The End
1 Capítulo 1- Capitulo Único
Notas iniciais

Em mais um ciclo tempestuoso de amor e ódio, iniciado há milênios por Ashura e Indra, que atravessou gerações até encarnar nas figuras de Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke, dois amigos, companheiros e rivais se preparavam para lutar até a morte.
Como uma ironia cruel do destino, os dois shinobis estavam de pé sobre as estátuas colossais de Hashirama e Madara, no Vale do Fim. O silêncio era cortado apenas pelo som constante da grande queda-d’água. Encaravam-se em silêncio, sentindo a brisa fresca serpentear por seus rostos. Era o prenúncio de um confronto inevitável.
Ambos sabiam: se lutassem como estavam determinados a fazer, apenas um sairia vivo dali. Ou talvez... nenhum.
Sasuke desviou o olhar e estendeu a mão à frente, segurando uma folha de cerejeira trazida pelo vento. Aquele pequeno gesto o fez recordar como um sussurro do passado o dia em que conheceu Naruto no parque de Konoha. O loiro estava sozinho, sentado na areia, triste... esquecível aos olhos do mundo. E ali começou o que viria a se tornar uma amizade improvável e, mais tarde, um amor tão intenso quanto impossível.
“Um amor proibido e sem senso...”, pensou, soltando a folha novamente ao vento, e voltando a encarar os olhos do Uzumaki.
— A minha opinião sobre o que é ser Hokage representa a minha resposta. — começou Sasuke, a voz firme — O modo como Itachi viveu a vida dele me trouxe até aqui... Para proteger a Vila da Folha e o País do Fogo, ele sacrificou o nosso clã e a si mesmo...
Naruto cerrou os olhos, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelas bochechas. Suas mãos se fecharam em punhos. Para ele, Itachi tinha sido tanto um irmão quanto fora para Sasuke. Um dos poucos que o aceitou por ser quem era. Um Jinchuuriki. Um pária.
Itachi o viu de verdade. Acolheu seus sentimentos. Foi para ele que Naruto confessou pela primeira vez o que sentia por Sasuke. E Itachi compreendeu. Sempre compreendia.
E agora, ali parado diante do homem que mais amava, Naruto sabia o que precisava fazer. Mesmo que custasse sua vida. Ele lutaria para salvar Sasuke de si mesmo. Do ódio. Da culpa. Da cegueira emocional que o consumia.
Abriu os olhos marejados, encarando a boca do moreno, que ainda falava, como se cada palavra fosse uma armadura para protegê-lo da dor que via nos olhos do loiro. Sasuke não queria olhar para aquele sofrimento. Fingir que não estava ali parecia mais fácil.
Ele falava de revolução. De apagar o passado. De matar os cinco Kages. De assumir toda a escuridão do mundo para si.
Naruto sabia a verdade: Sasuke estava com medo. O coração dilacerado, afogado em mágoas. O desejo de vingança era apenas a forma que encontrara de lidar com sua dor. Ele queria cortar os laços com a única pessoa que o compreendia. Com o único que atravessara suas defesas.
— Você não faz ideia de como Itachi viveu! — gritou Naruto, a voz embargada, tentando quebrar a muralha de palavras vazias — Há coisas que ninguém pode fazer sozinho! Assim como nossa luta contra a Kaguya!
Sasuke permaneceu em silêncio, o olhar ainda carregado de convicção. Naruto entendeu, naquele instante: não havia mais nada que pudesse dizer para fazê-lo recuar.
Secou as lágrimas com as costas da mão e viu Sasuke falar novamente.
— Há coisas que nunca mudam... como essas estátuas aqui... como nós. Como os irmãos Uchiha. — disse ele, com frieza — Com essa revolução, não haverá mais escuridão nas vilas. Eu matarei os cinco Kages. Tomarei todo o ódio para mim. Me tornarei a escuridão... e criarei um novo futuro. Um futuro de luz... do zero.
Naruto arregalou os olhos. Suas palavras se apagaram na garganta. Ficou mudo por alguns segundos, processando o absurdo daquilo. Sentiu a raiva subir em sua cabeça.
Mas o estopim de sua paciência explodiu quando Sasuke continuou:
— Vou deletar o passado.
— Você está dizendo que consegue fingir que nada aconteceu com Itachi?! — retrucou Naruto, os olhos faiscando — Você e Itachi eram irmãos. E muita coisa aconteceu entre vocês... e entre nós!
Sasuke franziu a testa. Ele sabia exatamente o que Naruto estava fazendo. Conhecia-o bem demais para não perceber que havia tocado em um ponto crítico.
— Tudo isso faz parte de quem nós somos hoje! — continuou Naruto, fazendo selos com as mãos, como se quisesse invocar a força de suas palavras — Apagar isso é apagar a si mesmo!
— Itachi agora é parte do meu passado. A amizade entre nós três ficou no passado. — declarou Sasuke, a voz fria como gelo — Vou dar um fim a todos os meus antigos erros... e dúvidas. Aqui. E então começarei do zero. Nem que, para isso, eu tenha que matar você, Naruto.
Naruto fechou os olhos por um instante, o peito comprimido. As palavras do moreno eram como mil kunais cravando-se fundo em seu coração.
"Vou dar um fim a todos os meus antigos erros e dúvidas por aqui."
Suke, seu idiota... Por que eu te amo tanto?! — pensou, sentindo o punho tremer de tanta força.
— Eu aprendi tudo o que sei com as pessoas do meu passado. — disse, firme, abrindo os olhos — Especialmente com os erros que cometi...
Lembrou-se, então, das últimas palavras de Itachi antes de desaparecer sob o Edo Tensei:
"Você me disse que considera meu otouto como um irmão, mas nós dois sabemos que seus sentimentos vão além disso. Por isso, Naruto... acredito que só você pode detê-lo. Deixo meu irmão em suas mãos."
— Eu não vou deixar você apagar a memória do Itachi assim! — gritou, a voz carregada de emoção — Eu vou trazer você de volta, Suke!
Ao ouvir o apelido, Sasuke vacilou por um instante. Era a primeira vez, em tanto tempo, que Naruto o chamava assim.
"Quanto tempo... desde que ouvi ele me chamar de Suke?"
Naruto continuou:
— Você tentou me afastar desde que Itachi se foi, mas eu nunca deixei! E não vai ser agora que vai conseguir, Suke! Eu me tornei forte! Eu sou forte! E posso te parar! Nem que eu morra tentando! Porque eu...
Mas ele não terminou a frase.
Ambos desceram das estátuas com velocidade. Em sincronia perfeita, como se seus corpos já conhecessem o destino de antemão.
Naruto formava seu Rasengan, Sasuke carregava o Chidori.
E o inevitável se aproximava.
O som da queda d’água foi engolido pela fúria do chakra colidindo.
Naruto e Sasuke avançaram um contra o outro como dois raios opostos prontos para explodir no ponto de encontro. Os olhos de ambos brilhavam, azuis como o céu em tempestade, negros como um abismo em chamas. O Rasengan girava violentamente na mão direita do loiro, enquanto o Chidori zumbia com sua eletricidade selvagem no braço esquerdo do moreno.
E então, o impacto.
Um estrondo ensurdecedor rasgou o ar quando os jutsus colidiram. A explosão de chakra ergueu uma nuvem de poeira, água e pedras, e a força da colisão lançou ambos para longe, como bonecos de pano em um furacão.
Naruto caiu no lago, afundando brevemente, antes de emergir ofegante. O corpo latejava. A respiração era pesada. Seus olhos procuravam Sasuke, que estava caído do outro lado, ofegando, com sangue escorrendo pelo canto da boca.
Mas ele também se levantou.
— Suke... — murmurou Naruto, com dor, mas sem hesitação.
— Levanta. — rosnou Sasuke, limpando o sangue com o dorso da mão — Ainda não acabei com você.
Naruto apertou os dentes. Seu corpo dizia para parar. Sua alma dizia para continuar.
Ambos dispararam novamente, sem trégua, como se pudessem extrair do outro uma resposta que jamais foi dita em palavras.
Punhos, chutes, golpes de taijutsu, o som do impacto da carne contra carne ecoando pelo Vale. Cada golpe que Naruto desferia era uma súplica silenciosa. Cada golpe que Sasuke devolvia era um grito de desespero abafado.
“Por que você não desiste de mim?”
“Porque eu te amo, idiota.”
Mas ninguém dizia. Só lutavam.
Em um breve instante de pausa, os dois caíram ajoelhados frente a frente, exaustos. O rosto de Naruto estava inchado, com um olho roxo. O de Sasuke sangrava por um corte profundo na sobrancelha. Os dois arfavam.
O silêncio voltou.
— Por que você ainda está aqui...? — perguntou Sasuke, a voz rouca, quebrada.
Naruto não respondeu de imediato. Apenas o olhou. Sujo, machucado, mas ainda com os olhos mais vivos que Sasuke já viu.
— Porque... — sussurrou Naruto, se inclinando para frente — mesmo se você quiser me empurrar para longe... meu lugar sempre será ao seu lado. Foi assim desde o começo, e vai continuar sendo. Mesmo que eu tenha que apanhar até você entender isso.
Sasuke fechou os olhos, como se as palavras o atingissem com mais força que qualquer golpe.
— Você é um idiota.
— E você é o mais teimoso dos Uchiha.
Naruto sorriu de lado. Sangue escorreu por seu queixo.
Sasuke olhou para ele por um longo momento. E então, em um lampejo de impulso, avançou. Mas não com o punho. Não com o Chidori.
Ele agarrou Naruto pela gola e colou sua boca na dele.
Foi um beijo confuso, dolorido, raivoso.
Mas verdadeiro.
Naruto não revidou. Apenas fechou os olhos e segurou a nuca de Sasuke com força, como se aquele momento fosse tudo que restava no mundo.
O beijo terminou, e os dois continuaram com as testas encostadas, arfando, destruídos, mas ainda de pé.
— Eu te odeio... por nunca desistir de mim. — murmurou Sasuke.
— E eu te amo... por continuar tentando se destruir mesmo quando tudo em você grita por amor.
E então os dois caíram sentados na lama. O Rasengan e o Chidori já tinham se dissipado. Não havia mais chakra para gastar. Não havia mais vontade de ferir.
Só havia dor. E sentimento.
Sasuke riu, uma risada baixa, amarga, e ao mesmo tempo libertadora.
Naruto o acompanhou.
E o Vale do Fim, que outrora fora palco de ódio, testemunhou o que talvez fosse o início de algo novo.
Não paz, não perdão.
Mas compreensão.
E, para dois garotos marcados por um destino cíclico, isso era mais do que suficiente
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A luz era suave.
Naruto piscou lentamente, sentindo o corpo pesado, como se cada osso estivesse imerso em concreto. O teto branco acima dele parecia quase brilhante demais, e por um instante, ele não sabia onde estava. Mas então sentiu, o cheiro do hospital de Konoha, o lençol áspero demais, o som abafado de passos no corredor.
Vivo.
Ele ainda estava vivo.
Tentou se mover, mas uma dor aguda percorreu seu peito, o fazendo grunhir baixo. Foi aí que percebeu, sua mão direita estava enfaixada... e entrelaçada a outra. Uma mão pálida, firme, familiar.
Naruto virou o rosto devagar.
Sasuke estava ali, na maca ao lado, também acordado. Os olhos semicerrados, o cabelo bagunçado, um curativo na testa. Ele não disse nada. Só olhava para o loiro com aquele velho olhar entre cansaço e resignação.
Os dois estavam deitados lado a lado, os braços estendidos, as mãos entrelaçadas no meio, como se nenhum deles tivesse soltado a outra desde o campo de batalha.
— Você ronca. — murmurou Sasuke, quebrando o silêncio com sua voz rouca.
Naruto soltou um riso fraco, dolorido.
— E você beija como se estivesse com raiva. — rebateu, sem pensar muito, encarando o teto.
Sasuke fechou os olhos, respirou fundo. Por um instante, Naruto achou que ele fosse se fechar de novo. Mas não. Em vez disso, o moreno apertou sua mão.
Forte.
— Kakashi nos trouxe de volta. — disse Sasuke, a voz mais baixa agora — Sakura fez a maior parte da cura. Ela chorou por você. Chorou por mim também.
— É... ela sempre chora. — Naruto respondeu, com uma ponta de carinho.
O silêncio voltou, mas era diferente agora. Um silêncio confortável, como o de dois corações exaustos que finalmente se permitem descansar.
Naruto virou o rosto para o lado, observando o perfil do Uchiha.
— Você ainda quer apagar o passado?
Sasuke ficou em silêncio por longos segundos. Então respondeu, sem virar o rosto:
— Não. Não mais.
Naruto fechou os olhos. Uma lágrima solitária escapou, mas ele sorriu.
— Que bom... Porque eu não conseguiria amar só uma parte de você.
Sasuke virou o rosto, devagar. Os olhos onix buscaram os olhos azuis. Ambos estavam vermelhos, inchados, mas cheios de uma verdade muda. Não havia mais jutsus. Não havia mais fuga.
Havia sentimento.
Havia história.
E havia futuro.
— Idiota. — sussurrou Sasuke, com a voz quebrada.
— Teme. — respondeu Naruto, sorrindo fraco.
E então adormeceram outra vez, mãos ainda entrelaçadas, lado a lado.
Do lado de fora da janela, o sol nascia por trás das montanhas.
Era um novo dia.
Era um novo começo.
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