The End

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Bem pequenininha. Só pra dar um gostinho.

Era noite. Ou dia. Não me lembro muito bem. A forma como as recordações daquele momento me vêm são extremamente simplórias, e detalhes não importantes, me escapam pelos dedos como água corrente o faria.

Você veio, como disse que viria. Seu cabelo estava bagunçado, de sempre alinhado ao mais perfeito caos. Olheiras profundas. Não entendi.

Deixei de entender ainda mais quando ofereci minha mão e você a rejeitou. Quando olhou-me nos olhos e não havia brilho ali. Quando abriu somente a sua porta do carro, e quando eu soube que havia algo de errado. Ou tudo, ou nada.

"Preciso te contar uma coisa", você disse.

Eu esperei.

E mais um pouco.

Minha voz não saía, e eu nem sabia se queria que ela saísse. Era capaz dela me trair.

Como você o fez.

"Eu a amo. Nós vamos ter um filho. Não posso mais te ver."

Solucei.

Suspirei.

Meu lábio inferior era pó.

Sentei-me no chão enquanto observava suas costas — era tudo o que eu teria de você.

Dor.

Doía como um parto — o que você teria dali seis meses. E era profano, e cruel, e eu não mais queria ficar ali. Parecia insano ainda estar na sua presença.

Você não me queria.

Não.

Tropecei diante de uma plateia, que riu prontamente. Senti-me seca. Sedenta. Vazia.

Vazio.

Olhei para frente e enxerguei a escuridão.

Era noite, pois não.

Adentrei-a; não havia mais nada a me esperar.

Fiquei ali por meses e meses, acho. Acredito. Não sei precisar.

A escuridão era leve, arrebatadora, bem-vinda. Eu a acolhi.

Ela me acolheu.

Ele me achou.

Quebrada.

Aos cacos.

Nos braços de Morfeu, entregue e prometida à própria morte.

Pudera, não mais me alimentava.

Outro dia, ele me achou de novo. Menos magra, devido à comida que me enfiava pela goela.

Pele e osso. E alguns músculos doídos. Doía ainda. Era escuro.

Mais um outro, e de repente eu não estava mais sozinha.

Havia ele, e uma réstia de luz.

Parecia boa, mas a dor ainda me puxava.

Pungente. Latente. Não me deixava.

Mais comida, e um pouco de calor. Estava diferente, porém. Não era aquele calor com o qual eu havia me acostumado. Cômodo.

Era casa inteira.

Quente, queimando.

Fazendo alusão a tudo o que eu nunca tivera, ou nunca sonhara em ter.

As queimaduras taparam as feridas. Queimaram por cima, escurecendo e me fazendo esquecer que um dia estivera cortada ao meio. Em milhões de pedacinhos.

Regenerada.

Luz.

Calor.

Cor.

E eu vivi.

Notas finais
Tô sem ar porque ela significa muito pra mim.
Comentem!! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!