The Diary Of A Beginner On Life

12 Capítulo 12 - Os Olhares


Nós entramos na casa de Nate, era uma casa com um ar refinado, eu não esperaria aquilo dele, mas se eu fosse pensar em termos de família até que seria realmente considerável pois ele iria se casar com Lilian.

– Eu vou pegar algo para beber.Quer algo também?

– Pode ser.

– Espere aqui.

– Não é como se eu fosse desaparecer, sabe.

– Sei, sei. — Ele deu as costas para mim e foi pegar algo para beber.

Que tipo de festa seria essa?Talvez para conhecerem Lilian, por isso apenas pessoas refinadas...Uma porta no final do corredor me chama atenção, pois estava entre-aberta e algo me incomodava naquele lugar, eu apenas me dirigi até lá.

– Nada de estranho... — Eu dizia isso enquanto passava minha mão sobre a porta.

– Não ia sumir, não é mesmo mocinha? — Eu me surpreendo e logo dou um pulo e me afasto da porta, era Rafael.

– Não me assuste assim...

– Não sou feio para te assustar.

– Não quis dizer isso... -Eu me encosto na parede e solto um breve suspiro, enquanto escuto a porta se fechar. — Por que fechou a porta?

– Quero conversar com você. — Ele se senta na cama, tinha uma cama ali?Eu não havia reparado.

– Sobre o que..? — Sento-me ao lado dele.

– Quanto tempo você acha que eu pretendo esperar?

– Seja mais claro. — Eu não estava entendendo ele.

– Já fazem alguns meses que nós nos conhecemos, e eu já te disse como me sinto...Consegue me dar uma resposta?

– Resposta...Eu não gosto de relacionamentos, pensei que soub- Ele me interrompe gritando.

– E sei!Por isso não se aproximou de ninguém...É por isso não é mesmo?

– Sim.Não consegue respeitar isso?

– Não..É impossível para mim. — Ele me deita na cama, sobre mim.

Olhando mais para ele, eu reparo que ele esta usando a mesma roupa de quando nós nos vimos na chuva, na noite em que Annabelle morreu.O mesmo casaco qual ele havia me "emprestado", eu sorrio.

– Isso seria meu aprovamento?

– O- Ele me beija.

O beijo dele era profundo, parecia que acariciava minha alma...Parecia que me conhecia tão bem, mas eu não gostava disso..Nem um pouco, por isso o empurrei.

– Não faça isso!Eu apenas me lembrei...De algo.

– Não sorria novamente quando eu estiver sobre você se não for um aprovamento.

– Não entenda errado...Eu não..

– Eu te amo Mel.

Encarei-o , com a janela do quarto aberta a brisa entrou e acariciou os cabelos de Rafael enquanto eu olhava seus olhos...Seus olhos me implorando por amor, como um cachorro...Me assustavam.

– Não me olhe assim... — Eu viro meu rosto.

– Tem algo de errado com meu olhar? — Ele segura meu rosto e então, ele encosta sua testa na minha.

Seu olhar...Implorava não apenas por amor, mas sangue...Morte, era como se fosse reproduzido a morte de Annabelle em seu olhar, eu fiquei aterrorizada...Não sabia o que fazer, eu queria que ele se afastasse.

Então eu me lembrei...O por quê que eu havia me afastado das pessoas..Eu não me afastava delas, mas de seus olhares tão tenebrosos que me lembravam o passado sempre me assustavam e me derrubavam tão facilmente.Eu queria me esquecer de algo...Mas o que?

– Mel....Seja minha. — Eu senti hesitação em sua voz, por quê Rafael?Por quê?

Como eu não havia respondido seu chamado, ele voltou a me beijar e então começou a tocar meu corpo..Eu sentia nojo.Não por ser tocada, mas por uma pessoa tão boa como ele...Querer me tocar.

Quando ele havia começado a desabotoar o vestido eu me lembro do que eu havia visto em seus olhos...Prazer em me ver sofrer.

Não!– Eu grito com todas as minhas forças e o empurro para o chão.

– O...O que?

– Não me olhe assim..Você me....Você me assusta Rafael...

Ao olhar para ele novamente, seu olhar agora carregava ódio...Não de mim, mas ódio de si mesmo por possuir tanta tristeza que foi causada por uma única palavra...

– Ah.Entendi. — Ele se levanta e vira de costas para mim. — Se tivesse dito isso antes...Que eu te assustava eu não teria chegado tão perto de você assim.Mas pra te assustar eu devo ser um monstro não? — Ele deu uma risada sarcástica.

– Raf...- Eu não conseguia pronunciar seu nome.

– Não farei mais isso novamente...Pois, quando eu sair dessa porta...Nós nunca nos vimos antes. — Eu estendia minha mão para tentar alcançar suas costas, mas foi em vão. — Adeus...Melissa Florença.

Aquela pessoa que um dia havia me acolhido na chuva.... Jamais iria fazer aquilo novamente.

"– Ei, Melissa é você?

– Rafael...?"

Por que nos nunca teríamos nos conhecido, segundo ele.Sua voz alegre preenchia minha cabeça naquele quarto escuro que nada se ouvia...

"– MELISSA!Você estuda nessa escola?

– Rafael...

– Rafael? "

Eu não tinha reparado antes...Mas eu gostava de ouvir você chamar pelo meu nome...Não apenas gostava, eu amava.Pois era a única coisa que era direcionada a mim.

"– Ora, que garota má você é Mel."

Sim..Eu era uma garota má...Uma mentirosa.

"– Mel, eu estou muito feliz de poder estar assim com você."

Eu também estava feliz...

"– Eu estou feliz Mel."

Você continuará feliz?Feliz....

Meu peito fica pesado, minha respiração estava diferente...Eu estava...Chorando como uma criança naquele quarto.

Era meu destino..Ficar sozinha, sempre...Eu sabia disso mas....

"– Ei, Mel."

Mas...

"– Vem cá Mel."

Eu já havia atendido sua voz que me chamava com tanta persistência.

– U...Uwaaaaaaaa — Eu chorava.

– Melissa?Melissa!?Me responda! — Lilian estava me chamando.

– Lilian...? — Ela me abraça.

– Que bom que está bem...O que houve?

– Nada...

O que eu realmente desejava era que o nada simplesmente tivesse acontecido.

– Então por que estava chorando?

– Não me lembro, talvez eu estivesse dormindo aqui. — Eu me levanto da cama e volto a abotoar o vestido.

– Melissa...

– Apenas...Me deixe sozinha como você fez todos esses anos.

O que eu estava dizendo?Eu não queria perder mais uma pessoa...Não queria...Mas mesmo assim eu continuava falando coisas que não deveria.

– Tudo bem...Apenas por um tempo.Amanhã eu passo na sua casa, certo?

– Não...Não passe.Está tudo bem.

"Melissa!Pare com isso!" — Era o que eu gritava para mim mesma, mas eu não conseguia...Minha boca se mexia por livre arbítrio.

– Melissa...

Já era tarde para reparar que eu precisava de você, não era...Rafael?Eu permanecerei sozinha...Por você que me aguentou....Todo esse tempo....Eu aguentarei a solidão até que eu tenha coragem para lhe pedir perdão...

Eu sabia que algo como perdão jamais iria sair da minha boca estúpida.Jamais iria sair...Pois eu sou fraca...Fraca como todas aquelas pessoas, e egoísta, uma egoísta que apenas machuca as pessoas por ter medo de se aproximar.Isso porque...Porque...

Sou humana.

Fim do Capítulo 12 — Os Olhares.