The Dream Traveller: A Porta para Phantomile
13 Vision 12: The Time of Restoration

— Ora, o que temos aqui. — Eu reconheci a voz no instante que chegou aos meus ouvidos. — O pequeno sonho que não pode ser corrompido pelos pesadelos.
— Ghadius. — Disse assim que o avistei. Ele estava sentando num trono com os olhos verdes flamejantes virados para mim, meus dedos apertaram o anel com força.
— Viajante dos Sonhos.
Ele riu de uma maneira diabólica, preenchendo o ambiente com a sua voz.
— Enfim nos encontramos, mas lamento em dizer que você está deveras...
atrasado. — Ele virou o rosto apontando para uma das torres do castelo, dentro da torre havia um cristal em forma de uma lua crescente, ele emanava uma áurea negra e pulsava como um coração.
— Por que você está fazendo isso?
— Por que? — Ele se levantou e caminhou até a beirada para contemplar o vasto e vazio espaço. A coroa na sua cabeça parecia mais brilhante. — Porque eu estou farto desse seu planetinha cheio de bons sonhos e esperança. O Cluster me prometeu toda Phantomile em troca de uma vida, um preço tão barato...
Huepow surgiu de dentro da pedra.
— E você acha que tem o direito de fazer isso?!?! Você sabe muito bem que o
Nahatomb irá dizimar tudo quando for libertado, e o que sobrará pra você, Ghadius?!?!
— Pesadelos, pequeno príncipe... e isso já é o suficiente. Eu já fui rejeitado por esse planeta, jogado na eternidade frigida da escuridão, aonde ansiava que, mesmo sendo imortal, ansiava pela morte a cada segundo de existência. E agora será a minha vez.
Eu fiquei em posição de ataque. Já tinha escutado o suficiente.
— Eu jamais permitirei isso!
Ele se virou para me olhar nos olhos. Ali não havia um resquício sequer de emoção, mas sentia um rancor e ódio emanando dele.
— Então você escolheu a morte.
Ghadius abriu a sua capa revelado que no lugar aonde deveria haver um corpo, tinha um buraco negro. Ele fez um gesto com as mãos e sem perceber tudo a minha volta começou a tremeluzir e mudar de forma, em questão de segundos estavam em um lugar diferente, escuro como no espaço e havia uma plataforma em forma anelar girando igual a uma roda de hamster.
Ghadius surgiu com o triplo do tamanho, preenchendo todo o meu campo de cisão.
― Expansão da Magia Profana: Realidade Distorcida!
O capacete dele se dividiu em três e começou a disparar Moos Sombrios. Desviei enquanto tentava não cair no precipício sem fim, mesmo tendo a certeza que aquilo tudo era uma ilusão não queria arriscar o que aconteceria se eu caísse.
― E aí, Huepow. Alguma ideia?
― Essa magia é bem poderosa. Pelo que eu percebi vem do capacete, podemos tentar acertar nesse ponto para surtir algum efeito. Sei que parece ridículo, mas pode funcionar.
― E nem fácil.
Esperei a próxima onda de Moos para tentar agarrar um. Por sorte a magia funcionou e já tinha algo que poderia usar, disparei contra o capacete e funcionou para tirar atenção dele do feitiço e focar na minha morte. Tentei usar os Projeteis de Vento só que percebi algo diferente, algo havia impedido o meu ataque antes de atingi-lo.
― Você não viu isso?
― Vi o quê? As balas sumiram do nada.
― Não sei explicar, mas surgiram uns dois braços nas costas dele… CUIDADO!
Só percebi quando uma força esmagadora me atingiu, bati contra o topo da roda e novamente veio outro soco invisível que dessa vez conseguiu quebrar a roda me jogando para o lado exterior.
― Deixa eu adivinhar. ― Disse cuspindo uma pataca de sangue que se formou na minha boca. ― Braços fantasmas?
― Braços fantasmas.
― Beleza. Só mais uma coisa pra facilitar a minha vida. Você consegue criar algum tipo de proteção já que consegue vê-los?
― Sim, mas você vai ter que tomar cuidado. Não consigo manter duas magias ao mesmo tempo.
Assenti com a cabeça.
Corri para tentar acompanhar o movimento da plataforma e saltei. Naquela posição deu usar o Gancho e peguei impulso para um ataque direto, soltei o Gancho já preparando a Lâmina de Vento, consegui acertá-lo de cima para baixo num corte diagonal. O Mestre dos Pesadelos chiou em dor, mas percebi o tremor com som de rachaduras provando que Huepow estava certo, a máscara é a chave para sair dessa ilusão.
Em resposta veio uma saraivada de Moos Sombrios, usei a lâmina para desviálos, mas do nada arma sumiu dando lugar a uma bolha verde e em seguida o impacto. Os socos fantasmas vinham com força, não sabia até quando o Huepow conseguia manter o escudo.
― Huepow, libera a barreira assim que ele der o próximo golpe, eu tive uma ideia.
― Tem certeza? Seus planos tendem a pôr nossas vidas em risco.
― Estamos vivos, não estamos?
Ele não respondeu.
Só me preparei, assim que percebi o escudo sendo desfeito pulei para frente para me desviar do golpe e assim que senti o chão sendo atingindo me virei e dei outro salto, mesmo que não pudesse vê-los, eles estavam ali e poderia muito bem agarrá-los. A minha teoria se confirmou, que não eram bem braços fantasmas, somente braços normais que eu não conseguia ver e mesmo assim não facilitou quando fui erguido com tudo em direção a ele para desferir outro golpe.
― Como ousa! ― Ghadius percebendo o que eu estava fazendo tentou me acertar com as mãos que eu conseguia ver.
Desviei o máximo que pude até poder chegar aonde queria, vendo a abertura me soltei caindo direto para a máscara dele e consegui desferir outro golpe.
Agora o que era algo intocável e perfeito, estava com rachaduras. Ghadius voltou ao seu tamanho normal e estava de joelhos, suas mãos tateavam a máscara dourada tentando impedir que um líquido espesso e negro vazasse, porém só fazia escorrer mais pelos seus dedos.
― Eu sabia que não sairia com vida dessa batalha. ― Ele disse não olhando diretamente para mim. ― Mas consegui cumprir o meu objetivo. O Ovo do Rancor já eclodiu e nesse exato momento o poder de Nahatomb cresce… tudo isso para você.
― Para mim? Mas eu não tenho nada a ver com isso?
Ele soltou uma risada fraca.
― Criança tola. Não faz a mínima ideia de quem está atrás de você. O Cluster, me libertou oferecendo Phantomile inteira em troca de uma única vida… ― Seus olhos encontraram os meus. ― A sua.
― Mas quem é esse Cluster? Eu vou derrotá-lo igual fiz com você.
― Não faço a mínima ideia. Mas saiba que ele não vai parar até conseguir o que quer… você nunca vai encontrar… a paz, garoto…
E a máscara explodiu num som oco, quando acabou não sobrara nada, como se ele nunca estivesse realmente ali. Olhei em volta e ainda parecia preso dentro da ilusão feita por ele, já era para ter sido destruído.
― Não, Klonoa. ― Uma outra voz surgiu, com certeza não era do Ghadius. ― Não há saída do meu domínio.
Olhei para cima e vi dois olhos me encarando. Não era humano. Era algo além disso, havia malicia e ódio.
― Finalmente, esse teatrinho acabou e vou obter o que vim buscar… a sua alma!
E dois feixes de luz me atingiram. Eu não conseguia me mexer e a minha ligação com o Huepow estava cortada, não conseguia ouvir ele. Uma dor lancinante me atingiu quase fazendo perder a consciência, nunca pensei que ter a minha alma arrancada seria tão doloroso. A segurança do pequeno espirito era a única coisa que se passava na minha cabeça.
Já não tinha me sobrado forças ou esperança de que escaparia, só me restava aceitar a morte. Consegui ver uma rachadura dentro do meu campo de visão e em seguida o som de algo se chocando, a rachadura crescia a cada som e como uma casca de ovo a ilusão cedeu revelando uma entrada e dela emergiu dois seres, uma maior e um menor.
De primeira não consegui perceber, mas à medida que se aproximavam já sabia quem era.
― Klonoa! Viemos ajudar! ― Karal gritou todo animado, acho que ele ainda não entendia a gravidade da situação.
Foi aí que vi que a Pâmela vinha carregando Balue, Seadoph, Granny e o Papa Moire. Todos estavam ali reunidos.
A Rainha de Cress se aproximou surgindo de algum lugar, ela fez um gesto e uma esfera surgiu em minha volta, aquilo serviu para me tirar da influência do raio sugador de almas. Olhei em volta e não sentia mais a presença da voz que me atacara, estava de volta a sala do trono dentro do castelo, deduzi que estaria seguro por enquanto.
— Pessoal! Mas... o que estão fazendo aqui? — Perguntei tentando afastar a minha exaustão.
— Bah, eu sabia que você teria chance contra ele. — Balue se aproximou me apertando nos seus braços musculosos.
— Mas temo que ainda não acabamos. — Granny interrompeu. — Nahatomb está lá fora e ainda temos que pará-lo.
— Só que ainda temos esperança. — A Rainha fez um gesto para que todos se aproximassem. — Um poder antigo, deixado pelos nossos ancestrais antes da Grande Guerra. Temos aqui reunido os Representantes das Cinco Tribos e juntos conseguiremos ativer esse poder.
Balue pigarreou. Ele parecia nervoso.
— Mas... o Velho Kazeno, ele está morto. Não temos o Representante de Breezegale, o Klonoa ainda é muito novo para isso.
Pera, todo esse tempo o Vovô era um guardião? Mas ele até esquecia de como fazer um chá, não conseguia imaginar ele lutando contra as forças do mal.
— Balue, por isso contamos com você. Você já mora em Breezegale há muito tempo e conhecia o Sr. Kazeno. Faça isso por Phantomile, pela Lephise.
O grande gato velho suspirou, acho que tinha um certo peso em suas costas agora.
— Certo. Vamos nessa!
Todos subiram novamente nas costas da Pamela. Karal fez um gesto para que eu subisse na dele. Mas Huepow me parou antes deixando os adultos irem primeiro.
— Klonoa, o Ghadius pode ter razão, mas saiba que você não é o responsável por isso. Não se esqueça de quem você é.
Eu realmente fui pego de surpresa, não tinha como responder aquilo. Só consegui acenar com a cabeça e saltar nas costas de Karal.
Seguimos a Pamela até um planeta inteiro que se formou acima do Reino da Lua.
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