The Dreams Collector
2 The Asks... I'm Searching The Aswers
Kaito pov.:
Enquanto estive no hospital tive muito tempo para pensar. Pensar por que as pessoas falsas me visitavam? Por que eles achavam que eu estava em coma, mesmo ouvindo todos ao meu redor perfeitamente? Por que ela vinha todo dia, e chorava baixinho como se estivesse em meu leito? E ela usava um perfume tão maravilhoso que era impossível não reconhece-la. Flores, pasta dental e menta.
Eu ainda não achara a resposta do porque eu a defendera. Na verdade, fora tudo tão maluco e inevitável.
Era inevitável achar respostas.
Por que eu a achara bonita? Quero dizer, eu tinha uma namorada famosa, bonita, inteligente, mas... Será que eu a amava realmente?
Ela também vinha todo o dia me dizer palavras bonitas. Acho que era para ser bonita, não era?
O perfume dela era irreconhecível também. Arrogância, charme e channel número 5. É, de tanto conversamos sobre coisas do interesse dela, eu acabei gravando o nome da porcaria do perfume.
Ela me pedia para acordar. Eu estava acordado, só não queria abrir os olhos. Não queria encarar o mundo novamente. Não queria ter de responder a pergunta dos outros, somente as minhas. E, o mais importante, não queria ter a certeza que me apaixonara pela desconhecida.
Covarde. Era isso que eu estava virando.
Um dia, não sei qual dia pois não me importava com nada, ela, a desconhecida, sussurrara em meu ouvido:
- Por favor, não morra.
Então eu decidi abrir os olhos. Por ela e por mais ninguém. Eu sentia que apenas ela sentiria a minha falta. Meus pais nunca ligaram para mim e minha namorada logo arrumaria outra pessoa.
Mas, ela... eu não estava certo sobre nada a respeito dela. A não ser que ela sentia algo por mim.
Isso estava ficando seriamente arriscado.
Quando acordei a primeira coisa que vi foi um dos dois rabos de cabelo verde-água que eu me lembrava muito bem. E que sentia falta.
Ela estava com olheiras, seus olhos vivos estavam vermelhos, ela parecia desolada e cansada.
Ela não gritou, nem soltou fogos de artifício, nem fez algo escandaloso como tenho certeza que minha namorada faria. Ela apenas sorriu. Um sorriso grande, lindo e iluminador.
Eu retribui o sorriso.
- Você acordou! – sussurrou ela. Sim, eu tinha acordado. Há muito tempo.
Apenas assenti.
- Vou, bem, ahn, vou chamar sua mãe. Ou o médico. Ou... – começou a murmurar enquanto se levantava. Peguei sua mão.
- Por favor, fique. – pedi. Nunca vi uma pessoa mais vermelha que ela. Eu ri. – Não fique com vergonha.
Ela se sentou novamente em uma cadeira e ficou me encarando. Parecia... neutra. Não parecia ter gostado (eu tive certeza que ela gostara) quando eu pegara sua mão, mas ela não a soltara.
- Por que fez aquilo? – sussurrou depois de um longo silêncio.
- Não sei. – sussurrei de volta. Era quase toda a verdade.
A garota chegou um pouco mais perto. Eu também.
- Você sabe que quase morreu para salvar uma desconhecida idiota. – sussurrou.
- Eu faria quantas vezes precisasse. – murmurei a encarando. O rosto dela não apresentava emoção alguma. – E quem eu salvei não era idiota.
Ela chegou muito, muito perto mesmo.
- Nunca mais faça isso. – Seu hálito era de menta. Eu quase fiquei tonto, tanto por causa das palavras, e tanto por causa do hálito cheiroso.
Ela recuou muito mais.
E se levantou a seguir.
- Muito obrigada. Mas não se arrisque por qualquer um. – murmurou ela. Parecia zangada. – Ou uma. – Acrescentou.
- Você não é qualquer uma. – falei.
Ela foi em direção a porta.
- Onde você vai? – perguntei.
- Chamar SeeU. Conhece? Lembra dela? – perguntou. Mesmo longe consegui ver seus olhos marejados. É claro que eu conhecia. – Vou chamar sua namorada.
A batida da porta fez quebrar a única parte que, infelizmente, o bandido não acertara. O coração.
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