The Diary Of Gui

4 Escuridão: A Luz Oculta...


... Eu fiquei assustado, minhas pernas tremiam algo estava errado. Um vento gelado e um clima tenso se espalharam naquele momento, antes da pessoa que estava no apartamento vizinho pudesse me ver eu simplesmente fechei a porta. Algo estava errado. Porque eu fiquei com medo? E da onde veio aquele vento gelado e, mais, quem era a pessoa que estava saindo de lá?

Não consigo voltar a abrir a porta, mas preciso, pode ser que eles estejam levando as coisas do Luan, não vou me perdoar se eles já tiverem levado. Não posso esperar ate amanhã. Eu vou agora! Vou ler aquele bilhete sim.

Já são duas horas da manhã, estou com sono e com medo e, uma sensação estranha se mantém no ar, um vento gelado se enrola em minha espinha. Abro a porta com medo, mas com coragem, vou em direção ao apartamento onde não há mais barulho, giro a maçaneta de olhos fechados com medo de alguém estar lá dentro. A porta range dando um clima de terror, o barulho ecoa pelo corredor e entra até mesmo no elevador que estava parado lá, aberto. Então um estalo me faz perceber que o elevador estava parado nesse andar e só existem dois apartamentos nesse andar, o de Yuri e dos pais do Luan. A sensação estranha volta e o frio na espinha me faz tremer e de novo um vento gelado como um assopro atinge meu rosto, me assusto e fico paralisado. Sem reação fico tomado pelo medo, escuto um barulho e sem perceber me movo controlado pelo extinto, um reflexo imediato me faz entrar na casa dos pais de Luan e fechar a porta, percebo que estou dentro me assusto ainda mais porem com uma pequena sensação de alivio por já ter entrado. Estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe, penso em sair e desistir daquilo, seria burrice me meter em algo que desconheço por apenas um bilhete, que nem ao menos sei o que está escrito, e se for algo besta? Sem importância como um lembrete para varrer a casa? Não! Independentemente do que possa estar escrito naquele bilhete, eu irei atrás dele.

Corro em direção ao quarto, a casa está semivazia o quarto estava destrancado parecia que tudo cooperava para que eu pudesse encontrar o bilhete, então a porta da frente se abre, meu corpo gela, mas me mantenho forte e entro no quarto, fecho a porta. Parece que ninguém me viu. Escuto alguém dizer: – Agora vamos recolher as coisas do quarto do Luan, não podemos deixar evidências, vamos começar levando a escrivaninha que já está desmontada e depois voltamos e recolhemos os livros dele. Amanhã de manhã voltamos e pegamos o guarda-roupa. – a voz para, para que outra pudesse responder. – Okay.

Começo a tremer novamente, mas agora não posso vacilar. Pego o livro da prateleira e ponho outro no lugar, mas algo me chama atenção um livro que eu não conhecia se esconde no meio dos outros livros. O pego também quase que sem tempo escuto a maçaneta virar, entro no guarda-roupa, e observo quem está do lado de fora por um fino e curto vão entre as duas portas. Não reconheço a primeira pessoa, mas logo depois entra o pai de Luan com um olhar estranho. Eles não conversam, simplesmente pegam as madeiras da cama que estava desmontada e levam até o elevador com medo não saio do guarda-roupa. Eis que então ouço uma voz dizendo: – vou ficar e pegar as madeiras da escrivaninha, ele volta para o quarto e recolhe as madeiras, escuto o elevador chegar e eles conversarem baixo. Eles voltam e recolhem os livros, um deles fala: – Vamos lá me ajude a levar isso até lá em baixo, depois voltamos e pegaremos a mesa de centro. Era minha chance, esperei dois minutos e corri para a porta abri bem devagar, vejo que não a ninguém por perto, fecho a porta e corro em direção ao apartamento, tudo se acalma e tranco a porta do apartamento de Yuri.

Finalmente tudo acabou bem, já que estou escrevendo isso quer dizer que estou bem.

Agora que já está tudo seguro não vou me preocupar em ler o bilhete hoje, amanhã ele estará comigo e poderei lê-lo o quanto eu quiser, então vou dormir, afinal eu levei tempo apara fazer isso, já são quatro e treze da manhã. Vou dormir numa cama quentinha acho que eu mereço, mas continuo ouvindo os ruídos deles dois, o que será que ele quis dizer com “não podemos deixar evidencias”?

Batem na porta. Ai meu Deus não posso abrir, não agora, está tarde. Proíbo-me de fazer qualquer coisa nesse momento! Estou dormindo para eles e não irei acordar até o sol aparecer.

Eles param, Não ouço conversa, mas consigo sentir as suas presenças.