The End.

1 Capítulo 1 - Madson.


Notas iniciais
Sozinha, como sempre, Madson tem que lidar com algo que nunca teve, coisas que ao menos nem sabia existir.

1º capítulo.

MADSON

A agonia da dor estava por todo seu corpo, como chamas, como chamas que se espalham em pólvora, como um pássaro, ela estava engaiolada, engaiolado no próprio sofrimento.

Queria nunca ter visto aquilo, não queria ter que lidar, desde a primeira vez, seu pai, inconsequente, aos tapas com sua mãe, que por fim, acabava roxa e sem motivos para sorrir num sofá.

Sonhava com um momento feliz, onde nada nunca a atrapalharia, só queria ser livre. "Finding things that make you happy shouldn't be so hard.". Só se perguntava onde a felicidade estava, mesmo que fosse difícil, precisava encontra-la.

Por Deus, jurava, não pertencia aquele lugar, não gostava daquela gente, apenas mais uma numa multidão envolta de historias, de sofrimento, todos fingindo serem perfeitos, como se importasse a alguém.

Como sempre, iria embora para casa sozinha, estudava dia e noite, mas pra que? A vida é algo tão passageiros, estudamos, trabalhamos, morremos, mas é a vida. Dia e noite, e nas noites, ia para casa, em ruas amarguradas de sangue dolor.

Tudo estava escuro, nenhuma luz, nem mesmo nos olhos da menina, que ali caminha, sozinha, sem que ninguém pudesse nota-la.

Em sua cabeça só havia uma pergunta. Como ser feliz? Tantas noites sem dormir. Porém aquela noite era diferente, depois das suas aulas voltara sempre para casa,

a angústia batia cada vez mais forte no peito. O mundo parecia girar mais rápido mas ao mesmo tempo mais devagar.

Seu coração ora acelerado, ora palpitava fraco. Sem esperança continuava seu caminho, pelas ruas escuras. Ia chegar em casa. Como qualquer outro dia, triste e frio.

O caminho de pedras pontiagudas e desiguais, muitas vezes, continuava por toda a rua, que no final, de um estreito, havia uma sombra.

***********************************************************

Só se lembra de ter caído, a cabeça bateu com força no chão, jurou que podia ter ouvido o barulho, e um rosto em sua frente perguntava.

–- Ei — sacudiu a menina sem dó, nem piedade -- acorda garota, você está bem ?

Não lembrava o que havia acontecido. Suas mãos estavam com sangue, e toda sua roupa. Merda, pensou, minha mãe irá me fazer lavar. E desmaiou, no chão duro.

A sombra e o ser, que brutalmente apareceu em sua cara não pareciam estar mais lá, um silencio profundo, e um zumbido insuportável.

Como sempre, ela não estava bem. Mas dessa vez pior, fora deixada em um banco na rua, com seu corpo ensaguentado, mal sabia de quem era, mas sua cabeça doía muito e sangrava,

assim como seu abdômen, porem o sangue de suas mãos, não era de Mad.

A luz do sol pairava a cidade, as ruas começavam a ser movimentadas, e todo o vazio das noites pareciam sumir de repente.

Outra lembrança desencaixada do quebra cabeça chamado memória, o quarto branco a assustava mais que tudo, ela não estava em casa, nem na rua.

O cheiro de remédios a fazia ficar zonza. Levantou em um choque.

—Calma querida — a voz de sua mãe a agoniava, tão doce, a fazia tão bem, mas mal ao mesmo tempo. A mãe, sempre ao seu lado, fazendo de tudo para Madison ficar bem. Lisa, passou a mão nos cabelos da garota acariciando sua pele — Tudo vai ficar bem, eu lhe prometo.

Não, nada ia ficar bem, ela sabia.

Deram 2 semanas, 2 semanas contadas, e tudo estava ao normal, Mad encontrou sua amiga Kat como sempre, fumaram, se drogaram, unicas vezes que ela se sentia bem consigo, estava fugindo do mundo.

Faltar aula era comum, pelo menos na parte da manhã, elas tragaram uns cigarros e foram até um café. Katrine comia feito louca, enquanto a outra garota não colocava algo na boca havia dias, exceto todos os comprimidos que tomava para manter-se de pé.

Outro comprimido se fora, e com ele mais 500mL de água. Um borrão preto passou em frente o café, seu coração pulou, não percebera que estava sendo vigiada.

Garota burra se xingava, você não está em um filme de terror. Mas seus instintos eram maiores, correu para fora procurando o que era.

E no fundo do beco viu um vulto. Quando se virou, já estava encostada em uma parede, com o braço do garoto em sua garganta a sufocando.

— Garota tola, medíocre mortal. — os olhos pretos e sombrios do garoto a perfuraram a alma — Como sobreviveu? Me diga? Como? —ele gritava, e cada vez mais apavorada ela ficava.

— Eu não sei de nada — o panico a tomou e ela chorava —Eu... — não conseguia mais falar, e o menino a soltou, caindo no chão, chorou.

A roupa preta com capuz do garoto se misturava ao seu cabelo negro, sua pele era em um branco empaledecido, quase esverdeado, como se passase toda o tempo em um quarto escuro e frio, como ela própria. Ele chutou sacos de lixo que estavam ali, e a garota temia que a próxima a ser chutada seria ela.

Ele murmurava, como se estivesse falando com alguém, e certamente estava, pois discordava ou concordava. "Não, não é possível.", Mad ouvia algumas coisas, e ficava assustada.

—Levante, inútil. —o rapaz a puxou pelo braço, violentamente.

Madson se soltou e gritou.

— Não me trate como uma coisa, babaca. Sei me levantar sozinha — se virou soltando seu braço.

Porém misteriosamente ele apareceu em sua frente, com uma espada na mão, a espada parecia ser feita de almas, gélida, dava medo, apertando seu cabo.

— Você não me conhece, Madson King. Não sabe o que sou capaz de fazer — ele pegou no queixo da menina — Tome cuidado com suas palavras, bonitinha.

A menina soltou um gemido fino de medo.

— Quem é você? Por favor, me diga. — mal conseguia olhar para o garoto. Sentia medo.

— Sou Nico, filho de Hades.

A menina soltou uma risada abafado com as mãos. Porém, Nico, como disse que chamava, a encarou, era a verdade.

— Por que veio até... — sua frase foi interrompida quando um grande cavalo alado chegou sobrevoando com uma espécie de anjo. O QUÊ ? Se perguntou, mente, por favor, agora não, não me pregue peças, logo agora. E murmurou — Acho que o alucinógeno funcionou.

— Merda. Me encontraram. Você vem comigo — o garoto a puxou, e por um momento não podia sentir nada, só frio, mas depois sentia tudo, foi como se a tivessem virado ao contrário e desvirado, seu estômago estava embrulhado, deveria estar verde, queria vomitar.

Seus olhos se fecharam, e por um minuto estavam em um lugar totalmente diferente.

— Agora eu sei, vou parar de fumar, acho que to ficando louca ou sei lá, tive overdose ou algo assim? Isso é uma piada ou o que? — Nico só a olhou inquieto porém desdenhando.

— Venha. — Ele falou, na verdade, mandou.

Estavam em um espécie de deserto, porém sem areia, era um lugar seco, terra batida, restos de queimadas por todo canto e uma grande árvore seca e sem folhas. Uma casinha, de madeira e humilde estava também ali.

Nico entrou correndo, pegou uma moeda de ouro, abriu a torneira, Mad se perguntava de onde unha aquela água, mas tanto faz. Ele havia criado uma espécie de arco-íris, e nele jogou uma moeda. Logo depois, uma menina de cabelos longos ruivos e encaracolados apareceu no meio do arco íris mal formado.

— Me encontraram, Rachel. — virou-se para mim — e agora ela também.

A menina parecia uma estátua, ficou paralisada.

— Fiquem onde estão, não saiam dai, passem a noite. Se os encontrarem, você sabe a onde ir Nico, porém, talvez ela não aguente. Tenham certeza que...— E aquilo se desfez deixando palavras e dúvidas no ar.

Nico bateu com os punhos fechados sobre a bancada. Decepcionado.

— Garota, precisamos conversar.

Notas finais
Espero que tenham gostado.