The Devil Wears Prada
28 Capítulo XXVIII - Poisoned Rose.
Notas iniciais
POV Emma
Duas borrifadas de “Light Blue” eram o suficiente para a ocasião. Sei muito bem que Regina gosta do cheiro do meu perfume e, principalmente, sei muito bem como o corpo dela reage ao me respirar. Calcei minhas botas de salto, unindo-as a minha calça de couro preta, como os sapatos, uma blusa branca de tecido fino e lá fui eu. Pedi para que Nate, meu motorista, parasse em frente a uma floricultura que ficava perto de nossas casas. Rosas. Rosas vermelhas foram as escolhidas. Não demorou muito até eu chegar no prédio de Regina, afinal, moramos a algumas quadras uma da outra. O carro parou, meu coração acelerou.
– Vou estar estacionado do outro lado da calçada, senhorita Swan. – Meu motorista comentou, fazendo um sorriso brotar em meu rosto.
– Não precisa, Nate. Vá para casa descansar, já é tarde e acredito que passarei a noite aqui. – Retirei-me do veículo e, antes de fechar a porta, comentei: — E é Emma. Só Emma. – Ele riu e esperou que eu adentrasse o prédio para poder ir.
Logo estava em frente ao tapete vermelho de veludo que compunha o local, contrastando com a decoração toda dourada dos detalhes. Respirei fundo. O porteiro me cumprimentou com um gesto gentil. Pedi a ele que não interfonasse, pois faria uma surpresa. Caminhei a passos largos até o elevador, tamanha era minha ansiedade. Vi que o senhor foi indo atrás de mim falando algumas coisas, mas a porta já estava fechando e eu não queria perder mais um minuto que fosse. Apertei o 12, que é o seu andar. Não via a hora de reencontrá-la.
Assim que o elevador chegou ao local exato, meu coração acelerou. Os metais que me separavam de Regina se abriram e lá estava eu, parada em seu hall. Dei alguns passos e fiquei esperando antes de passar para a sala. Ouvi o estalar de seus saltos descendo as escadas e logo endireitei minha postura. Meu rosto corou e olhei para baixo, tentando me acalmar um pouco. O barulho cessou e pude ver seus pés parados em minha frente. Meus olhos foram subindo e, ao chegar ao corpo e rosto, não era Regina quem me aguardava!
– Rose?! – Perguntei um pouco surpresa. – O que faz aqui?
– Eu gostaria de saber o que você faz aqui! – Seu tom não era nada agradável. – Essa é a minha casa e da minha mulher, não lembro de temos lhe convidado para o jantar. – Sua ironia foi me deixando louca.
– Sua mulher? Você e Regina são divorciadas, por favor, não seja louca. – Respondi a altura.
– Éramos, querida. A gente voltou e estamos melhores do que nunca! – Aquilo me destruiu.
Regina vinha descendo as escadas com pressa e logo chamou o meu nome. Pude ver o espanto da minha presença ali em seus olhos. Ela parou ao lado de Rose e me olhou com os olhos arregalados. Nada disse. Como não sou de levar desaforo para casa e muito menos quieta, disparei:
– Regina, isso é... – Respirei fundo, procurando alguma palavra. – Isso é repugnante! Depois de tudo que essa mulher te fez, você volta com ela e? – Suas palavras me interromperam.
– Emma, eu posso explicar.
– Não! – Dessa vez fui eu. – Não quero ouvir nada. Vocês são duas pessoas sem coração, vocês se merecem. – Aproximei-me de uma mesinha para deixar as flores, mas logo mudei de ideia. Elas não mereciam ficar com aquelas duas megeras. – Regina, eu vim dizer que te amo. Deveria falar “amava”, no passado, mas, ao contrário de você, não consigo esquecer de alguém em uma tarde. – O choro ameaçava vir, entretanto, segurei. Não choraria na presença delas. – Nunca conheci duas pessoas tão frias e horríveis quanto vocês. Fria, em especial, você, Regina. Que decepção. – Ela tentou falar algo e eu dei as costas. Fui andando em direção a porta, ainda agarrada às flores em meu braço. Parei por um momento e me virei. – Sabe, vocês devem ficar juntas para sempre mesmo. – Olhei para o chão e voltei a encará-las pela última vez. — Sabe o que eu quero de verdade? – Fitei Regina no fundo de seus olhos. — Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma... Sinto muito se você é fraca demais para isso.
– Emma! – Ela ia vir atrás de mim, mas Rose a segurou pelo braço.
Continuei meus passos até o elevador e entrei ali sem olhar para traz. Assim que a porta fechou, meu choro apareceu. Lágrimas caiam por todo o meu rosto e tudo o que fez foi lembrar dos meus momentos com Regina.
– Está aflita? – Regina se virou para mim, que estava na poltrona ao lado.
– Um pouco. Tenho aflição de voar. – Meus dentes enrijecidos mostravam que estava com medo.
O avião decolou, dando alguns trancos durante a partida, deixando-me quase à flor da pele.
– Não fique com medo. – A mão de Regina foi de encontro ao meu braço, segurando-o com leveza, deixando o meu corpo inteiro arrepiado.
O toque de Regina ainda estava em mim.
– Até amanhã. – Sorri para ela.
Regina não desceu do carro. Olhou-me por algum tempo, notando meu nervosismo ao estar ali. Olhou por mais um tempo, tentando resistir aos desejos que sentia. Tentou resistir, lutou bravamente para controla-los.
– Algum problema? – Perguntei, um pouco desconfortável com aquilo.
Regina se aproximou de mim e, mais uma vez, tentou resistir, todavia, suas respirações estavam próximas demais e aquele arrepiou voltou... Colou os lábios nos meus, fechando os olhos e ficando ali por alguns seguidos. Conseguiu sentir um único arrepio atravessando os corpos das duas. Quando voltou a si, se afastou rapidamente, olhou-me uma última vez e saiu do carro, deixando-a sem palavras.
O beijo de Regina fez com que meus pensamentos voassem! Meu coração ainda estava disparado e sorria, sorria muito! Passeava com os olhos pela cidade americana. Jamais imaginei que a “Dama de Ferro” pudesse beijar-me e mais, jamais imaginei que aquele beijo me causaria tanto. Fiquei confusa, perdida, mas algo em meu coração havia mudado naquele momento. Regina tinha, enfim, um coração atrás de seus muros.
Desejei morrer. Sai do prédio cambaleando, olhei para o andar de Regina e imaginei as duas rindo de mim nesse momento. Peguei um táxi que passava e pedi para que me levasse direto para casa. A cada centímetro, perguntava-me o motivo dela ter mudado tanto, o motivo de ter feito isso comigo. Ser sensível era ótimo e, às vezes, arranhava bastante a alma.
Entreguei uma nota de 50 dólares ao taxista, nem esperei que me desse o troco.
– Moço. – Bati no vidro, já do lado de fora, e ele abriu. – Leve para quem você achar que merecesse. – Entreguei-lhe as rosas e um largo sorriso abriu em seu rosto.
– Tem certeza, senhorita? – Perguntou-me.
– Sim. Faça bom proveito. – Virei-me para entrar no prédio e ele me chamou a atenção.
– Moça, moça! – Gritou. – Muito obrigada, de verdade. Você fará a noite da minha mulher muito mais feliz.
– Pelo menos alguém terá uma. – Sorri em retribuição e adentrei o meu prédio.
O senhor Charles me cumprimentou animado, mas não consegui devolver a mesma empolgação. Entrei no elevador e depois em meu apartamento, arrastava meus pés com dificuldade e pesar. Como Regina pode ter feito aquilo comigo? Joguei a bolsa no sofá, peguei meu celular no bolso do casaco e não havia nenhuma notificação, nada dela tentando se desculpar.
– Merda! – Desliguei o aparelho e joguei o mais longe que pude.
Tudo o que eu preciso é uma garrafa de vodca e cigarros! Fui até o bar, peguei uma Absolut Gold, ainda fechada, abri e dei um enorme gole. A bebida desceu queimando pela minha garganta. Eca! Odeio bebidas fortes, só que a ocasião pedia, de fato, qualquer coisa que me tirasse do estado consciente. Regina filha da puta! Bati na boca depois de pensar naquilo. Cora não merecia ser xingada por ter uma filha como aquela. Acendi um cigarro, peguei a minha vodca e fui para a varanda da parte de cima. Deixei meu corpo cair sobre uma das espreguiçadeiras. As estrelas já não brilhavam fortes como antes, exceto pelo reflexo de cada lágrima que preenchia meu olhar vazio.
+++
POV Regina
Meu coração ficou demasiado apertado com a cena de Emma. Ela me trouxe flores tão bonitas, mas, mesmo assim, não superavam o sorriso incrível que trazia no rosto. Tentei descer antes para atender a porta, entretanto, Rose foi mais rápida e eu assisti a tudo em cima dos degraus. Perdoe-me, Emma. Gostaria que ela soubesse que não estava agindo daquela forma por querer. Suspirei. Meus olhos me ameaçaram com algumas lágrimas, engoli-as.
Rose continuava com aquele sorriso cínico e nojento estampado em seu rosto.
– Acabou o show da sua namoradinha?! – Perguntou-me assim que Emma saiu. – Gostei da forma como você agiu, Regina. Está de parabéns. – Revirei os olhos com a provocação barata. – Venha, vamos comer.
Sem forças para reagir, segui-a pela sala até a sala de jantar. Sentei-me em na cadeira ao lado da ponta da mesa e ela se sentou em minha frente. Granny trouxe os pratos e pude reparar o quanto ela também estava desconfortável com aquela situação. Colocou os pratos e se retirou, deixando Rose furiosa.
– Sua empregada não irá nos servir? – Olhou-me indignada. – Você deixa a criadagem te desrespeitar assim?
– Rose, fique quieta! – Não aguentava mais ouvir sua voz. – Primeiro, Granny é da família e ela faz como quiser. Segundo, não fale “criadagem” que é horrível e mal educado. Terceiro, ela não estava me desrespeitando e sim a você. – Empurrei meu prato para frente. Não iria comer nada.
– Quero que a demita. – Olhei-a com reprovação.
– Não farei isso. – Limitei-me a dizer. Ela servia seu prato como se nada fosse.
– Mas eu mando em você, Regina. – Sorriu em minha direção.
– Rose, eu não vou demiti-la!
Levantei-me e subi as escadas até o quarto. Rose estava conseguindo fazer da minha vida um inferno e esse era só o primeiro dia.
Tirei as roupas que usava e entrei no banho, tentando amenizar um pouco os fatos ocorridos durante o dia. A água caia em meu rosto e se misturava as lágrimas. Eu estava frustrada. Derrotada. A dor foi ficando anestesiada dentro de mim. Foi assim que sempre fiz: engulo a dor. O preço que se paga é alto, porém, não consigo ver outra saída para lidar com essa situação. Não hoje.
Sai do banheiro e Rose aguardava para tomar o seu banho.
– Vou tomar um banho rápido e nos deitamos, certo? – Seu sorriso me enojava.
Passei reto, sem responder e fui para o quarto de vestir colocar meu pijama. Sabia que Rose tentaria algo, então vesti uma calça de uma blusa de seda. Nada de camisolas! Eu faria o que pudesse para dificultar sua aproximação de mim.
Deitei na cama e logo apaguei o abajur. Meu coração chorava... Logo agora que me abri para alguém, logo agora que me lembrei de sentir, me permiti querer e... Não. Balancei a cabeça. Não iria colocar em palavras o que pensava sentir por Emma. Fechei os olhos e deslizei meus dedos por ali, tentando engolir o choro. Para a minha infelicidade, Rose saiu do banheiro, já vestida, e se deitou ao meu lado.
– Vamos, Regina, eu sei que você sentiu minha falta. – Jogou seu corpo para cima do meu, fazendo com que me sentisse desconfortável.
– Não, Rose, eu não senti. – Virei meu rosto na tentativa de escapar de sua boca, que me procurava com sede.
Ela não parou. Senti seus lábios em meu pescoço, dava chupões que um dia já me arrepiaram, mas hoje me entediavam.
– Pare, Rose. – Tentei empurrá-la e ela insistia. Subia seus beijos até minha boca, mesmo sem receber um único selinho em troca. Roçava os lábios pelo meu rosto, tocando vez ou outra meus seios ou meu sexo. Meu corpo não reagiu. Levantei-me com raiva e sai do quarto, deixando-a sozinha na cama. Passei pelo banheiro e peguei algum remédio que me fizesse dormir. Ao entrar no quarto de hóspedes, tranquei a porta e tomei dois comprimidos. Deitei na cama me sentindo péssima. Queria falar com Emma, vê-la, tocá-la e não podia. Fechei os olhos chorosos e tentei livrar meus pensamentos de Swan.
Fale com o autor