The Dying Ladies

5 Os problemas de Hanna


Notas iniciais
Esse capítulo é sobre a Hanna, explorei mais um lado dela que é falado bastante nos livros e ainda tem mais coisa a ser falado a respeito dos problemas emocionais dela. A minha favorita ♥
E ah! Eu inventei um personagem para ser o par de Mona, beijos nindos, boa leitura *-*

Enquanto Emily Fields parava seu carro em uma rua qualquer para beijar uma garota, Hanna Marin passeava no shopping com sua grande amiga Mona Vanderwaal. As duas entravam e saíam de diversas lojas, cochichando piadas e se divertindo com o muito e o pouco. Por aqueles dias Mona estava um tanto quanto resmungona, dizia que desde a volta de Aria e a reunião das meninas Hanna mal a olhava nos olhos. Tais reclamações a fazia sentir vontade de contar a verdade sobre –A, sobre Jenna, sobre tudo. Isso parecia uma ótima ideia até perceber que a verdade poderia machucá-la ou até tirá-la a vida.

Essa possibilidade chegou tão repentinamente a sua mente que a paralisou. Devaneou sobre aquele provável instante que o ser malicioso que estava por trás daquela assinatura sugestiva iria arrancar a cabeça de Mona. Podia ouvir o som do facão, a risada maléfica e assustadora como nos filmes que costumava a assistir quando mais nova, podia até mesmo sentir o cheiro de sangue no ar e ouvir os gritos ensurdecedores de uma morte. Tudo em sua vida parecia irreal e distorcido e ainda assim totalmente vívido e aterrorizante. O sangue daqueles que ama estava em suas mãos. Até mesmo o de Sean. Ela o perdeu quando –A a ameaçou, o perdeu por suas confusões, por sua irreal e distorcida vida, por sua vívida e aterrorizante vida. Pensar em Mona, em Sean automaticamente a fez pensar em sua mãe. Ashley que daria a vida por amar a filha. E então navegou para o incrível e misterioso retorno de Jenna, juntamente com Toby. E aquilo não cheirava a nada bom. Somente após voltar seus pensamentos ao terrível assassinato de sua companheira – teoria que talvez nunca virasse fato – Hanna voltou a realidade. Logo após a sexta chacoalhada de Mona.

– Hanna!

– Desculpe, acho que viajei por algum tempo.

– Por mais ou menos – pausou encarando seu relógio de pulso. – três minutos e meio.

– Você contou?

– Claro. – respondeu virando os olhos. – Mas você está mais que perdoada, provavelmente está super interessada nessa bolsa!

– Bolsa? – juntou as sobrancelhas. – Que bolsa?

– Essa que você ficou três minutos e meio encarando. – revirou os olhos pela segunda vez. – É uma Chanel original. Ótimo gosto u-la-la!

– Não acho que a minha mãe ou a sua gostariam de ver a conta dessa bolsa na fatura do cartão no mês que vem. – Hanna falou divertida, dando uma agradável risadinha.

– E quem falou que nós vamos comprar?

Ajeitou as madeixas, acertou a postura como uma dama e colocou os dois pés dentro da loja, dando uma piscadela cúmplice para Hanna que ao entender a proposta a segurou pelo braço.

– Nós não vamos fazer isso. – sussurrou curta e grossa.

– Claro que vamos. – sussurrou de volta. – Nós sempre vamos.

– Nós íamos, não vamos mais.

Ela riu. Até ver que não tinha graça.

– Você está brincando, certo?

– Não, não estou. – afirmou tentando promover seu rosto mais sério e maduro.

– Quem é você? – foi a vez de Mona juntar as sobrancelhas fazendo uma expressão dura de desaprovação.

– Eu não quero mais fazer isso, tudo bem?

– Há semanas atrás você faria em dois segundos! – birrou com a face emburrada, como uma criança de sete anos que não tem o que quer.

– Eu mudei!

– Se tem algo que eu aprendi — molhou os lábios com a língua. – é que as pessoas nunca mudam.

– O que você quer dizer com isso? – Hanna pareceu bem irritada com a última frase.

– Olha só você, está voltando a ser a amiguinha fantoche da Alison. Qual é a próxima fase? Voltar a me excluir de tudo?

– Mona você tem que parar de me culpar por algo que aconteceu no passado.

– E você tem que parar de deixar pessoas do seu passado influenciar a nossa amizade! – subiu o tom, o que fez um casal dentro da loja voltar sua atenção para a briga. – Afinal, elas não são suas amigas.

– Você só está com ciúmes.

– Estou Hanna? Quando a Alison desapareceu, elas desapareceram. – argumentou. – Você devia julgar melhor suas amizades.

– Mona...

– Desde que elas voltaram pra sua vida tudo de ruim aconteceu. Você perdeu Sean e você está me perdendo.

– Não fala isso. – Hanna tentou se aproximar.

– Se você é minha amiga, prove.

– Como?

Mona fez a mesma expressão diabólica que Alison fazia quando tinha uma ideia espetacular e isso a deixou com muito medo porque foi a mesma expressão que ela usou no dia que cegou Jenna.

– Rouba aquela bolsa para mim. – falou de uma vez.

– Eu não posso fazer isso. – sussurrou novamente, como sinal de entrega, de redenção.

– Então basta.

Jogou seus fios no rosto de Hanna e foi embora, deixando-a para trás. Sem pestanejar, sem pensar em futuras consequências. Apenas rumou para alguma outra loja, procurando por uma nova parceira de crimes e segredos. E no fundo ela esperava ser alguém mais bela que Hanna, para mostrá-la que assim como seu pai deixou Ashley por uma mulher melhor e por uma filha melhor, ela poderia fazer o mesmo. Não foi exatamente isso que Mona pensou, na verdade Mona mal pensou no que faria. Porém foi exatamente o que Hanna imaginou o que a deixou tão mal que entrou na loja e esperou a vendedora se virar. Roubou aquela bolsa tão facilmente como roubaria um doce de uma criança estúpida. E com a maior velocidade possível alcançou Mona que estava sentada na praça de alimentação tomando um refrigerante diet.

– Aqui está. – mostrou com o rosto dilacerado, arrasado pelo que aquilo poderia causar a Ashley. – Uma bolsa Chanel novinha para você.

Em súbita alegria Mona a abraçou e em seu ouvido disse:

– Pode ficar, é toda sua.

Ambas ficaram caladas por um tempo, apenas em seus próprios pensamentos. Mona pensava no baile de boas vindas dali a três dias e em como seu par Daniel Williams ficaria lindo de roupa social e Hanna pensava em todos os problemas que a instigavam. Sobre Mona que parecia ser uma tempestade em tempos de calmaria, sobre Sean que prometeu que jamais iria amá-la novamente, sobre sua mãe que talvez forçasse mais gemidos falsos depois daquela bolsa que ela ainda nem sabia se achava bonita, Jenna que torturava suas recordações e agora adicionou o seu maior trauma. A enteada de seu pai, a santificada Kate. Quando a conheceu sentiu vontade de vomitar – um velho hábito que tinha largado há meses – com tamanha beleza e perfeição da moça. Magníficos e alinhados dentes brancos também fazia parte do seu pacote. Isso sem contar que Kate não tinha metade de suas falhas como filha, pelo contrário, era muito boa em desempenhar tal papel. E era muito boa em ser uma verdadeira filha da puta, como gostava de falar em suas crises existenciais.

Aquilo a fez ter vontade de vomitar mais uma vez, voltar ao que era antes. Encarou sua amiga que sugava o último gole de refrigerante e a mesma sorriu pensando que estava tudo lindo no mundo fantástico de uma Marin. Acontece que não estava. E isso ela jamais poderia compartilhar com Mona, isso era algo mais profundo.

– Vamos na Tiffany. – falou Mona acordando-a mais uma vez.

– Tiffany?

– Quero um colar novo para o baile. – seu rosto se acendeu com a última palavra

– Claro, vamos sim. – dessa vez ela não sabia como mascarar sua infelicidade.

– Eu sei que você não está lá muito animada por causa de toda a situação com o Sean, mas pelo menos me ajuda. – o tom dela era sereno e compreensivo.

– É pra isso que eu estou aqui.

Pegaram suas bolsas, inclusive a Chanel roubada, – que diferente dos óculos escuros era bem daquela estação – e partiram em direção a loja favorita de Mona. Ela via cada jóia, cada pequeno brilho e iluminação a fazia tremer de tanta agitação e Hanna fingia estar sintonizada no mesmo ritmo, dançando a mesma música. Quando Mona verdadeiramente se apaixonou por um colar, teve o tempo que tanto queria para pensar novamente em todos os seus problemas, remoeu cada um deles. Instigou-os até as piores proporções. Apenas voltou a realidade quando viu Senhor Fitz entrar na loja. E a maior questão, a pergunta que não queria calar era: um professor não tinha dinheiro para comprar na Tiffany, ou tinha?

Escondeu-se, curiosa para saber o que o professor sensação da escola fazia por ali. Ele procurava entre diversas pulseiras e nenhuma parecia lhe agradar. E Hanna sabia disso porque as feições de Ezra eram fáceis de ler e pode ter certeza que ele achou o que queria quando viu uma pulseira com pedras verdes nas mãos que o fez esboçar um olhar tão terno que quase a matou de aflição. Belíssima, tinha que aplaudir o bom gosto do rapaz. Achou graça, pois era bem estranho encontrar seu professor em uma loja do shopping, percebendo que ele era humano e provavelmente tinha uma vida amorosa – e sexual – ativíssima. E não pode deixar de se perguntar quem seria a sortuda que, como diria sua avó, pescou tamanho peixe, afinal, para um homem dar um presente caro como aquele havia apenas duas situações: ou ele estava com muito tesão ou ele estava profundamente apaixonado. Sinceramente preferia apostar na segunda opção.

Carinhas como Ezra Fitz eram mesmo uma deliciosa paixão e quando Mona a encontrou usou quase que as mesmas palavras que usou para a bolsa Chanel:

– u-la-la! – disse observando o conjunto completo, tanto a inegável beleza de Ezra quanto a pulseira que ele havia em mãos.

Notas finais
Review ♥