The Devil Wears Prada
37 Capítulo XXXVII - Don't look back.
Notas iniciais
Fiona e Cora aproveitaram o dia para passear um pouco. As duas se aproveitavam como duas adolescentes apaixonadas, deixando todas as desavenças para outra hora ou, quem sabe, outra vida. O fato é: elas se amavam e não deixariam mais que o passado interferisse no que construíram. As duas foram jantar em um clássico restaurante do Upper East Side, Daniel.
– Boa noite, madames. – Foram recebidas com muita finesse por Phillip, um senhor que há muito trabalhava no lugar. – Fiona. – Ele se aproximou da loira e a cumprimentou como velhos conhecidos.
– Fico feliz que tenha finalmente conseguido abandonar o “senhora” ao se dirigir a mim. – Brincou Fiona, fazendo Cora e o homem rirem. – Phillip, esta é Cora.
O senhor parou e atentou o olhar para a morena, que sorria sem entender tamanha curiosidade.
– A famosa Cora Mills? – Perguntou em um fio de voz.
– Exatamente. – Fiona sorria maravilhada, assim como fez Phillip ao obter a confirmação de sua resposta.
– Fiona sempre falou muito de você. – Dirigiu a atenção exclusivamente a Cora. Parecia admirar cada traço de seu rosto, como se um personagem de história finalmente estivesse se tornando realidade.
– Não contaremos detalhes, não é querido? – A loira logo se adiantou e pegou as mãos do homem. – Eu e Phillip passamos longas noites bebendo e conversando aqui. – Virou-se para Cora, que pareceu fechar a cara por um momento. – Somos bons amigos e, acima de tudo, ele é um ótimo ouvidor de todas as minhas histórias. – Sorriu para a amada, já sem a expressão quase carrancuda no rosto.
– Venham, minhas queridas. – Phillipe a acompanhou até uma das mesas. – Sentem-se e fiquem à vontade. Chamarei um garçom para atendê-las prontamente.
As duas concordaram e o senhor as deixou. Fiona logo cruzou a mesa com uma de suas mãos e segurou na de Cora.
– O que vai querer, meu bem?
Cora abriu o cardápio e seus olhos deslizaram pelas opções escritas.
– Salmão ao molho de maracujá me parece bom. – Retribuiu o olhar atento da loira, que concordou com a cabeça.
– Certo. Posso pedir vinho para você? – Seu polegar deslizava pela mão de Cora em um ato demasiado carinhoso.
– Pode, meu amor. Você me cuida tão bem, Fiona. – O rosto das duas estava frente a frente. – Como pude ficar tão tempo sem todo esse carinho?
– Eu também não sei como pude ficar tanto tempo sem você, mas, ainda assim, estamos aqui, não é? – Ergueu uma das sobrancelhas. – Acho que o destino realmente não gosta de ser contrariado.
O garçom logo se aproximou e fizeram o pedido. O vinho veio antes, acompanhado de pão australiano para ser consumido com Sardela e um molho de mostarda e mel. Conversavam animadamente sobre os planos futuros para as revistas, Fiona contando suas ideias e Cora dando sua opinião, como costumavam fazer quando mais jovens. Eram uma dupla perfeita em qualquer categoria.
– Preciso pensar no que farei com a Mills agora que voltou para minhas mãos. – Cora falou mais para si mesma do que para a mulher. – Fui durante a semana lá e todos parecem ter tanto medo de mim... – A voz de Fiona a interrompeu.
– Você sabe que isso pode ser prejudicial ao convívio da redação, não sabe? – Ela sempre se portou de maneira oposta em questões profissionais. – Meus funcionários me amam. São tão dedicados porque dariam a vida por mim... Assim construí a Goode e acredito que seja um motivo crucial para ter dado certo.
– Sei bem quais são os seus métodos acolhedores, querida. – Cora replicou brincando com a loira. – Os meus funcionários, digo, os de Regina, não, não! – Ela fez uma confusão que não entendeu. – Os funcionários de Regina que estão comigo atualmente, — corrigiu-se. – dariam a vida por mim também. Não por nutrirem qualquer sentimento que seja, apenas para poderem manter seus cargos na Mills. – Bebericou um gole da taça de vinho. – Essa é a diferença, meu amor. Eles amam a Mills, não precisam me amar.
– E ambas as estratégias deram muito certo! – Fiona erguei sua taça, aproximando-a da outra. – Um brinde a isso.
As duas taças tintilar graciosamente, entre sorrisos, memórias e planos para o futuro. O resto do almoço aconteceu de forma tranquila, paparicaram-se, amaram-se, comeram-se, não! Comeram, mas ainda não se comeram. Enfim, aproveitaram a companhia uma da outra da forma mais deliciosa possível.
– Vou ao toilette. – Anunciou Fiona ao se levantar. – Pede um café para mim, por favor?
– Claro.
A loira se levantou e não deixou a mesa antes de beijar Cora. Não demorou mais do que alguns minutos para que uma presença, nada desejada para a morena, aproximasse-se de onde estava sentada.
– Ora, ora, se não é Cora Mills. – Seu corpo inteiro gelou ao ouvir aquelas palavras. Ficou dividida entre levantar a cabeça e encará-la ou se deveria simplesmente fingir que nada estava acontecendo.
POV Fiona
Voltei do toilette e a descrença pelo que via logo apareceu. Cora estava sentada em seu lugar, como a deixei, mas seus olhos estavam quase amedrontados com a mulher que estava em sua frente. Minha cabeça parecia rodopiar da pior forma possível de se fazê-lo. Era ela.
– Elsa Goode. – Pigarreou ao ver a mulher virar. – Ou devo dizer Elsa Mars?
– Minha querida irmã. – Elsa abriu os braços para me receber, mas me mantive parada onde estava.
– O que faz aqui? – Perguntei em um fio de voz.
– Queria saber o que você faz com Cora Mills, querida. – Seu tom sarcástico me feria de forma brutal; ela sabia exatamente o que falar para me atingir e, principalmente, sabia de uma história por fazer parte dela.
– Nós voltamos. – Olhei para Cora que se adiantou na resposta seca. – E acredito que você não tenha nada para fazer aqui, Elsa.
– Oh, eu tenho! – Minha irmã retrucou entre risos. Risos tão falsos quanto ela mesma. – Gostaria muito de saber como a minha querida amante e a minha irmãzinha se encontraram. – Suas palavras doíam. Cada letra de toda aquela história me doía de uma forma que só eu sabia.
Olhei para Cora, buscando algum refugio, mas acredito que ela tenha sido pega de surpresa tanto quanto eu.
– O que foi? Um gato comeu a língua de vocês?! – Elsa desafiava.
– Você sabe muito bem que o que houve entre nós foi armação sua! – Cora se levantou e já atraia alguns olhares curiosos.
– O que não a impediu de fazer gemer o seu nome, não foi? – Minha irmã ria e meu coração se apertava mais e mais. Eu não conseguiria lidar com aquilo jamais.
Peguei a minha bolsa na cadeira, andei rapidamente entre as outras mesas e fui pega pelo braço por Phillip, que prontamente me perguntou o que havia acontecido. Enxuguei as lágrimas que se formavam nos cantos de meus olhos.
– Elsa está aí. – Ele levou a mão ao rosto, em um gesto de choque, e deixou meu braço para que eu pudesse ir. – Depois pago tudo.
Sai caminhando com uma dor terrível dentro de mim. Pude perdoar qualquer erro do passado, no entanto, a história entre Cora e minha irmã sempre me consumiu. Era um tormento sem tamanho desde que aconteceu e acredito que nunca me livrarei desse fardo. Fui embora sem olhar para Cora, ou Elsa, ou nada.
POV Cora
Fiona saiu as pressas e me deixou ali com Elsa. Foi um constrangimento imenso de minha parte, entretanto, ela parecia extremamente confortável com o que havia acontecido.
– Não ligue não, Fiona sempre faz isso. – Deu os ombros e a olhei incrédula.
– Você sabe o motivo de ela ter o feito, não sabe?
– Nossa, grande coisa nós duas termos transado! – Suas palavras saíram e me trouxeram a lembrança do meu maior arrependimento.
– Aquilo foi um erro! Um engano! – Defendi-me e tudo o que ela fez foi rir.
– Um enganou... – Elsa se aproximou de mim, deixando a boca mais próxima do meu ouvido. – Que você amou. – Sussurrou.
– Faz-me rir. – Meus olhos fitaram o dela com toda a mágoa que guardava. – Não pense que um casinho de uma noite faça alguma diferença para mim. – Virei-me para deixar o local, mas parei por um instante. – Aliás, — voltei a fita-la. – você sempre me amou, não foi, Elsa? – Meus passos foram seguindo em direção a ela. – Só que eu sempre amei a sua irmã. Sinto tanto por isso... – Pausa. – Oh, não sinto não. – Sorri uma última vez, deixando-a ali amargurada com o seu próprio veneno.
Na residência de Fiona, adentrei sem esperar mais nenhum segundo. Seus olhos avermelhados e inchados denunciavam a sua dor e choro. Ela usava um penhoar de seda, todo preto, e se espantou encontrar-me parada em sua sala.
– Cora. – Sua aparência cansada também falava por si só. – Agora não, por favor... Não quero brigar...
– Eu te amo, Fiona. — Cortei-lhe a fala no mesmo instante. – Eu não quero brigar, nem discutir, nem nada. Estou aqui toda para você. Estou desarmada. – Levantei os braços na direção contrária ao meu corpo, mostrando que era só eu toda para ela. – Sei que tive uma noite com a sua irmã, mas você sabe que eu estava embriagada e sofrendo muito por você. Você conhece Elsa, ela me coagiu e, como são tão parecidas, procurei em outros braços tão idênticos ao seu abraço. – Seus olhos se encheram mais uma vez. – Não encontrei nada. Não era você e nunca seria, Fiona. – A ponta de um sorriso foi esboçada em seu rosto. – Porque você, meu amor, — aproximei-me, segurando uma de suas mãos. – Você é única. – Entrelacei os dedos nos dela e puxei-a para um beijo, mas ela virou o rosto.
– É tão difícil imaginar... – Rompi-lhe a fala mais uma vez.
– Você não deve imaginar. – Fiz carinho por toda extensão do seu rosto, descendo a mão pela pele macia da minha amada. – Viva o que está aqui, agora. – Abaixei a cabeça e, ao levantar, meus olhos se encontraram com os dela. – Eu estou aqui e não sairei.
Em uma das poucas vezes que pude presenciar isso, Fiona chorava. Ela quase guardava o mundo dentro de si, no entanto, suas cicatrizes foram abertas de uma só vez. Eu precisava acalentá-la. Envolvi o braço em sua cintura, trazendo-a para mais perto do meu corpo. Fiona soluçava um pranto tão profundo que me doía imensamente.
– Está tudo bem, meu amor. – Deitei sua cabeça em meu colo e deixei que lavasse a alma como bem entendesse. – Está tudo bem. – Afagava-lhe os cabelos caídos pelo rosto, colocando cada fio atrás da orelha com delicadeza e carinho.
Com muita calma, meus lábios foram de encontro ao dela. Uni as duas bocas, como se fossemos apenas uma, e fui distribuindo beijinhos por toda a região. Fiona foi ficando mais serena, mesmo que ainda chorasse, no entanto, começava a corresponder meu conforto. Sua boca se abriu lentamente para que pudesse ser tomada pela minha língua, e foi o que fiz. Adentrei-lhe sem pressa, antes umedecendo os lábios dela; comecei um beijo cheio de amor. O corpo de Fiona, antes retraído, foi ganhando a postura que sempre mantivera e respondendo aos meus estímulos. Com um dos braços, segurei sua cintura com firmeza, enquanto o outro deslizada com a ponta dos dedos em sua nuca.
Nosso beijo foi ganhando força, já começava a ficar um pouco mais acelerado e, ainda assim, um carinho terno nos envolveu. Fui guiando seu corpo até o sofá, pé ante pé, informando-lhe o caminho através de gestos. Não paramos de nos beijar em nenhum momento sequer. Fiona deitou no estofado de couro e eu me deitei em cima dela; meus lábios deixaram os seus e foram deslizando por todo o seu pescoço. Podia ouvir a minha mulher gemer baixinho a cada toque. Com a ponta da língua, percorri todo o seu colo até chegar próximo a um dos seios. Desamarrei seu penhoar, revelando um corpo já desnudo pronto para me receber. Olhando-a de baixo, deixei que a minha boca ganhasse seu peito, dando um leve chupão na região, brincando com aquela maravilhosa extensão, enquanto Fiona sufocava alguns gemidos em sua garganta.
Voltei a beijar-lhe a boca, parando por um instante e a fitei.
– Eu te amo. – Meus beijos dançavam pelo seu rosto. – Eu te amo, meu amor. – Agora pescoço. – Você é a minha Fiona. Só minha. – Descendo para os seios novamente.
Fiona queria falar, mas o tesão a impedia. Com as mãos acariciando seus braços, continuei meu caminho pela barriga; podia sentir sua pele arrepiada me mostrando o quanto ela queria aquilo. Abaixei um pouco mais e logo estava em frente ao seu sexo. Meus lábios passearam por ali tranquilamente, afastei um pouco suas pernas e desci pelo sofá, ficando confortável para tal ato. Passei a ponta da língua em toda sua intimidade já molhada, ela gemeu um pouco mais alto e pediu para que eu continuasse. Repousei minha boca ali e logo comecei a fazer movimentos circulares em seu clitóris. Podia notar o quadril de Fiona se movendo junto aos meus movimentos. Ela suspirava e gemia. Fui aumentando a velocidade e acrescentei um dedo ao nosso prazer particular. Girei-o na entrada de sua cavidade, arrancando um grito rouco de sua garganta. Mais um dedo. Eu entrava e saia de Fiona, revezando seu clitóris entre a minha língua e o meu polegar. Outro dedo. Ela arfou. Passei a estocá-la mais rápido e com mais força, acrescentando um quarto dedo. Fiona rebolava para mim e eu a comia com devoção. Essa mulher é a minha gostosa! Meti fundo em seu sexo, minha língua parecia ter vida própria em contato com a intimidade molhada de minha loira.
– Cora... Cora... Eu... – Fiona balbuciou algumas palavras que foram sucumbidas aos gemidos, no entanto, eu sabia, ela ia gozar.
Estoquei-lhe os quatro dedos e passei a movimentá-los dentro dela, algo que sempre amou. Meu polegar havia tomado o lugar de minha língua, que agora buscava a boca de Fiona.
– Goza para mim, goza. – Sussurrei em seu ouvido e não demorou muito para o ato final.
Com uma estocada profunda e final, o corpo inteiro de Fiona tremeu, travou, e logo caiu extasiado sobre o sofá. Deitei-me em cima dela, deslizando a ponta dos dedos pelo seu seio.
– Eu te amo. – Sua voz era apenas um fio, mas seus braços me acolheram ainda mais forte.
– Eu sou louca por você. – Respondi, selando o momento com um beijo. – Fiona, eu pensei bastante sobre um assunto. – Ela me olhou com seriedade para que eu continuasse. – Vamos nos unir.
– Casar? – Brincou, divertida.
– Não. Vamos unir a Mills e a Goode. – Seus olhos se abriram de imediato. – Digo, olhe para você. – Fiona tentou fitar seu corpo em êxtase. – Nós somos incríveis juntas. Vamos nos dar uma chance, mais essa.
Fiona me olhou. Ela sorria com a boca e com os olhos. Consegui arrancar-lhe sorrisos doces e decididos.
– Então seja bem-vinda a Goode, Cora. – Olhou-me com expectativa e satisfação.
– Seja bem-vinda de volta à Mills e à minha vida. – Abracei-a fortemente, voltando a beijar seu rosto.
O fato é: elas se amavam e não deixariam mais que o passado interferisse no que construíram.
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