The Diferent Side of Us
9 Sunshine
Notas iniciais
Justin narrando*
No outro dia, eu estava confuso.
Na noite anterior, quase havia beijado Ridley, mas Mitchie atrapalhou. Não que a culpe, claro, ela nem sabia, mas uma parte de mim a culpava, sim. Porque, Deus, se ela não tivesse entrado, eu teria beijado-a.
Eu não sabia de onde vinha essa minha vontade de beijar Ridley, eu só sabia que precisava e que era isso que tentaria fazer. Era a verdade.
Sentei na cama e olhei para o relógio. 6:45.
Bocejei e sai da cama.
Arrumei-me e desci, ainda sonolento.
Minha mãe estava sentada na primeira cadeira e lia o jornal.
– Bom dia! — ela exclamou.
– Bom dia, mãe.
Ela sorriu e eu beijei o topo de sua cabeça.
Tomei o café rapidamente porque estava elétrico. Tudo o que queria era ir para a escola — o que me assustou. Eu odiava aquele lugar. — Mas na verdade, sabia que só queria ir porque veria Ridley, o que também me assustava.
Minha mãe reparou, claro, mas apenas ficou me olhando e então quando acabei, ela sorriu.
– Hoje é sexta, Justin. Se você quiser, pode vir mais tarde para casa.
– Por que iria querer? — perguntei enquanto me levantava.
– Bom, talvez você queira ir até a casa dos meninos jogar, ou algo do tipo.
– Ah, sim — sorri. — Claro.
Ela sorriu e eu subi, acabei de me arrumar e depois sai de casa.
Ainda estava elétrico, o que me fez correr mais do que o normal.
Quando cheguei na escola, parei o carro e corri para a entrada porque havia começado a chover.
Uma parte de mim acreditava que aquela chuva era algo a ver com Ridley, mas então balancei a cabeça e entrei na sala.
Fiquei sentado por um bom momento e então vi Ridley chegar com Demi.
Ridley usava uma calça jeans, uma blusa do Nirvana, seu Converse e o cabelo solto que cobria os olhos.
Demi estava com um vestido preto, uma jaqueta, uma bota e seus cabelos azuis estavam presos.
Encarei Ridley e ela deu um pequeno sorriso, mas então, seu sorriso desapareceu e ela olhou para a janela e pareceu que ia chorar, mas então, seu olhar triste passou e ela se virou para Demi, completamente animada.
Essa menina ainda ia me deixar louco.
O sinal tocou e nós calamos a boca, e a srta. Sophia entrou e começou a explicar algo sobre álgebra.
Não conseguia prestar atenção porque minha mente estava em Ridley, que estava sentada a poucas carteiras de mim.
Ela estava com seu caderno preto e escrevia. De longe, parecia que era anotações porque ela era uma ótima atriz. Parava. Olhava. Fazia uma careta e voltava a escrever, mas eu sabia que ela não estava fazendo nenhuma anotação. Provavelmente ela estava escrevendo sobre como eu era um idiota. Ou estava pensando na sua família estranha.
É isso que você pensa?
A voz dela apareceu na minha mente e ela olhou para mim e sorriu.
Como eu consigo te ouvir?
Ah, não me pergunte. Mortais e Conjuradores não tem esse poder, mas é peculiar, porque justo você e eu podemos. Não acha?
Fiquei parado e sorri.
Completamente.
HAHAHAHAHAHAHA.
Escutar o riso dela na minha mente fez todos os pelos do meu corpo se arrepiar.
A chuva.
Como?
Está chovendo por que você quer, não é?
Do outro lado da sala, Ridley me encarou.
Por que acha isso?
Você parecia descontrolada.
Ah, é sempre bom ouvir isso!
Não me xingue, Rid, mas é o que parecia.
Não é minha culpa. Claro que a chuva não é normal, mas não sou eu.
Olhei para ela e ela parecia não ter certeza de suas perguntas.
O que você tanto escreve?
Não importa.
Ah...
Ela me encarou e sorriu e então, era como se fosse ela porque comecei a pensar tudo que ela pensava e então, as palavras vieram.
"Realmente não queria ter brigado com Mitchie. Será que ela não entendia que não era bom me provocar? Não que fosse completamente poderosa, mas não podia me controlar. Não mais. Mitchie é minha melhor amiga e nunca vou deixar de ama-la, mas o que ela fez foi tão ridículo que queria mata-la. Bom, tem a parte que ela não me deixou bei..."
E então, tudo parou e eu entendi. Ela fechou sua mente.
Por que parou?
Foi uma péssima ideia. Desculpe.
Ela virou o rosto e continuou a escrever e eu continuei a tentar entrar em sua mente, mas tudo o que via era o preto.
Queria saber o que ela pensava. Queria saber o que tinha acontecido depois que fui embora.
Ridley e Mitchie brigaram, isso eu já sabia, mas queria saber por que.
Estava a cada minuto mais curioso sobre ela, mas sabia que teria que esperar até o almoço ou até as aulas acabarem.
Após algumas horas, o almoço chegou.
Sai junto com Chaz e Ryan e fomos direto para o refeitório, pegamos nossa comida e nos sentamos onde costumávamos nos sentar sempre.
A mesa parecia a mesma, mas agora, tinha a presença elétrica de Ridley.
Desde aquela hora, ela não tinha mais falado comigo, o que me deixou incomodado.
Ridley se levantou e então ela bateu com Mitchie e bandeja de Mitchie caiu no chão e elas se encararam.
– E mais uma vez, você atrapalhando meu dia.
– HAHAHAHAHA. Você é que atrapalha o meu.
Elas se encararam novamente e desta vez, todo o refeitório estava em silencio.
– Você é tão ridícula, Ridley. Por que não limpa o que fez?
Ridley rosnou, mas então, o cabelo de Mitchie se encaracolou e Ridley arregalou os olhos e realmente começou a limpar tudo.
Mitchie riu.
– Assim mesmo priminha.
Um raio caiu perto demais e toda a luz da escola piscou e depois apagou de vez.
Todos começaram a gritar e então Mitchie falou algo baixinho e Ridley se levantou e deixou tudo cair de novo, sujando mais do que estava.
Levantei-me e vi Ryan balançando a cabeça, mas não liguei.
Coloquei a mão em seu braço e levei choque, o que fez tirar a mão, mas pelo menos a chamei a atenção dela.
– Pare com isso, Rid.
– Ela...
– Está tudo bem, vem.
Levantei a mão para segurar sua mão.
Ela hesitou, mas depois a segurou e nós corremos até a sala, pegamos nossas coisas e corremos para meu carro.
Isso era muito cena de filme. Não podia estar acontecendo.
Entramos no meu carro e eu dirigi até perto da estrada que levava para fora de Stratford.
Em todo o caminho, ficamos calados. Mentalmente, principalmente.
Quando parei o carro, nós continuamos dentro do carro porque estava chovendo descontroladamente.
– Tem certeza que não é você? — perguntei.
– Tenho.
E o silencio voltou.
– Por que me tirou de lá, Justin?
– Não queria que você se machucasse.
Ela riu.
– Me machucar... Isso não é tão fácil de se fazer como você acha, Bieber.
Dei de ombros e abri um pouco o vidro.
– Por que vocês brigaram?
Ela olhou para o teto do carro e suspirou.
– Mitchie parece ter inveja de mim.
– Como assim?
– Sei lá. Ela fica falando que eu me acho por ser uma Natural, mas eu não me acho. Eu nunca quis ser uma Natural. Isso é horrível.
– Uma Natural...
– É, Justin. Uma Natural é uma pessoa que controla os quatro elementos. Mas cada um tem mais habilidade com um. Eu, por exemplo, tenho habilidade com água. Minha mãe tem fogo.
– Sua mãe? — perguntei, curioso. — Elena Meyer, não é?
Ela me olhou ansiosa.
– Sim. Mas como você sabe?
– Todos falam que Elena morreu.
– Ah, ela não está nada morta.
Ridley deu de ombros e então abriu os olhos.
– Você sabe que eu posso te matar, não sabe?
– Sim. — respondi sinceramente.
– Então por que fica por perto?
– Sinceramente, não sei. — respondi olhando para ela. — Gosto de você, Ridley.
Ela sorriu e se ajeitou no banco de modo que ficasse de frente para mim.
Fiz o mesmo e então, nos encaramos.
– Eu quero ser sua vítima. — disse e me inclinei mais.
Ela riu e balançou a cabeça e então, quando parou eu passei minha mão por seu cabelo e olhei nos seus olhos, e logo após, fiz o que tanto quis: a beijei.
O beijo foi elétrico, podemos dizer assim.
Não sei explicar exatamente, mas sei que nos agarramos um no outro e nos abraçamos, mas o estranho foi que do nada, comecei a ter falta de ar e levar choques.
Afastei minha boca da dela e Ridley abriu os olhos.
– Meu Deus.
Fiquei olhando para ela e percebi como estava louco por ela.
Você vai se arrepender.
Pare de ler meus pensamentos.
Ela riu.
Fiquei olhando para o céu e percebi como odiava chuva.
– Sabe, eu detesto chuva.
Ela fez uma careta.
– Adoro você.
Sorri e então, as nuvens pretas começaram a ir embora e eu olhei para Ridley, e seus olhos estavam fechados e quando ela os abriu, o tempo estava ensolarado.
– Você é incrível.
– Obrigada.
Sorrimos e então, saímos do carro e ficamos perto da estrada, conversando sobre tudo.
Ela me disse que queria ficar, e naquele momento, toda a minha vontade de ir embora, acabou.
Eu ficaria. Sabia que ficaria. Mas por Ridley. Era estranho, mas era a verdade.
Fale com o autor