The Devil Wears Prada

27 Capítulo XXVII - I want, but I can't.


Notas iniciais
Amores, me desculpem por não ter respondido aos comentários. Prometo responder a todos hoje a noite, tá? Quero agradecer a quem está acompanhando, quem favoritou e comentou! Seguinte, já deixei tudo muito fofo por alguns capítulos, né? Hora do drama. Aproveitem.

POV Fiona

Acordei cedo para sair logo deste lugar. Hospitais só são bom quando venho fazer alguma plástica ou aplicações de botox, de resto, para nada me serve. Cora dormiu na poltrona ao meu lado. Voltamos para depois de nossa pequena aventura noturna e pegamos no sono enquanto conversávamos. Ficamos anos sem realmente discutir alguns assuntos, foi bom poder tocar neles.

– Querida. – Cora voltou para o quarto, trazendo Regina atrás de si. – Acabamos de falar com a Callie e você já pode ir. Vou até a recepção assinar alguns cheques e Regina te ajuda a pegar as coisas. – Ela se aproximou da cama, onde eu estava sentada, me dando um beijo carinhoso na testa.

– Regina, que bom vê-la. – Cumprimentei a tão temida “Dama de Ferro”, que hoje, estranhamente, não parecia fazer jus ao seu apelido. – Não tive a oportunidade ainda, mas gostaria de te agradecer.

– Me agradecer pelo que, Fiona? – Ela sorria tranquilamente enquanto se aproximava.

– Sei que foi você quem me salvou. Foi você quem ligou para a Callie e manteve sangue frio. – Fiz uma pausa e levantei meu olhar para ela, que antes fixava o chão. – Muito obrigada.

Regina me sorriu mais uma vez e segurou uma de minhas mãos.

– É bom vê-la assim... Viva! – Brincou. – E feliz.

– Vejo que não sou a única pessoa feliz, não é mesmo? – Arrisquei a pergunta. Sei muito bem o gênio que Regina tem, então é preciso ir com calma para não ser demasiadamente evasiva.

– Sim, minha mãe também está. – Estreitei os olhos em sua direção.

– Regina, sabe que não me refiro a ela, não sabe? – Ela revirou os olhos e soltou minha mão.

– Eu estou tranquila. – Limitou-se a responder.

Não acreditei muito em suas palavras, todavia, se essa era a forma como queria fazer, respeitei. Ficamos conversando enquanto eu me vestia.

– Traje hospitalar é uma tentativa de assassinato a moda! – Resmunguei e Regina concordou rindo. – E Emma? Por que não veio?

– Ela precisava resolver algumas coisas de próximo ensaio. Disse que iria direto para sua casa. Pobrezinha, é tão desorganizada com alguns compromissos. – Deixei que ela falasse. – Sai de sua casa ainda cedo e ela estava quase subindo pelas paredes. – Regina riu e eu me virei para que ela puxasse o zíper do meu vestido.

– Você dormiu com ela? – Consegui sentir sua respiração um pouco mais forte em minha nuca; era impressionante como Regina resistia aos seus sentimentos.

– Sim, estava cansada e abatida demais para voltar para casa. – Seu tom mudou e se tornou um pouco mais distante.

– Lembro-me de Emma comentar que você não dormia com ela... – Regina fez menção a uma réplica, mas Cora chegou.

– Tudo pronto para irmos? – Ela se aproximou de mim, enlaçando minha cintura em um abraço gostoso.

Saimos de lá e pude fumar sossegada um cigarro enquanto o motorista trazia o carro.

– Pensei em fazer um almoço em casa hoje. O que acham? – Sentamos as três no carro de Regina e logo fiz o convite. Cora concordou e sua filha não disse nada. Olhei para Regina em busca de uma resposta, mas seus olhos estavam fixados na tela do celular que tocava. – Não vai atender, querida?

Ela atendeu o aparelho e sua expressão mudou. A Regina leve que existira até alguns minutos atrás sumiu completamente, dando todo lugar e espaço para a “Dama de Ferro”. Ela respondeu monossilabicamente e desligou a ligação.

– Não poderei ficar para almoçar, Fiona. – Respondeu sem nem me olhar. – Colburn, iremos para o escritório depois de deixa-la.

+++

POV Regina

Aquela ligação me pegou de surpresa. Rose não se manifestava há meses, provavelmente estava tramando fazer toda essa sujeira que faria.

– Droga! – Bati no banco de couro do carro e Colburn me olhou pelo retrovisor.

– Algum problema, senhorita Mills?

– Rose, sempre Rose. – Resmunguei.

Dessa vez ela tinha ido longe demais.

Cheguei ao escritório e ela me aguardava com uma pasta em sua mão. Zelena tentou se desculpar por Rose ter entrado, mas eu conhecia muito bem minha ex-mulher, sabia que não adiantava tentar impedi-la. Passei sem cumprimenta-la e fui em direção a minha sala, ela me seguiu e pude reparar que sorria. Rose só sorria quando faria algo benéfico para ela mesma.

Sentei-me na minha cadeira e apontei para uma das que ficavam em frente à minha mesa, convidando-a, a contra gosto, a se sentar.

– Olá, meu amor. – Seu tom irônico era asqueroso.

– Vá direto ao assunto, Rose, tenho muito a fazer hoje. – Apoiei os braços na minha mesa e massageei minhas têmporas, a fim de aliviar um pouco a dor de cabeça que me consumia.

– Credo! Quanta grosseria! – Ela ria e aquilo me deixava com mais raiva. – Bom, Regina, é o seguinte. – Fez uma pausa e abriu a pasta. – Por um acaso você sabe quem é a Ingrid? – Meus olhos se arregalaram com aquela informação; fiz que sim com a cabeça. – Certo. Sua mãe não podia abrir uma empresa totalmente em seu nome, por isso, pediu que a sua namorada da época colocasse o dela também.

– Sim, eu sei. – Respondi angustiada. – E daí?

– E daí, meu amor, que Ingrid passou a odiar a minha sogrinha depois que foi trocada por outra mulher. – Provavelmente falava de Fiona. – E olha que não sei como isso foi acontecer, pois estive com Ingrid há alguns dias e aquela mulher é realmente incrível na cama.

– Você é nojenta, Rose. – Revirei os olhos.

– Posso até ser, mas, depois de algumas noites assim, convenci Ingrid a fazer o que era certo.

Aquilo me atingiu com força. Eu poderia adivinhar quais seriam suas próximas palavras. Revirei-me na cadeira, mostrando desconforto com a situação.

– Agora, Regina, eu possuo 49% das ações da Mills. – Rose deslizou a papelada sobre a minha mesa.

Peguei os papéis e fui lendo. Não poderia acreditar que aquilo era verdade. Meus olhos corriam rapidamente por cada frase escrita e, infelizmente, era sim verdade.

– Portanto, meu amor, — Ela se levantou de sua cadeira e se aproximou da minha. – É bom você começar a fazer exatamente o que eu quero, ou posso vender essa ações por um preço baixo e toda a credibilidade da sua empresa irá por água abaixo. – Rose se abaixou, distribuindo beijos pelo meu rosto. Não a impedi. Eu não consegui. A frustação que sentia naquele momento era impetuosa, eu não poderia perder a Mills. Seus beijos quentes foram descendo até meu pescoço e tudo o que quis fazer era sumir naquele momento. Levantei-me.

– E o que você quer, Rose? – Aproximei-me da janela, fitando os prédios que ficavam próximos ao meu.

– É uma resposta tão óbvia, Regina... – Olhei para ela com um sorriso enorme no rosto. – Eu quero você. Não quero mais que se encontre com Emma, quero você só para mim, como antes.

Abaixei a cabeça. A tristeza me consumia sem piedade alguma. Queria chorar, gritar... Queria sumir. Rose foi indo em direção a porta. Ela sabia que eu não abriria mão da minha empresa, caminhava vitoriosa. Parou em frente ao vidro e, antes de deixar a sala, virou-se para mim.

– Te vejo à noite, minha linda. – Mandou um beijo no ar e se foi.

O ar parou a minha volta. Sentei-me na cadeira e fiquei olhando para frente com os olhos marejados. Frustrados. Rose conseguiu o que queria. Meu celular apitou e puder ver o número de Emma na tela.

De: Emma Swan

Para: Regina Mills

Regina, vai jantar comigo essa noite?

Meus olhos se encheram de água. Quis escrever: Não, Emma, não vou... Não vou porque o mundo é injusto quando tento ouvir meu coração. Não vou não por deixar de gostar de você, muito pelo contrário, não vou por te gostar tanto. Não vou porque não poderei olhar os seus olhos, seu sorriso, sua boca e não lhe tocar. Não vou porque meu coração dispara e para quando te vejo. Não, Emma, eu não vou mais poder ser sua e não faço ideia de como fazê-lo, pois já nem sou mais minha. Não vou porque me falta coragem. Não vou, mas não pense que não vou porque não te gosto... Oh, não, isso jamais! Eu não vou porque meu coração é teu, mas meu destino é de outra.

Mas eu não podia dizer tudo aquilo. Eu não podia mais ter Emma Swan em mim daquela forma.

De: Regina Mills

Para: Emma Swan

Não vou, Swan. Inclusive, gostaria que parasse de me aborrecer.

A cada letra digitada, um pedaço do meu coração se destruía.

Zelena entrou na sala e, pela primeira vez em anos, me viu chorando. Aproximou-se toda solicita e ficou parada, em pé, ao meu lado.

– Precisa de alguma coisa? – Perguntou.

Olhei para ela e trouxe de volta a “Dama de Ferro”. Enxuguei as minhas lágrimas e, com a voz firme, respondi:

– Quero que faça o seu trabalho. – Ela me olhou surpresa. – É só isso.

Retirou-se da sala em um pulo.

+++

POV Emma

Resolvi mandar uma mensagem para Regina, algo que não deveria ter feito. É claro que tudo o que ela teve ontem foi apenas um lapso, uma forma de defesa para o que havia acontecido. Regina gosta de mim, mas não como eu gosto dela. Não perde o ar ao me ver... Ela brinca. Ela apenas brinca comigo. Diverte-se e tem um apoio.

– Regina respondeu? – Fiona se aproximou de mim, perguntando-me.

– Sim. – Mostrei a mensagem a ela e, ao ler, ficou surpresa.

– Que estranho! Ela parecia tão feliz, tão leve pela manhã. – Fiona estreitou os olhos, pensando na ligação que Regina recebeu ainda no carro.

– Talvez eu deva passar na casa dela hoje, o que acha?

– Claro! Regina tem um coração duro por fora, mas tudo o que ela precisa é de amor. Do seu amor, Emma! – Ela me abraçou com carinho, dando um beijo em minha testa. – Fique maravilhosa para ela e surpreenda-a.

– Fiona, eu senti sua falta. Nunca mais fique longe, mesmo que só por algumas horas. – Abracei-a com mais força antes de me desvencilhar de seus braços. – Muito obrigada.

– Você é a minha estrela, Emma. Sabe disso! – Piscou para mim e me retirei.

Não importa o modo como Regina falou comigo. Ela se importou na noite passada, pediu para dormir, e só dormir, comigo. Seria digno de Regina fingir que nada aconteceu depois, mas eu sei que, no fundo, a minha “Dama de Ferro” não era tão de ferro assim. No fundo, Regina apenas queria amar e ser amada.

Meu motorista chegou e logo entrei no carro. Resolvi não mandar mais mensagens. Se eu queria surpreende-la, o modo certo era indo pessoalmente falar para ela deixar de ser boba e seguir seu coração. É isso! Eu não aceitarei mais os caprichos de Regina! Já me entreguei inteira, de modo que nunca pensei fazer, e sei que ela gostou muito disso. Não vou deixar que ela se distancie mais uma vez. Pedi para que o chofer fosse direto ao meu apartamento.

Assim que cheguei, coloquei uma música relaxante no iPod. “O Morro Não Tem Vez”, de Tom Jobim, preencheu cada espaço do meu banheiro cheio de azulejos azuis. Liguei a água da banheiro, esperando que ela esquentasse. Joguei alguns sais de rosas e outras flores; logo começaram a se misturar a água fervendo que caia do chuveiro. Todo o espaço vazio foi sendo preenchido por aquelas águas, agora calmas, e perfumadas. Retirei minha roupa e entrei. Com um isqueiro deixado na pia, ascendi as velinhas vermelhas que rodeavam a banheiro e bati duas palmas, deixando a luz do local mais fraca. Como eu acho incrível essa tecnologia das palminhas! Fechei os olhos, deixando minha cabeça cair para trás e fui sentindo cada um dos jatos de bolhas atingirem minha pele. Meu êxtase foi ficando cada vez mais profundo e gostoso... Eu precisava estar relaxa pelo que viria a acontecer a noite. Regina podia fugir o quanto ela quisesse, podia tentar me distanciar e o que quisesse, eu não me importava mais. Regina poderia agir como a "Dama de Ferro" o quanto ela quisesse, a diferença é que dessa vez eu estava pronta para segurá-la! Eu iria me dizer tudo aquilo a Regina. Dizer que não só gosto dela, não. Eu a amo!

Notas finais
1- Alguém esperava por essa? #PorraRose 2- Tive menos comentários no capítulo anterior e vocês sabem, isso me deixa super sem ânimo para escrever. Comentem, por favor, gosto de saber o que estão achando. Até o próximo, amores.