The Devil Wears Prada
22 Capítulo XXII - Red roses.
Notas iniciais
POV Regina
Desci da minha Mercedes e comecei a caminhada entre o carro e a minha sala, na Mills. O porteiro, Oliver, me cumprimentou e acredito que ele não perceba o meu singelo gesto com a cabeça, talvez por ficar nervoso ao meu ver. Assim que parei em frente ao elevador, uma mulher loira estava dentro dele e, para a minha surpresa, não saiu. Preferi ignorar. Entrei e fitei a porta durante todo o percurso. Percebi que ela mantinha seu olhar focado em mim; possivelmente me conhecia, mas não fazia ideia de como eram as minhas regras. Se eu entro no elevador, a outra pessoa sai. Não tem conversa. Se você, meu caro leitor, já leu Maquiavel, sabe do que estou falando: é melhor ser temido do que ser amado.
As portas se abriram e toda redação me aguardava em perfeita ordem, como de costume. Atravessei a recepção e Zelena logo veio me paparicar.
– Bom dia, senhorita Mills. – Ela tinha um sorriso tão falso quanto seus elogios no rosto. Não tenho paciência. Joguei meu casaco e minha bolsa na mesa da secretária que substituíra Emma e continuei meu caminho até minha sala.
Entrei e fechei a porta de vidro que me separava do resto da redação. Assim que me virei, um buquê de rosas vermelhas estava em cima de minha mesa, ao lado do meu café do Starbucks. Sorri, involuntariamente. Um cartão foi colocado entre as rosas, o peguei e abri.
“Querida Regina, adorei a noite de ontem. Me surpreendi com o seu lugar favorito. Sei que gosta de rosas, em especial as vermelhas, por isso elas acompanharão o seu café. Caso esteja se perguntando, está sem açúcar e com canela, como você gosta. Certas coisas nunca mudam, certo?
Um beijo,
Swan.”
Notei que um aroma parecia vir do cartão. Aproximei o papel de meu nariz e eu estava certa! “Dolce & Gabbana – Light Blue”, o perfume de Emma, percorreu narinas a dentro até estar em mim inteira. Suspirei e peguei meu celular.
De: Regina Mills
Para: Emma Swan
Boa tentativa, Swan, mas as minhas rosas preferidas são as brancas.
Enviei e deixei o celular no canto de minha mesa. Meu dia estava corrido.
Logo Zelena bateu na porta e falei para que entrasse. Ela deixou algumas pastas em cima de minha mesa, me avisando sobre a reunião de pauta que teríamos durante a tarde. Zelena parecia aborrecida com alguma coisa e resolvi perguntar, para seu espanto.
– Aconteceu alguma coisa, Zelena?
– Desculpe? – Ela me olhou um pouco incrédula. – Eu... Eu... Sim. – Gaguejava, o que me fez achar graça. – Essa nova secretária é péssima. Ela está aqui há seis meses e ainda nem aprendeu como escrever “Jimmy Choo”. – Resmungou, me fazendo achar mais graça ainda e soltar um riso. Ela me olhou apavorada.
– Sente falta de Emma, Zelena? – Provoquei. Sempre soube que ela não gostava muito de Swan.
– Odeio ter que admitir, mas acredito que sim. Tem a visto?
Olhei com o rosto encoberto de irritação. Eu apenas havia feito uma pergunta sobre seu dia, nada mais do que isso. As pessoas não costumam entender que há um limite de intimidade. Zelena olhou para o chão, depois para mim e para o chão novamente.
– Eu já vou. – Ia saindo toda atrapalhada.
– Peça para a nova secretária que venha até minha sala, por favor. – Pedi e ela concordou com a cabeça, deixando o local.
A secretária, Belle, entrou em minha sala com cara de poucos amigos. Nunca tinha notado o quão arrogante ela era.
– Emma, quero que me dê uma opinião. – Falei.
– Meu nome é Belle. – Limitou-se a dizer, me desafiando.
– Certo. – Respirei fundo e me levantei, levando uma edição antiga da Mills em minhas mãos. Abri na página 27. – Está vendo esses dois cintos? – Ela concordou com a cabeça. – Quero que me diga qual é a diferença entre eles. – Os cintos eram os mesmos que Emma debochou uma vez, dizendo que eram perfeitamente iguais, quando, na verdade, eram completamente diferentes.
– Eles são iguais. – Ela deu os ombros.
Voltei a minha mesa e me sentei calmamente.
– Você está demitida, Emma. – A mulher em minha frente quase desabou. Sua boca poderia cair a qualquer momento, de tão surpresa que estava. Ela se retirou. – Nunca será Emma Swan. – Suspirei. Emma voltaria e me diria algumas verdades. Meu celular apitou e abri a nova mensagem que aparecia no visor.
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Brancas representam a paz. O diabo veste Prada e gosta de rosas vermelhas, Regina.
Bloqueei o aparelho, rodando entre meus dedos e a mesa. Emma me desafiava como ninguém! Como pode me dizer que sou o diabo?!
De: Regina Mills
Para: Emma Swan
Emma, vá para o inferno!
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POV Emma
Li a mensagem de Regina e não aguentei, fiz uma dancinha ridícula por ter conseguido o que queria: desestabilizar Regina Mills.
– Comemorando algo? – Uma mulher me perguntou e, quando tirei os olhos do celular e a olhei, notei que a conhecia de algum lugar.
– Digamos que sim. – Sorri gentilmente. Estendi a minha mão e me apresentei. – Prazer, sou Emma Swan.
– Prazer, Rose Tinker. – Ela respondeu e logo relacionei o nome ao rosto. Rose! A ex-mulher de Regina. – Serei a diretora da sessão de fotos hoje. – Piscou para mim de uma forma gentil.
– Certo! Podemos começar então? – Perguntei animada. O tema do photoshot seria “natal”, já que essa data estava bem próxima. Faltavam dois dias, mais precisamente.
Rose me dizia para fazer poses sensuais, mas não obedeci. Não vejo o natal como algo assim, vejo mais como uma data alegre, onde pessoas que se gostam costumam se reencontrar. Ela tentou insistir mais um pouco e eu não decidi, então acredito que tenha deixado para lá.
Quando estávamos quase acabando, Fiona e Cora chegaram juntas ao estúdio.
– Como vai minha estrela? – Fiona me puxou pela cintura, beijando meu rosto de forma terna.
– Sua estrela é perfeita. – Foi Rose quem respondeu, arrancando um sorriso de Fiona, que concordou com a cabeça.
– Vejo que seu apetite por mulheres influentes continua o mesmo, não é? – Cora adentrou a rodinha que havia se formado e provocou a ex-nora.
– Sogrinha! – Pelo cara de Cora, logo percebi que ela odiava quando Rose a chamava daquele jeito. – Você sabe que o amor de minha vida sempre será Regina, não é? – Ela fez algo estranho com a boca, como se tivesse mordido o ar, Cora revirou os olhos, assim como eu, que odiei ouvir aquilo. Idiota.
– Bom, acredito que tenhamos terminado, certo? – Falei com a intuição de acabar com aquele climão que ficou.
Elas concordaram e Rose teceu elogios a meu respeito. Falsa. Fui para o vestiário me trocar, Cora e Fiona disseram que me levariam a um restaurante comer alguma coisa, eu estava morrendo de fome!
Fechei a cortina e tirei o vestido que usava, ficando só de calcinha e sutiã. Senti que alguém me olhava de trás e me virei. Rose.
– A mulher que te leva para cama deve ter muita sorte. – Falou com um tom carregado de malícia. Eu apenas sorri um pouco sem jeito. – Regina não perde uma loira se quer, não é? – Ela riu e meu rosto se fechou exatamente no fim de sua frase.
– O que quer, Rose? – Não tenho a menor paciência com joguinhos psicológicos.
– Só me certificar que você irá sair comigo essa noite. – Ela foi se aproximando de mim e eu fui andando para trás.
– Desculpe, já tenho planos. – Respondi e dei os ombros, sem me importar muito com o que ela propusera.
– Já sei, já sei! Deixe-me adivinhar! Vai jantar com a minha ex-mulher em algum jantar chique, ouvir patadas a noite inteira para ganhar um beijo no final? – Rose riu de forma debochada. Ridícula. Ela não conhece Emma Swan ainda, pois agora vai conhecer. Coloquei o meu vestido de antes da sessão de fotos, peguei a minha bolsa do cabideiro e me aproximei o bastante para poder sussurrar.
– Quase acertou! Na verdade, hoje não irei comer com ela... – Fitei meus olhos no rosto de Rose. – Eu vou comê-la. Errou apenas por uma palavrinha. – Beijei-a no rosto e fui saindo. – Foi um prazer conhece-la. Com licença. – Não me virei para vê-la, mas aposto que estava se mordendo de raiva.
Logo cheguei ao encontro de Fiona e Cora. As duas estavam se beijando, o que me assustou, pensei que se odiassem, mas preferi fingir que não era comigo e pigarreei para que me vissem.
– Desculpe. – Cora limpou seus lábios ainda úmidos por causa do beijo. – Onde iremos?
– A um restaurante aqui perto. É muito bom. – Fiona não esperou o motorista abrir a porta do carro, fez ela mesma e entrou atrás junto com Cora. Eu fui na frente.
As duas ficavam dando risadinhas e pude ouvir barulhos de beijos. Pareciam duas adolescentes apaixonadas!
+++
POV Regina
Emma não respondeu minha última mensagem. Droga! Passei o dia inteiro olhando para o celular e nada. Ela gostava de me desafiar, era impressionante. Zelena entrou em minha sala, avisando que a reunião de pauta logo começaria. Peguei meu caderno com anotações, “o livro” e meu celular. Assim que cheguei na sala de reuniões, todos me aguardavam sentados.
Ruby me fez algumas sugestões sobre o design dessa edição. Ela era realmente muito boa no que fazia. Concordei com quase tudo. Já Killian me veio com suas brilhantes ideias e, como de costume, amei tudo o que ele disse. Os outros eram incompetentes. Me cansavam, pois pareciam não pensar, queriam que eu fizesse todo o trabalho e colocasse no colo de cada um. A encarregada da coluna de looks dizia uma porção de besteiras e ia esgotando a minha paciência a cada palavra. Meu celular apitou. Peguei o aparelho e vi que tinha uma nova mensagem.
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Conheci sua ex-mulher hoje. Que figura agradável.
Meu corpo inteiro parecia queimar ao ler aquilo. Rose e Emma juntas? Isso não podia ser bom! Se pareciam em muitos aspectos, isso poderia aproximá-las. Dane-se! Emma não é minha, ela que fique com quem quiser.
De: Regina Mills
Para: Emma Swan
Aceitou o convite dela para hoje?
Eu conhecia Rose, sabia com quais cartas ela jogava.
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Como soube do convite?
Emma, Emma. Sempre tão ingênua.
De: Regina Mills
Para: Emma Swan
Eu conheço Rose.
Bloqueei meu celular e a mulher da coluna de looks ainda estava falando. Revirei os olhos.
– Certo. Já entendemos que você acharia melhor colocar a coleção da Burberry em sua coluna, mas você já deveria saber de uma coisa: Chanel é Chanel. Não abrirei mão disso. – Logo encerrei o discurso tolo de alguém que não consegue ver o clássico. – Mais alguém?
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Certo. Não aceitei. Estarei em casa hoje à noite, sem fazer nada. ;)
Ela me mandou um rosto piscando? Emma é realmente muito engraçada. Ri um pouco com aquilo e a mesa inteira me olho incrédula.
– O que foi? – Logo fechei a cara e os encarei. – Se não há mais nada, reunião encerrada. – Levantei-me rápido e deixei a sala. Killian me seguiu.
– Vamos almoçar? – Ele me convidou gentilmente. Assenti com a cabeça e pedi que me esperasse, pois precisava pegar minha bolsa e meu casaco.
– Entrevistei duas novas secretárias, senhorita Mills. – Zelena correu atrás de mim enquanto eu ia saindo.
– E o que achou? – Perguntei sem parar de andar em direção a Killian.
– Ah, posso apresenta-las e a senhorita decide qual prefere. – Ela parecia sempre tão nervosa falando comigo. Parei e coloquei uma de minhas mãos em seu rosto.
– Confio em você. – Virei-me e sai com Killian.
Consegui ouvir os pulinhos de alegria que Zelena deu. Achei graça.
+++
O almoço ocorreu bem na mesa de Fiona, Cora e Emma. Era estranho ver as duas mais velhas juntas, mas Emma acabou conseguindo dançar conforme a música.
– Com licença. – Emma pediu a palavra. – Importam-se se eu for indo? Estou um pouco cansada.
– Sem problemas, querida. Nós já já iremos também. – Fiona respondeu gentilmente. – Nos vemos amanhã?
– Claro. – A mais nova beijou as duas e saiu.
– Nunca pensei que Emma fosse tão divertida. – Cora comentou enquanto acaba seu Martini.
– Ela é. É uma boa pessoa, tem um bom coração, fora que é bonita além desse planeta.
– Ahhh, você acha, Fiona? – A morena deu um tapa de leve no braço de Fiona.
– Acho, mas acredito que ela não supere a mulher que é bonita além desse universo. – Fiona se aproximou de Cora, que agora já estava toda convencida, e a beijou com carinho.
– Fiona. – Cora se afastou, interrompendo o beijo. – O que acha de passarmos a passagem do natal todas juntas? Digo, eu, você, Emma e Regina.
– Acha que Regina aceitaria? Eu acho ótimo.
– Ela não aceitaria, mas tenho minhas formas de convence-la. – Cora piscou para a outra.
– Conheço bem esse truque. – Voltaram a se beijar com ternura. Pareciam ter todo o tempo do mundo para se aproveitarem.
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POV Emma
Resolvi voltar a pé para o meu apartamento. Era ali perto mesmo, não faria diferença andar por algumas quadras e era sempre bom espairecer.
Passei por um bistrô e, de fora da janela, avistei Regina e Killian sentados em uma mesa. Pareciam conversar sobre coisas boas, afinal, os dois sorriam bastante.
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Esse vestido vermelho ficou incrível em você.
Cliquei em “enviar” e fiquei esperando Regina ver. Ela abriu o celular e sorriu, tentou me procurar com os olhos pela rua e dentro do restaurante, mas me certifiquei que não me visse. Perderia a graça. Ela entrou no jogo. Colocou o celular em cima da mesa, sem me responder, e voltou a conversar com Killian, como se nada tivesse acontecido. Ri daquilo e segui meu rumo em direção a minha casa.
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POV Regina
Emma me mandou uma mensagem. Como ela é bobinha! Pensou que não a vi atrás de uma árvore... Às vezes parece uma criança. Entrei em seu joguinho e deixei o celular em cima da mesa, como se não tivesse ligado muito para aquilo. Preciso confessar que eu estou adorando esses jogos de sedução que faço com Emma.
– Era Emma? – Killian deu um tiro certeiro.
– Sim. Swan acha que sabe brincar. Pobrezinha. – Nós rimos.
– Regina, não seja tão má com ela. Tem planos para hoje à noite?
– Não tinha pensado nisso, mas agora que você falou... Acredito que sim. – Sorri com malícia para Killian. Sim, fiz planos para hoje. Se Emma quer jogar, ela precisa saber que sou boa em qualquer carteado.
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POV Emma
Meu novo apartamento é enorme, mas me sinto um pouco sozinha dentro dele. Há muito espaço e poucas pessoas, o que é um saco! Deitei no sofá da sala e liguei a televisão, tentei trocar os canais, porém, aparentemente, nada de bom passa na tv no dia vinte e três de dezembro.
– Droga! – Resmunguei e joguei o controle no outro sofá, irritada.
Levantei-me e fui até a enorme janela de vidro que servia como uma parede para sala. Abri a parte de cima, apoiando meu tronco ali e fiquei admirando o céu. Estrelas cobriam o azul escuro que ficava quase claro por conta da lua cheia.
– Ding Dong –
A campainha tocou e meu coração disparou. Que susto! Fui até a porta e, através do olho mágico, tive a melhor imagem da minha noite. Regina estava parada ali. Para a minha surpresa, era Regina! Sorri muito naquele momento. Virei a chave e abri.
– Boa noite, Swan. – Ela sorriu para mim e ergueu a sacola que carregava. – Trouxe vinho.
Não tive reação alguma perante aquilo. Fiquei estática, maravilhada com aquela surpresa.
– Não vai me convidar para entrar? – Usou o seu tom calmo e eu logo me afastei, dando espaço para que ela entrasse.
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POV Regina
Como eu previ, Emma é uma iniciante em joguinhos e não fazia ideia do que estava fazendo. Levei o vinho até sua cozinha, de muito bom gosto, diga-se de passagem, e perguntei onde eu poderia encontrar taças e um abridor.
– Me desculpe. Nem perguntei! – Fingi um pouco de arrependimento. – Importa-se se eu ficar um pouco aqui?
– Nã, não... De forma alguma. – Ela gaguejava e me fez rir com aquilo.
– Certo. – Sorri e servi um copo para cada uma de nós.
Voltamos para a sala, onde deixei minha bolsa e casaco em uma mesa, e nos sentamos no sofá.
– Não, Regina! – Ela quase me matou de susto quando me impediu de dar o primeiro gole no vinho. – Precisamos brindar antes. – Propos.
– Certo... – Ergui uma de minhas sobrancelhas. – E ao que brindaremos, Swan?
– Ao meu palpite certo em mandar rosas vermelhas. – Posso ter subestimado Emma um pouco. Ela sabia jogar, mesmo que não como eu.
Emma bateu a taça dela na minha e, logo após o tintilar, aproximou-se de mim e tentou roubar um beijo, mas me afastei e fiz questão de cortar o clima.
– Emma, estou com fome. – Falei, sem muito importância. – Tem algo para comer aqui?
– Certo. – Ela sorriu para mim. Entendeu o motivo de eu ter desviado. Nenhuma de nós daria o braço a torcer.
Levantou-se e foi até a cozinha, trazendo, na volta, uma caixa de fondue.
– Ouvi dizer que fondue aproxima as pessoas. – Emma piscou para mim. – Gosta?
Concordei com a cabeça e lá foi ela fazer. Não demorou muito para que voltasse com a panela quente e dois garfinhos do conjunto de fondue.
– Antes de começarmos, proponho que façamos um jogo. – Emma disse. Olhei para ela, tomei um gole do vinho e ergui as sobrancelhas, esperando que ela falasse. – Quando alguma de nós derrubar o pão, a outra pode fazer ou perguntar o que quiser.
– É sério, Swan? – Revirei os olhos. Emma realmente parecia uma criança, às vezes. – É como verdade ou desafio? – Ri ironicamente. – Por favor, né.
Ela, sem dizer nada, espetou um pedaço de pão italiano e, empurrando com o dedo, derrubou dentro do queijo.
– Ops! – Fingiu ter sido sem querer. – Agora você pode me perguntar ou fazer o que quiser comigo. – Ponto para Swan. Bela maneira de fazer com alguém aceitei jogar seu jogo.
– Certo. – Dei mais um gole no meu vinho e ela fez o mesmo. – Homens ou mulheres te atraem mais? – Era apenas uma curiosidade e achei bom começar de forma leve.
– Eu gosto de pessoas, Regina. – Que resposta mais... Enfim.
Continuamos comendo, até que, para o meu azar, deixei um pedaço de pão cair dentro da panela.
– Minha vez. – Emma sorriu cheia de malícia. – Rose era boa de cama? – Parece que o vinho já estava fazendo um certo efeito em Swan. Que tipo de pergunta era aquela?
– Ficou interessada? – Aparentemente, estávamos mudando para aquele jogo antigo em que só se pode responder com uma outra pergunta.
– Melhor do que eu? – Sorri com aquilo
– Está se sentindo ameaçada, Swan? – Desafiei.
– Por que eu deveria me sentir ameaçada, sendo que não temos nada? – Droga! Emma sabe como me provocar.
– Swan, o que você respondeu para Rose, quando ela lhe convidou para sair?
– Ela palpitou que eu fosse sair com você para jantar e tentou me provocar com isso. – Assenti com a cabeça e perguntei o que ela respondeu. – Eu disse que não iria comer com você, disse que iria comer você. – Aquilo entrou em meus ouvidos e percorreu meu corpo inteiro.
– Minha vez. – Ela disse e eu não consegui protestar. – Chega de perguntas.
Emma foi se aproximando de mim e iniciou um beijo. Retribui. Sentir Emma dentro de mim, qualquer forma que fosse, me fazia delirar. Nossas línguas se acariciavam e fui sentindo um calor percorrer meu corpo. Ela, sem parar de me beijar, tirou a taça de vinho de minha mão, colocando em cima da mesa de centro e foi me deitando no tapete do chão. Uma de suas pernas se encaixou no meio das minhas e foi contra o meu sexo, ainda vestido. Desabotoou com calma meu vestido, deixando-me somente com as peças intimas, deitada sobre o meu vestido, deitada sobre o seu tapete. Beijou-me uma vez mais, contornando meu pescoço com a língua, proferindo alguns chupões em cima dele. Meu abdômen contraia a cada toque de Emma. Escorregou suas mãos para as minhas costas e eu as arqueei para que ela pudesse tirar meu sutiã. Sua boca voltou ao meu colo, chegando até meus seios, agora desnudos. Chupou o esquerdo e depois o direito. Percorreu o caminho pelo meu abdômen contraído e, delicadamente, foi tirando a minha calcinha. Sorriu ao ver meu sexo. Foi beijando todo o meu corpo, até que sua boca, finalmente, encontrou minha vagina. Passou a língua dentro dela. Meu corpo já era todo fogo, escaldando de antecipação. Invadiu todo o meu espaço pessoal com o músculo de sua boca, levando-a para cima e para beijo, tudo dentro de mim. Agarrei-me ao tapete felpudo, tentando me manter estável. Sua língua encontrou meu clitóris e depois minha entrada. Fiquei estremecida com aquilo. Eu estava quase gozando e Emma só havia usado sua boca.
– Emma. – Chamei-a para cima.
Olhei no fundo de seus olhos, quase pude ver seu desejo em sua íris verde. Beijei-a com intensidade e paixão. Seus dedos me invadiram, soltei um gemido rouco dentro de sua boca. Quatro dedos me estocavam com força. Minhas duas pernas se agarravam às costas de Emma. Seu braço entrava e saia. Entrava e saia. Entrava e entrou mais forte! Meus olhos se reviraram, meu corpo inteiro começou a tremer. Ela meteu cinco dedos em mim, o mais fundo que pode, e os mexeu ali dentro. Travei inteira. Com a respiração ofegante e os gemidos descompassados, meu orgasmo chegou e logo se apoderou as mãos de Emma. Seu corpo tombou sobre o meu, cansada. Com uma de minhas mãos, passei a afagar-lhe os cabelos e assim ficamos até os celulares das duas apitar no mesmo momento. Emma se levantou e trouxe os dois aparelhos.
De: Cora Mills
Para: Regina Mills
Passaremos a noite de amanhã com Fiona. Beijos, mamãe.
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De: Fiona Goode
Para: Emma Swan
Pré-natal amanhã na minha casa! Venha, querida. Beijinhos.
Não mostramos as mensagens uma para a outra. Apenas bloqueamos os aparelhos e ficamos deitadas no tapete por um bom tempo, trocando caricias e beijos.
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