The Enchanted Imagination

13 Amores passados, Amores futuros


Senti como se meu tivesse ido para a luz e voltado.

Aquele não fora meu primeiro beijo, e nem o segundo. Já beijei muito, afinal tenho 17 anos.

Se Lilian me visse agora, não iria acreditar.

Quando abri meus olhos, ele ainda estava la. Começou a falar coisas sem sentido, então voltei a beija-lo.

[...]

Olho para ele, que esta me encarando, surpreso.

Droga! Estou sentindo meu rosto esquentar, provavelmente estou ficando vermelha.

– você esta... – começou Will, cutucando meu nariz – eu beijo tão bem assim?

Sorri.

Vejo-me com medo de tudo acabar. Antes, só queria salvar Lilian, agora com o Will e o resto da turma... Sinto-me confortável.

O sol bate em meu rosto e no rosto de Will, fazendo seus olhos brilhar ainda mais.

Ainda estou agarrada nele, não quero que o que eu sinto acabe nunca.

Ele sorri e eu acaricio suavemente sua bochecha. Ele devolve o carinho.

Vamos nos beijar de novo... É só chegar mais perto Will... Faço um biquinho... Estamos quase la.

Sinto uma picada na perna, e a afasto. Depois sinto de novo.

– ai – exclamo. – o que... – vejo que é Dormidongo me furando com sua espadinha.

Parece que sua expressão mudara. Ela deve ter visto o beijo.

Será que ela vê Will não só como um irmão?

Afasto-me de Will e olho feio para ela.

– Will! – ela resmunga e o da uma mini espadada.

Tinker me devolve o caderno que eu estava usando antes para escrever.

– você leu? – pergunto.

– eu tenho que usar o banheiro ali e já volto! – falou Will piscando para mim e para Tinker.

Gosto do humor dele. Tai mais uma coisa que faz esse conto de fadas ser impossível.

– eu li sim – responde ela, para quebrar o gelo.

Lembro a parte que eu tinha escrito sobre ela.

– é verdade? – pergunta ela – sobre eu ser sua melhor amiga fada?

Sorri e apenas falei:

– me desculpe. Eu fui totalmente idiota e egoísta. Uma amiga minha do outro mundo um dia, me disse que eu tenho que parar de pensar em mim mesma, então, se você quer seu amor de volta, vou até o fim para ajudar.

– Alice... – começou ela, com seus olhos cheios de lagrimas.

Tinker me abraçou, e seu tamanho dobrou. Tipo, segundos antes ela era pequena e agora, estava do meu tamanho.

Fiquei boquiaberta.

– como? – perguntei.

Ela limpou as lagrimas e sorriu.

– posso mudar de tamanho, esqueceu?

– mais é claro que não – fingi. – então, amigas de novo? – estendi minha mão.

Tinker franzi a testa. Deve ter estranhado o jeito que eu fiz com a mão.

Ela abaixa minha mão, e me abraça.

– sempre – fala.

Ficamos assim, abraçadas. Perdi o tempo. Tinker é uma pessoa tão boa, e seria tão ruim se ela soubesse que eu não sou a Alice que ela conhece desde que fora mais jovem.

– Alice – falou ela parando de me abraçar – amigas contam tudo umas para as outras né?

– s-sim.

– eu segui o Valete e bem... Eu vi seu beijo e o dele.

Ficamos em silencio. Temo o que pode vir daqui a pouco.

– só o amor verdadeiro poderia quebrar um feitiço tão poderoso quanto o de Dodô – falou ela, olhando para o horizonte, depois para mim – e ele só acontece uma vez na vida.

– de onde eu vim pode acontecer mais vezes – digo.

– mas se você esta apaixonada pelo Cyrus e esse é seu amor verdadeiro, como pôde beijar o Will? – pergunta ela.

Merda! O que Alice diria se estivesse aqui... Ah! Claro que ela não iria beijar Will só para o começo de conversa.

A única coisa mais plausível é entortar os lábios.

– é impossível você estar apaixonada pelos dois, não é? – pergunta ela, percebendo meu bico.

– nada é impossível – respondo.

Olhamos para trás, e admiramos o Dodô e sua corrida eterna.

Tinker virou para mim e arregalou os olhos. Esta assustada. Olho para ela também, sem entender nada.

Senti algo queimando sob meu pescoço. O que era?

Tremi e meu rosto esta queimando. O colar de Alice esta me enforcando agora. Tentei achar ar, mas não consegui. Estava ficando sem ar. Estava morrendo.

Senti minhas batidas parando.

Meus braços não tinham mais força e não consegui me segurar, então deitei com a boca aberta.

– ALICE! – gritou Tinker. – WILL!

Tinker tentou sair mas eu agarrei em sua blusa. Não quero que ela me deixe sozinha.

O colar esta me queimando.

– Droga! – falou Will, socorrendo-me.

Will tenta pegar no colar, mas não consegue.

Levanto – me agoniada e arranco o colar de meu pescoço, e em seguida, o jogo no chão. A única coisa que sobrou foi os cacos do colar de Alice.

– e agora? – pergunta Tinker para mim.

Vejo algo vermelho brilhando sob um caco. Pego-o.

– o que... – vejo meu reflexo, mas ele muda.

Agora é o de Cyrus.

Ele aparece preso em um tipo de gaiola gigante.

– Cyrus esta vivo – falo. – temos que salva-lo.

[...]

Sinto algo em meu coração. Algo ruim.

Seria Alice?

Onde você esta, meu amor?

Queria poder sair desse calabouço e ir atrás de você, onde você estiver.

– Alice... – falo, chorando.

Ah! Se eu estivesse livre para sair do pais das maravilhas.

– você pensa muito alto – fala o velho bastardo que esta em uma gaiola ao lado da minha.

– não consigo conter. A única coisa que me segura aqui é o pensamento de que ela virá para me salvar.

– ou ela pode ter se apaixonado por outro...

– não – digo – Alice é meu verdadeiro amor e eu o Dela.

Não disse com muita certeza. Só não quero aceitar o fato de que Alice tenha se apaixonado por outro alguém.

Olho para o lado. Não quero que me peguem chorando.

Tiro meu colar.

Dei um a Alice muito antes de tudo acontecer. Será que ela ainda esta com ele?

Esfrego meus dedos no colar.

De repente, ele começa a brilhar...

Vejo o reflexo de Tinker, em seguida de uma moça.

Uma moça muito bonita...

E esta vestida como Alice... Será que...

– Cyrus... – ela diz. – temos que salva-lo.

Sim! É ela, tem que ser.

Alice, minha amada.

– Alice – digo ao reflexo – irei te esperar para sempre. Estou aqui.