The Diferent Side of Us

1 1 Capítulo - O começo


Ridley narrando*

Quando abri os olhos naquela manhã, o sentimento de solidão me atingiu novamente.

Faziam exatamente três anos que meu avô, a única coisa que tinha perto de família morrera.

Sabia que fora minha culpa.

Se não tivesse me colocado contra minha mãe, quando ela tentou me levar, talvez ele estivesse vivo, mas como sempre, sou uma idiota e fiz tudo errado.

Joguei minhas pernas para fora da cama, me sentei e olhei para a janela.

O sol brilhava intensamente, o céu estava sem nenhuma nuvem e os pássaros cantavam alegres.

"Que ironia!", pensei enquanto me levantava e ia para o banheiro.

Arrumei-me, coloquei minha já gastada calça jeans, blusa preta, casaco e All Star preto.

Desço as escadas e vejo Meredith servindo o café da manhã para Mitchie.

Mitchie é minha prima.

É uma menina bonita.

Altura mediana, cabelos loiros, olhos verdes e uma face linda como uma boneca.

Ela já mora aqui a muito tempo que eu, mas parece que tem o mesmo problema que eu — de não ser aceitada -, mesmo sendo linda.

- Prima! — fala, comemorando. — Pensei que não ia se juntar para tomar café da manhã!

- Não queria... — sussurro e a abraço.

- Vamos lá, Rid! Acabou! Ele não ia gostar de te ver assim!

- Eu sei.

- Então, sorria!

Sorri e sentei-me de seu lado e tomamos um café da manhã calmo, mas logo levantei-me, peguei meu livro e fui para os campos de Greenbier.

Enquanto andava, olhei para trás e vi como Ravenwood era bonita.

Era antiga, tinha grandes portões cinzas, mas como já estavam ali fazia tempo, estavam enferrujados e com a cor desbotada. A casa era gigante, na parte de entrada, só se conseguiam ver três quartos no alto, mas tinham muitos — tantos que nem eu sabia quantos. A cor era de um cinza tristonho. Para chegar até a porta, tinha que passar por uma escadaria de madeira velha que estalava com o peso. No meio da porta e dos portões, tinha — em cada — uma lua crescente.

A Lua era em consideração à minha família.

Vim de uma família de Conjuradores.

Entrei nos campos de Greenbier, sentei-me embaixo de um pessegueiro e abri o livro.

Estava lendo Otelo.

Continuei lendo, mas aquilo não estava prendendo minha atenção e então me deitei no chão queimado e olhei para o céu.

Coloquei uma mão para cima e fechei-a, e no lugar onde estava a direção de minha mão, a nuvem se retraiu e pingos de chuva começaram a cair.

Abri a mão, assustada, e a nuvem voltou a ser o que era.

Fiquei olhando para minha mão e suspirei.

Já sabia que era uma Conjuradora, mas ainda não tinha me Invocado.

Isso só aconteceria no meu aniversário de 16 anos, que seria no dia 8 de fevereiro.

Respirei fundo e senti o cheiro de grama queimada e alecrim.

Sorri por um pequeno momento, mas então ouvi um estrondo vindo da rua e um grito feminino desesperado.