The Devil Wears Prada

26 Capítulo XXVI - This is heaven, what I truly want.


Notas iniciais
Meus amores, vocês não imaginam o quão feliz estou com a quantidade de comentários e acessos do capítulo passado! Esse ficou um pouco curto, mas não quis deixá-los sem atualização por mais tempo. Lovereginamills2, queria te agradecer muito pela recomendação. Cada palavra me arrancou um sorriso. Muito obrigada por ser mais um dos motivos pelos quais eu escrevo essa fic com tanta felicidade. De coração, linda, obrigada! Suas palavras doces me encheram de alegria. Ps: ficaram felizes que deixei Fiona, né? Gente, para quem perguntou: o bilhete de Emma para Regina é uma parte da música "Esóterico", do Gilberto Gil. Escutem na voz da Gal e da Bethânia e me digam o que acharam, tá? Sem mais delongas, capítulo cheio de amor para vocês. Aproveitem!

POV Regina

Emma ficou me olhando com os olhos arregalados. Ela não respondeu nada, então decidi perguntar mais uma vez:

– Posso entrar ou dormirei no hall? – Brinquei e ela riu, afastando-se da porta para me dar passagem.

Caminhei lentamente e fui reparando na grande sala de seu apartamento. Emma andou atrás de mim, balançando seus braços no ar, como se não soubesse muito o que fazer em relação aquilo.

– Aconteceu alguma coisa? – Sua voz quebrou o silêncio que havia se instaurado.

– Não. – Dei os ombros. Ela fez menção de falar algo, mas continuei. – O que aconteceu hoje mexeu muito comigo... – Fiz uma pausa, me virando de frente para ela. – De uma forma que não pensei que fosse mexer.

– Ah, claro! – Ela respondeu tropeçando um pouco em suas próprias palavras. – Algumas pessoas lidam com traumas fazendo sexo, é normal. – Eu ri bastante de sua resposta.

– Não, Swan... Eu quero dormir, dormir mesmo.

– No... Nossa, desculpe. – Seu rosto ficou coberto por um tom avermelhado. Ficou uma graça. – Você prefere qual quarto de hospedes? O da última vez? – Perguntou toda solicita.

Aproximei-me dela, tomando suas duas mãos com as minhas.

– Eu quero dormir no seu quarto, Swan. – Seu rosto foi ligeiramente para trás, em um ato de surpresa. Abaixei a cabeça e levantei o olhar, fixando-o em seu rosto confuso. – Com você.

Emma deixou um sorriso surgir em seu rosto. Ela permitiu que ele aparecesse. Passei os dedos suavemente em seu rosto. Ela fechou os olhos e aumentou um pouco o nosso contato virando a cabeça em direção à minha mão.

– É claro que você pode. – Abriu os olhos, sem tirar seu sorriso do rosto. Retribuiu aquela demonstração de alegria.

– Então. – Pigarreei. – Você tem algo para bebermos?

– Claro. – Ela se desvencilhou de mim e pediu para que eu a seguisse até uma pequena adega que ficava perto da copa. Abriu a porta do local e depois de um pequeno armário, pegando uma garrafa de vinho em sua mão e me oferecendo.

– Perfeito. – Respondi e saímos dali.

Emma tinha uma cozinha americana. Sentei-me do lado da sala, em um dos banquinhos de madeira, e ela foi nos servir de dentro da cozinha. Abaixou para pegar o abridor numa última gaveta e, santo deus, como a sua bunda é convidativa. Balancei a cabeça. Não, Regina, você está aqui tentando outro movimento. Reprimi-me internamente, mas não parei de olhar, afinal, olhar não tira pedaço. Emma se levantou, abriu a garrafa e colocou um pouco para cada, se sentando no banquinho em frente ao meu, que ficava na parte da cozinha.

– Um brinde. – Ela ergueu a taça e eu a minha, sem coloca-la para frente.

– Ao que estamos brindando? – Ela riu com a minha pergunta. Provavelmente se lembrou do nosso voo a Paris.

– Fiona Goode. Ao que mais poderíamos brindar hoje? – Concordei com a cabeça e pudemos ouvir o tintilar das taças.

+++

POV Fiona

Cora não parou de me fazer carinho por um momento se quer. Já era tarde e ela só saiu da poltrona para ir ao banheiro ou pegar algo para comer e beber.

– Queria muito um cigarro. – Reclamei. Faziam horas que eu não tragava o meu precioso cigarro.

– Oh, querida. – Ela fez um biquinho e se aproximou do meu ouvido. – Você não pode. – Deu-me um beijo na bochecha e voltou a se afastar. – Aqui não tem varanda.

– Merda! – Bufei e pude notar que um sorriso malicioso surgia em seu rosto.

– Vamos até lá fora então. – Cora sugeriu e eu logo fechei o rosto.

– Você sabe que eu não tenho autorização para deixar o quarto. – Meu tom era bem amargurado.

– E desde quando precisamos de autorização? – Ela sorriu e o mesmo fui fazendo. – Somos Fiona e Cora, querida. Não pedimos autorização para nada. – Ela piscou para mim. – Já volto.

Cora se levantou e foi indo e deixou o quarto. Não entendi bem o que ela queria, mas de uma coisa eu nunca poderia esquecer: os planos dela nunca falhavam. Me animei com a ideia.

Não demorou muito para que ela voltasse. Empurrava uma cadeira de rodas.

– Nós vamos fugir?! É isso? – Perguntei e ela concordou com a cabeça.

– É exatamente isso. – Seu sorriso denunciava o quanto Cora gostava de aprontar.

Com ajuda dela, fui para a cadeira de rodas. Ela se certificou de pegar a carteira de cigarros e abriu a porta, olhando para os dois lados para ver se não havia ninguém vindo. Fez sinal de positivo para mim e fui até lá. Cora foi para trás de mim, me empurrou para a porta e fechou a porta no maior silêncio. As luzes do corredor estavam fracas e, lá no fundo, havia uma enorme porta que dava para o jardim. Começamos a percorrer o caminho até o meu vício. Eu e ela riamos daquilo, é claro que era aquele risinho de quando se segura na garganta, que a pessoa acha que ninguém está ouvindo, quando, na verdade, todos podem ouvir. Chegamos até o meio do corredor e um enfermeiro apareceu lá trás, perto do quarto.

– Ei! – Ele gritou.

Cora, sem pensar duas vezes, saiu correndo. Ela empurrava minha cadeira e ria igual a uma louca. Eu queria rir, mas o medo de cair estava me impossibilitando de fazer o mesmo.

– Senhoras, vocês não... – Ele tentou correr atrás de nós enquanto falava algo, mas Cora foi mais rápida e fechou a porta no meio de sua fala.

Ela se encostou na parede de tijolos, sua respiração ofegante denunciava o tamanho do esforço que havia feitos. Nos olhamos, sérias. Um pequeno riso se formou no canto de sua boca e foi o que bastou para gargalharmos.

– Olha só quem andou malhando. – Falei para ela, que mostrou o músculo quase inexistente do braço. Riamos muito. – Quero que você use isso para outras coisas... – A minha insinuação bastou para Cora saltar para a minha frente. Ela apoiou as duas mãos nos braços da cadeira e se aproximou de mim.

– Fala para mim o que você quer que eu faça com elas. Fala. – Sussurrava em meu ouvido, me deixando arrepiada a cada palavra.

– Eu... – Assim que foi responder, o enfermeiro abriu a porta e deu de cara com Cora quase pendurada em meu colo.

Cora tomou um susto ao vê-lo e se postou em pé novamente. O homem, claramente constrangido, falou “boa noite” e logo voltou para dentro do hospital. Um ataque de riso voltou a nos atingir.

– Tome, querida. – Ela estendeu a mão e me deu a carteira.

– Reconheceu esta carteira, Cora? – Perguntei, acendendo um cigarro logo em seguida.

Ela tomou o objeto de prata novamente em suas mãos, o girou uma vez e logo sorriu.

– Fui eu quem te dei. – Falou toda contente. – “Que seja sempre o seu maior vício”. – Ela leu em voz alta a frase que tinha feita com ouro branco e estampava a parte traseira da carteira.

– E você sempre foi. – Dei uma longa tragada, parecia que eu não fumava há anos. Apontei para ela com o dedo que segurava o cigarro. – E sempre será. – Pisquei, tragando novamente.

Cora me sorria sem demarcações para o tamanho de felicidade que havia em seu rosto.

+++

POV Emma

Regina chegou a minha casa do absoluto nada. Não entendi o motivo de ela querer dormir comigo, afinal, ela não dormia com ninguém, só sei que adorei. Tê-la assim, desarmada, foi uma sensação de... De... Não, não prazer... Foi uma sensação de felicidade! Isso! Felicidade! Fiquei a olhando enquanto bebericava golinhos do vinho. Ela absorvia a minha decoração com o olhar, captando cada detalhe da minha cozinha americana. Eu, por outro lado, absorvia-a com o olhar.

– Seu gosto é muito bom, Swan. Estou impressionada! – Ela riu e fingi estar surpresa.

– Quer ver uma coisa? – Ofereci e ela deu os ombros. Era impressionante como Regina sempre precisava se mostrar blasé demais para tudo. – Me diga, qual é o filme que mais gosta no mundo? – Ela me olhou desconfiada, mas, por fim, cedeu.

– “O Diabo Veste Prada”. – Respondeu, tomando mais um gole.

– Óbvio! – Brinquei, recebendo um olhar estreito dela.

– Por que óbvio, Swan?

– Porque você respira moda, Regina. Você é a moda... – Pude perceber o quanto minha resposta a agradou. – Venha.

Levantei no banquinho, puxando-a comigo. Passamos pela sala de jantar e chegamos à de televisão. Um grande sofá ficava virado de frente para uma parede branca e, como imaginei, Regina estranhou. Seu rosto me mostrava que Regina era muito clássica para aquilo, porém, era a minha tentativa de surpreende-la. Peguei um controle que ficava em cima da mesa de centro e apertei um botão. As duas telas brancas foram escorregando para os lados, revelando uma tela que reproduzia o que o projetor do teto colocava. Voltei a minha atenção para Regina e esta estava boquiaberta.

– Emma, por favor, me diga que você tem o DVD de “O Diabo Veste Prada”? – Ela me perguntou ansiosa. Nunca havia visto Regina animada com algo tão bobo.

– Tenho sim. – Respondi e abri as duas portas de um armário que ficava ao lado. O lugar era cheio de DVDs. – Estão em ordem alfabética, será fácil encontrar. – Sorri para ela e voltei para a cozinha enquanto ela procurava.

Assim que voltei para a sala, dessa vez com um pote de pipoca e as duas taças quase caindo, tive vontade de rir da cena que estava em minha frente: Regina deitada no sofá-cama (que ela mesma abriu), sem sapatos e dizendo para eu me apressar para vermos o filme. Sentei-me ao seu lado, entregando sua taça e o pote de pipoca. Iniciamos o filme. Minha mão foi de encontro a dela, torcendo para que não negasse meu carinho; toquei-a a parte de cima da mão com o meu polegar e a de baixo com os outros dedos, fazendo um pouco de massagem. Para a minha alegria e surpresa, Regina apenas me olhou, sorriu e voltou a olhar para o filme. Sem resistir. Aos poucos, a “Dama de Ferro” foi se aproximando de mim, até deitar toda a cabeça em meu colo. Ainda um pouco nervosa com a situação, arfei seus cabelos negros entre meus dedos e continuei com a carícia ali.

Passado algum tempo, Regina e eu já estávamos deitadas abraçadas no sofá. Meryl Streep falou “go” para o seu motorista e logo os créditos foram subindo.

– Meryl Streep fez a Anna Wintour muito bem! Ela é realmente desse jeito, sabia, Emma? – Comentou comigo e eu fiquei incrédula com aquilo.

– Jura, Regina? Fale-me mais sobre isso! – Brinquei e ela fingiu estar brava.

Regina bocejou e, antes que eu oferecesse, pediu para irmos deitar. Sim, ela falou “irmos” e isso fez o meu coração disparar. Apaguei todas as luzes e ela foi subindo antes para escovar os dentes e colocar pijama. Coloquei as duas taças na pia, bem como o pote, peguei dois copos de água e subi, apagando o último interruptor da escada.

Entrei no quarto e quase derrubei os copos! Regina usava uma baby doll de renda preta. Lia alguma coisa em seu celular com óculos que a deixavam ainda mais sexy; seu cotovelo estava apoiado no travesseiro, permitindo uma posição lateral de seu corpo. Parei em frente a porta.

– Algum problema, Swan? – Perguntou-me, retirando os óculos e os colocando no criado mudo.

– Nã... Não. – Respondi, colocando as águas em seus respectivos lugares. – Vou me arrumar.

Entrei no banheiro e joguei água fria em todo o meu rosto. Aquela mulher me enlouquecia!

Escovei os dentes, coloquei o meu pijama velho que adoro e voltei para o quarto. Ela riu dos meus trajes.

Deite-me ao seu lado e pude ver que Regina estava leve. Pela primeira vez, não veio até mim armada, com resposta na ponta da língua e atitudes fortes. Minto. Ela se abrir dessa forma foi, talvez, a atitude mais forte que já a vi tomar.

Sem dizer nada, passei meus dedos pela sua pele macia do rosto e fui aproximando minha boca da dela. Regina fechou os olhos e o meu beijo calmo a invadiu aos poucos. Sua língua respondeu de imediato, acariciando a minha com a mesma gentileza. Nos beijamos docemente por alguns minutos. Ela parou e me olhou sorrindo. Regina se virou de costas para mim e apagou o abajur. Fiz o mesmo em relação ao meu. Deitei virada para ela e passei o braço por sua cintura, colando nossos corpos.

– Fico feliz que tenha vindo dormir comigo. – Sussurrei em seu ouvido e ela passou o seu braço por cima do meu, apertando-me como forma de afeto.

Notas finais
1- Continuem comentando... Esse foi um dos motivos por eu não ter tirado a Fiona, certo? Então saibam que eu leio e presto atenção em cada comentário! 2- Prometo, do fundo do meu coração, tentar postar mais um amanhã.