[P.O.V Gellert Grindelwald]

O dia chegou e quase não dormi por ansiedade, o que ocasionou meu despertar mais tarde do que imaginava, pulando para o chuveiro. Minha tia estava tão animada quanto eu.

Foi ela quem atendeu a porta daquela vez, dizendo a ele que poderia subir direto para o meu quarto, já que eu estava acabando que pôr as coisas em ordem para recebê-lo. Parei de correr quando ouvi-o chegar, arrumando a escrivaninha um pouco mais devagar e passando a mão no cabelo para ajeitá-lo melhor. Ouvi o bater à porta.

“Abre.”

[P.O.V Albus Dumbledore]

Acordei muito cedo, provavelmente bem mais do que o necessário, e tive que tomar o cuidado de não fazer muito ruído enquanto me arrumava, acordando desnecessariamente o resto da casa. Demorei a lembrar-me de que havia agora apenas outras duas pessoas ali – e falhei, despertando uma delas.

“Conseguiu dormir tão pouco... precisa de alguma ajuda?” perguntou Anna com seu modo gentil. A moça ajudava em tudo na casa, sendo especialmente atenta às necessidades de Ariana.

“Não se preocupe. Só vou tomar um desjejum leve.” Respondi-lhe grato pela ajuda, mas dispensando qualquer preocupação. Mesmo assim pôs uma mesa de café simples para uma pessoa muito mais rápido do que eu jamais faria sozinho, antes de sair discretamente, um tanto sorridente.

O outono avançado trouxe vento, umidade e nuvens baixas com possibilidades de chuva; o frio proporcionou a chance de usar uma capa leve, cor de mogno – justo quando me preocupava de só aparecer de camisa e colete diante daquela família. Tendi para os tons avermelhados, calcei botas e dispensei o chapéu. Fingi que organizava papéis apenas para passar um pouco de tempo e fui novamente a pé com a sensação do toque do vendo no rosto. Não sabia exatamente para o que teria expectativas, apenas não podia negá-las.

Bati à porta, sendo recebido por uma Batilda especialmente sorridente, principalmente depois que lhe ofereci um singelo vaso com sua flor favorita, a mesma que Gellert colocara em sua bandeja em minha última visita. Aprendi com minha mãe a dar valor a estes presentes que “duram” e proporcionam alegria por muitos dias. Com a falta de cerimônia sempre me surpreendendo, convidou-me a subir e ir até o quarto do sobrinho.

Hesitei um pouco, mas tomei o caminho dos degraus até o andar superior, depois aqueles que levavam até o cômodo onde Gellert dormia. Quase não ouvia nenhum ruído do interior.

Bati. “Bom dia. Sou eu, Alvo.”

Ouvi sua resposta e girei a maçaneta. Imediatamente, ouvi um som sibilante, seguido por vários estalos que atraíram meu olhar ao chão, pelo pequeno vão da porta. Encarei o pequeno réptil que fez o mesmo, desconfiado, por vários segundos com a língua inquieta, antes de voltar rastejando incrivelmente rápido para perto de Gellert; era então seu bicho de estimação, mas demorei um pouco para assimilar o fato, passado o susto. Por sorte, a porta ainda meio fechada tapava a minha mão, que instintivamente buscou a varinha, mas que baixei lentamente.

Não sei exatamente a expressão que tinha quando entrei no quarto, finalmente olhando Gellert. “Olá.” Repeti, sentindo-me tolo e avaliado.

Tentei puxar assunto enquanto terminava de se aprontar, depois que fui devidamente apresentado ao novo membro da família. “Seu quarto é... intrigante. Do melhor sentido.” Comentei passando os olhos pelo espaço, superficialmente pelos móveis, livros, antes de deter na parede frontal. “Foi você que fez isso?” perguntei aproximando-me para constatar a solidez do muro ou o frio do vidro, para ver qual era real. “É uma ótima ideia. Mas acho que demoraria até não me sentir exposto.”

Esperei para ver se gostaria de me mostrar alguma coisa, aproveitando a brecha para mencionar que havia guardado seu desenho onde posso pegá-lo com freqüência, sem dizer ainda que tinha uma espécie de diário. “Mais uma vez obrigado, sempre sorrio com ele. Também mostrei-o à minha irmã e ela adorou. Foi um jeito de abordar a ideia de que gostaria de recebê-los para um lanche. Ela quer conhecer o rapaz que desenha.” Comentei com um sorriso. “Não vou precisar demorar para retribuir a gentileza.”

“Pretendo te levar nos pontos turísticos básicos de Londres, mas quero conhecer um pouco melhor seu gosto para saber se vamos a algum museu, parque ou obra arquitetônica, ou passamos em catedrais, lojas... tenho idéia de lugares que talvez você quisesse rascunhar.” Mencionei. “Claro que não precisamos fazer tudo em um dia.” Olhei para fora, percebendo que sua tendência a empolgação era contagiosa.

Descemos para avisar Batilda que estávamos de partida e segurei seu pulso por um momento para que aparatássemos no limite do parque ainda bastante vazio naquele horário. Enquanto olhava ao redor, aproveitei para vê-lo melhor em sua escolha para sair.

“Podemos começar pelos lugares que só vão encher mais tarde, se não quiser tumulto.”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Letícia...” chamei com um breve tom de repressão, mesmo que ainda doce. O lagarto pogona demorou alguns segundos para voltar, apenas esperando para que Alvo tivesse certeza que ela estava observando-o de perto.

Com ele já no quarto, acabei de me calçar com ela subindo por minhas costas, o encarando por cima de meu ombro. Virei para seu lado, dando uns baixinhos beijos no ar e ela aproximou a carinha para ganhá-los, passando a língua nervosa em mim como um cutucar carinhoso em resposta.

“Ele é meu amigo, Leti. Vai começar a frequentar a casa. Vocês vão aprender a se gostar.” Ela mostrou a linguinha para o convidado novamente. Ri. “Ora, vamos... por mim!” Mostrou a língua novamente desconfiada para mim antes de rodeá-lo como se fizesse um reconhecimento do jovem e se escondeu entre minhas prateleiras.

“Já já ela se solta. É ciumenta como se fosse minha esposa.” Ri novamente, pegando a bolsa. Agradeci o elogio para meu quarto e olhei para trás, mirando aquilo que apontava. “Fui eu quem fiz sim. Mas isso é como abrir uma janela. Não é permanente.” Balancei a varinha, o marrom da madeira real manifestando-se. “Coloco o efeito apenas quando convém. Gosto pela manhã, ou quando chove. Obrigado, é um dos meus orgulhos.”

“Posso mostrar meu quarto melhor um dia caso se interesse. Temos bastante história para trocar e posso mostrar artes verdadeiras minhas feitas em mais de cinco minutos.” Disse baixo “Pode ser que se surpreenda com o que vai encontrar aqui... além da Letícia.”

Lhe sorri com mais ternura quando falou do desenho, não sabendo exatamente o que dizer. Meu sorriso alargou quando mencionou a irmã. “O moço que desenha aceita o convite quando este for feito.”

“Gosto bastante de ver como os trouxas conseguem fazer coisas incríveis com tão pouco recurso. Gosto sim de catedrais e parques bonitos criados por eles. Arte mesmo, traçada, nunca me interessei muito. Pode ser uma surpresa positiva tentar. Obrigado por já pensar em lugares que incentivam meus próprios traços, seria uma delícia sair para isso.”

Despedi-me rápido de minha tia que lançou-me um sorriso cúmplice, e, quando me dei conta, já estávamos em um lugar bastante arborizado, esquilos e cisnes chamando minha atenção. Respirei fundo para sentir o cheiro de vida que aquele lugar possuía, jogando a cabeça para trás para atentar-me ao topo das árvores.

“Podemos começar pelos cartões postais, então? Ouvi dizer que são perto um do outro e deve ser belíssimos vê-los neste sol tranqüilo da manhã.” Ele aceitou a ideia rapidamente. “Depois gostaria de explorar esse lugar. Em algum momento...”

Fomos andando a pedido meu para que pudesse sentir o vento gelado no rosto, várias vezes ficando em silêncio apenas andando lado a lado com ele enquanto apreciava alguma coisa por um pouco mais de tempo. Passamos assim, primeiro, pelo palácio de Buckingham. Parei do outro lado da rua, admirando-o.

“Disso que estou falando, dessa vontade de ser mais e ao mesmo tempo conseguir ser sutil. Aí mora alguém com mais poder do que nós podemos imaginar. Tão protegido e ao mesmo tempo tão frágil aparentemente. É lindo.” Soltei um breve suspiro, reparando em alguns detalhes em ouro e na estátua a frente do castelo.

“Inacreditável imaginar que é a mesma espécie. Inacreditável.” Falei mais para mim mesmo, olhando-o um pouco mais enquanto também admirava a arquitetura.

[P.O.V Albus Dumbledore]

Já fazia algum tempo que não vinha a Londres com apenas intenção de admirá-la ou passear, o que fazia o momento especialmente agradável. Tentei prestar atenção às coisas como Gellert fazia, desfrutando delas; lembrando-me do quanto gostava de cisnes.

Diante do palácio, uma porção de detalhes novos mostraram-se a meu olhar mais atento. “Acho que há entre nós pessoas com essas virtudes.” Franzi as sobrancelhas. “Eles se apoiam muito mais no poder simbólico – dinastias, realeza, influência e fama – do que nós, que com freqüência nos medimos em forças mais ativas e mágicas. Não que o inverso não exista. Eles têm coisas práticas, como o dinheiro, e nós, tradicionais, que levamos mais a sério a noção de sangue-puro. Ainda assim, sinto que poucos estão satisfeitos com o poder que têm.Isso às vezes me preocupa.”

Olhei novamente a bela construção, cuja ‘fragilidade’ os trouxas não eram inteiramente capazes de perceber. “Precisamos reconhecer a coragem de querer se expor assim.” Comentei, dando levemente de ombros. Tínhamos ficado filosóficos logo no início do passeio! Era curiosa essa relação, que parecia inversa à maioria: começamos a nos conhecer através de temas profundos, reflexões e convicções sólidas, com pouco espaço para banalidades, de tal forma que sabia mais sobre as forças motrizes de seu caráter do que sua cidade natal, e descobri primeiro um dos eventos mais marcantes de sua vida do que o fato de que tinha um animal de estimação.Quando chegaríamos às conversas supérfluas? Ou por que queria falar com ele sobre esses temas?

Refletia sobre isso enquanto permitia que Gellert apreciasse Buckingham até se sentir satisfeito, mas quando voltou-se, flagrei seu olhar sobre mim. Pouco depois, continuamos o passeio, margeando o parque Saint James. “O lago tem pontos especialmente bonitos, mas acho que fica mais vistoso na primavera.” Indiquei. Como não tínhamos pressa, apreciamos o trajeto, enquanto os próximos pontos famosos se delineavam sobre as árvores. “Se algo captar seu interesse no caminho, basta me dizer.”

Seguimos conforme seus interesses predominantes, passando por vários edifícios históricos até chegar ao entroncamento de onde era possível divisar as grandes praças, o Parlamento britânico, a icônica torre do sino Big Bem, as torres mais elevadas da abadia de Westminster e a ponte cruzando as águas espelhadas do Tâmisa. De onde estávamos, indiquei e nomeei cada um dos locais, perguntando também o que gostaria de visitar primeiro.

“Confesso que gosto bastante do palácio de Westminster. Todas as suas pontas e torrinhas me fazem pensar nos soldados, sempre alertas e tensos. As três torres são completamente diferentes em estilo, função e época, sendo a última de não muitas décadas atrás, quando fizeram a última grande reforma. Foi dedicada à atual rainha, Victoria. Não sei se ela mesma fez questão daquela longa e estreita agulha sobre o teto... que faz com que ela seja dois metros mais alta do que a torre do sino.” Contei com humor. “Acho que não sei muito mais do que isso.”

Seguimos as explorações, enquanto o centro da cidade lentamente se enchia. “Você tinha algum lugar que gostava de visitar em seu país?” perguntei, tentando conhecer um pouco melhor de sua história.

[P.O.V Gellert Gridnelwald]

Ouvia-o tranquilamente soltando algum suspiro quando mencionou os tipos diferentes de poder. Assenti em reflexão. “O que pensa sobre isso? Nossos tradicionais do sangue-puro. Às vezes concordo um pouco, às vezes acho ser perda de tempo. Sou muito mais de valorizar o bruxo do que a quantidade de certo material que possa ser feito. Sabe que me envergonho um pouco do que quero quando observo quem conseguiu? Sempre fico almejando o mundo, aí vejo uma estátua de ouro dessas e...” apontei para cima, dando um passo para trás com o cenho franzido, já que não havia mais nada. Bufei, passando a mão pelo olho esquerdo um tanto dolorido, disfarçando como podia. “Desculpe, o que estava dizendo?”

“Podemos vir mesmo quando a primavera chegar. Quero conhecer algumas coisas em seu auge, se tiver disposição de me levar.” Lhe sorri enquanto andava mais um pouco, às vezes passando os dedos rapidamente pelo olho.

Sorria levemente a todos os picos que apareciam até chegarmos ao Big Ben, que já era visto em boa distância. Passei a mão em uma cabine vermelha telefônica quando passamos perto, prometendo desenhá-la depois.

Girei um tanto alegre quando estávamos na ponte. Um moço ali parado ofereceu uma foto com todo o seu equipamento. Aceitei mais animado do que eu mesmo previa, puxando-o com um braço envolto em seu pescoço, parando em frente à construção clássica. Paguei feliz, pegando a foto. Era algo que eu sabia que seria valorizado depois. Apoiei-me na barragem da ponte para ficar olhando a paisagem ao continuar conversando.

“Ah, tenho certeza que foi ela quem fez questão.” Disse brincalhão, concordando algumas vezes com o que dizia. “Já sabe bastante. Obrigado pelas informações. Esse acaba sendo meu tipo de pessoa... me divirto com essa carência chorona de ‘Preciso ser o melhor para os jurados da minha cabeça.’”

Fomos andando pela ponte até virar a esquerda e vi um recuo com uma escada de pedra com seu final estando já dentro do rio. Pedi que ficássemos ali um pouco para eu sentir a energia do lugar mais tempo e nos sentamos em um dos degraus.

“Em meu país? Eu não conheço tanta coisa. Minha família tem orgulho demais do que tem e era mais válido ficar cuidando das fazendas do que sair. Sabe... eu explorava mais com meus poucos amigos.” Falava sorrindo. “Conhecemos até umas coisas boas. Paisagens interessantes, brincávamos de tentar invadir palácios abandonados... temos bons doces, você ia gostar.” Dei-lhe uma ombrada amigável antes de continuar. “Mas gosto bastante de encontrar o meu lugar em tudo. Isso faz dos lugares um pouco meus. Se sentarmos aqui mais alguma vez, por exemplo, esse já se tornará um dos nossos locais, por exemplo. Expostos, mas ao mesmo tempo não. Não dizem sempre que as pessoas só enxergam o que querem?”

Esperei-lhe responder antes de tirar um papel do bolso e lhe entregar. “Sei que quer falar sobre coisas pacatas. Então eu e Letícia elaboramos uma lista de perguntas bobas para nos conhecermos em coisas tranquilas. Vamos começar com o juramento?” ri, lhe estendendo a mão para um aperto.

“Olá, sou Gellert Grindelwald e prometo responder essas perguntinhas apenas com a verdade – sem prolongar nada com minha grandiosidade. Sua vez.” Sorri.

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Posso estar sendo radical, mas se uma gota de sangue mágico faz com que alguém seja útil com uma varinha na mão, esse alguém é bruxo e deve ser tratado e instruído como tal para que não se torne perigoso. Os sem-poderes são um caso especial.” Acrescentei com um gesto da mão que dispensava a temática no momento. “Pureza não é sinônimo capacidade ou de grandeza. Às vezes é um escudo conveniente para bruxos medíocres protegerem seus egos.”

Estava já pensando por onde seguiríamos quando minha atenção foi novamente pega: Estátua...? Virei-me, procurando talvez um monumento que nunca reparara antes ou era recém-inaugurado. Vi sua expressão confusa e entrei em alerta. “Você está bem?” tão baixo e rápido que não tinha certeza se tinha escutado. Observei-o ainda, preocupado, até que voltasse a agir naturalmente. Repeti os pontos turísticos, indicando os lugares por cima do parque. Relaxei aos poucos, mas desde então comecei a prestar mais atenção em Gellert.

Cheguei a tropeçar quando o rapaz me puxou entusiasmado para a foto. Mal tive tempo de ajeitar o colete e tirar o cabelo do rosto, não sabia se o sorriso saíra direito, mas com certeza era sincero. Sem jeito, passei meu braço por sua cintura. Olhei o resultado, quando acabaram os procedimentos necessários, melhor do que temia. “Será que existe algum jeito de encantá-la ou fazê-la se mover depois?” perguntei baixinho enquanto nos afastávamos, olhando com carinho para a imagem tipicamente turística do passeio e nossas expressões divertidas.

Divertia-me com seu lado irreverente e com essa alegria, não tão inesperada, mas ainda surpreendente, rindo de seus comentários. Segui-o para a escadinha que não teria me interessado se não estivesse em sua companhia, constatando que era mesmo uma vista interessante com o agradável ruído da água. Uma névoa persistia sobre o rio, enquanto a brisa às vezes permitia uns raios fugazes de sol.

Ouvi sua narrativa da terra-natal imaginando com ternura as cenas daqueles jovens em suas aventuras. “Com certeza ia gostar... e mais ainda de ter amigos assim.” Sorri com o canto da boca: era um ‘primeiro lugar só nosso’ bem inesperado, mas o que não vinha sendo inesperado sobre aquela pessoa?

A surpresa por ele saber exatamente o que eu pensava há poucos minutos e a informação de que Letícia ajudara na elaboração da lista se misturaram em minha mente, saindo em uma risada alta que não consegui conter. Quando me recuperei, ouvi seu juramento e fiz o meu:

“Olá, sou Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore e prometo que a maior ‘grandiosidade’ será meu nome.” Apertei sua mão, pegando o papel para ler a primeira pergunta.

Quantos pets em casa e quais os nomes? Qual é o seu?

“Essa foi sugestão de Letícia?” dei uma risadinha. “Bom, nossa família está com três corujas, um gato e Fawkes, nossa fênix, que com certeza não considera um pet. Therese é nossa coruja mais velha e foi de meus pais. A minha é Marco Polo. A outra coruja é de meu irmão e a gatinha é de Ariana. Sua vez.”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

Ri de seu juramento, percebendo que aquela seria uma de suas brincadeiras freqüentes. Prestei atenção em sua resposta com um sorriso, confirmando com a cabeça que fora sugestão de Letícia.

“Marco Polo é um ótimo nome.” Lhe sorri. “Além de Leti, minha legítima, apenas existe Cassandra, a coruja de minha tia. Demorou um pouco para entender que eu moro na casa, mas hoje nos damos bem. Vai, número 2.” Ia gostar mais daquilo do que esperava.

Doces e salgados favoritos?

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Hm... salgado... acho que torta de queijo de cabra com alho-poró. O doce, com certeza, Delícias Gasosas. E você?”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Bastante específico, mas gosto assim: quem conhece bem os próprios gostos.” Sorri-lhe gentil. “Não tenho certeza se já comi esse doce. Mas o nome não me é estranho.” Fiz uma nota mental.

“Temo ser mais simples nessa questão. Como gosto de festejar, tenho bastante amor por pizzas e como doce, bolo quente com sorvete.”

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Deve ser ótimo encontrar seu prato favorito em qualquer lugar! Muito prático. O meu tem boas lembranças junto. Quando formos ao Beco, farei você provar as Delícias. Não consigo imaginar esse bolo. Terá de me apresentá-lo.” Comentei antes de pegar o papel novamente e ler a próxima pergunta.

Algum livro mudou sua vida?

“Difícil.” Refleti. “Além do óbvio: Os contos de Beedle, o bardo, nunca esqueci quando li o livro de Transfigurações básicas para o primeiro ano e pratiquei meus primeiros feitiços, mesmo antes de Hogwarts. Ainda lembro da satisfação. E gosto do autor trouxa Arthur Conan Doyle e seu detetive.” Respondi.

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Sherlock? Quem não?” sorri-lhe doce, prestando atenção naquilo que dizia já contente pelos motivos que já dávamos para nos vermos depois.

“’Como persuadir pessoas e ter mais amigos’... não porque amei, mas porque odiei. Mais novo eu era bem desesperado por companhia e li, para perceber apenas o quão cansativo deve ser manter pessoas por perto. ‘Seja sempre interessante, disponível.’ Ter sempre a preocupação de ter algo a oferecer. Mudou minha vida porque percebi cedo que não vale tanto a pena e que se um dia acontecesse, eu queria que fosse verdadeiro. Seria solitário ser popular.”

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Um livro com esse título me arrepia.” Correspondi. “Tenho a sensação de que não te exigiria muito esforço ser um jovem popular ou um líder. Como também seria fácil ser um lobo solitário. Tenho certeza que nenhum livro vai te dizer como lidar com pessoas... e gostei da frase.” Sublinhei, pensando que ela poderia ser preciosa no futuro, antes de seguir para a próxima pergunta.

Você coleciona alguma coisa?

“Ah! Parece tão cedo para já falar da minha coleção de meias!” exclamei. “Mas falando sério, de todas as questões com roupas, sempre me preocupo com o conforto dos meus pés, então tenho muitas meias e calçados. Tenho um fraco por coletes e com freqüência me interesso por anéis, mas nunca comecei uma coleção.”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Há coisas em que sou inseguro, Alvo.” Disse levemente envergonhado. “Sério? Isso é bonitinho.” Ri com alguma ternura. Pensava se um dia poderia ter o prazer de ver essa coleção de meias tão querida.

“Eu gosto bastante de coisas pequenas. Uma florzinha, bonequinhas que não tem cara de morte...” ri tentando ser divertido. “Mas ainda quero começar uma de verdade. Um dia pretendo ter uma coleção de tatuagens, mas por enquanto miudezas e velas, gosto das aromáticas!”

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Certo, miniaturas! É um tipo de coisa fácil de achar e difícil de escolher. Podemos passar em lojas de quiser em algum momento.” Acrescentei, ficando pensativo em relação às tatuagens. “Isso é bem exótico e audacioso, não é para qualquer um, mas seria para você.” Sorri.

Cor ou cores favoritas?

“Gosto de cores profundas: vinho, marinho... Também de marfim. O negro, evito nas roupas... sem ofensas.” Sorri levemente.

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Gostaria sim de olhar algumas lojas, agradeço se terminarmos o dia dessa forma.” Estava de fato animado para ter alguma coisa do novo lugar. “Acha que conseguiria conviver com as tatuagens?” ri.

“Sou de cores neutras. Gosto de uma ou outra que dê vida ao meu ambiente, mas preto e cinza londrino com todas as suas possibilidades me conforta. Sabe... o preto me entende.” Olhei o sobretudo, antes de indicar com as sobrancelhas que fosse para a próxima.

Onde você vai quando procura paz?

[P.O.V Albus Dumbledore]

Concordei com o fim do passei em lojinhas, ouvindo-o e corando com sua pergunta. “Sim, sou alguém com outras exigências. Escolha bem quem faça ou vou fazer careta toda vez que olhar para alguma feia.” Disse-lhe, sorrindo para sua explicação quanto às cores. “Veio, então, ao lugar certo!”

“Depende do tipo de paz que preciso. Sempre quero um espaço só meu ao alcance, mas uma biblioteca, sala de teatro e jardins com lagos ou riachos são ótimos também. A ficção, a vida alheia e a natureza podem me salvar de jeitos diferentes.”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Prometo não fazer trevosidades demais. Até posso perguntar sua opinião antes de fazê-las.” Sorri. “E... que outras exigências seriam essas?” o sorriso alargou, eu estava realmente interessado.

“Gosto de lugares abertos assim, cantinhos como esse... livros e minha arte podem fazer de qualquer lugar um refúgio se o dia estiver me tirando do sério. Tenho uma paz portátil.” Dei de ombros, risonho.

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Não são as trevas o problema! É o bom gosto. Um cemitério pode ser lindo e uma casa de chá e bolinhos ser terrível!” foi minha vez de erguer as sobrancelhas quando disse que me pediria opinião sobre as tatuagens. “Você logo vai adivinhar as exigências.” Provoquei risonho.

Qual é o seu clima favorito?

“Esta é fácil. Gosto de dias de sol sem calor, por isso tenho preferência pela primavera ou momentos frescos de verão. Mas também sinto um prazer especial em alguns dias chuvosos, dentro de casa com um chá. Perto do fogo. Às vezes.”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

Bufei em risadinha sem insistir. “Parece ser fácil ter esse clima por aqui. Vive no lugar certo.” Sorri.

“Confesso gostar do sol. Poder sair apenas com uma camiseta, sentir calor... suar onde eu moro costuma ser um privilégio. Pro lado de cá já consegui algumas vezes e é bem confortável. Mas o ambiente predominante que gosto é o nublado.”

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Subestimei o clima de seu país se gostar de sol exige uma confissão!” provoquei, divertido. Estava adorando aquele jogo. “Se nada cai do céu, você está confortável. O inverno daqui não irá impressioná-lo.”

Se pudesse descrever uma moradia ideal, como ela seria?

“Gosto de lugares grandes, receber bem as pessoas. Algo sólido, elegante, com algo de mistério. Acho que por isso gostei tanto dos meus anos em Hogwarts. Mas admito que preferiria um alojamento só meu e tive mais paz como monitor. Gosto de um recanto, então neste ponto sou como você. Então... espaçoso, antigo e tradicional.” Resumi. “Nunca soei tão esnobe inglês como nessa resposta.” Ironizei.

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Sempre gostei um pouco mais de lugares pequenos. Mas então comecei a ter coisas demais e perceber que incomoda sensação de acúmulo. Gosto de rústicos, não escuros demais, com um bom espaço, sem extremos. Não sei receber pessoas, mas se isso acontecesse com mais freqüência, eu poderia aprender a gostar mais.”

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Afinal, de que país você vem?” resolvi perguntar, já que nunca identifiquei seu sotaque. “Batilda nunca me disse a origem da família.”

“Você não é mesmo muito exigente, não é? Acho que sua vida será mais fácil aqui. Ajudando sua tia, lidará com várias pessoas. Já me recebeu muito bem.” Elogiei com sinceridade, com um tapinha no ombro, olhando para a penúltima questão.

Você se casaria? Teria filhos?

“Casar não está nas prioridades e considero pouco provável para mim, não porque desgosto da ideia. Seria mais provável apenas... morar junto. O que gerasse menos falação. Sobre os filhos, ainda menos provável, mesmo que eu goste de crianças. Minha família não deve continuar numerosa comigo.” Falei olhando para o rio, sem expressar nenhuma emoção em particular.

[P.O.V Gellert Grindelwald]

“Hungria! Desculpe.” Falei divertido. “Muitos castelos e muita neve, definição rápida.” Sorri, esperando que minha vida ali fosse realmente mais fácil. Percebi um toque de tristeza, não querendo prolongar o assunto, apenas passando para a minha resposta.

“Eu gostaria de ter alguém. Sinceramente... não gosto de olhar para frente e me ver sempre só. Gostaria de ter alguém para desenhar e abraçar de noite.” Disse meigo. “Quanto a crianças, eu gostaria. Ter um pequeno ser para amolecer minhas idéias e me fazer de bobo dançando na sala me agrada a cabeça. Eu adotaria se um dia me sentisse pronto.” Peguei o papel novamente.

Que tipo de presente você gosta de dar? E qual tipo gosta de receber?

[P.O.V Albus Dumbledore]

“Eu já quis conhecer a Hungria.” Contei distraído, voltando a atenção logo para a sua resposta, variando as emoções: ternura, surpresa, um vago desencanto, nova surpresa. Estava difícil continuar ignorando os sinais. Seria mais alguém a se afastar mais tarde quando soubesse? Ainda dava para se enganar àquela altura?

“Também haveria de adotar. Mas me preocupo com o que a criança poderia sofrer do mundo junto às outras.” Falei, expressando uma preocupação sincera. Olhei-o nos olhos para deixar claro o que queria dizer. “Essas coisas são mais fáceis em seu país? Aqui ainda são bem duras. Segredos. Ou fuga para o campo, longe de boatos ou tradicionalistas.”

A última pergunta aguardou o encerrar daquele tema. Parecia bem mais leve depois de tudo.

“Gosto de dar o que sei que vai agradar, conforme o estilo da pessoa. Mas... com um toque meu. Narcisismo, eu sei. Sempre tem em bilhete ou dedicatória Gosto de ganhar o que me faz lembrar de algo bom, ou que seja extremamente útil. Sou do tipo que avisa o que gostaria, sem fazer questão de surpresas. E adoro receber diretamente da pessoa, estar com ela.”

[P.O.V Gellert Grindelwald]

Suspirei quando mencionou seu medo quanto ao sofrimento da criança. Concordei, por fim, olhando para baixo. “Essa seria uma das coisas que eu mudaria se tivesse poder real.” Fixei o olhar desarmado nele, assentindo de leve com a cabeça.

“Temos problemas maiores, sabe? Invernos impiedosos matando pessoas, guerras sempre nos ameaçando de algum lado. A Hungria é um lugar complicado de se viver, também há conservadores bem perigosos, mas não somos uma potência como a Inglaterra que tem o que defender perante o mundo. Sempre tem gente machucada, mas não é visto como crime. Todos os meus amigos, mesmo que poucos, sabem. Batilda também. Só não meus pais. Eu pretendia contar a eles um dia, mas depois que me expulsaram de casa... não pretendo que saibam nem onde eu estou mais.” Sorri triste.

“Não acho que seja narcisismo. Quando você se importa e se empenha, por que não querer que a pessoa se lembre que o amor veio de você?” assentia ao que ele dizia. “Quando é seu aniversário? Quais datas gosta de comemorar com presentes?” animei-me.

“Gosto também de coisas que eu esteja precisando ou canetas diferentes direcionadas a arte. Nanquim também é sempre bem-vindo.” Dizia sorrindo. “Livros, coisas cheirosas, miniaturas Adoro dar algo que a pessoa queira muito para receber gritinhos e a felicidade toda pra mim. Um livro mais caro ou mais raro... já sabe.” Sorri.

[P.O.V Albus Dumbledore]

Gostei de sua franqueza e de como manteve alguma discrição sobre o assunto. Senti com ele parte de sua dor. Não sabia a dimensão do que havia vivido. Cheguei a sentir alívio quando descobri que havia ao menos uma dose de compreensão ou respeito para acolhê-lo.

“Realmente espero que sua vida na Inglaterra seja mais fácil, segura e alegre. Que o tempo possa facilitar algumas coisas, diminuir mágoas. Acho que minha visão de mundo cresceu um pouco ouvindo seu relato. Já tem crescido desde que o conheci.” Dei um sorriso delicado.

“No máximo falei com alguns colegas estudantes, mesmo assim não os mais íntimos ou próximos. Era mais fácil der do tipo que só pensa no trabalho e no sucesso, um ‘coração de gelo’, pois causaria menos mágoas, revoltas ou ataques. Meu silêncio me deu paz e a vaga segurança de cumplicidade de que não estava só, mesmo sem tocar no assunto.”

“Meu aniversário é dia 31 de Agosto e o seu?” sorri. “Gosto de comemorar o Natal e trocar chocolates na Páscoa. Sempre fiz ao menos uma carta nos dias das mães e dos pais. Vejo com alguma inveja os casais no Valentine’s Day...” admiti, torcendo o lábio.

“Então é fácil lembrar do que você gosta. Sempre prático.” Já sabia que havia guardado aquela informação como algo importante na mente.

Levantei-me quando o outro me indicou que queria continuar o passeio, subindo as escadas e indicando umas ruas mais agradáveis, seguras e limpas para seguir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.