The Dream Weaver
1 Fábula
Os dedos corriam habilmente no teclado enquanto os seus olhos eram fixos na tela. Vez e outra parava, levando o dedo indicador a ter certeza de que não perdia a linha de raciocínio de seus argumentos diante o documento. Seu celular vibrou ruidosamente ao tempo que digitava suas ideias, mas permanecia em sua tarefa. Apenas momentos depois pausou o que fazia, respirou fundo e buscou por seu aparelho.
— “Quero ver você”.
— “Estou em casa”.
— “Então irei até aí”.
— “Perfeito”. – Sorriu, travesso e alegre da troca de mensagens e em seguida, encerrou suas tarefas, para vestir-se de forma mais adequada.
Aproveitando os dez minutos que ele demoraria para chegar, vestiu uma camisa branca, sem abotoar por completo, deixando os dois botões ao tórax, abertos e para completar o look, um jeans. Foi até o banheiro e arrumou os cabelos, ajeitando-os com os dedos. Qualquer adicional para aquela noite, faria com o outro.
Deixou o celular carregando, já que não precisaria dele mais o resto do dia.
Em torno de quinze minutos passados, a campainha tocou, e assim, não demorou para atendê-la. Deixou um sorriso de satisfação surgir e permanecer ao vê-lo diante de si.
—Boa noite Giovanni. – Tocou em seu tórax, observando os detalhes do outro.
Levou os lábios ao do loiro, em um selinho. -Boa noite, Afrodite. – Em seguida, lhe deu licença para que adentrasse o apartamento. Fechou a porta e se aproximou, tocando ao fim de suas costas. -Estava com saudades, há dias não nos falamos. – O outro se virou em frente ao amante e o abraçou em seu pescoço. O moreno envolveu a sua cintura.
—Também estava com saudades. Voltei da viagem ontem e estava tão cansado. – Houve manha em suas palavras.
—Deveria ter me chamado, poderia ter relaxado você por completo. – Respondeu, travesso, observando os detalhes do rosto dele, de forma apaixonada.
—Cogitei isso diversas vezes. – Riu. -Mas o cansaço era tão grande que tive receio de não lhe dar a devida atenção. – Sorriu e lhe deu outro selinho. -Mas eu sei que não queria nada além dos seus braços, meu italiano. – O outro desfez o abraço, para levar a boca à dele em um beijo lento e apaixonado.
O sueco cessou a carícia, para deitar sua cabeça ao peito dele, trazendo os braços do moreno para lhe envolverem. -Ficaria feliz só de ficar dessa forma... – Complementou, para suspirar.
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—Com licença. – Sorriu, sem jeito. -Posso me sentar? As outras mesas estão cheias.
—Claro. – Deu um sorriso, -Tem dia que aqui está vazio, mas como hoje, superlotado. – Tornou a sorrir para continuar a comer a sua salada.
Sentou-se com o seu prato, para começar a almoçar. -É novo por aqui? – Perguntou, gentilmente.
—Sim. Fui transferido da Suécia para cá. Cheguei há poucos dias, ainda estou me acostumando.
—Florença é calorosa, pelo menos?
—Muito. Além disso, belíssima. Embora o meu italiano ainda seja arcaico. – Riu.
—Se precisar de auxílio, também sou professor de italiano para estrangeiros nas horas vagas.
O sueco mostrou-se surpreso pela coincidência. -Não vai atrapalhar você?
—De forma alguma. Eu tenho uma pequena turma aqui na empresa, e ensino on-line também. – Sorriu. -Ah. Me chamo Giovanni. – Estendeu a mão ao outro.
—Afrodite. – Foi a vez do italiano mostrar-se surpreso.
—Que nome...
—Minha mãe adora mitologia grega e foi criativa como você percebeu. – Virou os olhos. -Achou apropriado por no filho. – Riu, tendo a companhia do outro.
—Mas exclamei porque achei muito bonito. – Sorriu, cordial. -Eu gosto da romana. Se você morasse aqui, seria Vênus. – Brincou.
O outro riu por alguns momentos. -Que conversa que vocês teriam, só imagino.
Tirou do bolso um pequeno cartão de visita, deixando próximo ao prato dele. -Meu telefone, caso cogite mesmo as aulas. – Tornou a sorrir. -Não se preocupe caso não queria fazer em grupo ou internet.
—Suas aulas são apenas de italiano?
—No momento sim. Há uns meses tentei abrir uma aula experimental de Latim, mas... – Mostrou-se desanimado. -Em 2017 não tem muita gente com vontade de aprender uma língua morta. – Riu, triste.
—Nossa... Latim? Humildemente falo inglês... – Riu. -Algo mais? Aramaico por exemplo? – Brincou, e o outro riu.
—Sarda, francês, Espanhol e Inglês. – Sorriu. -Meu pai tem uma escola de idiomas em Veneza.
—Estou chocado. – Ambos riram novamente. -Sarda... Nem sabia que era idioma...
—É o idioma em Sardenha, é o mais próximo do Latim.
—Além de italiano, ainda estou ganhando aulas de história. – Sorriu.
—Desculpe, eu me empolgo. – Riu, sem jeito.
—Não, pelo contrário. Com todo esse currículo, o que faz em uma empresa de advocacia como essa? Tudo bem que é uma das mais importantes do país...
—Além de trabalhar como advogado administrativo, também faço parte dos advogados da União Européia. – Sorriu.
—Você gosta mesmo do que faz. – Compartilhou o gesto.
—Muito. Desde mais novo. E me diga, o que faz aqui?
—Empresarial. Onde eu trabalhava, lá em Estocolmo, aceitaram a minha inscrição para vir para a Itália. Tinha o perfil mais apropriado para representá-los aqui.
—Então lhe devo dar os parabéns e bem-vindo, Afrodite. – Sorriu, cordial.
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—Para você. – Revelou ao outro o que havia escondido atrás das costas. Um belo buquê de rosas vermelhas. -Outro dia comentou que era sua flor favorita. Coincidentemente é a minha, também. – Sorriu, encantado.
—Nos pequenos detalhe que amo ser conquistado. – No segundo em que acolheu as flores em seus braços, a mão dele tomou seu rosto, e as bocas selaram em um beijo. Giovanni, mesmo tendo sido o que provocou a carícia, a cessou.
—Desculpe-me. Fui inconveniente por demais.
—Eu discordo. – Respondeu, fitando-lhe fixamente os olhos.
—Como eu queria beijar você. – Confessou.
—Uma vontade em comum.
—Não acredito que é o nosso primeiro encontro... – Tocou no rosto dele novamente, depositando um beijo em sua face. Afrodite suspirou pelo carinho. -Precisamos ir, nossa reserva é as oito. – Riu.
—Acho que vou mudar os nossos plano. – Por um momento se afastou para colocar as rosas em cima da mesa e retornou a ele, puxando-o para dentro. O canceriano entrou rindo, divertido.
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Aninhou mais o loiro em seus braços, enquanto deitados na cama. Beijou seu rosto novamente, enquanto percebia ele lhe virando a cabeça para tentar lhe olhar. -Eu amo você, Giovanni. – Um dos dedos dele tocou uma mecha de cabelo que teimava em cair em seu rosto.
—E eu amo você, muito, meu amor. Estou feliz... Estamos juntos há dois anos? – Sorriu, enquanto aguardava a resposta.
—Vai fazer dois anos no mês que vem. – Saiu dos braços dele para poder virar o corpo totalmente de frente a ele. -Também nunca me senti tão feliz ao lado de alguém. Ainda não sei como você surgiu na minha vida, mas não quero que saia. – Deu um leve riso, para ter o rosto segurado pelo outro, e os lábios se encontrarem de forma apaixonada.
Trouxe o sueco mais para o seu corpo e seu colo, mais uma vez, sentindo-o entregue da mesma forma que se permitia à presença dele.
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O sueco cessou a carícia, para deitar sua cabeça ao peito dele, trazendo os braços do moreno para lhe envolverem. -Ficaria feliz só de ficar dessa forma... – Complementou, para suspirar.
—Entre, meu amor. Já jantou? – Gentilmente, trouxe o loiro para entro, trancou a porta de entrada e soltou-se dele, deixando-o à vontade em seu apartamento.
De forma preguiçosa, soltou-se do amado, adentrando e deixando suas coisas ao canto do assento de uma poltrona. Sentia-se em casa naquele lugar, também, sentia-se confortável. O lar de Giovanni lhe dava aconchego e apreciava esses e os sentimentos que ele lhe proporcionava.
Estava feliz. -Não, em casa apenas belisquei.
—Se incomoda se esquentar o meu jantar e comermos juntos?
—Mas se já comeu, não se preocupe. – Sorriu.
—Então vou esquentar. – Deixou o outro rindo na sala, para ir até a cozinha.
Aproximou-se do pequeno aparelho de som que o outro tinha e retirou o seu próprio celular do bolso, para colocá-lo no suporte para plugar em suas músicas. Ambos tinham um gosto semelhante, e assim, buscou por uma canção apropriada.
O moreno retornou, trazendo à pequena mesa de jantar, uma garrafa de vinho e duas taças. Observou o que ele fazia e sorriu. – “Nothing’s Gonna Hurt You Baby”? – Sugeriu.
—Impressionante como na sua boca sai tudo o que penso. – Sorriu. -Estou procurando essa canção no álbum do Cigarettes que tenho no meu celular, mas está meio difícil. Ah! Achei, finalmente. – No segundo seguinte, a canção iniciava. Afastou-se para olhá-lo, mas o outro já havia retornado à cozinha. Tirou seu blazer colocando-o em cima de suas coisas e foi até a mesa, servir as taças. Serviu a que seria para ele, e então, a sua. Giovanni retornou com dois copos de água, enquanto ele erguia as duas taças cheias, pegou a sua e no segundo seguinte, o tilintar dos vidros.
—Por uma noite maravilhosa ao seu lado. – O tom charmoso e sensual do italiano fez o outro corar, assim, cada um bebeu um gole.
—Por uma vida maravilhosa com você. – Respondeu da mesma forma.
—Afrodite, me responda uma coisa... O que é você? – Havia ternura naquelas palavras.
Sorriu, orgulhoso. -Honestamente? O seu reflexo. – O viu se aproximar e tocar em sua cintura para roubar um beijo.
—Por que eu não conheci você antes?
—Por quê as coisas não são por acaso. – Mordiscou o lábio inferior. Percebeu o italiano fitando os detalhes de seu rosto antes de se afastar.
—Pode se sentar, já irei montar a mesa.
—Irei ajudar! – Antes que o outro protestasse, entrou na cozinha e ajudou com os pratos e talheres. -O que temos de bom?
—Não fui muito criativo hoje cedo. Lasanha. – Riu, tímido.
—Isso é não ser criativo? Se eu fiz salada com frango foi o trabalho do mês. – Brincou. -E eu amo a sua criatividade de raiz.
—Se enjoar, fala.
—Dá licença que o cheiro está ótimo. – Saiu dali para arrumar a mesa para o outro.
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—Afrodite. – Sorriu ao tocar-lhe o braço, indicando que se sentasse. -Você já está aqui há algum tempinho e não tive o momento certo para lhe apresentar uma pessoa ótima que é meu amigo há vários anos. E isso vai virar uma reunião da ONU daqui a pouco. – Afrodite riu, confuso.
—Achei que tinha me largado lá! – Reclamou, ao encontrar os dois.
—Sueco, esse é o espanhol, Shura. – Sorriu, alegre, abertamente,
Por um momento, o moreno observou o loiro de forma demorada. A visão era encantadora, bela. Estendeu a sua mão, depois de alguns momentos a olhá-lo. -Prazer.
—Olá. – Sorriu, sem tirar os olhos dos recém conhecido. Alto, moreno, físico formado como o companheiro italiano, homens belíssimos e exemplares de seus países. Ambos lhe deixavam sem fôlego. Tanto que se recompôs, após as próprias palavras.
—Giovanni fala de você vinte e quatro horas por dia. Estava morrendo de curiosidade em saber quem é o felizardo. – Brincou, e sorriu ao vê-lo corar levemente.
—Não são vinte e quatro.
—Quarenta e oito. – Olhou-o, fingindo-se de sério.
—Droga, o meu chefe está me chamando, já volto. – Ambos o viram sair dali.
—Ele havia me dito que você era belo, mas pessoalmente... Nossa.
—O italiano sempre fala que deveríamos sair juntos. Que eu ia adorar você, e não discordo dele. – Sorriu, levemente malicioso.
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—Dá licença que o cheiro está ótimo. – Saiu dali para arrumar a mesa para o outro.
Por um momento, enquanto estava à mesa, apreciava a música que tocava ao fundo, cantarolando a letra e por conta disso, não viu o momento rápido que o italiano lhe abraçou por trás e beijou o seu pescoço, para se afastar novamente. Riu pela rapidez. -Não mereço mais um pouco?
—Sim, é que senão deixo a comida queimar. – Riu alto.
—Está certo. – Tomou mais um pouco do vinho.
—Finalmente! Segure a fome! – Apareceu da cozinha, colocando em cima da mesa a travessa com a lasanha prometida. Foi até a cadeira que o outro se sentaria e a puxou. -Por favor.
—Obrigado. – O italiano foi para a sua cadeira.
—À vontade. – Ficou a observar o outro a se servir. -Espero que aprecie, meu amor.
—Vou confessar que eu adoro ser chamado assim. – Falou baixo.
—Falarei quantas vezes quiser. – Preferiu, naquele momento, esperar ele experimentar, e assim, o observou comer.
—Está delicioso. Sério. Adorei, Giovanni. – Sorriu em agradecimento, para servir a si, enquanto o amado continuava a comer.
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Estava com a manta do sofá a lhe cobrir as pernas já cobertas pela roupa, porém, o clima estava frio. Assistia o jornal matutino, enquanto esperava Afrodite retornar do banheiro. Quando o repórter começou a falar da situação política, se entediou, e deixou a sua mão tatear o seu celular, perto do aparelho do amado, no parapeito da janela fechada atrás do sofá, principalmente porque ouviu o modo vibratório se manifestar.
Acostumado, nem olhava para a tela enquanto desbloqueava e entrava em seu aplicativo de mensagens, já que era este que era notificado.
— “De novo na casa dele?” — Por um momento parou, por não entender a mensagem. Então viu que outra era escrita. – “Porque não me atende, Afrodite? Estou com saudade.”.— Só depois da segunda mensagem, percebeu que o celular que tinha em mãos era do amado. Observou novamente de quem vinha aquilo.
—Shura? – Percebeu, incrédulo.
— “O Giovanni é um idiota, venha me ver”.— Seu dedo correu pelas anteriores.
— “Shura, temos que viajar de novo. Falarei para o Giovanni que é viagem da empresa...”— Não conseguiu continuar a ler aquelas mensagens, já havia lido o suficiente e percebido o suficiente.
Em sua expressão, havia um misto de raiva, ciúme e tristeza. -Eles já começaram a falar do concerto que vem para a cidade? – O sueco indagou assim que apareceu do corredor. Olhou o moreno, estranhando sua feição. -O que houve?
—Afrodite, você acha que sou tão idiota assim? – Ergueu o seu tom, e o outro permaneceu confuso.
—Giovanni, do que está falando? – Aproximou-se mais, quando ele se levantou e veio até si. O italiano tornou olhar o celular que não era seu e releu as duas últimas mensagens.
— “Porque não me atende, Afrodite?”; “O Giovanni é um idiota, venha me ver”. – O loiro olhava-o, paralisado. -É isso que sou para você? Um trouxa? Uma brincadeira?
—Não é nada disso que você acha. Acalme-se. – Sentia um desespero crescente.
—Estou muito calmo para o que acabei de ler. Quero é saber o que você pensa de mim, seu falso.
—Por que estava com o meu celular...? – Não o olhava. -Estava espionando as minhas mensagens? – Não estava sabendo como se explicar, como justificar tudo aquilo.
—É brincadeira, não é? Estou expondo a sua traição e você me fala sobre privacidade? Mas não, eu peguei por engano, porque os celulares estavam juntos e eu não olhei.
Sabia que as suas palavras tinham sido tolas. Giovanni era muito ciumento, mas não neurótico ou obcecado, principalmente se tratando de redes sociais. Até nisso, sentia que tinha sorte ao lado dele.
—Eu... – Colocou a mão no rosto. O sueco começava a demonstrar o desespero, não só por sua expressão chorosa, e novamente, não sabia como explicar.
—Quanto tempo me fazem de imbecil? – Não compreendia a sua própria calma e lágrimas silenciosas que surgiam.
—Ninguém faz você de imbecil. Nós queríamos contar.
—O Shura era meu amigo há dez anos. Você, meu namorado há quase três. Mas pelo visto, nenhum desses laços importavam porra nenhuma para vocês! – Novamente, a sua voz se ergueu.
—Eu te amo, mais do que qualquer coisa. Não fale isso... Minha vida mudou depois que conheci você.
—NÃO! – Gritou. -Não fale mais nada. Não quero palavras fúteis, não quero justificativas. – Dizia, com frieza. O pisciano se aproximou e tentou pegar na mão do amado.
—Não são fúteis. Eu escondi o que eu estava tento com o Shura..., mas jamais menti sobre o que sentia por você. Isso eu juro, por tudo. – Via as lágrimas do loiro caírem, mas estava entorpecido pelo ódio e pela tristeza.
Jogou o celular dele em cima da mesa. -Tome a sua privacidade de volta. – Fez uma pausa, antes de continuar a falar. -Você não fazia parte da minha vida, Afrodite. Você havia se tornado a minha própria vida. Amei você... Plenamente e sem arrependimentos. Sem outras pessoas, sem outras prioridades. – Ele se permitia chorar com as suas palavras. -Mas vi que só eu levava isso a sério.
—Eu levava isso a sério!
—Saía de uma cama e ia para outra. Isso é ser sério?
—Giovanni, não se manda no coração. – Ouvir aquilo lhe implementou ainda mais raiva.
—Realmente não. O meu tinha escolhido apenas você. – Afastou-se e foi até o quarto.
—Onde vai? – O seguindo, secando as lágrimas no rosto. Entrou no dormitório e o viu remexer em uma gaveta de sua cômoda.
Pegou a caixinha e foi até ele. -Aproveita e dê isso para o seu novo namorado. – Falava ressentido. -Agora, vai embora.
—Não... Não vou sair daqui. Eu sei que é a sua casa, mas estamos juntos nisso. – Por fim, abriu a caixinha, o que lhe fez fechar os olhos e mais lágrimas caírem.
Um par de alianças prateadas, finas, se encontravam dentro da caixinha de madeira. -Eu só aguardava um momento apropriado para isso. Mas que seja, sou ridículo mesmo. – Complementou, entristecido. -Afrodite, não existe mais “nós”. Você nos destruiu. Vá embora, pelo menos esse pedido, respeite.
—Não vou deixar você. – Cessou o próprio choro e guardou as alianças no bolso. -Você fala que não é sério, não acredita, com razão. – Fungou. -Mas eu não vou perder você.
—Você já perdeu. – Sentou-se na cama. -Nesse momento, não é o homem que escolhi amar e pretendia passar o resto da vida junto.
—Vamos conversar nós três.
—Não. – O olhou, bravo. -Vocês dois me perderam.
Tornou a se erguer e sair do quarto, mas foi impedido pelo outro. -Meu italiano... Não posso falar para me perdoar. Nem eu o farei, mas... Não saia da minha vida.
—Não me chame mais assim. Não somos nada mais um do outro. – Apressado, foi até a sala e abriu a porta do apartamento, vez e outra uma lágrima tornava a cair.
—Não será a nossa última conversa.
—Não vou ser ignorante e faltar com as minhas responsabilidades, pois ainda dou aula para você. Italiano não é curso de trinta segundos. – Não o olhava. -Mas é a única coisa que ainda devemos um ao outro.
Pegava seus pertences que ficaram por ali, enquanto o ouvia. -Ainda quero continuar as aulas.
O italiano mordiscou o lábio inferior, vendo-o de canto de olho, se aproximar. -Vá embora. Corra para o seu espanhol, não se preocupe, não saiu perdendo como eu, saiu foi ganhando. – Foi irônico em suas palavras.
Afrodite mencionou lhe beijar os lábios, mas outro virou o rosto. -Nada disso foi brincadeira para mim.
—Vai embora. – O outro derramou mais algumas lágrimas, enquanto saía, ouvindo o canceriano fechar a porta, de forma sonora.
Um pouco atrapalhado com seus próprios pertences, colocou o celular em mãos, para enviar uma mensagem ao espanhol. — “Você é um idiota. Falei para não mandar mensagem nenhuma! O Giovanni descobriu”.
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—Achei que o seu celular estava desligado! Não ia adivinhar! Droga! – Colocou as mãos na cintura, também irritado.
—Eu achava que não ia me sentir perdido de novo. Ao lado dele, tudo estava tão bem. Não sei por que caí na sua graça.
—Na minha? Sério?
—Está bem, é culpa dos dois, está bom assim?
—Ele nunca vai aceitar isso...
—Isso, o quê?
—Nós três.
—Você está tão brincando com a minha cara, agora.
—Nenhum de nós quer perder o italiano.
—Nem como amigo, nem como namorado.
—Teve uma época que eu... Achava que ele era bissexual... Então... Desisti. – Confessou, um pouco constrangido.
—Você foi apaixonado por ele? – Olhou-o chocado.
—Principalmente na época em que nos conhecemos. Mas foi algo breve, e ele acho que nunca percebeu, ou fingia que não percebia. Pouco falava de encontros com homens.
Ficou por um momento pensativo, para olhá-lo novamente. -Você por acaso sugeriu de ele aceitar nós dois de volta?
—Não quero terminar com você e você não quer terminar com ele.
—Você já está drogado a essa hora?
—É só uma ideia. Não me critique, pelo menos estou pensando em como vamos voltar para a vida dele.
—Quer saber? São meio dia e meu dia já foi cheio. Vou para casa, aproveitar que hoje é sábado, e vou dormir. Minha cabeça está estourando.
—Está de carro, não é?
—Sim. – Suspirou. -Por que tudo na minha vida acaba em inferno?
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Entregou a nota para pagar por seu suco. Agradeceu e adentrou mais o refeitório, de forma automática, buscou pela mesa usual em que se sentava com o amigo e com o namorado, porém parou no caminho, não só recordando que já estava solteiro, como não falava mais com eles.
Ainda assim, percebeu que ambos estavam na mesa que costumavam sentar-se. Sentiu-se frustrado ao ver que o capricorniano tinha lhe visto e consequentemente, lhe chamou.
—Não mereço isso. – Resmungou e fez o caminho de volta e fora da cafeteria. Achou uma beirada de jardim para sentar-se e quando percebeu, Shura se aproximava e se sentava ao seu lado. Ignorou, por completo.
—Não fique aqui sozinho. – Começou, um pouco tenso. -Sente-se conosco.
—Não sou o tipo do cara que gosta de segurar vela.
—Giovanni. – Recomeçou, sério. -O que aconteceu foi sério.
—Sherlock.
—Pare com as suas gracinhas, quero conversar de homem para homem!
—Agora todo mundo é homem. Na hora de trair ninguém pensou em sentimentos, respeito, laços e nessas porcarias! – Respondeu, irritado. Olhava a sua latinha de suco, mas o desânimo era maior do que a vontade de beber.
—Não sei como começar... – Murmurou.
—Começar, o quê? Na verdade, já começaram. Mas não me convidem para a porra do casamento.
—Afrodite ama você. Fiquei com ele, mas isso não apagava você da boca dele.
—Ele é crescido o suficiente para vir falar essas coisas na minha cara, não precisa de escolta, namoradinho.
—Ele não me mandou falar nada. Sou seu amigo há anos, e acompanhei você nesse relacionamento.
—Acompanhou bem de perto.
—Você está sendo infantil com o seu sarcasmo.
Ouvir aquilo irritou o canceriano, foi então que virou o corpo e o olhou, sério. -Infantil? No meu lugar, como vocês iriam lidar? Dói, Shura. Dói muito.
—Nós três estamos passando pela mesma coisa.
— “Nós três”? Você fala como se houvesse uma relação aqui.
—E não há?
—Não há mais nada. Não somos mais amigos, não sou mais namorado dele. Quero que vocês dois me esqueçam e sigam o seu relacionamento felizes! Vocês jogaram nossa vida no lixo. Por que eu vou reciclar?
—Não quero que terminemos a amizade.
O outro se ergueu. -Você não quer terminar. O Afrodite não quer terminar. Então por que vocês, em conjunto, planejaram destruir tudo?
—Rapazes? – Afrodite se aproximou, temendo pelo pior. Olhava o amado com minúcia, via seu rosto abatido.
—Por favor. Se realmente me prezam... Me esqueçam. Acabou. – Por fim, deu as costas aos dois e saiu dali.
O pisciano olhava o amigo com esperança, mas o viu balançar a cabeça em negativa, o que lhe partiu ainda mais o coração.
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Separava as folhas das atividades, quando o pisciano entrou pela porta de sua sala, apressado. -Desculpe pelos minutos em atraso. A análise do cliente acabou levando mais tempo... – Falava de forma cautelosa, o observando em sua expressão.
—Não se preocupe. – Deu um sorriso cordial enquanto ele se preparava. -Hoje... A aula será um pouco mais curta. – Viu que Afrodite lhe olhou de imediato, lamentando aquilo.
—Por quê?
Começou separando algumas folhas grampeadas, depois uma única folha preenchida e uma terceira que seria um boletim improvisado que combinaram de fazer. O sueco observou das folhas para o amado, de forma curiosa.
—Essa aqui... – Entregou a folha única. -É a correção da sua lição da última aula. A escrita está muito mais elaborada, com poucos erros, os quais precisa tomar atenção, apesar de não serem graves.
Apreciava aquele tom. Parecia que não tinham brigado e nas aulas não se tratavam como amantes, mas como aluno e professor, além de amigos de trabalho e era esse clima que percebia ali. Sem ironias ou mágoas e por isso, suspirou, triste.
—Já essa... Montei um simulado para você. – Agora foi a vez das páginas grampeadas. O loiro pegou o amontoado, percebendo a quantidade de exercícios e nisso, exclamou. -Além de ser um simulado de prova, também tem alguns esquemas e dicas de aula anteriores para ajudar nas dúvidas que você teve nas últimas vezes.
Talvez, fosse impossível amá-lo ainda mais. Com tudo que aconteceu, ele ainda pensava nesses detalhes de seus estudos. -Sim..., mas não... Me disse por que...
—Tanto esse simulado quanto esse boletim, você vai entregar para o seu professor na semana que vem.
—Espera. Professor? Mas você é o meu professor.
—Ele se chama Michael. – Continuou, como se o outro não tivesse falado nada e Afrodite sentiu o coração falhar batidas. -Ele lhe acompanhará nas aulas, já que você atingiu um nível bem melhorado em sua gramática e texto.
—Giovanni, por que outro professor? – Sério, mostrou que queria uma resposta imediata.
—Porque falei com o meu primo esses dias. – Não o olhava. -Ele e a família moram em Milão. Vou aproveitar as minhas férias que consegui e irei ficar com eles lá.
—Não. – Tocou na mesa com as duas mãos, como se tivesse sentido o chão faltar. -Quando volta?
—Fico feliz por vocês. – O loiro fechou os olhos, percebendo que não tinha resposta àquela pergunta e que ele se referia à aliança que vestia.
—Giovanni... Essa foi a aliança que me deu. A sua está no meu bolso, aguardando por você me aceitar de volta.
Passou a mão no rosto ao ouvir aquilo. -Não pretendo voltar. – O outro fechou os olhos, sentindo a onda de tristeza, mais uma vez.
—Por que tortura a nós dois dessa forma?
—Você me traiu. E não vou perdoar você.
—Não sente mais nada por mim? – Buscava o olhar dele. -Olha para mim...
—Responder “sim” e “não” é mentir da mesma forma. – Respondeu, ao fitá-lo. -Bom, nossa aula já acabou.
—Fica mais um pouco, por favor. – Ergue-se da cadeira e se aproximou dele, o impedindo de sair da sala. O loiro tocou no rosto do amado, aproximando o seu com cautela. Umedeceu os lábios, enquanto fitava o dele.
—Para quê ficar?
—Porque eu amo você.
O canceriano ergueu a mão e tocou no tórax dele, fazendo o outro fechar os olhos e levemente sorrir pelo toque. -Se você entendesse o tanto que amo você. – Murmurou, fechando os olhos. Em seguida, o sueco lhe deu um selinho, que foi correspondido. Trouxe então as mãos do moreno para a sua cintura, enquanto se aninhava em seus braços e percebia que ele aprofundava o beijo de forma apaixonada.
Do toque à cintura, segurou na roupa do loiro, puxando-o mais para si, mostrando claramente o quanto ainda lhe almejava. Mas, momentos depois, foi cessando o beijo aos poucos, assim como o seu toque. -O que estou fazendo...?
—Me amando. – Murmurou o outro. -O que... Preciso fazer para você voltar comigo? Preciso de uma resposta... Faço... Qualquer coisa, Giovanni. Não sei não ter você comigo. Fiquei... Mal acostumado. – Deu um leve riso.
—Você... Quer uma resposta, realmente sincera? – Estava um pouco mais sério, enquanto fitava os lábios dele, e uma de suas mãos acariciava o rosto dele.
—Fale...
—Visto a aliança... Voltamos e continuamos de onde paramos... – Ergueu o olhar ao olhar claro dele. -Se você der um fim no Shura. Se terminar com ele. Não quero ninguém entre nós. – Ouvir aquilo deixou transparecer uma leve surpresa e deixou de olhar o amado. -Preciso ir... Agora.
Foi deixado sozinho na sala. Virou o corpo para a porta, pensativo, e logo em seguida, encostou na mesa, passando a mão no rosto e nos cabelos. Estava no pior dilema que conseguia se ver.
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Terminou de lavar o último prato quando a campainha tocou. Saiu da cozinha e foi abrir a porta. -Entra. – O semblante estava sério, e foi ruidoso ao fechar a porta.
—Então... – Colocou sua mochila ao chão. -Por que me chamou? – O espanhol indagou e encostou na parede mais próxima, enquanto o loiro se apoiou na mesa de jantar.
Desde a briga com Giovanni, Shura não falava com nenhum dos dois com a mesma frequência de antes. Preferia assim, para evitar maiores conflitos.
—Giovanni e eu conseguimos chegar em certo denominador comum. – Colocou a mão livre na cintura. -Primeiro ele anunciou que não ia mais ser meu professor. Depois, avisou que vai ficar um tempo fora morando em Milão.
—É. Não me surpreendo, metade da família dele mora lá. Era comum viajar, embora desde que se relacionou com você, ele esqueceu até da família. – Respondeu, sério.
—Então... – Continuou. -Tornei a perguntar que queria voltar com ele. -E ele deu uma condição. – Não o fitava diretamente, mas sua voz e expressão haviam se tornado frios. -Se eu terminar e deixar de ver você, ele reata o namoro.
—Por que não estou surpreso? – Mostrou-se irritadiço. -E é claro que você vai fazer isso agora.
—Eu não quero. – Passou a mão na testa. -Não sei. Shura, eu sequer sei o que você e eu temos. Começou com flertes, algumas noites e nós dois acabamos virando bons amigos, apesar de que até então, passávamos algumas noites juntos.
—Estou apaixonado por você. Sabe disso. E amo o Giovanni, ele é extremamente importante para mim. Vocês dois são importantes para mim. – Falava de forma natural, clara, evidente.
Caminhou até ele, mas não o tocou. -Nós três acabamos ligados, a verdade é essa.
—Eu concordo. – Por fim, sorriu. -Mas... Se esse é o único modo... Posso trabalhar com isso. Tentarei conversar com o italiano nos próximos dias... Comigo vai ser um pouco mais trabalhoso voltarmos a sermos amigos. – Cruzou os braços, mostrando-se frustrado.
—Irei ajudar. Ele vai demorar a confiar em mim, também. Mas... Um passo de cada vez... O percebi mais calmo esses dias, pelos menos um pouco mais aberto a conversas.
—Cada um faz a sua parte. – Desfez a pose, adiantou-se para ele e beijou sua testa. -Me liga de vez em quando para notícias, pelo menos. Vai ser uma porcaria ignorar vocês, vou me sentir muito sozinho. Você e Giovanni são a minha família aqui. – O viu fungar. -Chega, fica feliz. – Sorriu e beijou sua face. -Depois nos falamos então.
+++
Aninhou-se ao sofá, depois de repousar a taça de vinho à mesinha de centro. Cobriu-se como de costume e mudou de canal, aguardando um filme que iria começar. Acabou se movimentando novamente, buscando por algumas pipocas, e apenas depois, encostou suas costas na almofada.
Assim que o créditos começaram a passar, o interfone na cozinha tocou. -Que preguiça de levantar... – Resmungou, para rir e então se levantar e ir atender.
—O senhor tem visita do senhor Shura.— Suspirou, desanimado.
—Que droga ele quer? Mande-o subir. – Desligou, para ir até a porta, destrancá-la, mas mantendo a correntinha que auxiliava na tranca. Prestando atenção nos sons, percebeu quando o elevador abriu e que o ex-colega apareceu.
Antes que ele batesse abriu o pouco que a corrente permitia. -Boa noite, Giovanni. Posso entrar para conversarmos?
—Na verdade, não pode não. Se veio implorar por migalha de pão, veio ao lugar errado.
—Eu vim conversar com um adulto. Posso?
—Que porra... – Resmungou, ainda o olhando pela fresta. Destrancou totalmente, abriu e o aguardou para entrar. -Fala.
—Vim ser franco e direto. – Colocou as mãos nos bolsos do casaco e se virou a ele. -Como já sabe, Afrodite já veio terminar comigo, pois você abriu a possibilidade de voltarem. E como disse à ele, falo à você, estou disposto a fazer isso, que aliás estou fazendo.
—Estou sem garantias que vocês não vão me apunhar pelas costas novamente.
—Não pudemos conversar sobre nada disso. E é por isso que estou aqui.
—Seja rápido, quero assistir Annabelle que acabou de começar. – Por conta do comentário irônico, Shura foi até a televisão e desligou.
—Essa porcaria desse filme passa todo dia. Assisti três vezes numa mesma semana. Odeio essa maldita boneca. – Respondeu, um pouco grosseiro. -Olha. Estou cansado da sua infantilidade medíocre. – O viu rir e mencionar responder. -Calado! Só você falou todo esse tempo e eu fiquei quieto. Dos três, fui o mais passivo! Você sequer me deixa falar. Agora, você vai me ouvir!
—É sério que você está me desafiando? Depois de tudo o que fez? – Ergueu a voz.
—O quê eu fiz? Nós omitimos que estávamos saindo. Porque sinceramente eu achei que você iria compreender. – O viu protestar. -Espera, eu não terminei. Pois vamos começar pelo começo. O Afrodite já cometeu algum erro com você?
—Não. Nossas brigas só foram por ciúmes, mas nada relevante para terminarmos.
—Então você decidiu terminar com ele por causa de um erro.
—Shura. Pelo visto, traição é algo normal para você, porque para mim, não é.
—Não. Espera. Esse é o mesmo Giovanni? Pelo que me recordo... Você me disse, há uns anos que os seus quatro últimos relacionamentos, você traiu as suas namoradas.
—Relacionamentos que não duravam uma semana.
—É, porém uma delas estava apaixonada por você. E ficou furiosa, lembra? Ou quer que eu lembro? Afrodite não sabe do seu passado negro. Não que importe, mas moral vai bem, cara.
—O mesmo relacionamento que eu ganhei na justiça.
—Você foi um desgraçado e sabia disso. Você a traiu, ela ficou furiosa e acabou com o seu carro e você ganhou a causa e ela ainda teve que pagar indenização à você. E vem chutar a mim e ao Afrodite para fora da sua vida?
—Eu sei onde quer chegar. – Cruzou os braços. -Mas isso é diferente.
—Diferente como?
—Fui um puto com ela. Mas eu aprendi com os meus erros. Na época antes de conhecer o sueco, eu passei um bom tempo solteiro. E então o conheci e ele mudou muita coisa na minha vida.
—Eu sei... – Respirou fundo. -Só quero que você entenda... É traição? Sim, é sério? Sim, mas você já esteve na minha pele, na do seu namorado. Por que nos tratar assim? Você teve uma chance, com você mesmo. Nos dê uma chance. Vai demorar para confiar em nós? Certo, merecemos. Mas você sabe como é isso. – Desviou o olhar. -Não é nada fácil em nenhum sentido, mas não merecemos sermos tratados de forma tão fria, quando você já foi cruel com alguém que te amava e foi traída. – Foi até ele. -Vim apenas para pedir para você refletir. Afrodite teve esse deslize comigo, e acabamos percebendo que é outra coisa que há entre nós. Mas ele, em momento algum deixou de respeitar você. Nem eu. Por mais que isso que aconteceu tenha sido o fim do mundo, principalmente para você.
Ouvia o colega com atenção, cada palavras lhe fazia rememorar situações e sentimentos, e cada desenvolvimento, lhe fazia refletir alguns conceitos pensados anteriormente, apesar de ainda sentir a mágoa e ressentimento. -Perdoar não é fácil, Shura.
—Não vim exigir isso. E nem ele também o faz. Nós amamos você. Você é o meu irmão e mesmo que não me olhe novamente, vai continuar sendo parte da minha família. Acho que venho pedir para nós três, uma segunda chance. Não temos direito? Sim, mas ainda assim. Ainda assim.
O outro levou a mão ao rosto, em uma pausa àquela conversa e nisso, permaneceu em silêncio, para perceber que ele ainda lhe fitava. -Estou em um buraco, de tão confuso.
—Leva tempo. Se realmente não quer o Afrodite, cada um de nós vai para um canto. Mas nós merecemos ficar juntos novamente. Você não vive sem mim. E eu não vivo sem você. – Passou a mão na nuca, cansado. -Ele não vive sem você.
—Você é tão filho da puta quanto eu.
Riu. -Por causa do meu ex? Aiolos era um meio para um fim. Não gostava dele, era um bom amigo, só. – Viu o outro balançar a cabeça em reprovação, mas depois riu, também. -Só ele achava que estava namorando. Eu ainda me considerava solteiro.
—Que vergonha.
—Vergonha é você trair namorada com a irmã dela. – Lentamente, deu alguns passos para trás, indo até a porta. -Mesmo que nada mude. Tente. Nós três juntos somos –
—Invencíveis.
—Você se lembra.
—Como se eu tivesse esquecido. – Não o olhava enquanto murmurava.
—Boa... Noite. – Em seguida, foi embora.
+++
Ao longe, a música tocava na sala, suave e ambiental, com um fundo sensual, dando um clima extra ao dormitório que era preenchido pelos sons de exclamação vindo de ambos, principalmente do loiro que permitia entregar o seu próprio corpo ao outro.
Os lábios percorriam o seu pescoço em uma carícia provocativa, enquanto o corpo do amado se arqueava embaixo de si. A mão anteriormente livre, delineava a lateral dele, lentamente, enquanto o sentia em sua total entrega. Para finalizar, beijou sua boca com paixão, mesmo percebendo-o sem fôlego. Em seguida, deitou-se ao seu lado.
Afrodite, mesmo exausto, virou-se de lado e de frente ao amado, buscando pela mão direita dele e beijando em cima da aliança do moreno. -Eu te amo tanto. – Sorriu, satisfeito e exausto, procurando aproximar-se e aninhar mais o seu corpo junto ao dele. -Pertencemos juntos, meu italiano.
Levou a mão ao fim das costas dele, colando os corpos novamente. Em seguida, puxou mais o cobertor, quase escondendo a ambos, e o que fez o loiro rir. -Acho que aqui é o lugar mais seguro para nós. – Murmurava, fitando dos olhos aos lábios dele, para então ameaçar um beijo, que o outro reclamava por não acontecer.
—Não seja mau. – Riu novamente.
—Afrodite...
—Hum?
—Eu te amo. – O viu sorrir com ternura, para levar a mão à face do outro e acariciá-la com a ponta dos dedos. -Não... Fique longe de mim novamente.
—Sim... – Encostou o seu rosto e fechou os olhos, levando os seus lábios aos dele, para aos poucos, mudar a posição em que estava deixando o amado relaxado no leito e colocando-se em seu colo, mostrando que novamente o desejava.
+++
—Alguma mensagem? – Perguntou, percebendo que ele mexia no celular.
—Apenas aquela de manhã. – Respondeu, pensativo.
—Sente falta dele, não é, Giovanni?
—Hm. Ele disse que quando viajava, você ficava bravo.
—Eram viagens a trabalho, mas me sentia sozinho. – Riu, brevemente.
A mão dele lhe tocou o braço, para sentir um beijo em sua face. Nada foi dito pelos momentos seguintes, já que ambos sabiam do que se tratava aquele instante e breve conversa.
—A parte mais complicada, é a confiança. – Murmurou em reflexão.
—Sim. É. Mas lembre-se que você foi forte o suficiente para dar outra chance para nós três. Um passo de cada vez. – Com o braço, envolveu o seus ombros, aninhado com ele ao sofá.
—Bom... O que quer fazer hoje? É domingo.
—Preciso realmente mexer em alguns documentos do trabalho. – Olhava para algum ponto da sala. -Mas também quero ficar aqui, junto de você sem fazer nada. – Ambos riram.
—Vamos ficar mais um pouco, e depois fazemos o que precisamos.
—Para mim, está ótimo. – Em seguida, ambos ouviram o celular do loiro tocar. Vendo quem era na tela, atendeu, em viva-voz. -Bom dia, Shura.
—Bom dia. – Falou, um tanto sério, logo em seguida ao amado.
—Bom dia. Não posso falar muito... Apenas liguei para dar um oi. Minha família ainda está dormindo. — Fez uma pausa. -Não acordei vocês, não é?
—Não, estávamos resolvendo o que ainda íamos fazer. Como estão os seus pais?
—Tudo ótimo, Afrodite. Qualquer dia desses vocês precisam vir conhecer Córdoba, Bom, o Giovanni já conhece.
—É verdade, vocês já foram para a Espanha juntos.
—Mas de qualquer forma, precisamos nós três viajar.
—Sinto que isso não daria certo. – Giovanni riu, travesso.
—Dá sim. Um em cada quarto. — O ouviram rir, divertido com a sugestão.
—Quem escuta acha que somos três crianças. – O sueco complementou e percebeu os dois ficarem quietos. -Então vocês acham isso?
—Só ouvi verdades.
—Eu também.
—Estou cercado de idiotas. – Afrodite riu, e acabou acompanhado pelos dois.
—Vai trazer lembrancinha para mim, não é, Shura?
—Não.
—Que amigo. – Brincou e o outro riu.
—Sim, eu vou, já comentei que é para falarem algo específico, também.
—Estou tranquilo com isso.
—Eu também.
—Acho que irei à cidade hoje e vou aproveitar e ver alguns presentes. Escutem... Esse mundo é pequeno para caramba.
—Por quê?
—Sabe quem eu encontrei aqui com os pais? Aiolos.
—Carma.
—Mas, não é? Ou maldição mesmo. – Giovanni riu. -Mas não chegamos a conversar.
—O felino do irmão dele estava junto?
—Felino. – Afrodite riu.
—Não. Eu tenho eles ainda no meu Facebook, e parece que o Aiolia está fazendo intercâmbio na Turquia.
—O que aquele fedelho faz para parar na Turquia? – A conversa dos dois fazia Afrodite ainda rir.
—Ele e o Aiolos foram para lá uns bons meses atrás, parece que gostaram da brincadeira.
—Perceba que o Shura é fofoqueiro. – O espanhol riu ao telefone.
—Ou stalker.
—Ou meio louco.
—Ainda estou aqui, criançada.
—Já olhou mesmo a cara dele? Meio psicótico, cara de Pennywise. — Afrodite gargalhou durante alguns minutos.
—Xinga, mas não ofende também, não é? – Fingiu-se de bravo. -A brincadeira está boa, mas preciso desligar.
—Vai comprar balões? – O sueco se permitiu rir novamente.
—Tchau, Afrodite, e vá se ferrar, Jigsaw.— Riu, também, para desligar a ligação.
Giovanni continuou a rir, mas quando o loiro pausou seus risos, o observou com um sorriso, carinhoso, pelo esforço que ele fazia, mesmo sabendo que ainda estava ferido. Tornou a tocar em seu rosto, beijando-lhe a face.
—Que houve?
—Pensando.
—No que?
— “Em quem” seria a pergunta correta.
—Em quem?
—Você. – O viu corar levemente.
—Que fiz?
—Tudo. – Tornou a abraçá-lo, sendo correspondido com os braços dele em um gesto forte, seguro. -Tudo o suficiente para me fazer feliz. – Murmurou.
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