo que podia. Era isso, era assim que tinha que ser, tudo começou com um Crepúsculo e agora iria terminar exatamente em outro crepúsculo de frente ao mar. Por fim depois de alguns minutos ninguém mais conseguia ouvir um coração bombeando sangue naquela praia.
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