The Dying Ladies
7 O baile era de boas vindas
Notas iniciais
Os alunos de Rosewood High estavam em choque. Entreolhavam-se e rapidamente começavam rumores a respeito do corpo que, naquele momento, estava estirado ao chão e parecia encarar o teto, o que arrepiava grande parte daqueles que ali estavam. A pequena sala interditada parecia dobrar de tamanho já que os adolescentes e professores estavam, alguns preocupados e alguns curiosos, amontoados do lado de fora quase ultrapassando a faixa amarela que era muito bem controlado por um dos policiais. Havia aqueles que elaboravam piadas sobre morte e, aparentemente, suicídio. Aqueles que adoravam curtir um bom e velho humor negro.
Em frente à aglomeração, uma jornalista loira e de aparência fútil – que estava provavelmente pensando em como sairia seu cabelo ao vivo – contava aos cidadãos de Rosewood as notícias que haviam chegado até a mídia.
– Essa noite era para ser de festa no colégio Rosewood High, mas acabou em tragédia quando quatro estudantes vieram se encontrar casualmente em uma das salas. – parou para uma breve respirada. – Elas se depararam com o corpo de uma das estudantes enforcado no ventilador. Aparentemente foi suicídio, porém a polícia ainda aguarda a opinião do legista para passar mais informações.
Dentro da salinha longe dos olhares da repórter e perto dos maus olhos de Detetive Wilden, as quatro testemunhas reagiam de formas diferentes a terrível cena que presenciaram. Spencer Hastings parecia ser a mais sólida, contava o que exatamente viu sem demonstrar o quanto estava doída por dentro, Aria Montgomery também descrevia os detalhes da noite enquanto apertava de leve sua pulseira tentando sentir Ezra, o seu doce consolador. Hanna Marin era a mais hostil e narrava o fato com muita rapidez e nojo por ter que respirar o mesmo ar de Wilden e Emily Fields chorava, ainda forte, pensando que depois do interrogatório estaria livre para encontrar Maya e talvez se desculpar pelo baile.
***
TRÊS HORAS ANTES
O que é popularidade? Afinal, não são os populares que após a formatura acabam com um emprego miserável e morando com os pais aos trinta e cinco anos? Sem esposa ou marido, com amigos lastimáveis e um cigarro antes de dormir. E era nisso que Hanna tentava prender seus pensamentos enquanto era fotografada por Lucas. Ela não sabia, mas o fotógrafo – um pobre nerd perseguido por Alison Dilaurentis – era apaixonado pela moça desde seus tempos de gordinha. E ele a observava pela lente da câmera, tentando encontrar um ângulo que a deixasse ainda mais bela e Hanna fazia caras e bocas tentando não parecer estúpida por ser uma das primeiras a chegar ao baile e o pior: completamente sozinha.
Apesar de ter sido indicada para rainha, sabia que jamais seria sem um rei. Sean provavelmente chegaria mais tarde com seu par que, segundo as más línguas, era Paige cara-de-porco como Alison a apelidou. Paige era bonita e era uma das nadadoras e grande concorrente de Emily como a melhor do time. Todos sabiam que Hanna era mais formosa, entretanto não era assim que se sentia.
– Quer mais fotos? – Lucas perguntou.
– Não, está bom. – disse vendo Aria surgir das escadas. – Acho que tirei mais do que deveria, obrigada.
E ali ficou Lucas, pensando nela enquanto fotografava outros alunos. Ele jurava que se tivesse uma chance a faria feliz mesmo se ela voltasse a pesar uns quilos a mais.
– Que bom, mais alguém para dividir comigo o peso de estar encalhada.
Aria riu.
– Eu não to encalhada, só estou me curtindo um pouco no momento.
– E recusando os convites de Noel Khan.
– Como você sabe disso? – perguntou com o rosto travesso.
– Você acha que eu não vejo o jeito que você o evita? – indagou divertida. – Acho que nem o diabo fugiu tanto da cruz.
Não havia jeito de Aria não rir das sempre honestas e desajeitadas palavras da amiga, gargalhou colocando as mãos levemente na boca. E esse foi o seu maior erro da noite. Hanna já viu aquela pulseira em algum lugar e foi necessário apenas dois segundos para se lembrar onde. Ezra Fitz havia comprado. E ela tinha certeza que outra pessoa não poderia ter comprado porque aquela pulseira cheirava a exclusividade. Uma em um milhão.
– Aria. – citou o nome da amiga, pasma.
– O que foi? – questionou terminando de gargalhar.
Hanna olhou em volta, até encontrar Senhor Fitz encarando a escada com o rosto abobado. Então tudo se encaixou. As vezes que Aria ficava depois da hora para tirar dúvidas sobre o trabalho, – o que era estranho já que era ela o gênio da literatura – como ela fugia não só de Noel Khan como de todos os garotos da face da terra, o jeito que seus olhos brilhavam quando tocava no assunto Senhor Fitz e a maneira como os mesmo se inflamavam de ódio quando ouvia no vestiário algumas garotas o chamando de gostoso e inventando boatos sobre o professor.
– Aria – repitiu sussurrando. – eu sei sobre você e o Senhor Fitz.
Em um instinto animalesco, Aria a tomou brutalmente pelo antebraço e a levou até o outro lado do pátio, onde não havia ninguém.
– Ai, isso doeu! – exclamou.
– Desculpe Hanna, mas você entendeu que essa acusação é absurda e pode meter Ezr... Senhor Fitz em uma confusão sem tamanho?
– Ezra certo? – riu sarcástica. – Essa sua pulseira, eu vi o Senhor Fitz comprando essa semana e você sabe que conheço todas as roupas e acessórios de nós quatro e até semana passada você não tinha essa pulseira. Sem contar que a Tiffany não fez muitas dela.
A pequena mentirosa bufou e se entregou.
– Tudo bem. Tudo começou um dia antes do início das aulas e quando descobrimos que ele é meu professor tentamos parar, mas não conseguimos. — pensou no que ia falar a seguir. – Acho que estou apaixonada por ele.
E como a loira sabia o que era se apaixonar! Quando virou-se para a escada viu seu amado descendo com uma garota em um vestido espetacular. Paige estava radiante o que deu em Hanna vontade de se jogar de cima do prédio escolar. Ironicamente aquela chegada matadora a fez compreender Aria.
– Eu entendo. Só fiquei chateada porque você falou tudo aquilo de não ter mais mentiras.
– Mas esse segredo não é simplesmente meu, também pertence ao Ezra. – com tais palavras suplicava por perdão.
– Acho que entendo bem.
– Será que você pode manter isso entre nós? Eu vou contar para as meninas antes que elas também descubram da maneira errada, mas eu quero falar para elas.
– Tome o tempo que quiser para isso. Eu te entendo. – Hanna articulava tentando escolher um dos caras sozinhos que ela poderia tirar para dançar. – Venha, vamos escolher um gato mais que gostoso para acabar com o Sean e a cara-de-porco.
Um pouquinho de vingança feminina não faria mal a ninguém. E as duas de braços dados foram flertar com os rapazes e riam como se não houvesse amanhã.
DUAS HORAS ANTES
Spencer estacionou o seu carro e saiu ajeitando o seu vestido. Usar saltos Jimmy Choo foi sua melhor escolha da semana, não que ela tenha feito muitas boas escolhas. Decidiu aceitar a nota máxima sem mérito próprio e no dia seguinte o professor a confessou que achou seu trabalho tão perfeito que faria uma carta de recomendação para ela quando fosse o tempo de se inscrever para faculdades e convenceria seus inúmeros contatos a fazer o mesmo. Não era uma bela dádiva? E um delicioso veneno que –A poderia usar contra Spencer a qualquer segundo. E teve certeza disso ao entrar no pátio e dar um leve tchauzinho para as suas três amigas e ser recepcionada por um Senhor Johnson muito maléfico.
– Senhorita Hastings, peço para que venha comigo para a sala do diretor.
O caminho parecia o corredor da morte. Seu coração batia na velocidade de uma Ferrari e seus pulmões mal conseguiam entrar ar. Ao ouvir o barulho da porta travando atrás dela e o diretor sentado em sua mesa em um dia comemorativo a deixou desnorteada.
– Spencer Hastings. – o diretor balbuciou. – Aluno nota A, ótima jogadora de Hockey e excelente em mentiras. Está aí mais uma boa anotação.
– Do que vocês estão falando? – fez-se de desentendida.
– Fui checar meus emails, algo me disse para checar já que não costumo ver meus emails em festas e encontrei um aviso anônimo contando que o trabalho já foi privilegiado há anos. Privilegiado com um A pelo antigo professor.
– Não entendi.
– Senhorita Hastings, o trabalho pertence a sua irmã! – o diretor impaciente se colocou de pé. – Nós chamamos o seu pai e vamos ver uma forma de amenizar o caso.
Ela ficou sem palavras. E decidiu permanecer calada até seu pai, o Grande Advogado chegar.
UMA HORA E MEIA ANTES
A roda de amigas estava incompleta sem a quarta integrante. Hanna já estava cansada de dançar com Mark Shay, – um jogador de futebol americano bem musculoso – Aria estava farta de evitar Noel e Emily de fingir que Maya não estava ali e que ela não procurava por mais um beijo.
– O que houve com a Spencer? – questionou Emily impaciente.
– Se eu soubesse já estaria usando o cérebrinho dela para me livrar do Khan.
– É melhor eu procurar por ela. – Emily disse. – Não tenho uma boa impressão sobre essa demora.
Sem deixar que as meninas interfirissem, andou pelo corredor em direção as salas, checou os banheiros e não havia sinal de Spencer. Parou no meio do corredor e apertou a cabeça com os dedos. Era muita pressão por aqueles dias. Sua mãe a tratava como se nada houvesse acontecido e de repente era fria e depois voltava a ser a amável Pam de sempre. Seu pai não parecia saber de nada e estava bem feliz com a família e ela temia que a informação sobre sua sexualidade fosse destruir sem deixar nenhum bom traço ou vestígio do que um dia tiveram em união. Isso a fez chorar um pouquinho, porém logo se reergueu e checou a hora no telefone.
Caminhou até a quadra de basquete e lá havia somente a escuridão. Rumou até a piscina e teve uma doce e morena surpresa. De Spencer nada sabia e seu foco já não era na mesma. Maya St. Germain estava sem sapatos com os pés afogados na piscina e com o rosto desmoronado em um choro do fundo da garganta.
– Maya.
– Sai daqui Emily! – ela gritava. – Eu não quero ver você nunca mais.
– Maya por favor...
– Sai!
Calada, Emily tirou seus sapatos e colocou a cauda de seu vestido para cima. Sentou-se ao lado da chorona.
– Eu entendo como você se sente. – proferiu tentando pegar sua mão.
– Não, você não entende. Você me usou. – jogou as mãos dela para longe.
– Eu não te usei Maya! – exclamou um pouco nervosa.
– Então será que poderia me explicar por que você tem me evitado nos últimos três dias?!
– É complicado.
– Olha, eu tentei ser compreensiva. Tentei mesmo. – enxugou as lágrimas. – Eu me entreguei pra você e foi isso que ganhei em troca. Eu não sou uma virgem despurificada e nenhuma certinha, mas com você foi algo que achei sério Emily. Eu gosto de você e você me joga no lixo.
– Maya o problema é que minha mãe descobriu tudo. – jogou as palavras sem se preocupar com absolutamente nada. – E tudo tem sido estranho lá em casa. Estranho e infernal.
– Você não está me usando?
– Não, eu gosto de você Maya. Eu sinto que meu coração vai parar apenas com um toque seu e isso é tão idiota que eu me sinto em um daqueles filmes de Hollywood que tudo dá certo no final e eu sei Maya que nada dá certo por eu ser o que sou... por sermos o que somos.
Maya se inclinou e beijou Emily. Um beijo excitante e repleto por apalpadas em lugares desejosos. Maya abriu levemente o zíper do vestido da amante que repitiu o mesmo. Levantaram-se e ficaram apenas com lingerie aproveitando o máximo do que podiam.
– Eu tive uma ideia louca. – Maya disse.
– Loucura está sempre em seu dicionário.
– Que tal um banho de piscina?
– Eu não deveria...
– Vamos Emily!
Ela fez um rostinho de pequena criança precisando de afeto, por consequência, Emily foi a primeira a se jogar na piscina dando uma leve nadada e a desafiando com um olhar a se jogar juntamente. E Maya adorava desafios. BUM! Dentro da enorme piscina havia apenas dois corpos atraídos, possuídos um pelo outro. Beijavam-se mais uma vez, se mordiam e se arranhavam. O prazer era mútuo. E seria completo se Paige, por motivo desconhecido, não aparecesse na piscina no ápice dos beijos.
Paige as olhou surpreendida com tamanho desejo entre as garotas e com um impulso caiu para trás. Sua risada era audível e debochada o que envergonhou Emily. Maya, pelo contrário, achou-se no direito de transar na piscina como qualquer adolescente faria com um namorado, mas o problema era exatamente esse: não era um casal hétero.
– Eu não acredito! – ela ria cada vez mais. – Emily Fields gosta de mulher.
Frustrada colocou seu vestido e mesmo molhada saiu correndo para o banheiro feminino. E não saiu de lá por um bom tempo.
UMA HORA ANTES
– Então fica combinado assim. – Senhor Hastings fechava o negócio.
– Combinado. – o diretor se sentia um vencedor. – o Senhor investe na reforma da biblioteca e damos uma chance a sua filha.
– Lembrando que ela tem apenas mais dois dias para entregar o novo trabalho. – falou o ainda irado Senhor Johnson.
– Ela entregará a tempo e deixarei claro aqui que ela jamais fez ou fará algo assim. – falou assinando um cheque e o estendendo.
– O Senhor é um ótimo advogado. – ressaltou pegando o pequeno papel.
– Vamos Spencer.
Ele a segurou pelas mãos. Em um segundo, Spencer parecia uma presa que, por confessar, tinha sua pena reduzida e no outro era segurada pela mãos como uma criança mal criada. Sabia que merecia isso e achou que o acordo foi muito bom, no entanto se sentia coisificada, vendida. O diretor entregava a cabeça de Spencer em troca uma nova biblioteca e isso a feria mais do que ser suspensa e não entrar na faculdade.
– Pai, me desculpa.
– Eu não quero saber Spencer, nós vamos embora. – ele falava contornando a escola para não ser vergonhoso verem que a família Hastings estava em crise.
– Pai me solta.
– Vamos embora.
– Me solta! – berrou se soltando. – Eu to cansada disso. Eu trapaceei, mas foi isso que vocês me ensinaram. Não vou embora agora, vou me divertir até dar a hora de ir para casa e me entregar a esse trabalho estúpido.
– Spencer, você está me peitando?
– Alguém tem que fazer isso alguma hora.
– Vamos Spencer! – alterou a voz para dois tons mais alto que o normal e pegou suas mãos novamente.
– Eu já disse para me soltar!
E assim como uma criança mal criada ela correu. Correu e correu. Correu por meia hora, deixando seu Jimmy Choo no meio do caminho. Parou apenas quando chegou pela décima vez no banheiro feminino. Sentou-se ao vaso da cabine ao lado da que Emily estava e pode reconhecer seu choro.
– Em.
– Spencer.
– Está tudo bem? – preocupou-se.
– Nada nunca estará bem para alguém como eu.
TRINTA MINUTOS ANTES
Aria decidiu por fim dar uma dança a Noel e pedia aos céus para que algo acontecesse e ali acabasse a sessão de tortura. Hanna pousava para mais algumas fotos por insistência de Lucas e podia jurar que se via fazendo aquilo para sempre. Contudo, a mente das duas também se perguntavam do paradeiro das outras duas. Spencer deu um leve aceno e se juntou ao professor de história enquanto Emily sumiu em sua procura.
A música parou. E Noel Khan pode ouvir o suspiro de alívio da parceira de dança ao fim da música.
– Chegou o grande momento da noite. – o diretor começava o seu discurso anual. – Acho que todos querem saber a rainha do baile de boas vindas.
Hanna cruzou os dedos mesmo esperando pelo pior.
– E o rei do baile de boas vindas de 2010 é Sean Ackard!
Os aplausos eram muitos e Hanna ficou orgulhosa e até um pouquinho esperançosa ao vê-lo com a coroa presa em sua cabeça.
- E a rainha é... – ele fez uma expressão de interrogação. – a rainha pela primeira vez em Rosewood High é uma não indicada, Paige McCullers!
O coração de Hanna se quebrou e Aria ouviu o barulho dos cacos. Enquanto Hanna corria, ela foi atrás da amiga que corria rapidamente mesmo com o salto de dez centímetros. Aria passou pelo banheiro e viu Spencer e Emily saindo, ambas cabisbaixas. Viram um rajão loiro passar e compreenderam que era Hanna. As três foram atrás dela e a encontraram na sala de artes. Ela olhava para cima.
As quatro olharam para cima então. E o problema que cada uma tinha parecia uma pena, uma pluminha.
HORÁRIO REAL
– Essa noite era para ser de festa no colégio Rosewood High, mas acabou em tragédia quando quatro estudantes vieram se encontrar casualmente em uma das salas. Elas se depararam com o corpo de uma das estudantes enforcado no ventilador. O corpo pertencia a Jenna Marshall. Aparentemente foi suicídio, porém a polícia ainda aguarda a opinião do legista para passar mais informações.
As perguntas foram feitas e o corpo estava sendo levado. Esquivaram-se da multidão. Chorosas, pararam quando seus celulares tocaram juntos. Cada pequena parte delas se enfureceu ao ouvir o barulhinho de sms entregue. Provavelmente saíria dali uma boa provocação a respeito da morte de Jenna e sentiram que a partir dali não poderiam mais se calar. Iriam lutar com unhas e dentes contra a sigla anônima que ameaçava constantemente suas vidas
“O baile era de boas vindas, mas ela não era bem vinda. Beijinhos, -A”
Foi quando elas pensaram que talvez não fosse suicídio e a culpa estava sobre os ombros de –A. E vacilaram quando viram Toby chegar perto do corpo e não derramar se quer uma lágrima pela irmã. Aquilo soava como crise familiar e Toby estava mais sujo do que imaginavam.
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