Todos saíram da sala enfim e foram procurar a Tardis e como não era de se surpreender, dadas as circunstâncias, eles a encontraram com facilidade e estava aberta.

–Eu não disse – afirmou Jack, quando entraram na nave – está tudo muito fácil.

Doctor foi até o painel de controle, mas não estava se sentido muito bem, ele se apoio no painel e abaixou a cabeça, Rose foi até ele para ajuda-lo.

–Doctor você está bem?

Ele nada disse, tudo estava girando, não conseguia pensar, sua mente estava cada vez mais distante, seus pensamentos iam se esvaindo e só escutava bem ao longe, bem fundo em sua mente a voz de Rose lhe chamando até que sua visão escureceu e ele apagou.

O Doctor quase caiu no chão, se não fosse Rose segura-lo. Jack a ajudou a coloca-lo no banco e Martha foi correndo procurar os itens apropriados para fazer um curativo na cabeça do Doctor.

–Doctor? Doctor? – Rose chamava desesperada, mas ele não respondia.

–Por favor, Doctor acorde! – sussurrou Rose no ouvido dele da mesma forma que havia feito tempos atrás quando ele se regenerou e ela precisava dele, mas não surtiu nenhum efeito.

Então ela o abraçou e começou a chorar, mas sem que ela pudesse controlar uma energia começou a se apoderar de seu corpo e tomar conta dela de repente a tristeza que ela estava sentindo se transformou em paz.

Quem observava Rose abraçada ao Doctor podia ver uma luz dourada envolve-los e as portas da Tardis se trancaram sozinhas e a nave começou a fazer o barulho que anunciava que estava partindo.

–O que está acontecendo? – perguntou Jackie – O que está acontecendo a Rose?

Ela tentou se aproximar da filha, mas foi impedida por Jack.

–Não sabemos o que está acontecendo é melhor não nos aproximarmos deles. – explicou Jack.

Ele reconhecia aquela luz, era a mesma do vórtex temporal que ele havia visto quando ele, Rose e o Doctor havia capturado um Slitheen e ele havia se transformado em um ovo.

Nesse momento Martha chegou a sala de controle e se juntou ao grupo de pessoas assustadas que observava a cena.

Rose sentia uma paz que nunca sentira antes, ela sentia como se estivesse flutuando, se sentia leve.

Após alguns minutos a luz dourada que envolvia os dois desapareceu e Rose caiu no chão desmaiada e o Doctor acordou com um suspiro como se tivesse voltado do mundo dos mortos, ele se sentia maravilhosamente bem, não sentia mais nenhuma dor, se sentia até mais disposto do que antes, mais vivo do que nunca.

Assim que ela caiu Jackie foi correndo até a filha e Jack foi ajuda-la. O Doctor quando viu ela caída também foi ver o que estava acontecendo, os outros ficaram só observando a cena estupefatos, não havia o que dizer, nem o que fazer.

–Rose! Rose! – o Doctor repetia o nome dela várias vez desesperado.

Jack lhe explicou o que havia acontecido, mas ele nem prestou atenção ele só queria saber se Rose estava bem.

Martha se aproximou deles para tentar ajudar, ela pegou no pulso de Rose, pois ela temia pelo pior e para sua tristeza e para a tristeza de todos a sua suspeita se confirmou. Rose não tinha pulso.

Ela ficou parada por alguns instantes apenas olhando para seus companheiros, ela não queria ser a portadora desta notícia, mas teve que dizer.

Rose Tyler está morta.

Jackie entrou em choque, não disse nada apenas deu um suspiro levando a mão a boca, Pete se agachou perto dela e a abraçou, ele também amava Rose como se fosse sua filha.

As primeiras lagrimas começaram a escorrer dos olhos de Jack.

O Doctor não aceitava o fato, não podia ser, ele já havia perdido ela uma vez e não iria perder de novo, ele a escaneou com chave de fenda sônica e nada. Ele lentamente se afastou e se encostou ao banco desolado e pegou na mão dela e começou a chorar, ele chorou como um bebê chegando até a soluçar.

Seus companheiros nunca haviam visto ele daquela maneira, ele estava sem chão, estava derrotado, todos os outros também estavam com os olhos cheios de lágrimas, até mesmo aqueles que haviam acabado de conhecer Rose, não havia como não se comover.

Mickey não saiu do lugar e nem pronunciou uma palavra sequer.

Jackie chorava descontroladamente ajoelhada ao lado do corpo da filha e Pete estava junto a ela a abraçando.

Todos se esqueceram que a nave ainda estava com uma viagem em curso e só lembraram disso quando a nave pousou. Jack se moveu até a porta e a abriu lentamente e do lado de fora encontrou Tosh e Owen assustados por haver uma cabine de polícia no meio de Torchwood, ele se espantaram mais ainda ao ver que Jack e todos os outros estava saindo de dentro da cabine “Como poderia caber todos ai dentro?”. Mas foram os rostos chorosos de todos que os deixou mais alarmados.

–O que houve?

Jack não respondeu apenas abraçou seus companheiros e lhes deu um beijo no topo da cabeça.

Gwen e Ianto lhes explicaram a situação por alto, eles também mal conhecia Rose e o Doctor, mas também se comoveram com o ocorrido.

O corpo de Rose foi levado para a sala de exames e lá Owen e Martha iriam tentar descobrir qual havia sido a causa da morte.

Pete estava sentando no sofá com Jackie deitada em seu colo, ela não disse mais nenhuma palavra, Gwen e Ianto com a ajuda e Tosh foram tentar descobrir que lugar era aquele para onde a Tardis havia sido levada, Jack foi para a sala de exames acompanhar a autópsia.

O Doctor se sentou em uma banco com um olhar perdido, ele se sentia culpado pela morte de Rose, ele não quis acompanhar a autópsia, não queria ver a sua amada ser cortada em pedaços. Donna e Mickey se sentaram ao seu lado.

–Sabe – começou Mickey – quando ela conheceu você eu achei que ela nunca mais iria voltar pra casa, eu achava que vocês eram loucos, mas quando eu viajei com vocês eu percebi o quanto tudo isso é maravilhoso, eu entendi o porque ela escolheu você.

–Péssima escolha, eu destruí a vida dela.

–Muito pelo contrário, você tornou a vida dela maravilhosa, a de todos nós...

–A perigos sim – completou Donna – mas pense nas coisas maravilhosas que vocês fizeram juntos, pense nas pessoas que você salvou, pensa em como você salvou as nossas vidas, eu era apenas uma estagiária, eu achava que eu não era nada.

–E eu, eu era apenas um mecânica, eu não tinha nada, não tinha importância alguma, e olha o que fizemos com aqueles cybermans.

O Doctor não disse nada apenas abaixou a cabeça entre as mãos, Donna e Mickey não disseram mais nada.

Na sala de exames Martha se preparava para iniciar o procedimento, mas Owen checou o monitor e encontrou um novo dado.

–Espere! – ele gritou.

–O que foi?

Jack desceu a escada e foi até o monitor.

–Olhe! – ele apontava para o monitor que indicava uma pequena atividade cerebral.

–Mas como isso é possível?

Jack saiu correndo da sala de exames e foi até o Doctor.

–Venha Doctor, você precisa ver isso!

–O que foi? – ele perguntou ainda desanimado.

–Você tem que ver isso!

Eles foram para a sala de exame e Donna e Mickey o seguiram, logo Pete e Jackie viram a correria e os seguiram também, assim como Ianto, Tosh e Gwen.

–O que está acontecendo Jack?

Owen lhe mostrou o monitor e ele ficou tão surpreso quanto os outros quando viu isso.

–Mas não pode ser?

–Foi o que eu disse – explicou Martha – É impossível.

O Doctor a escaneou de novo com o sônico e não obteve nenhum sinal de vida, ele então correu até a Tardis e foi até a sala onde ele havia examinado Rose e Jack e reuniu uma série de aparelhos estranhos e voltou até a sala de exames de Torchwood.

Ele pegou um aparelho enorme que emitia uma luz vermelha e o passou por cima de Rose.

Ele esperou alguns minutos sem dizer nada e como ele estava tão concentrado no aparelho seus companheiros não ousaram fazer qualquer pergunta. Após alguns um tempo que pareceu uma eternidade para o Doctor o aparelho acendeu uma luz verde e no rosto do Doctor se formou uma expressão que era um misto de espanto, esperança e alegria.

Ele olhou para Rose e passou a mão no seu rosto e sorrindo disse:

–Oh Rose você é mesmo incrível!

–O que está havendo? – todos perguntaram.

–Ela não está morta, está apenas dormindo – ele falou ainda com um leve sorriso no rosto.

–Dormindo?

–Bem, ela não está dormindo, ela está hibernando, não é bem essa a palavra, mas é mais fácil de entender assim. Ela utilizou toda sua energia vital para me curar e quando fez isso foi como se ela tivesse dado sua vida para mim – ele disse essas últimas palavra tão baixo que seus companheiros tiveram que se esforçar para ouvir.

A sua Rose, toda rosa e amarela havia lhe dado a sua vida para salva-lo, agora ele se sentia ainda mais culpado.

–Mas então como ela sobreviveu? – Donna perguntou.

–Como ela podê fazer isso? – indagou Jackie.

–Ela utilizou a sua energia, mas não toda, ela guardou uma pequena reserva, uma quantidade que em um ser humano normal não seria suficiente para mantê-lo vivo, mas Rose conseguiu entrar em um estado profundo de hibernação para poder recarregar suas energias. Eu não havia pensando nisso antes porque isso é impossível para humanos comuns, eu havia me esquecido o quanto ela é surpreendente.

Todos se entreolharam espantados com a explicação do Doctor e ele apenas ficou observando Rose e acariciando o seu rosto.

–E quando ela vai acordar? – Jackie questionou.

–Esse aparelho – o Doctor explicou mostrando o aparelho que havia usado para escanear Rose – ele vai mostrar os níveis de atividade cerebral de Rose e quando ele atingir o pico significa que ela está pronta para ser acordada.

Rose foi levada até a Tardis pelo próprio Doctor que achou que ela ficaria mais confortável em seu quarto. Ele não se separou dela um minuto sequer assim como Jackie, mas o tempo estava passando e ele precisava descobrir o que o Master estava planejando.

Então com muito custou ele deixou Jackie tomando conta de Rose e se juntou a seus companheiros.

–O que vocês encontraram? – Perguntou Jack a Gwen.

–Veja essa planta do prédio da antiga Torchwood. – mostrou Gwen.

–Sim, o que é que tem? – disse Jack

–Conte quantos andares tem?

–48 por quê?

–Jack, o andar em que nós fomos é o andar número 50, dois andares simplesmente não existem.

–Como não existem, nós estávamos lá?

–Filtro de percepção – disso o Doctor.

–O que?

–Filtro de percepção, ele não deixa as coisas invisíveis, apenas faz com que fiquem imperceptíveis, a não ser que você já saiba que está lá, você não verá. Devem ter usado nos dois andares e nos botões dos elevadores assim ninguém chegaria até esses andares.

–Mas não havia nada lá.

–Não havia nada no andar 50 – explicou o Doctor – e no andar 49?

–Então vamos descobrir! – disse Jack animado.