The End

1 O começo do fim


Notas iniciais
Sei que o título não é muito criativo. Porém quando tive que pensar em um não houve outro que talvez pudesse descrever esse pedaço de história que surgiu e se desenvolveu a partir de uma cena que veio em minha cabeça. A música que brotou essa ideia na minha cabeça e que de certa forma regeu cada linha dele é When the party's over, da Billie Eilish. Recomendo muito ouvirem a música durante a leitura. Assim como The Pain, ela é o tipo de one que se passa no momento,e não chegar a dar detalhes passados de como chegou nesse determinado momento.É pedaço de uma cena de história Enfim, espero que gostem e me digam o que acharam.

Eu sabia o que viria a seguir assim que passasse por aquela porta. Sabia que, novamente, ele me encheria de beijos que fariam minha pele se arrepiar e meu coração bater acelerado. Sabia que exibiria um sorriso no rosto ao mesmo tempo em que me elogiaria, para minutos depois transarmos novamente.

E, no fim, iria embora, deixando-me sozinha com as minhas dores, mágoas e lágrimas. Sendo ele o motivo de todas elas.

O que piorava depois de fingirmos, no dia seguinte, que aqueles encontros nunca haviam acontecido. E então, algum tempo depois, tudo seria exatamente igual. Edward chegaria me dando um daqueles beijos de tirar o fôlego, subiríamos para o meu quarto e, antes das duas da manhã, ele iria embora prometendo voltar no dia seguinte. Exatamente como seria naquela noite.

— Só depende de você. — ouvi minha voz rouca soar enquanto encarava minha visão miserável no espelho. Um espelho que refletia o vazio dos meus olhos castanhos e os ossos da minha clavícula, onde, naquela noite, ele havia depositado inúmeros beijos antes de me tomar para si. Meus cabelos ainda permaneciam molhados, deixando evidente o banho recente, durante o qual permaneci encolhida antes de finalmente lavar o corpo.

Deus! Como eu ainda permitia que esse homem acabasse comigo dessa forma?

Toquei o espelho e me lembrei de quantas vezes ele fora testemunha das minhas lágrimas, dos meus choros e dos meus sorrisos bobos, antes que eu percebesse a vala em que havia entrado ao aceitar aquela situação.


Mas o nada é melhor, às vezes


— Bella, está tudo bem? — ouvi a voz dele soar alta e preocupada. Fechei os olhos ao sentir lágrimas rolarem pelo meu rosto. Eu precisava fazer aquilo. Pelos meus pais e por mim. — Bella?

— Já estou saindo. — disse, enxugando as lágrimas. Respirei fundo antes de dar passos lentos até a porta, sentindo meu coração bater velozmente no peito.

Abri a porta e vi Edward deitado confortavelmente na minha cama, vestido apenas com uma cueca branca e, pela primeira vez em dois anos, não senti desejo algum. Ele me olhou, deixando o celular de lado e erguendo as sobrancelhas.

— Mesmo? — indagou.

Sem ao menos pensar, meus pés andaram em sua direção enquanto meus olhos não desviavam dos dele. Assenti, sentando-me ao lado do seu corpo. Uma de suas mãos tocou meu rosto, que permanecia frio, e seus olhos verdes me encararam com preocupação.

— Não parece. — murmurou.

Toquei seu rosto e ergui seu queixo, depositando meus lábios nos dele. O último beijo antes do caos.

Afastei-me de seus lábios e continuei tocando seu rosto. Minha mão formigou com a vontade de lhe dar um tapa, mas aquilo não seria o certo. Não daquele jeito. Saí de perto dele e fui em direção ao banheiro.

— Bella...

Olhei-o seriamente. Ele me encarava, confuso.

— Eu quero você fora daqui. — disse pausadamente, num tom frio.

Seus olhos se arregalaram.

— Como?

— Você ficou surdo de uma hora para outra? — questionei com sarcasmo. — Mas não tem problema, eu repito com prazer: eu quero você fora daqui.

— Bella, o que aconteceu? Nós estávamos bem até agora. — falou, e aquilo fez meu sangue ferver.

— Nós não, Cullen. Você. — revidei alto. — Aliás, quando é que você não está bem, não é? Transando com Victoria e comigo ao mesmo tempo. Só que eu sou a única que ninguém conhece. De dia, sou sua melhor amiga; de noite, sua amante.

— E você nunca reclamou. — pontuou.

Quis rir.

— E para quem eu reclamaria, Edward? Para você? — soltei, ácida. — O cara que sempre soube que eu era apaixonada e usou isso para satisfazer seus desejos carnais. E eu, a tola apaixonada, nunca me permiti enxergar a verdade por trás dos seus toques e dos seus beijos.

Edward me encarava em choque.

— Bella... — ouvi-o murmurar.

— Acabou, Edward. — disse após respirar fundo.

Ergui o queixo ao vê-lo ainda sentado na cama, olhando-me com os olhos arregalados.

— Você não ouviu o que eu disse, Cullen? Saia daqui. — gritei as últimas palavras.

Num ato insano, peguei as roupas dele ao lado da porta e as joguei sobre seu corpo. Em seguida, puxei a coberta e o lençol da cama, obrigando-o a se levantar, tão em choque quanto antes.

— Eu quero que você saia por aquela porta e nunca mais volte.

— Bella, vamos conversar. — disse calmamente, andando em minha direção a passos lentos.

— Nós não temos o que conversar, Edward. Eu não quero mais isso para mim. Esse frio, esse nojo que percorre meu corpo depois que percebo que, mais uma vez, fui usada por você. — disse alto.

— Bella... — sussurrou, tentando tocar meu rosto.

Num momento de raiva, bati em sua mão e, logo depois, acertei dois tapas em seu rosto.

O silêncio tomou conta do quarto. O único som audível era o da minha respiração acelerada enquanto eu via as marcas vermelhas surgirem em sua pele. Seus olhos verdes me encararam com ódio.

— Se troque na sala e suma daqui. — ordenei friamente.

Ele se virou, pegou as roupas e passou por mim, segurando a porta.

— Você vai se arrepender, Swan. — disse.

Olhei para ele.

— Não, Cullen. Eu não vou. — respondi firme, e logo ouvi a porta bater com força.

A adrenalina percorria meu corpo ao mesmo tempo em que as lágrimas desciam devagar. Fechei os olhos ao ouvir a porta da entrada ser fechada violentamente e o Volvo cantar pneu ao sair.

Sentei-me na cama e me permiti desabar, sentindo a dor tomar cada pedaço de mim. Meu peito pesava e doía entre as costelas, como se houvesse uma estaca atravessada ali. Deus... Parecia que eu iria morrer. Até respirar doía.

O som estridente do celular me despertou do estado de torpor em que ainda me encontrava, fazendo-me perceber que havia perdido completamente a noção das horas. A claridade que vinha da janela revelava pequenos pontos brancos caindo continuamente lá fora.

Depois do primeiro toque, o celular não parou mais de tocar e logo pareceu começar a se alternar com o telefone do andar de baixo.


Mas o nada é melhor, às vezes


Fechei os olhos e encostei o rosto nas pernas. Eu não queria falar com ninguém. Queria ser ninguém.

Até que, em algum momento do dia, tudo parou, devolvendo o silêncio de antes.

— Bella? — ouvi a voz de Tanya soar baixa atrás de mim, mas não olhei na direção dela. Continuei encarando a janela até que ela se sentasse ao meu lado. Então olhei para minha única amiga que sabia o que acontecia entre mim e Edward.

— Eu vou embora. — sussurrei. — Para longe do Edward. Para longe de quem eu fui.

— O que aconteceu, Bells? — questionou em tom baixo.

— Coloquei um ponto final, Tanya. — murmurei, e logo o entendimento preencheu seus olhos azuis.

— Foi por isso que aquele filho da puta estava com um humor do cão hoje. — disse mais para si mesma do que para mim.

Nada mais foi dito entre nós.

Tanya ficou comigo até o dia seguinte, cuidando de mim e ajudando-me a sair do torpor em que eu estava presa. Algo que se tornou libertador quando notei que Edward não bateria na minha porta antes de dormir.

Uma sensação estranha tomou conta de mim, e limpei as lágrimas que desceram pelo meu rosto antes de acordar Tanya, que havia ido dormir na minha cama.

A neve cobria as ruas da cidade, e o vento cortava meu rosto, agora isento das lágrimas que eu não derramava havia dias. A casa em que morei por tantos anos — onde vivi minhas maiores alegrias e também minhas maiores tristezas — estava vazia. Exatamente como eu.

— Senhorita, pronta para ir? — questionou o taxista que havia levado minha última mala para o carro.

Olhei para a casa antes de fechar a porta e trancá-la pela última vez. Coloquei a chave embaixo do vaso e me virei, entrando no carro logo em seguida para seguir rumo ao meu destino sem olhar para trás.


Notas finais
The Pain: https://fanfiction.com.br/historia/750387/The_Pain/ After The End (Continuação) : https://fanfiction.com.br/historia/781495/After_the_End/
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