The Devil Wears Prada
26 Capítulo XXVI - This is heaven, what I truly want.
Notas iniciais
POV Regina
Emma ficou me olhando com os olhos arregalados. Ela não respondeu nada, então decidi perguntar mais uma vez:
– Posso entrar ou dormirei no hall? – Brinquei e ela riu, afastando-se da porta para me dar passagem.
Caminhei lentamente e fui reparando na grande sala de seu apartamento. Emma andou atrás de mim, balançando seus braços no ar, como se não soubesse muito o que fazer em relação aquilo.
– Aconteceu alguma coisa? – Sua voz quebrou o silêncio que havia se instaurado.
– Não. – Dei os ombros. Ela fez menção de falar algo, mas continuei. – O que aconteceu hoje mexeu muito comigo... – Fiz uma pausa, me virando de frente para ela. – De uma forma que não pensei que fosse mexer.
– Ah, claro! – Ela respondeu tropeçando um pouco em suas próprias palavras. – Algumas pessoas lidam com traumas fazendo sexo, é normal. – Eu ri bastante de sua resposta.
– Não, Swan... Eu quero dormir, dormir mesmo.
– No... Nossa, desculpe. – Seu rosto ficou coberto por um tom avermelhado. Ficou uma graça. – Você prefere qual quarto de hospedes? O da última vez? – Perguntou toda solicita.
Aproximei-me dela, tomando suas duas mãos com as minhas.
– Eu quero dormir no seu quarto, Swan. – Seu rosto foi ligeiramente para trás, em um ato de surpresa. Abaixei a cabeça e levantei o olhar, fixando-o em seu rosto confuso. – Com você.
Emma deixou um sorriso surgir em seu rosto. Ela permitiu que ele aparecesse. Passei os dedos suavemente em seu rosto. Ela fechou os olhos e aumentou um pouco o nosso contato virando a cabeça em direção à minha mão.
– É claro que você pode. – Abriu os olhos, sem tirar seu sorriso do rosto. Retribuiu aquela demonstração de alegria.
– Então. – Pigarreei. – Você tem algo para bebermos?
– Claro. – Ela se desvencilhou de mim e pediu para que eu a seguisse até uma pequena adega que ficava perto da copa. Abriu a porta do local e depois de um pequeno armário, pegando uma garrafa de vinho em sua mão e me oferecendo.
– Perfeito. – Respondi e saímos dali.
Emma tinha uma cozinha americana. Sentei-me do lado da sala, em um dos banquinhos de madeira, e ela foi nos servir de dentro da cozinha. Abaixou para pegar o abridor numa última gaveta e, santo deus, como a sua bunda é convidativa. Balancei a cabeça. Não, Regina, você está aqui tentando outro movimento. Reprimi-me internamente, mas não parei de olhar, afinal, olhar não tira pedaço. Emma se levantou, abriu a garrafa e colocou um pouco para cada, se sentando no banquinho em frente ao meu, que ficava na parte da cozinha.
– Um brinde. – Ela ergueu a taça e eu a minha, sem coloca-la para frente.
– Ao que estamos brindando? – Ela riu com a minha pergunta. Provavelmente se lembrou do nosso voo a Paris.
– Fiona Goode. Ao que mais poderíamos brindar hoje? – Concordei com a cabeça e pudemos ouvir o tintilar das taças.
+++
POV Fiona
Cora não parou de me fazer carinho por um momento se quer. Já era tarde e ela só saiu da poltrona para ir ao banheiro ou pegar algo para comer e beber.
– Queria muito um cigarro. – Reclamei. Faziam horas que eu não tragava o meu precioso cigarro.
– Oh, querida. – Ela fez um biquinho e se aproximou do meu ouvido. – Você não pode. – Deu-me um beijo na bochecha e voltou a se afastar. – Aqui não tem varanda.
– Merda! – Bufei e pude notar que um sorriso malicioso surgia em seu rosto.
– Vamos até lá fora então. – Cora sugeriu e eu logo fechei o rosto.
– Você sabe que eu não tenho autorização para deixar o quarto. – Meu tom era bem amargurado.
– E desde quando precisamos de autorização? – Ela sorriu e o mesmo fui fazendo. – Somos Fiona e Cora, querida. Não pedimos autorização para nada. – Ela piscou para mim. – Já volto.
Cora se levantou e foi indo e deixou o quarto. Não entendi bem o que ela queria, mas de uma coisa eu nunca poderia esquecer: os planos dela nunca falhavam. Me animei com a ideia.
Não demorou muito para que ela voltasse. Empurrava uma cadeira de rodas.
– Nós vamos fugir?! É isso? – Perguntei e ela concordou com a cabeça.
– É exatamente isso. – Seu sorriso denunciava o quanto Cora gostava de aprontar.
Com ajuda dela, fui para a cadeira de rodas. Ela se certificou de pegar a carteira de cigarros e abriu a porta, olhando para os dois lados para ver se não havia ninguém vindo. Fez sinal de positivo para mim e fui até lá. Cora foi para trás de mim, me empurrou para a porta e fechou a porta no maior silêncio. As luzes do corredor estavam fracas e, lá no fundo, havia uma enorme porta que dava para o jardim. Começamos a percorrer o caminho até o meu vício. Eu e ela riamos daquilo, é claro que era aquele risinho de quando se segura na garganta, que a pessoa acha que ninguém está ouvindo, quando, na verdade, todos podem ouvir. Chegamos até o meio do corredor e um enfermeiro apareceu lá trás, perto do quarto.
– Ei! – Ele gritou.
Cora, sem pensar duas vezes, saiu correndo. Ela empurrava minha cadeira e ria igual a uma louca. Eu queria rir, mas o medo de cair estava me impossibilitando de fazer o mesmo.
– Senhoras, vocês não... – Ele tentou correr atrás de nós enquanto falava algo, mas Cora foi mais rápida e fechou a porta no meio de sua fala.
Ela se encostou na parede de tijolos, sua respiração ofegante denunciava o tamanho do esforço que havia feitos. Nos olhamos, sérias. Um pequeno riso se formou no canto de sua boca e foi o que bastou para gargalharmos.
– Olha só quem andou malhando. – Falei para ela, que mostrou o músculo quase inexistente do braço. Riamos muito. – Quero que você use isso para outras coisas... – A minha insinuação bastou para Cora saltar para a minha frente. Ela apoiou as duas mãos nos braços da cadeira e se aproximou de mim.
– Fala para mim o que você quer que eu faça com elas. Fala. – Sussurrava em meu ouvido, me deixando arrepiada a cada palavra.
– Eu... – Assim que foi responder, o enfermeiro abriu a porta e deu de cara com Cora quase pendurada em meu colo.
Cora tomou um susto ao vê-lo e se postou em pé novamente. O homem, claramente constrangido, falou “boa noite” e logo voltou para dentro do hospital. Um ataque de riso voltou a nos atingir.
– Tome, querida. – Ela estendeu a mão e me deu a carteira.
– Reconheceu esta carteira, Cora? – Perguntei, acendendo um cigarro logo em seguida.
Ela tomou o objeto de prata novamente em suas mãos, o girou uma vez e logo sorriu.
– Fui eu quem te dei. – Falou toda contente. – “Que seja sempre o seu maior vício”. – Ela leu em voz alta a frase que tinha feita com ouro branco e estampava a parte traseira da carteira.
– E você sempre foi. – Dei uma longa tragada, parecia que eu não fumava há anos. Apontei para ela com o dedo que segurava o cigarro. – E sempre será. – Pisquei, tragando novamente.
Cora me sorria sem demarcações para o tamanho de felicidade que havia em seu rosto.
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POV Emma
Regina chegou a minha casa do absoluto nada. Não entendi o motivo de ela querer dormir comigo, afinal, ela não dormia com ninguém, só sei que adorei. Tê-la assim, desarmada, foi uma sensação de... De... Não, não prazer... Foi uma sensação de felicidade! Isso! Felicidade! Fiquei a olhando enquanto bebericava golinhos do vinho. Ela absorvia a minha decoração com o olhar, captando cada detalhe da minha cozinha americana. Eu, por outro lado, absorvia-a com o olhar.
– Seu gosto é muito bom, Swan. Estou impressionada! – Ela riu e fingi estar surpresa.
– Quer ver uma coisa? – Ofereci e ela deu os ombros. Era impressionante como Regina sempre precisava se mostrar blasé demais para tudo. – Me diga, qual é o filme que mais gosta no mundo? – Ela me olhou desconfiada, mas, por fim, cedeu.
– “O Diabo Veste Prada”. – Respondeu, tomando mais um gole.
– Óbvio! – Brinquei, recebendo um olhar estreito dela.
– Por que óbvio, Swan?
– Porque você respira moda, Regina. Você é a moda... – Pude perceber o quanto minha resposta a agradou. – Venha.
Levantei no banquinho, puxando-a comigo. Passamos pela sala de jantar e chegamos à de televisão. Um grande sofá ficava virado de frente para uma parede branca e, como imaginei, Regina estranhou. Seu rosto me mostrava que Regina era muito clássica para aquilo, porém, era a minha tentativa de surpreende-la. Peguei um controle que ficava em cima da mesa de centro e apertei um botão. As duas telas brancas foram escorregando para os lados, revelando uma tela que reproduzia o que o projetor do teto colocava. Voltei a minha atenção para Regina e esta estava boquiaberta.
– Emma, por favor, me diga que você tem o DVD de “O Diabo Veste Prada”? – Ela me perguntou ansiosa. Nunca havia visto Regina animada com algo tão bobo.
– Tenho sim. – Respondi e abri as duas portas de um armário que ficava ao lado. O lugar era cheio de DVDs. – Estão em ordem alfabética, será fácil encontrar. – Sorri para ela e voltei para a cozinha enquanto ela procurava.
Assim que voltei para a sala, dessa vez com um pote de pipoca e as duas taças quase caindo, tive vontade de rir da cena que estava em minha frente: Regina deitada no sofá-cama (que ela mesma abriu), sem sapatos e dizendo para eu me apressar para vermos o filme. Sentei-me ao seu lado, entregando sua taça e o pote de pipoca. Iniciamos o filme. Minha mão foi de encontro a dela, torcendo para que não negasse meu carinho; toquei-a a parte de cima da mão com o meu polegar e a de baixo com os outros dedos, fazendo um pouco de massagem. Para a minha alegria e surpresa, Regina apenas me olhou, sorriu e voltou a olhar para o filme. Sem resistir. Aos poucos, a “Dama de Ferro” foi se aproximando de mim, até deitar toda a cabeça em meu colo. Ainda um pouco nervosa com a situação, arfei seus cabelos negros entre meus dedos e continuei com a carícia ali.
Passado algum tempo, Regina e eu já estávamos deitadas abraçadas no sofá. Meryl Streep falou “go” para o seu motorista e logo os créditos foram subindo.
– Meryl Streep fez a Anna Wintour muito bem! Ela é realmente desse jeito, sabia, Emma? – Comentou comigo e eu fiquei incrédula com aquilo.
– Jura, Regina? Fale-me mais sobre isso! – Brinquei e ela fingiu estar brava.
Regina bocejou e, antes que eu oferecesse, pediu para irmos deitar. Sim, ela falou “irmos” e isso fez o meu coração disparar. Apaguei todas as luzes e ela foi subindo antes para escovar os dentes e colocar pijama. Coloquei as duas taças na pia, bem como o pote, peguei dois copos de água e subi, apagando o último interruptor da escada.
Entrei no quarto e quase derrubei os copos! Regina usava uma baby doll de renda preta. Lia alguma coisa em seu celular com óculos que a deixavam ainda mais sexy; seu cotovelo estava apoiado no travesseiro, permitindo uma posição lateral de seu corpo. Parei em frente a porta.
– Algum problema, Swan? – Perguntou-me, retirando os óculos e os colocando no criado mudo.
– Nã... Não. – Respondi, colocando as águas em seus respectivos lugares. – Vou me arrumar.
Entrei no banheiro e joguei água fria em todo o meu rosto. Aquela mulher me enlouquecia!
Escovei os dentes, coloquei o meu pijama velho que adoro e voltei para o quarto. Ela riu dos meus trajes.
Deite-me ao seu lado e pude ver que Regina estava leve. Pela primeira vez, não veio até mim armada, com resposta na ponta da língua e atitudes fortes. Minto. Ela se abrir dessa forma foi, talvez, a atitude mais forte que já a vi tomar.
Sem dizer nada, passei meus dedos pela sua pele macia do rosto e fui aproximando minha boca da dela. Regina fechou os olhos e o meu beijo calmo a invadiu aos poucos. Sua língua respondeu de imediato, acariciando a minha com a mesma gentileza. Nos beijamos docemente por alguns minutos. Ela parou e me olhou sorrindo. Regina se virou de costas para mim e apagou o abajur. Fiz o mesmo em relação ao meu. Deitei virada para ela e passei o braço por sua cintura, colando nossos corpos.
– Fico feliz que tenha vindo dormir comigo. – Sussurrei em seu ouvido e ela passou o seu braço por cima do meu, apertando-me como forma de afeto.
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