The Devil Wears Prada

7 Capítulo VII - Seeing you on the rearview mirror.


Notas iniciais
O pedido de vocês é uma ordem. Aqui está mais um capítulo. Preparem-se para conhecer um pouco mais de Fiona e Cora.

Emma já estava em sua mesa, mas o escritório de Regina se encontrava vazio. Estranhou. Já estava ali sentada há quase uma hora e já era para a morena ter chegado. Uma mulher mais velha cruzou a porta de vidro da Mills. Era elegante da cabeça aos pés, usava um casaco pesado preto, provavelmente de pele, Emma não conseguiu saber. Seus cabelos castanhos avermelhados estavam presos em um coque um pouco desfeito e usava uma cor vermelha escura nos lábios. Não sabia quem era, mas, pela reação de Zelena, que se levantou em um piscar de olhos, sabia que era alguém importante. Fez o mesmo.

– Bom dia, senhorita Mills. – Zelena falou com timidez em seu tom de voz e Emma repetiu o cumprimento, mas a mulher entrou na sala de Regina, sem nada dizer, e fechou a porta.

– Quem era, Zelena? – Emma cochichou para a outra.

– Meu deus, Emma! Em que mundo você vive? – Revirou os olhos com impaciência. – Ela é uma lenda viva... Cora Mills, mãe de Regina. – A loira abriu a boca, surpresa. – Se Regina é o diabo, foi essa daí quem criou o inferno! – Riram daquele comentário.

– Por que será que está aqui?

– Ela sempre vem uma vez por mês. Criou a Mills, se aposentou, mas não consegue se distanciar totalmente. – As duas se sentaram novamente. – Já já ela vai pedir um... – Nem bem acabou de falar quando foi interrompida por Cora, que falava de dentro da sua sala.

– Onde está o meu mochaccino? — Usou um tom ríspido, fazendo as duas se levantarem rapidamente.

Emma correu para a máquina de café para buscar o que Cora desejava. Em questão de segundos, estava batendo na porta para entrega-la.

– Entre. – Conseguia ser mais dura na fala do que a própria Regina.

– Com licença, senhorita Mills. – Andou até a mesa, colocando a xícara perto da mais velha.

– Que gracinha! Colocou até uma bolachinha. – O rosto de Cora adquiriu uma expressão sarcástica.

– Pensei que fosse gostar. – Emma respondeu inocentemente.

– Pois é, mas não gostei. – Tirou a bolacha do pires e jogou no lixo, rindo por dentro dos olhos arregalados de Emma.

– Quer mais alguma coisa? – A loira ia fazendo menção de se retirar.

– Espera. – Cora levou a xícara até a boca, dando um gole pequeno. – Então você é a secretária nova? – A olhou da cabeça aos pés. – Regina havia me dito que não tinha interesse algum por moda... Não é o que vejo.

– Ah, sim, claro. – Emma transparecia todo o seu nervosismo gaguejando. – É que eu realmente não me interessava, mas não tem como trabalhar com a senhorita Mills e não entrar nesse mundo. – Movimentou a cabeça para trás, achando confuso o fato das duas serem chamadas de “senhorita Mills”. A solidão era um dos fatores para tal caso: não tinham ninguém para mudar seus sobrenomes ou para tirar o “senhorita” da frente. Apesar de que ela está mais para senhora do senhorita - Riu Emma, presa a seus pensamentos.

– Tem toda razão. – Cora gostou da resposta da loira. Ela era uma mulher difícil, mas, ao contrário de Regina, simpatizava com algumas (poucas) pessoas. – Você realmente lembra bastante o jeito de Rose.

– Rose? – Emma fingiu que não sabia muito sobre o assunto.

– Ex-mulher de Regina. – Bebeu mais um gole. – Espero que você só a lembre fisicamente, porque ela é uma pessoazinha... – Franziu a testa, mostrando seu desgosto pela mulher. Emma riu timidamente com aquele comentário. – Que horas Regina chega?

– Já era para ter chegado... – Dito isso, Regina entrou pela porta da sala.

– Mamãe. – Cumprimentou a mãe e postou-se, em pé, ao lado da cadeira ocupada por Cora.

Regina ficou olhando para Emma por algum tempo. Fitou as esmeraldas, que pareciam ganhar mais cor a cada olhada que lhe dava.

– Precisa de alguma coisa, Emma? – A rispidez de sua voz indicava que a loira deveria deixar o local.

– Não, não... – Gaguejou ao responder. – Com licença. – Retirou-se.

– Então é por isso que você a contratou, Regina? Que horror! Não lhe ensinei essas coisas. – Cora fez questão que sua reprovação fosse notada pela filha.

– Do que está falando, mamãe?

– Emma lembra Rose e você sabe disso. – Terminou seu mocaccino, enquanto olhava para Regina por trás da xicara.

– Mamãe. – Regina se dirigiu até a janela a fim de sair do campo de visão julgador da mãe. – Não fale besteiras. Emma é competente como minha secretária. É só isso. – Regina realmente não havia contratado a loira por fazê-la lembrar da ex, até porque ela queria esquecer qualquer coisa que havia tido com aquela mulher. O que Regina não sabia, pelo menos conscientemente, é que o jeito de Emma era o mesmo de Rose, típico de mulheres pelas quais ela já se apaixonou.

– Continue negando, eu vou ver como as coisas estão pela minha redação. – Levantou-se calmamente e ia se dirigindo a porta.

– Minha redação. – A voz da morena saiu abafada, ela falou entre os dentes.

– Faz-me rir, querida. – Cora soltou uma gargalhada forçada. – Você sabe que isso tudo sempre será meu.

– Isso tudo era seu... Não se esqueça que fui eu quem não deixou o seu “império” – Enfatizou a palavra fazendo o gesto de aspas com os dedos. – Fui eu e, se não fosse pelo meu trabalho duro, a Mills perderia feio para a Goode hoje. Dei e dou a minha vida por esse lugar, portanto, não me desmereça.

Cora sorriu cinicamente e foi caminhando até Regina, ficando cara a cara com ela.

– São escolhas da vida. Não fique se lamentando por trabalhar demais, você escolheu isso. – Retirou-se, sem ouvir o que a filha respondeu.

Regina se sentou em sua mesa, respirou fundo e bufou, impaciente. Cora sabia como tirá-la do sério, sempre soube.

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Por onde Cora passava, o medo se instalava. Ia passando de sala em sala para verificar o trabalho que era feito, sempre usando um tom arrogante e superior com qualquer um.

– Cora. – Killian sorriu, beijando-a no rosto.

– Jones. Como vai? – Ela retribuiu o sorriso.

– Tudo bem e com você? – Piscou ao dizer, sabia perfeitamente bem que Cora odiava ser chamada de “senhora”.

– Magnifico. Conheci a secretária nova hoje... Como se chama mesmo? – Ela fez exatamente o mesmo gesto que Regina fazia com as mãos, mostrando insignificância.

– Emma Swan. – Ele piscou. – O que achou?

– Provavelmente o mesmo que você acha. – Cora caminhou até a porta e mandou um beijo para o homem com as mãos. – Vá almoçar comigo qualquer dia, sinto sua falta. – Ia saindo, mas parou. – Aliás, como vai Cyrus?

Killian fez “mais ou menos” com a mão, jogando outro beijo para ela, que entendeu o que significava aquilo e se retirou.

Cruzou a porta de saída, sem se despedir de ninguém e esperou o elevador. As portas de metal se abriram e, para a surpresa de Cora, Fiona Goode estava encostada na parede do fundo.

– Cora Mills. – A loira olhou no fundo de seus olhos ao dizer aquilo.

– Fiona. – Cora a reverenciou com a cabeça, parando de costas para ela. – Já checou as tiragens dessa semana? – Alfinetou.

– Sim. Adivinha? Estou na frente... – Fez uma pausa para sorrir. – Mais uma vez.

Aquilo deixou Cora desconcertada. Não falou mais nada, apenas aguardou que o elevador chegasse ao térreo em silêncio. As portas, outra vez, se abriram e elas saíram. Fiona adiantou o passo e confirmou o que sentia: Cora, após todos aqueles anos, ainda usava o mesmo perfume. Fechou os olhos por alguns instantes, respirou fundo e seguiu para o seu carro. O motorista abriu a porta e ela entrou. Ficou encarando Cora gritando com o motorista atrasado, pelo celular, por trás dos vidros fumês de seu Jaguar. Seu coração ficou apertado, mas manteve a compostura.

Cora fez o mesmo. Acompanhou o caminhar de Fiona, reparando em suas pernas, que não haviam mudado nada. Seu coração também ficou apertado, todavia, manteve a postura superior habitual. Continuou com o olhar preso a Fiona, até desaparecer completamente por trás do vidro escuro de seu carro.

A história delas não poderia ser reescrita nunca. Muita mágoa ficou carregada em cada um de seus solitários corações, por isso era sempre a mesma coisa quando se viam. Os corações se apertavam, a respiração se descompassava, mas não ia adiante.

Fiona fez um sinal para que o motorista saísse, fitando, pela última vez, o rosto de Cora, através do retrovisor.

Notas finais
Bom, por hoje é isso. Foi um capítulo bem morno, mas é porque escrevi as pressas para não deixá-los sem. Aproveitei para apresentar um pouco da relação Cora/Fiona. Depois responderei a todos os comentários do capítulo passado e desse. Comentem, acompanhem, favoritem e um bom fim de quarta-feira para vocês. Obrigada por me darem tanto carinho através das palavras lindas que recebo.