É dia seis de julho. Exatamente onze e dois da noite. Meu dia foi estranho, e não consegui o bilhete, acho que no momento certo conseguirei ler o que Luan deixou escrito nele. Fui à casa dos pais dele, mas eles não estavam lá, fiquei chateado até porque eu estava tão ansioso que ruí as minhas unhas, que estavam lindas não querendo me gabar mais já me gabando porque eu posso né beijão. Fui embora sem ler nada. Com fome tive que passar em algum lugar para comer alguma coisa. Então fui a uma padaria chique, daquelas que leva seu dinheiro em um pão de queijo, e para minha surpresa encontro uma ex-colega de classe que tinha ido pra Itália, Andere, a cumprimentei e conversamos bastante, comemos, até a chamei para um passeio, porém ela já estava voltando para a Itália. Peguei seu numero e fui saindo em direção ao ponto de ônibus, ela até me ofereceu carona mais eu queria voltar na casa dos pais do Luan então eu recusei. Dei as costas a ela e eis chega um “gato” num carro que custa mais que a minha alma. O namorado Italiano, rico, de Andere. Na verdade não fiquei muito surpreso afinal ela é bonita e mora na Itália, né.

Peguei o ônibus para a casa dos pais do Luan, cheguei lá e de novo eles não estavam. O meu cliente e também vizinho deles acabou me vendo na portaria e perguntou: – o que eu faz aqui?

–Vim à casa dos pais de um amigo meu, e descobri que era seu vizinho. Respondi sorrindo.

Ele riu e me chamou para subir, se eu não estivesse com pressa, eu subi claro afinal eu não teria mais nada para fazer e talvez os pais dele chegassem e essa seria minha chance de pegar o bilhete.

O tempo passou que eu nem vi, nos acabamos bebendo eu estava tonto, mas não bêbado, já ele, estava bêbado. Ele havia terminado com a namorada. E me contando sobre isso começou a chorar... Ele era só um cliente não um amigo, mas me senti no dever de ajuda-lo afinal ele veio desabafar comigo. Estava dando conselhos a ele quando o mesmo me abraçou. Não posso dizer que não gostei já que ele é um espanhol rico de olhos azuis, eu disse rico? Eu quis dizer podre de rico, porém no momento eu não queria nada com ninguém e ele menos ainda com ele bêbado. Eu simplesmente queria a carta de Luan e sentir o cheiro dele no seu quarto, mas antes que eu pensasse em sair dali ele me agarrou e tentou forçar um beijo, eu o empurrei e levantei. – Você está bêbado e confuso por ter terminado. Não é assim que ficara bem, e além do mais querido eu não sou puta, né pra ficar servindo de consolo.

– desculpe, eu... Eu não queria. Disse ele arrependendo-se.

Eu o levei até a cama e lá ele tirou a roupa e ficou de cueca pra deitar e mais uma vez pediu desculpas. – volte quando quiser. Disse ele e logo adormeceu. Eu peguei minhas coisas e sai dali, fiquei em duvida se ainda queria entrar na casa dos pais do Luan no estado que me encontrava, mas a curiosidade venceu, não fui capaz de evitar e bater na porta, mas ninguém abriu. Insisti e toquei a campainha, mas nada de resposta.

Entrei no elevador e desci até a recepção, lá perguntei o que tinha acontecido com o casal que morava no apartamento, sessenta e quatro, ele me afirma que eles tinham se mudado hoje de manhã. Fiquei confuso. Não tinham nada em caixas, nada desmontado e eles não disseram nada. Voltei pra casa, chateado, cansado e triste porque eu não sabia para onde eles tinham se mudado e será que o bilhete continuava dentro do livro? Ou será que alguém viu, leu, e/ou até mesmo jogou fora? Fiz essas perguntas para mim mesmo muitas vezes pelo caminho até chegar a minha casa. Eu realmente não consigo entender os motivos que levaram os pais dele se mudarem logo agora que eu descobri onde eles moram e encontrei aquele bilhete.

Bem, eu não vou desistir, amanhã mesmo irei até o condomínio deles e perguntarei para o porteiro para onde eles se mudaram e se ele não souber terei que pesquisar até acha-los e aquele bilhete. Eu tenho que ler aquele bilhete!

Estou cansado e ainda estou meio tonto pela bebida, tenho que me deitar. Creio que amanhã terei um longo dia, pois não descansarei até encontra-los e ler o que há naquele bilhete.